segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Acho muito Importante. Iniciação Esportiva


Iniciação Esportiva - aspectos positivos e negativos da especialização esportiva precoce no futebol.

A criança não é um adulto em miniatura e o professor também deve ter responsabilidade pedagógica com ela

Diogo Willian de Lima

As Modalidades Esportivas Coletivas, desde a sua origem, têm sido praticadas pelas crianças e adolescentes dos mais diferentes povos e nações. Sua evolução é constante, ficando cada vez mais evidente seu caráter competitivo, regido por regras e regulamentos (Teodorescu, 1984).

Entre todas as Modalidades Esportivas Coletivas praticadas com bola, o futebol é a mais apaixonante e que exige combinações mais complexas do sistema neuromuscular. Sua história ou pré-história inicia na Ásia, primeiro na China, com o chamado Tsú Chu, umas das primeiras referências ao jogo praticado com as mãos e com os pés, e, depois na era medieval, no Japão, com o nome de Kemari (Rose Junior, 2006).

Na sociedade contemporânea, o futebol tem se mostrado um fenômeno de grande relevância sociocultural e é, também, amplamente vivenciado pelo brasileiro em seu cotidiano e ressignificado a partir de sua institucionalização e de sua apropriação pelos diversos grupos sociais. (Valentin; Coelho, 2005).

Filgueira e Schwartz (2007) diz que no Brasil o futebol é um fenômeno cultural que cativa e impressiona pela sua grandeza, cuja prática tem crescido rapidamente, envolvendo um número significativo de participantes, desde a infância até a vida adulta. O futebol é para os brasileiros, sem dúvida, mais do que um esporte: uma paixão que faz parte da cultura.

Muitos jovens brasileiros sonham em um dia poder ser um atleta profissional de futebol, na intenção de unir a paixão que sentem pelo esporte à perspectiva de um futuro melhor para si e suas famílias, com isso passam a praticá-lo vendo-o como um caminho mais rápido de conseguirem sucesso e independência financeira.

Para isso, muitos acabam recorrendo às escolinhas de futebol para se aperfeiçoarem nas técnicas desse esporte e assim adquirirem a formação necessária que possa levá-los um dia a ser um atleta profissional.

O que antes era "privilégio" de prefeituras e clubes, hoje está sendo explorado, por agências, ex-atletas e clubes nas formas de escolinhas de futebol.

Scaglia (2006) mostra que as escolinhas ganharam espaço com a expansão imobiliária que acabou provocando o desaparecimento de muitos campos de várzea existentes nas médias e grandes cidades brasileiras. Implantadas como alternativa para a formação de novos atletas para o futebol brasileiro, as escolinhas fizeram com que o futebol, que antes era jogado de forma aberta e espontânea nos campos de peladas espalhados pelo Brasil, passasse a ser praticado em locais quase sempre fechados - muitos deles sob a responsabilidade de ex-atletas - que viram nisso uma oportunidade de poderem repassar aos seus alunos o que aprenderam dentro do futebol, e também uma forma de explorarem lucrativamente essa atividade.

Não é o suficiente que alguém tenha jogado futebol para ser um técnico deste esporte (Lembrando que existem profissionais altamente capacitados que foram atletas e tornaram-se excelentes treinadores, posteriormente em equipes profissionais), no que se refere ao treinamento ou trabalho com crianças.

É necessário, também, que este profissional conheça sobre o que Zakharov (1992) citado por Gomes e Machado (1999) chama de períodos sensitíveis do treinamento, que são os períodos etários em que as influências específicas de treino no organismo humano provocam elevada reação de resposta, que assegura os ritmos consideráveis de crescimento da função em treinamento; que ele tenha conhecimentos suficientes sobre a anatomia da criança; que possua boa preparação psicológica e amplo conhecimento específico; é preciso ter noções das etapas de desenvolvimento desportivo até atingir a fase adulta competitiva; e que ele saiba com aproveitar as fases de desenvolvimento da criança.

