sexta-feira, 27 de julho de 2012

III - As regras certas e a dinâmica do jogo: treinando a organização


ofensiva – parte III



Confira algumas sugestões de regras para o treinamento dos aspectos ofensivos de sua equipe e interaja conosco

O tema desta semana se refere à sequência das colunas publicadas meses atrás relativas ao treinamento e, consequentemente, ao jogar de qualidade. Se você não teve oportunidade de ler a primeira ou a segunda partes, aconselho que retome a leitura a fim de que o texto não adquira uma conotação de “receita de bolo”, para ser reproduzida sem a mínima reflexão.

Conforme havia mencionado, as sugestões de regras apontadas nas próximas linhas favorecem o treinamento da organização ofensiva de sua equipe. Para continuar, outro conceito que não pode ser perdido na interpretação das regras e, obviamente, na elaboração e aplicação do treino diz respeito aos fractais, abordado noutra coluna semanas atrás.

Para treinar alguns Meios Táticos Ofensivos como Desmarques, Apoios, Mobilidade com ou sem Trocas de Posição, as seguintes regras podem ser utilizadas para compor o jogo:

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e a equipe pontuar quando receber passes em setores desocupados pelo adversário. Esta regra força os jogadores da equipe que detém a posse de bola a buscarem constantemente os espaços vazios no campo de ataque do adversário;

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e o atleta que fizer o passe deve mudar de setor, caso contrário, pontuação ao adversário. Esta regra faz com que o atleta que realizou o passe internalize o conceito de dar sequência a jogada mesmo após ter realizado uma ação direta com bola;

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e a cada passe feito no campo de ataque todos os atletas que estão no campo ofensivo (com exceção do jogador que recebeu o passe), devem mudar de setor. Uma regra que favorece significativamente a mobilidade ofensiva, mas deve ser feita somente quando os atletas dominarem competências prévias relativas à movimentação da equipe, pois a desordem gerada no jogo devido às constantes mudanças de setores pode dificultar a aplicação do jogo;

• A equipe pontuar quando houver uma troca de posição entre dois jogadores no campo de ataque, em que um dos jogadores responsáveis pela troca receba um passe. Regra que implica que a equipe que possui a posse de bola execute trocas de marcação com o objetivo de dificultar e desorganizar a organização defensiva adversária. Como envolve somente três jogadores (o que faz o passe, além dos dois que realizam a troca), esta regra possui maior facilidade de aplicabilidade;

• A equipe pontuar ao trocar um número determinado de passes no campo de ataque sem poder devolver o passe para o jogador no qual o atleta o recebeu. Espera-se com esta regra que o atleta que fez o passe não seja o próximo a realizar o apoio e que demais atletas aproximem-se do que recebeu a bola, abrindo-lhe linhas de passe;

• Restrição do número de toques na bola por jogador. Regra bastante utilizada e propagada para acelerar o jogo ofensivo, logo, exigir maior mobilidade coletiva;
Para estimular o Meio Tático Ofensivo de Fintas e Dribles, como sugestões de regras:

• Delimitar um setor próximo à zona de risco em que um drible realizado precedido por um passe equivale a uma pontuação. Estimula os atletas a tentarem jogadas individuais em setores próximos ao alvo em que a equipe precisa manter a posse de bola;

• Gol precedido por drible em setores próximos à zona de risco ter pontuação maior que demais gols. Regra que privilegia o drible que antecede a finalização, ou seja, uma das poucas circunstâncias do jogo em que este recurso precisa ser utilizado;

• Dividir o campo em setores em que o drible é permitido. Executá-lo em setores não permitidos e a equipe perder a posse de bola, pontuação para o adversário. Regra que busca o aprendizado coletivo dos setores ideais para a realização do referido Meio Tático;


Lembre-se de dividir corretamente os pontos para o jogo ficar competitivo. Do contrário, a Lógica do Jogo criada pode privilegiar comportamentos coletivos distantes do que idealiza para a equipe.

Aguardo sugestões de como você treinaria cada um destes Meios Táticos. Esta troca de informações é muito enriquecedora.

Para finalizar, lembre-se também que as preocupações técnicas-físicas-mentais para o desenvolvimento do jogo devem acontecer. Por isso, o controle adequado do tempo de estímulo, tamanho do campo, ações técnicas predominantes e até a observação e intervenção diante de comportamentos individuais durante o jogo devem ser estabelecidas para que o seu TODO seja contemplado.

E ainda falam que o futebol (ensinar e jogar) é fácil...

As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade!


 parte II

Planeje distribuição dos pontos; regras devem levar à aquisição de comportamentos pretendidos por você

Após a coluna da semana anterior alguns leitores me perguntaram sobre o modelo de periodização que defendo. Como o futebol, em sua essência, é um jogo, qualquer planejamento de treinamentos que não periodize o jogar complexo e sim fragmentos da modalidade estará minimizando resultados, pois dedicará horas cruciais das sessões de treino para o desenvolvimento de capacidades isoladas e, portanto, distantes das situações-problema impostas pelo jogo.

Posto isso, evidencio que sou adepto de uma periodização com fundamentação sistêmica, que não é a tática, dada as diferenças que vejo em minha atuação, e também não é a complexa de jogo, devido às minhas limitações/poucas informações acerca deste modelo.