Este trabalho levando em consideração o crescente numero de escolinhas de futebol e o numero elevado de profissionais que se interessam pela área ocupa-se de criar subsídios aos profissionais que atuam na área do ensino/ treinamento de futebol para crianças.

Há intenção aqui não é, entretanto, formar uma única maneira de treinamento para essa faixa etária. Mas, sim, fazer com que os profissionais que dele tomarem conhecimento, sejam levados a refletir sobre os treinamentos, buscando outros caminhos, auxiliando o desenvolvimento não só do futebol - levando até a realização de estudos futuros, uma vez que há pouca literatura sobre o tema.

Especialização Esportiva Precoce

A Especialização Precoce (EP) é um processo que vem sendo a tempos discutido por especialistas em treinamento esportivo, e consequentemente no meio futebolístico. Para Personne (1987) "iniciação esportiva precoce" é a atividade esportiva desenvolvida antes da puberdade, caracterizada por uma alta dedicação aos treinamentos (mais de 10 horas semanais) e principalmente por ter uma finalidade eminentemente competitiva.

Já Kunz (1994), referindo-se a "treinamento especializado precoce", entende que este ocorre quando crianças são introduzidas antes da fase pubertária a um processo de treinamento planejado e organizado em longo prazo, que se efetiva em um mínimo de três sessões semanais com o objetivo do gradual aumento do rendimento, além da participação periódica em competições.

Para Krebs (1992), a especialização se da quando o atleta tem um sistema de treinos levados a picos máximos de sua capacidade, acompanhados de competições de nível elevado, havendo um relacionamento em tempo quase que integral entre o técnico e o atleta.

Iniciação Esportiva no Futebol

Para aprender a jogar um esporte qualquer, uma criança deve ter a oportunidade de experimentar um número grande de situações. Cada situação dessas será responsável pela abertura de um grande número de possibilidades, sendo que, cada possibilidade dessas, quando for experimentada, poderá abrir outras tantas.

Ao final de um longo processo, o acervo de possibilidades motoras, intelectuais, sociais, morais, e assim por diante, disponível no jovem que se formou nesse esporte, será imensamente mais amplo que no jovem formado em uma equipe ou escolinha que lhe impôs um sistema de superespecialização (Freire, 2002).

O primeiro fator a ser considerado são as fases de desenvolvimento físico da criança. Existe uma série de transformações ou mudanças da estrutura física da criança na faixa de idade da iniciação no futebol, compreendida nas chamadas categorias menores de 07 á 13 anos de idade.

É importante considerar, na iniciação esportiva, a idade biológica, o nível de coordenação motora e o grau de inteligência para a elaboração das atividades a serem desenvolvidas pela criança, a fim de contribuir com o maior número de vivências motoras possíveis.

Na formação de base, todas as coisas devem ser aprendidas por experiências as mais diversificadas possíveis (Freire, 2002). Haveria outro caminho a seguir no desenvolvimento esportivo que não esse percorrido tradicionalmente, que inclui, nos casos extremos, especialização precoce, contusões, limitações da inteligência, excessos de treinamento?

Claro que há, e foi seguido por vários excepcionais atletas do futebol, entre eles, Garrincha, Pelé e Maradona, que aprenderam enquanto brincavam, como qualquer criança de vida normal. Fossem nossos técnicos esportivos melhores observadores, encontrariam nesses fenômenos esportivos a orientação mais segura para suas pedagogias (Freire, 2002).

A prática do futebol, na iniciação esportiva, se manifesta através do jogo, nas diversas manifestações lúdicas que podem ser instituídas na aprendizagem do futebol.

O jogador de qualidade é aquele que vivencia um número enorme de possibilidades e, para cada situação do jogo, ele encontra a melhor. O jogador de hoje tem poucas possibilidades, imposta por rotinas exaustivas e limitadas, portanto, formando um jogador de pouca qualidade, o que torna o jogo de menor qualidade com movimentos estereotipados, sem qualidade. Por isso, estamos cada vez mais frequentemente vendo jogadores de baixo nível técnico e equipes de péssima qualidade.