São por motivos como estes que expus minhas dúvidas e questionamentos num dos ambientes mais favoráveis para se discutir futebol no Brasil. As dúvidas e questionamentos se limitaram à vertente física do jogo. Afirmo, porém, que inquietações também existem para as demais vertentes...

Dúvidas à parte (que sempre existirão numa busca constante por conhecimento), é momento de pensar a sessão de treino. E para criar jogos em que as situações-problema sejam semelhantes as que irão ocorrer nas competições, estejam certos (e para isso, obviamente, não há dúvidas) que as soluções não estão nos intervelados de corrida, nos treinos pliométricos, na sala de musculação, nas caixas de areia, nas trações, nos tático-sobra, nos coletivos sem bola, na repetição de fundamentos ou em quaisquer outros treinos analíticos.

A solução está nos jogos bem criados e corretamente orientados.

Acertar na criação de um jogo parece simples, porém, ao longo de minha jornada profissional como atleta ou gestor de campo vivenciei inúmeras situações que foram jogo, mas, mesmo assim, estavam distantes (ainda que melhor do que os treinos analíticos) do jogar desejado.

Já joguei o conhecido “futebol alemão” durante incontáveis semanas seguidas com as mesmas regras e as mesmas intervenções do treinador. Semana após semana, nossos problemas e adversários não eram os mesmos, porém, os treinos sim. Também já presenciei discussões que o mesmo jogo pode ter objetivos diferentes, inclusive opostos. Por exemplo, trabalhar o igualmente conhecido “passa 10” para objetivos como a posse de bola e para a recuperação da posse de bola.

Penso que para jogos iguais, objetivos iguais (no máximo, semelhantes). Lembrando, é claro, que se houve a adição de uma regra sequer, já não é mais o mesmo jogo.

Enfim, inúmeras situações de treino vivenciadas poderiam ter maior eficácia e contribuição na construção de um jogar coletivo de qualidade. O desconhecimento, gerado pela incompetência inconsciente, e até mesmo a preguiça de pensar o treino são fatores limitantes na criação de jogos.

Algumas ações podem ser suficientes para impedir a ocorrência destes erros. Entre elas:

• Saiba exatamente o nível em que se encontra sua equipe para cada um dos momentos do jogo;

• Saiba exatamente o nível que você pretende atingir em cada um dos momentos do jogo;

• Decida quais são os objetivos do jogo que será criado;

• Defina as regras do jogo.

É justamente ao definir as regras do jogo que muitos se perdem. Definem um objetivo, mas criam regras que se desencontram; estabelecem regras vagas, distantes do que se quer construir; são incoerentes com as pontuações, privilegiando ações de fácil execução; definem muitas regras, deixando o jogo confuso, definem poucas regras, deixando o jogo pouco complexo. Ou seja, erros que podem ser fatais na rodada seguinte.

Para criar regras convergentes para o objetivo de desmarcações, por exemplo, é possível privilegiar o passe recebido em um espaço vazio no campo ofensivo. Para trabalhar recuperação da posse de bola, punir a equipe que não recuperar a posse a partir de um setor delimitado em um curto espaço de tempo é uma opção. Para trabalhar progressão com passes curtos, a obrigatoriedade de passes pra frente até a intermediária ofensiva pode ser uma boa ideia.

Em relação às pontuações, deve se atentar ao fato de nenhuma ação ter maior pontuação que o gol, pois para cumprir a lógica do futebol formal (é para isso que se treina) gols precisarão ser feitos. Exemplificando: dar maior pontuação para a posse do que para o gol pode criar o mau-hábito em uma equipe querer fazer mais a posse do que o gol.

Pode ser interessante pensar na seguinte combinação: posse no ataque por 15 segundos = 1 ponto; gol = 2 pontos; posse + gol = 5 pontos.

Já sobre a quantidade de regras, insira mais ou menos de acordo com os objetivos pretendidos e respeitando o já mencionado nível de sua equipe e o princípio da progressão complexa.

Com o jogo elaborado, o último detalhe, mas não menos importante, compreende a correta intervenção do treinador. É dele a missão de construir referências coletivas comuns que no jogo formal se manifestarão adequadamente em ações correspondentes à auto-organização do jogo.

Na próxima coluna que tratar deste tema, será iniciada a discussão de regras favoráveis à aquisição de determinados comportamentos coletivos referentes à organização ofensiva.

Para quem tiver interesse, disponibilizo por e-mail uma planilha orientadora para treinamentos. Nela, será possível atentar-se para elementos centrais na elaboração de uma sessão de treino e estabelecer as inter-relações e combinações do jogo criado com os objetivos propostos.

As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade


 parte I

Proposta debate regras que podem potencializar aquisição de comportamentos coletivos na equipe

Você tem sido assertivo na elaboração do seu planejamento semanal? As atividades que você e sua comissão técnica pensaram estão colaborando satisfatoriamente para a evolução do nível de jogo de sua equipe? A evolução tem incidido sobre as quatro vertentes do futebol ao mesmo tempo? O jogo que você joga em sua cabeça para cada uma das imprevisíveis situações de um jogo contra qualquer adversário, seus jogadores também o tem jogado?

A resposta afirmativa para estas questões introdutórias, de profissionais do futebol que trabalham a partir de uma perspectiva sistêmica, é difícil inclusive para quem já tem experiência em utilizar o jogo como método de ensino. Se respondeu positivamente, esteja certo de que você, sua comissão e, principalmente, sua equipe estarão à frente das demais.