Aspectos Negativos Da Especialização Esportiva Precoce

Aspectos físicos

Negrão (1980) alerta para os danos físicos que podem ser ocasionados pelo esporte altamente competitivo praticado em idade precoce. O trabalho muscular intenso excessivo, associado a sobrecarga emocional que a competição provoca, pode ocasionar perturbações no desenvolvimento normal da criança, principalmente no ritmo do crescimento em altura e no desenvolvimento somático, funcional e intelectual.

O esporte competitivo implica treinamentos específicos de cada modalidade, o que poucas vezes vem ao encontro das necessidades fisiológicas da criança. Para Negrão (1980), crianças só podem suportar esforços reduzidos, fisiologistas renomados, são unânimes em afirmar a importância de treinamento aeróbico para crianças.

Nahas (1980) diz ainda que, quando a intensidade e a frequência das atividades competitivas são grandes e extrapola o ambiente escolar e grupal, exigindo da criança um grau de especialização incomum para a idade em que se encontra, passam a existir dúvidas consideráveis sobre se os benefícios para um desenvolvimento ótimo são importantes bastante para se desprezarem os perigos de lesões e traumas psicológicos (às vezes irreparáveis).

As possíveis consequências de se especializar a criança precocemente estão diretamente ligadas ao fato de se adotar, por longo período de tempo, uma metodologia incompatível com as características, interesses e necessidades dela. Logo, os possíveis efeitos podem não se manifestar diretamente, mas no decorrer de temporadas (Santana, apud Ramos e Neves, 2008).

A respeito disso, Kunz (1994) apud Ramos e Neves (2008), diz que os maiores problemas que um treinamento especializado precoce provoca sobre a vida da criança e especialmente seu futuro, após encerrar a carreira esportiva, podem ser enumerados como:

a) formação escolar deficiente, devido à grande exigência em acompanhar com êxito a carreira esportiva;

b) a unilateralização de um desenvolvimento que deveria ser plural,

c) reduzida participação em atividades, brincadeiras e jogos do mundo infantil, indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade na infância.

Santana (2005) apud Ramos e Neves (2008), acrescenta mais alguns riscos da especialização precoce na criança:

a) stresse de competição: que se caracteriza por um sentimento de medo e insegurança, causado principalmente por conflitos oriundos de uma prática excessivamente competitiva. A criança, neste caso, tem medo de errar, sente-se insegura e com a auto-estima ameaçada;

b) saturação esportiva: que se manifesta quando a criança apresenta sinais de desânimo (enjôo) e desinteresse em continuar a prática do esporte. Sente-se, assim porque o praticou em excesso e quer abandoná-lo.

Teixeira (1981) diz, durante nossa longa vivencia esportiva, o que chamamos de "síndrome da saturação esportiva". Indivíduos que iniciaram muito cedo a pratica esportiva especializada são acometidos por essa síndrome, caracterizada por certa aversão pelo esporte que praticam, exatamente naquele momento em que deveriam praticá-lo com mais intensidade (adolescência).

Também é bastante discutido o fato estarem desde muito cedo especializados em determinada função, no caso dos jogadores de futebol, limitando–os a uma posição específica dentro da equipe, o que, certamente, pode limitar suas possibilidades de ação no futuro.

Exemplo bem característico deste acontecimento é o fato de muitos treinadores optarem por relacionar alguns jogadores, que se apresentam em estágios de crescimento mais avançados que a média para a categoria, para jogarem exclusivamente de atacantes aproveitando da maior força adquirida com o crescimento.

Porém, mesmo com todo êxito conseguido na juventude, muitos destes jogadores falham em idades mais avançadas por não serem capazes de atuar contra jogadores que apresentam níveis de força equiparados ou mesmo superioresuma realidade nas idades mais avançadas e nos profissionais.