Caso a resposta não seja afirmativa, mesmo que para somente uma das perguntas (apesar de acreditar que todas estão inter-relacionadas), um dos motivos pode ter origem nas regras das atividades criadas que, com as reflexões proporcionadas nas próximas linhas, terão possibilidades de solução.

Há alguns meses, publiquei sobre a importância do princípio das propensões na elaboração da sessão de treinamento. Na ocasião, mencionei, porém não me aprofundei, a importância da correta elaboração das regras dos jogos criados para o cumprimento deste princípio.

Mais recentemente, elaborei uma atividade de análise de jogo qualitativa para diferentes turmas de um curso de pós-graduação em futebol no qual sou professor. A avaliação consistia em, a partir da cópia digital do jogo em formato de DVD e determinados intervalos de tempo, analisar o comportamento de duas equipes em cada um dos momentos do jogo. Além disso, foram propostas duas questões finais que solicitavam a elaboração de uma síntese de um novo Modelo de Jogo da equipe derrotada e a criação de uma atividade que, pelas suas características, poderia levar a cabo o comportamento pretendido.

Digo “poderia”, pois, como afirmam alguns estudiosos da modalidade, os exercícios de futebol em situações de jogo são somente potencialmente específicos. Transformá-lo em jogo, garantir o estado de jogo por parte dos participantes e intervir didática e corretamente são questões indispensáveis para quem adota este método.

E ao analisar os inúmeros trabalhos, cerca de 40 dos mais de 60 que tenho para corrigir, percebi uma grande dificuldade dos alunos (daqueles que realmente fizeram e não dos que somente copiaram) em transformar determinado objetivo, mais especificamente algum exercício, em jogo. Ou seja, eu esperava mais!

Quem acompanha futebol de alto nível pode observar a manifestação de diversos princípios de jogo e ter o interesse despertado em criá-los em sua própria equipe. Bloco alto, pressing zonal, penetração, amplitude, compactação, flutuação, progressão com passes curtos, mobilidade são apenas alguns dos exemplos de comportamentos coletivos das grandes equipes do futebol mundial que muitos treinadores (dos mais variados segmentos e escalões) tentam reproduzir em seus liderados.

Todavia, na tentativa desta reprodução pode estar o grande equívoco na elaboração dos jogos. Como já abordei na coluna de tempos atrás, uma equipe não irá compactar adequadamente na sessão de treinamento se isto não for uma referência coletiva comum para dada situação-problema do jogo criado.

Uma equipe não irá progredir predominantemente com passes curtos se este comportamento não for hábito. Enfim, para cada atividade criada, não basta seu interesse em estimular determinado princípio de jogo. As regras, que formarão um exercício com uma lógica própria, devem convergir para aquilo que precisa ser treinado.

Como sabemos, no futebol, as regras e referências do jogo (alvos, terreno, bola) deixam claros que quem fizer mais gols será o vencedor da partida. Já nas sessões de treinamento, as regras e elementos do jogo podem (e devem) ser diferentes. E com o objetivo de auxiliar na elaboração/criação de regras que potencializem a ocorrência de determinados comportamentos coletivos, em colunas futuras sobre este tema, trocaremos discussões e sugestões que acelerem nosso processo de resposta afirmativa para os quatro questionamentos do início do texto.

Acredito que a eficácia na manipulação de todas as regras do jogo de futebol e a adequação para o nível de jogo atual além do pretendido são variáveis determinantes para o sucesso de sua equipe. Aqueles que nunca treinaram com jogos, com o norte de algumas regras como auxílio, poderão acelerar o processo de capacitação a aceitação do método. Aqueles com visão integrada poderão perceber se as regras que criam para atingirem determinados objetivos físicos (ou técnicos, ou táticos) estão em consonância com o Modelo de Jogo da equipe e com a Lógica do Jogo de futebol e, por fim, aqueles que dominam a utilização de jogos na perspectiva da complexidade poderão contribuir significativamente com novas possibilidades e comentários que serão publicados com os devidos créditos na coluna posterior que tratar do tema.

E quando muitos de nós estivermos respondendo afirmativamente para aquelas quatro questões do início do texto, provavelmente, teremos que rever nossos conceitos, pois os estudiosos do futebol (aqueles mesmos que afirmam que os exercícios são somente potencialmente específicos) também afirmam que o Modelo de Jogo deve ser utópico, inatingível e em constante evolução.

Coisas do (complexo) futebol!

Pliometria para o desenvolvimento de força no futebol


Pliometria para o desenvolvimento de força no futebol

Tipo de ação muscular que gera estiramento mesmo contraindo é a ação excêntrica. Mas como ser efetivo?

Entre as capacidades motoras necessárias para a prática do futebol estão a força rápida, também chamada de força explosiva e a velocidade. Das diferentes estratégias utilizadas para o desenvolvimento dessas capacidades, sem dúvida, a pliometria é uma das mais importantes.

Ao contrário do que muitos imaginam, pliometria não significa simplesmente saltar. O termo plio significa "maior" e o termo metric se refere a "média". Ambos são oriundos do vocabulário grego pleytein que também significa "aumentar" e, portanto, pliometria significa aumentar o tamanho da musculatura.

Nesse tipo de exercício o músculo esquelético deve ser "aumentado" como se estivesse alongando ao mesmo tempo em que se contrai e por mais paradoxo que isso possa parecer, do ponto de vista mecânico é perfeitamente possível.

Esse tipo de ação muscular que gera estiramento mesmo contraindo é chamado de ação excêntrica e é um dos requisitos essenciais do treino pliométrico.

Nesse tipo de ação o ciclo alongamento-encurtamento do músculo esquelético deve ser aproveitado ao máximo e essas ações excêntricas agirão como freios à medida que são acionadas a favor da ação gravitacional, por exemplo.

Do ponto de vista neural, a vantagem dessas ações é que a via motora do Sistema Nervoso Central consegue recrutar mais rapidamente as fibras musculares do Tipo IIX (que são mais rápidas e mais potentes do que as outras fibras musculares), as quais possibilitarão ao músculo gerar mais força o mais rápido possível.

Do ponto de vista metabólico essa ação é vantajosa pelo fato de o estiramento das estruturas contráteis (filamentos fino e espesso) gerar contração sem gasto de energia (contração passiva), ao passo que as estruturas elásticas (tendão, epimísio, perimísio, endomísio e titina) "acumulam" energia elástica. Essas duas respostas otimizam a transformação de energia química (ATP) em energia mecânica (ação concêntrica - ativa) fazendo com que o trabalho muscular seja mais eficiente na ação muscular concêntrica subseqüente.

Para que a transferência de energia elástica em energia mecânica seja feita de forma ótima a mesma deverá ocorrer o mais breve possível (normalmente abaixo de 200ms). Caso isso não corra, a energia elástica será dissipada em forma de calor e ao invés de otimizar o trabalho muscular irá prejudicá-lo.

Apesar de extremamente vantajoso para o ganho de impulsão e de velocidade, na prática, para que o trabalho de pliometria seja efetivo, torna-se imprescindível:

i) adaptar a musculatura do atleta a esse tipo de treino;
ii) determinar a altura ideal dos saltos a serem realizados;
iii) minimizar o tempo de contato com o solo;
iv) realizar as ações motoras sem sinais de fadiga.

Caso esses itens sejam negligenciados, ao invés de melhora da força rápida, o atleta poderá ficar mais lento, menos econômico, menos eficiente e aumentar suas chances de lesão muscular.


Até lá!

Pliometria em atletas praticantes de futebol de alto rendimento


Pesquisa avalia o resultado do treinamento pliométrico para a força muscular de jogadores profissionais

Camila Ruivo Baroni e Caroline Denadai Eleutério

Exercício pliométrico é aquele que ativa o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo estriado esquelético combinando força e velocidade para gerar melhor potência muscular. O objetivo deste estudo foi investigar o efeito do treinamento pliométrico sob a impulsão horizontal, vertical, agilidade em corrida e velocidade de deslocamento em corrida de 35 metros.

Participaram 5 jogadores de futebol profissional que disputavam o campeonato paulista da 2ª divisão de 2009. Utilizou-se ficha de avaliação e protocolo de treinamentos elaborados pelas autoras, balança da marca Filizola, cronômetro Kenko e fita métrica. Os atletas foram avaliados pré e pó-treinamento, que durou 10 semanas, 1 vez semanal por 40 minutos. Os resultados mostraram melhora significativa apenas para impulsão vertical, concluindo-se que a eficácia do método proposto foi apenas para esta variável.

Seleção de Basquetebol 1988

Esta foto era quando eu fui técnico da seleção do Estado -1988.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pliometria no Futebol


Pliometria no Futebol -1

Técnica para aumentar a potência muscular e melhorar o rendimento também atua na prevenção e na reabilitação de lesões



Thiago Corrêa,Roberto Lampert,Jefferson Loss

Resumo

A pliometria é uma técnica conhecida para aumentar a potência muscular e melhorar o rendimento atlético, porém, só recentemente, sua importância na prevenção e na reabilitação de lesões está sendo discutida no âmbito do futebol. Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação mecânica, elástica e reflexa. Esse ciclo refere-se às atividades concêntricas precedidas por uma ação excêntrica rápida, cujo propósito é aumentar a força reativa do músculo pelo armazenamento de energia elástica na fase de pré-alongamento e sua reutilização durante a contração concêntrica, além da ativação do reflexo miotático. Esse trabalho de revisão de literatura tem como objetivo descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas da pliometria. Observa-se que esses exercícios são usados na fase final da reabilitação de vários tipos de lesões músculo-esqueléticas, tanto dos membros inferiores, quanto dos superiores e também na prevenção de alguns tipos de lesões, pois, acredita-se que eles são capazes de desenvolver força reativa, aumentar a resposta muscular e melhorar a coordenação neuromuscular. Conclui-se, que é fundamental para a comissão técnica de um clube de futebol conhecer o conceito e a aplicação da pliometria para o treinamento físico, na prevenção e no tratamento das lesões esportivas para poder elaborar uma periodização adequada com as necessidades do desporto.

PALAVRAS-CHAVE: Futebol, Pliometria e Treinamento.

INTRODUÇÃO

No futebol ações motoras como saltar e pequenos deslocamentos em altas velocidades utilizam uma alternância de contrações musculares, denominada de ciclo alongamento-encurtamento, ou seja, um mecanismo fisiológico cuja função é aumentar a eficiência mecânica dos movimentos, nos quais ocorre uma contração muscular excêntrica rápida, seguida, imediatamente, por uma ação concêntrica (VOIGHT et al, 2002).