Aspectos Positivos da Especialização Esportiva Precoce

Segundo Estigarriba (2005), a criança na prática esportiva vivência a cooperação, o convívio social, desenvolve o respeito pelos outros, a competitividade sadia, o espírito de equipe, disciplina e a persistência.

Nunes e Gonçalves (2008) entrevistaram os professores das instituições que participaram do campeonato: Copa Bahamas de Futsal 2007 e de acordo com a opinião dos entrevistados são apresentados como aspectos positivos fundamentais em uma competição: o entrosamento, a convivência, o lúdico, o espírito de grupo, a coletividade, o respeito às regras, a integração, a participação, a responsabilidade e o aprendizado que se tira com a vitória com a derrota.

Mostrando-se assim que o esporte ou a prática esportiva nas categorias de iniciação é muito mais do que competir, que ganhar e perder, é ter motivação, é viver momentos, e fazer amigos, além de desenvolver o físico e o bem-estar.

Considerações Finais

A iniciação ao futebol é ideal para adquirir habilidades coordenativas motoras básicas. A princípio, o treinamento técnico deve objetivar a aprendizagem de movimentos, e não o gesto técnico específico do futebol.

Deve-se lembrar de que a criança é levada à prática do influenciado pelo meio e aspirando tornar-se um atleta profissional de futebol. Mas, para que isto aconteça, deve-se considerar que este pequeno atleta não pode ser submetido ao mesmo processo de formação técnica e competitiva dos adultos.

O trabalho feito com crianças deve ter a adaptação adequada para ela, considerando seu desenvolvimento, além de respeitar também os seus interesses. Gomes e Machado (1999)

WeineckK (1991) diz que no período dos 09 aos 12 anos, a criança encontra-se na primeira infância escolar (09 anos) e infância escolar tardia (10/11 e 12 anos). Este período de tempo compreende a época de melhor aproveitamento para a aprendizagem dos gestos esportivos sem, entretanto, propor a formação especificada de gestos.

Isto se explica pelo fato de que a criança nesta idade já passou por um período de aprendizagem multilateral e plurificado, formando uma ampla gama de movimentos generalizados, que formam uma base consistente para o aprendizado de movimentos com maior teor técnico.

A estratégia ou planejamento tático deve ser simples sem muitas variações de jogo (defensivas e ofensivas), podendo ser em forma de jogos reduzidos com elementos e objetivos essenciais ao jogo formal.

Para concluir, lembramos que a criança não é um adulto em miniatura e que o professor além de sua tarefa técnica, também deve ter responsabilidade pedagógica com o futuro da criança a ele confiado.

Bibliografia

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FILGUEIRA, F. M.; SCHWARTZ, G. M.. Torcida familiar: a complexidade das interrelaçõesna iniciação esportiva ao futebol. In: Rev. Port. Cien. Desp., v.7, n.2, 2007. p.245-253.

FREIRE, João Batista. Pedagogia do Futebol. 2. ed. Campinas: Autores Associados (Coleção educação física e esportes), 2003.

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MACHADO AA; PRESOTO, D. Iniciação esportiva: seu redimensionamento psicológico. In: BURITI, M. A. (Org.). Psicologia do esporte. 2. Ed. Campinas: Alínea, 2001. p. 19-48.

NAHAS, Markus Vinícius. A competição e a criança. Comunidade Esportiva, Universidade Federal de Santa Catarina (Centro de Desportos), p. 2-5, 1980.

NEGRÃO, Carlos Eduardo. Os mini-campeões. Caderno de Pesquisa - Laboratório de Avaliação da Escola de Educação Física - USP, São Paulo, (34), p. 28-33, ago. 1980.