Um dos meios pelo qual se aperfeiçoa o ciclo alongamento-encurtamento é a pliometria. A potência representa o componente principal de uma excelente forma física, que pode ser o parâmetro mais representativo do sucesso no futebol, um desporto que necessita força reativa e explosiva (BOMPA, 2004).

Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação elástica, mecânica e reflexa (MOURA et al, 2001). O propósito dos exercícios de ciclo alongar-encurtar ou de contra movimento é melhorar a capacidade de reação do sistema neuromuscular e armazenamento de energia elástica durante o pré-alongamento, para que esta seja utilizada durante a fase concêntrica do movimento (DESLANDES et al, 2003). Esses exercícios promovem a estimulação dos proprioceptores corporais para facilitar o aumento do recrutamento muscular numa mínima quantidade de tempo (WILK et al, 1993).

Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas, formas de treinamento da pliometria, assim como, o seu papel e sua relevância no futebol, enquanto desporto competitivo.
Exercícios pliométricos

Existe uma grande variedade de exercícios pliométricos, os quais devem ser combinados e aplicados de acordo com a necessidade de cada esporte, um exemplo é o futebol, no qual o atleta deverá realizar exercícios para membros inferiores, pois esses atletas requerem força de impulsão para o salto e aceleração para os deslocamentos. A pliometria pode ser aplicada de forma simples, utilizando-se materiais de fácil aquisição, como caixas de madeira, cones, bolas e elásticos (BATISTAet al, 2003).

Os principais tipos de exercícios para membros inferiores são os saltos no lugar, ou seja, os membros inferiores aterrissam no mesmo lugar de onde saltaram e saltos com mudança de direção, nos quais os membros inferiores aterrissam em um ponto diferente de onde saltaram, que pode ser para o lado, para frente ou na diagonal e saltos em profundidade que utilizam caixas e requerem maior experiência, pois são mais agressivos, exigindo mais das qualidades reativas e de explosão muscular (BOMPA, 2004; CISSIK, 2004).
Bases fisiológicas do exercício pliométrico

A fisiologia do ciclo alongar-encurtar é baseada na combinação dos reflexos de estiramento muscular e nas propriedades mecânicas e, principalmente, elásticas do sistema músculo-tendíneo. Quando o músculo contrai concentricamente a maior parte da força produzida é proveniente do componente contrátil, ou seja, da interação entre os filamentos de actina e miosina e pouca energia elástica é armazenada. Como se sabe, a eficiência mecânica do trabalho muscular é de aproximadamente 25%, ou seja, somente esse valor da energia química gasta se converte em energia mecânica, movimento, e os outros 75% são transformados em energia térmica, uma energia que não interessa em termos de desempenho (MOURA, 1994). Com o ciclo excêntrico-concêntrico, o rendimento muscular é 25% a 40% maior, devido à "energia gratuita" fornecida pelo armazenamento e recuperação da energia elástica, contribuindo para a economia do gesto esportivo (BISCIOTTI et al, 2002). Porém, para que isso aconteça é necessário que se realize um pré-alongamento de pequena amplitude, grande velocidade e tempo de amortecimento bastante curto, caso contrário, muita dessa energia será dissipada em calor(MOURA et al, 2001).

Dessa forma, o exercício pliométrico é um meio que pode melhorar a força e potência muscular com recrutamento seletivo de fibras tipo IIb, haja visto que essas fibras respondem melhor ao pré-alongamento de alta velocidade e pequena amplitude (MOURA et al, 2001; COHEN et al, 2003). Portanto, os atletas de futebol necessitam o recrutamento de fibras musculares de contração rápida, o que lhes confere uma pré-qualificação importante para o desencadeamento da potenciação muscular através de exercícios pliométricos (BATISTA et al, 2003).

Segundo Wilk et al (1993), a pliometria é capaz de melhorar a eficiência neural e aumentar o controle neuromuscular. A utilização do pré-alongamento pode permitir que o atleta de futebol adquira uma melhor coordenação das atividades de específicos grupos musculares, a qual causa uma adaptação neural capaz de incrementar a produção de força reativa. O aumento da força reativa conseguida com o ciclo alongamento-encurtamento resulta tanto do armazenamento de energia elástica durante o pré-estiramento e sua reutilização como energia mecânica durante a contração concêntrica, como da ativação do reflexo miotático, porém, a porcentagem de cada um desses fatores não é conhecida (VOIGHT et al, 2002).
Utilização da pliometria na reabilitação

Os exercícios pliométricos são usados no treinamento de atletas para desenvolver força reativa, melhorar a reatividade muscular através da facilitação do reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e extra articular (MYERS et al, 2000; DESLANDES et al, 2003; HOWARD, 2005). Analisando os efeitos desses exercícios, acredita-se que estes podem ser benéficos na prevenção de lesões e também na reabilitação, principalmente de atletas de futebol (HILLBOM et al, 2005).

Esses exercícios passaram a fazer parte dos programas de reabilitação há pouco tempo (HOWARD, 2005). Os exercícios para membros inferiores, como os saltos em profundidade, são mais populares e bem mais descritos na literatura do que os para membros superiores, porém, o uso desses exercícios na reabilitação de atletas é cada vez mais comum (DAVIES et al, 2004), principalmente para goleiros de futebol. Incorpora, com isso, movimentos de específicos grupos musculares necessários para o melhor rendimento do atleta (FRONTERAet al, 2003). Esse treinamento recria o tipo de contração excêntrico-concêntrica vivida durante atividades atléticas e é parte vital da reabilitação do ombro do atleta (MYERSet al, 2000).