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RAMOS AM,NEVES RLR,A iniciação Esportiva e a Especialização Precoce à Luz da Teoria da Complexidade.Revista Pensar a pratica. Vol.11, Nº 1 Janeiro-Junho 2008 p.1-8

ROSE JUNIOR, D. Modalidades Desportivas Coletivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

SANTANA, Wilton Carlos de. Iniciação esportiva e algumas evidências de complexidade. In: SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTOS DO SUL DO BRASIL, 14., 2002, Ponta Grossa. Anais... Ponta Gros-sa: Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2002. p. 176-180.

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ZAKHAROV, A. Ciência do treinamento desportivo. Adaptação científica Antonio Carlos Gomes. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1992.

WEINECK, J. Biologia do esporte. Traduzido por Anita Viviane. São Paulo: Manole, 1991.

A importância da aplicação dos principios...


A importância da aplicação dos princípios do treinamento Desportivo no Futebol de Base e Profissional.

 

A constante melhora e equilíbrio dos atributos físicos são fundamentais na preparação física e técnica de um atleta

Prof. Esp. Marcio Fernandes*

 

Introdução

O treinamento desportivo tem como objetivo principal a melhora do desempenho físico, motor e esportivo dos indivíduos praticantes de algum tipo de modalidade esportiva, seja ela uma simples corrida ou a prática de um esporte com exigências motoras mais complexas, como é o caso do futebol.

O treinamento desportivo está diretamente ligado ao aumento do rendimento e desempenho dos atletas, dentro de suas modalidades específicas.

O futebol é por si só, um esporte intermitente e tem exigências físicas das mais variadas e complexas, pois engloba um grande conjunto de valências motoras. Dentre estas valências, podem-se destacar os índices de força, resistência, velocidade e coordenação neuromuscular dos indivíduos. A constante melhora e equilíbrio de todos estes atributos físicos é o ponto fundamental na preparação física e técnica de um atleta.

Por isso, a aplicação correta dos princípios do treinamento esportivo é fundamental neste esporte e esta diretamente correlacionada com o aumento do desempenho individual do atleta.

O futebol profissional tem seu alicerce maior nas categorias de base, onde os atletas dão os primeiros passos na sua formação atlética. Nesta etapa, acontece a iniciação esportiva dos garotos e garotas. A formação técnica, tática, cognitiva e psicológica é iniciada, transformando-os em atletas aptos para realizarem suas atividades nos mais altos níveis de intensidade e exigências condizentes com o esporte.

Este é um período de maturação fisiológica, no qual diversas mudanças ocorrem no corpo dos jovens atletas. Este período nada mais é que um período que determina a velocidade e o momento do crescimento e que pode se diferenciar de indivíduo para indivíduo. Neste momento, as taxas hormonais se elevam, as epífises ósseas vão sendo formadas e, por isso, nesta época a aplicação correta dos princípios do treinamento esportivo é necessária, pois do contrário o desenvolvido pode ser severamente comprometido.

A principal ferramenta utilizada pelos educadores físicos para detectar os períodos de maturação é a observação de alguns indicadores. Os principais indicadores do período de maturação são:

• Sexuais - Pilosidade púbica; (aparecimento e crescimento dos pelos pubianos), desenvolvimento genital e crescimento das mamas (mulheres).

• Somáticos – Idade no pico de velocidade de crescimento (correlação entre idade e centímetros por ano), % de estatura predita (correlação entre peso/altura por ano.

• Esqueléticos – Desenvolvimento das epífises ósseas;

Com a mudança de categoria devido à idade, os níveis de cargas, a relação volume x intensidade e tipos de treinamentos devem ser alterados, utilizando-se metodologias condizentes com cada faixa etária trabalhada.

Podemos citar como um bom exemplo dessas alterações as sessões de treinamento de força: na categoria infantil (± 15 anos), o treino de força (considera-se todas as variações desta valência), não pode ter a mesma intensidade que um treinamento de força da categoria juvenil (± 17 anos), pois por mais que as idades apresentem apenas 2 anos de diferença.