Bisciotti, Vilardi e Manfio (2002) relataram haver diminuição da capacidade elástica da musculatura, após lesão muscular, demonstrando a importante perda das características elásticas da musculatura extensora de joelho após a lesão e cirurgia de reconstrução de ligamento cruzado anterior, LCA, bem como, afirmaram que o elemento elástico em série possui função protetora das estruturas articulares e periarticulares em caso de brusca e repentina contração muscular, portanto, aqueles atletas que não promovem a potenciação muscular, limitam a estocagem e a restituição da energia elástica, se expondo a maiores riscos de lesões, principalmente traumáticos e na fase excêntrica do movimento.

Prentice e Voight (2003) afirmam que um fuso muscular com nível de sensibilidade baixo possui menor capacidade para superar o estiramento rápido e assim, produz uma resposta menos vigorosa. Deslandes et al. (2003) relatam que o indivíduo que realiza atividades com ciclo alongar-encurtar, ocorre uma melhor sincronização da atividade muscular e da atividade miotática, portanto, um programa de exercícios pliométricos, aumenta a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e melhorando o desempenho neuromuscular.

Parâmetros para o desenvolvimento do programa de exercícios pliométricos

A especificidade do exercício é um dos principais fatores para se obter um resultado eficaz com os exercícios pliométricos. Os movimentos específicos de cada esporte devem ser analisados pelo treinador e um programa de exercícios pliométricos deve seguir as exigências de cada desporto (PRENTICE et al, 2003; BOMPA, 2004).

Para elaborar um plano de tratamento usando a pliometria, o preparador deve estar ciente das inúmeras variáveis que afetam esses exercícios e dos objetivos que se quer alcançar com cada esporte e com cada indivíduo (DAVIES et al, 2004). As principais variáveis que devem ser estipuladas são: intensidade, volume e freqüência, porém outras variáveis, como o sentido do movimento corporal, a carga externa e o repouso, devem ser consideradas (PRENTICE et al, 2003).

O aumento da velocidade de execução do exercício aumenta a demanda de treinamento sobre ele, portanto, quando um novo exercício pliométrico é iniciado, deverá ser feito em velocidade e em um tempo de amortização menores, até que o atleta esteja pronto para progredir (NUTTING, 2004).

Não há consenso quanto ao volume, intensidade e freqüência ideais tanto para treinamento ou a reabilitação de atletas, porém é sabido que diferentemente do treinamento desportivo, no qual os exercícios chegam a um nível máximo, os exercícios pliométricos na reabilitação podem chegar a níveis submáximos (DAVIES et al, 2004).

Andrews, Harrelson e Wilk (2000) orientam a aplicação desses exercícios numa freqüência de no máximo 2 a 3 vezes por semana. O tempo de repouso é uma variável muito importante a ser considerada, haja visto que a pliometria pode causar fadiga, que é o resultado do esgotamento de energia contida nos músculos, como o ATP e o fosfato de creatina e também pela produção e acúmulo de ácido lático (BOMPA, 2004). No momento em que ocorre a fadiga, o controle motor fica deficitário e os efeitos do treinamento se perdem (PRENTICE et al, 2003). Por ser a pliometria um exercício de impacto, que envolve várias articulações, o alinhamento corporal correto deve ser orientado e corrigido pelo preparador. O excesso de exercícios sem um período de repouso adequado, assim como a aplicação da pliometria em fase inicial do tratamento são fatores que podem piorar a lesão ou até mesmo causar novas lesões (DESLANDES et al, 2003).

Na pliometria, podem ser geradas cargas biomecânicas extremas e o tecido conjuntivo dos pés, tornozelo, quadril e discos intervertebrais amortecem o choque para dissipar o estresse imposto por um salto. As lesões ocorrem quando forças exteriores agem nas articulações, excedendo a integridade estrutural dos músculos, ossos, e tecidos conjuntivos, por isso um programa de treinamento de força deve ser realizado antes do início dos exercícios pliométricos e deve envolver tanto a musculatura dos membros, como os estabilizadores da postura, como os abdominais e extensores da coluna (BOMPA, 2004).

Conclusão

A literatura tem demonstrado que o treinamento pliométrico influência na resposta reativa muscular, melhorando a sincronização da atividade muscular e da atividade miotática. Nesta perspectiva, um programa de exercícios pliométricos, deve aumentar a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e aprimorando o controle neuromuscular.

A literatura destaca a pliometria, além de um importante instrumento na reabilitação de lesões, como efetiva na prevenção destas, pois um bom controle motor atua como um mecanismo protetor capaz de ativar as vias de estabilização reflexas, feed foward, ocasionando uma resposta motora mais veloz diante de forças ou traumas inesperados. A pliometria é, portanto, uma forma de se obter força reativa e melhorar a propriocepção ao mesmo tempo.

A possibilidade de utilizar a pliometria como atividade estimuladora da potenciação muscular, surge como uma alternativa interessante aos treinadores de futebol. Entretanto, é fundamental para o preparador físico conhecer o conceito e a aplicação da pliometria no treinamento, na prevenção e no tratamento das lesões esportivas, para que possa elaborar um programa seguro e eficiente.

*Thiago Corrêa Duarte, Acadêmico, ESEF/ UFRGS
Roberto Lampert Ribas, Acadêmico, ESEF/ UFRGS
Jefferson Fagundes Loss, Ph.D., ESEF/ UFRGS



Como Treinar Pliometria no Futebol


Como Treinar Pliometria no Futebol?





Para atleta mais avançado que domina técnica do salto em profundidade, desafio será encontrar a altura ideal

Antes de iniciar um treino pliométrico é importante que seja feito um período de adaptação. Isso porque esse tipo de treino exige grande componente neuromuscular que ao ser desprezado aumenta a chance de ocorrência de lesão.

Embora a pliometria possa ser realizada por homens e mulheres de diferentes idades e categorias, alguns cuidados precisam ser tomados.

O ponto mais crítico do treinamento pliométrico é a técnica e, por esse motivo, realizar trabalhos educativos desde as categorias de base é fundamental. Entre os exercícios educativos que podem ser realizados com esse intuito encontram-se saltitos ou saltos com uma das pernas; com as duas pernas de forma alternada ou simultânea; com ou sem flexão de joelhos; somente com flexão e extensão de tornozelos; em terrenos de aclive ou declive; sem ou com obstáculos (plintos, cones, barreiras, bancos, etc.); com ou sem mudança de direção; com deslocamento frontal ou lateral; com ou sem carga externa.

A Figura 01 representa de forma esquemática de alguns tipos de saltos pliométricos.




Figura 01 - Exemplos de saltos pliométricos.

Esses exercícios podem ser usados como parte de aquecimento do treino ou também podem compor uma parte específica da sessão.

Para atletas mais avançados que já dominam a técnica do salto em profundidade, o desafio será encontrar a altura ideal de cada salto. É importante lembrar que o foco desse treino é fazer com que o atleta geralmente passe por quatro fases: i - queda rápida; ii - amortecimento breve; iii - restituição de energia elástica de forma rápida, e; iv - novo salto no menor tempo possível e o mais alto possível.

Quando se tem plataformas de contato que estimam a altura do salto, determinar cada uma dessas fases fica mais simples. Para aqueles que não as possuem, a solução é encontrar a altura ideal de salto pelo método de tentativa e erro. Se esse é o seu caso, faça a observação minuciosa da técnica e verifique o que está ocorrendo com a altura do salto. Se a mesma estiver aumentando, então a altura desejada ainda não foi alcançada e mais algumas tentativas precisam ser realizadas até que você encontre a altura ótima. Se a altura do salto estiver diminuindo, então você deve cessar as tentativas e escolher o salto em que o atleta alcançou a maior altura.



                                            

Lembre-se que o contato com o solo também é importante. Mas como a olho nu este tempo de contato é imperceptível, crie condições para que seu atleta saia do chão no menor tempo que ele conseguir. Você pode pedir para ele imaginar que está saltando sobre brasas ou melhor ainda será colocá-lo para saltar em declive.

O treino deve ser breve e nos primeiros sinais de fadiga os exercícios devem ser imediatamente interrompidos. Caso isso não ocorra, a efetividade do treino será perdida e o atleta estará mais propenso a se lesionar.

Quanto ao número de vezes na semana que a pliometria deve ser praticada, alguns estudos demonstram que apenas um estímulo por semana já é capaz de melhorar algumas variáveis de performance. No geral, realizar esse tipo de treino duas vezes por semana já é mais do que suficiente. No entanto, essa quantidade irá depender das condições e dos objetivos que se tem para cada jogador.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Análise de Desempenho no Futebol


A Análise de Desempenho no Futebol

Parte II: informações de jogo



Analista precisa mostrar o jogo e dar informações reais, pontuais e que ajudarão time nas vitórias e na formação

Na parte I da trilogia da análise de desempenho, vimos algumas das funções do analista e a interação entre vários tipos de dados.

Na segunda parte da série, gostaria de discutir com vocês a respeito das informações de jogo.

No jogo, por ele ser imprevisível, caótico, complexo, etc., muitos dados podem ser coletados e se transformar em informações para os jogadores, técnicos, preparadores físicos, árbitros, público e assim por diante.

É possível, por exemplo, coletarmos os dados de scout e apresentar para a comissão técnica um relatório com informações técnicas da equipe, como passe.

Vamos utilizar o exemplo do passe e ver como o mesmo pode nos trazer algumas informações do jogo.

Em um relatório X, vejo que a equipe A teve um aproveitamento de passe de 85%.

O que isso me mostra?

Quase nada!

Apenas com essas informações tenho poucos recursos para avaliar o jogo e fazer algum tipo de intervenção na prática, justamente por mostrar apenas uma parte descontextualizada do jogo (!).

Vamos tentar transformar esse dado em uma informação um pouco mais valiosa, se é que podemos dizer isso.

Então, tenho um dado que mostra que a equipe A tem 85% de aproveitamento de passes, contudo vejo que 70% dos mesmos são para trás ou para o lado e mais da metade deles (dos 70%) ocorrem no campo de defesa.

O que esse dado começa a me mostrar?

Que a equipe A tem um bom aproveitamento de passes, mas os mesmos ocorrem para trás e para o lado e no setor defensivo.

Continuo tentando dar sentido aos dados...

Olhando para o jogo vejo que o adversário, equipe B, tem como princípio de defesa impedir progressão atrás da linha 3 (meio-campo) e na transição defensiva os jogadores mais próximos à bola retardam a jogada, enquanto os demais voltar para trás da linha do meio-campo.

A equipe A, por sua vez, na transição ofensiva buscar tirar a bola da zona de pressão e logo inicia um jogo de manutenção da posse em seu campo defensivo e só progride em momentos em que cria superioridade numérica nos setores laterais do campo.

Olhando ainda para os dados vejo que nas regiões laterais do campo próximas à intermediária ofensiva há dois dados distintos em relação ao aproveitamento de passes. Enquanto no lado direito o aproveitamento passa dos 65% em passes para frente, do lado esquerdo esse valor não chega aos 30%.

Indo mais a fundo, vejo que do lado direto há um adversário na linha do meio que não está integrado ao processo e não estrutura bem o espaço em sua região. Por esse fato, a linha defensiva se posiciona a fim de compensar essa falha do jogador.

Por sua vez, essa compensação leva a uma perda do equilíbrio horizontal e os dados mostram que os lançamentos do lado direito para o lado esquerdo da defesa no campo ofensivo tiveram um aproveitamento de 50%.

Quando a equipe virava o jogo corretamente (da direita para a esquerda) e o jogador que recebia a bola buscava a progressão (45% das vezes), a equipe conseguiu criar três jogadas que acabaram em finalizações; em uma delas inclusive o gol aconteceu...

Vejam: de um dado de aproveitamento de passes conseguimos chegar ao gol!

O grande segredo é transformar os dados em informações valiosas.

O analista de desempenho precisa mostrar o jogo e dar informações reais, pontuais e que ajudarão a equipe a ganhar jogos ou a formar atletas melhores!

Dar apenas um pedaço do todo não é o suficiente!

Por isso volto a afirmar que isso é só o começo...

Espero que continuemos com bons mestres para que a cada dia aprendermos mais sobre a essência do jogo e para além disso!

A informação se encaixa?

Até a próxima.


A Análise de Desempenho no Futebol


A Análise de Desempenho no Futebol

 Parte I: Dados Gerais



Desempenho de um jogador não se resume às ações “táticas” ou ao posicionamento em campo. É muito mais

Depois da trilogia do Felipão, vamos agora para a série sobre a análise de desempenho!

Nos últimos anos, a análise de desempenho vem ganhando cada vez mais espaços no âmbito esportivo.

Em algumas modalidades, o papel da análise se configura com um dos pontos centrais da performance, como no futebol americano, beisebol, basquete, vôlei, futsal, atletismo, e assim por diante.

Assistindo a algumas partidas de vôlei da Superliga Nacional, notei que muitos treinadores ficam com seus tablets ao lado da quadra (alguns deixam com seus auxiliares) recebendo informações instantâneas sobre onde estão sendo os saques do adversário, onde os pontos estão acontecendo, onde a bola está passando pelo bloqueio, etc.

Será que tudo isso é importante? Será que ganha jogo?

No futebol, a análise de desempenho vem a algum tempo ganhando espaço, principalmente após a contratação do analista Rafael Vieira pela CBF. Quando o mesmo foi apresentado como membro da comissão de Mano Menezes, muitos se perguntaram o que esse profissional faria.

Mas o que ele faz?

Bom, neste ano iniciei um projeto piloto na base do clube e gostaria de compartilhar algumas reflexões e mesmo dúvidas sobre essa função.

No meu primeiro dia como analista de desempenho levantei as funções que pensei ser relevantes se tratando de formação e de resultado.

A lista é extensa.

De uma maneira geral, as funções giram em torno da análise individual dos atletas em treinos, jogos e fora do campo; análise coletiva da equipe em jogos e treinos; análise do adversário individual e coletivamente.

Dentro dessas funções, temos subdivisões que vão desde a análise comportamental do atleta até a análise das suas ações no jogo com controles subjetivos, quantitativos e qualitativos de seu desempenho.

Desempenho que precisa ser entendido com algo complexo, onde as variáveis são fractais do desempenho.

Por exemplo, em um controle hipotético de deslocamento do atleta, vejo que ele percorreu 6,320 km em um período de 80 minutos. Pelos parâmetros utilizados observo que é uma distância relativa baixa; contudo, com a análise do jogo, posso identificar que minha equipe recuperava a bola muito rapidamente e economizava energia para chegar ao gol adversário. Além disso, esse atleta ocupa muito bem o espaço e é ponto fundamental para a progressão da equipe com bola. Analiso também que mesmo tendo um volume total de deslocamento não tão alto. Suas ações de alta intensidade estão na média do grupo, ou seja, um dado apenas pode visto fragmentado do todo: complexidade.

O desempenho de um atleta de futebol não se resume as ações “táticas” ou ao posicionamento em campo. Ele é muito mais do que isso.

Analisar o desempenho do atleta é compará-lo com ele mesmo em toda a sua essência e verificar como cada variável está interagindo com as demais.

Depois de tudo isso é preciso ainda gerar as informações e os relatórios para os diversos departamentos do clube. Cada um deles precisa de um tipo de informação baseado nos próprios dados que eles fornecem para o analista que tem o papel integrador da informação. Ele deve agir como um ser transdiciplinar dentro do clube.

Mas e as informações para o treinador?

O que é importante para ele ganhar os jogos?

Muitas informações!

Mas não todas!

Como diria Renato Russo:

“Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.”

Isso é a análise de desempenho.

Em próximas colunas continuo essa discussão.

Até a próxima.