Nesta faixa etária este período de tempo pode ser muito significativo no pico de maturação do jovem, tanto a níveis de formação óssea, quanto muscular, pois é justamente neste período que acontece o chamado popularmente "estirão" de crescimento, momento onde o crescimento ósseo e muscular pode acontecer com grande velocidade.

Já nas categorias maiores, juniores (±18 a 20 anos) e profissionais, as cargas e sessões de treinamento já são bem diferenciadas e específicas, pois neste período a maturação já esta em um estágio bem adiantando, praticamente finalizada, alterando-se pouca coisa. Consequentemente as cargas e volumes de treinamento podem ser implantados com maior intensidade e complexidade. Deve-se priorizar o aperfeiçoamento e as especificidades das valências físicas.

Como os jovens estão sendo "lançado” na categoria profissional cada vez mais precocemente, o acompanhamento do desenvolvimento morfológico deve ser minucioso por parte de treinadores, educadores físicos e fisiologistas, pois a "queima" de etapas futuramente poderá ter consequências desastrosas na formação do atleta.

 

Definições

Para que haja um desenvolvimento e melhora no desempenho esportivo e físico dos atletas, é importante e necessário que os educadores físicos utilizem a aplicação dos princípios que regem o treinamento desportivo nas suas sessões de treinamento. Estes princípios nada mais são que regras que devem ser utilizadas como instrumento de ajuda e auxílio, na obtenção de melhores resultados durante todo o período de vida atlética dos praticantes de atividades físicas intensas.

(Mc. ARDLE, KATCH, KATCH 1996) Citam quatro princípios aplicados no treinamento desportivo:

- PRINCÍPIO DE SOBRECARGA;
- PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE;
- PRINCÍPIO DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS;
- PRINCÍPIO DE REVERSIBILIDADE;

(Mc. ARDLE, KATCH, KATCH 1996), definem os princípios:

Princípio da sobrecarga: "Para ampliar o aprimoramento fisiológico e induzir uma resposta ao treinamento, deverá ser aplicada uma sobrecarga com o exercício que seja específico para a atividade". Ao exercitar-se em um nível de intensidade mais alto que aquele adotado normalmente, consegue-se induzir uma série de adaptações ao treinamento altamente específicas e que permitem ao organismo funcionar com maior eficiência.

A sobrecarga apropriada para cada pessoa poderá ser conseguida pela manipulação de combinações de frequências, intensidade, modalidade e duração do treinamento, com uma consideração específica para modalidade do exercício.

Principio da Especificidade: quando aplicada ao treinamento, a especificidade se refere a adaptações nos sistemas metabólicos e fisiológicos, dependendo do tipo de sobrecarga imposta. Um estresse com exercícios específicos, como um treinamento de força e potência, induz adaptações específicas, que nesse caso são adaptações de força e potência, enquanto um exercício aeróbico ou cardiovascular específico produz adaptações específicas ao treinamento de endurance, com intercambio apenas limitado dos benefícios derivados entre o treinamento muscular de força e aeróbico. "Para uma maior simplicidade, o exercício específico desencadeia adaptações específicas que criam efeitos específicos do treinamento".

Princípios das diferenças individuais: Muitos fatores para a variação individual na resposta ao treinamento. Por exemplo, é importante o nível de aptidão relativa da pessoa no início do treinamento. É irreal esperar que pessoas diferentes que iniciam juntas um programa de exercícios estejam no mesmo "estado" de treinamento ao mesmo tempo.

Consequentemente, é contra produtivo insistir que todos os atletas de uma mesma equipe treinem da mesma forma ou com o mesmo ritmo relativo ou absoluto de trabalho. È igualmente irreal esperar que todos os indivíduos respondam a um determinado estímulo de treinamento exatamente da mesma forma. "Os benefícios do treinamento são aprimorados quando programas são planejados de forma a atender as necessidades individuais e as capacidades dos participantes".

Princípio da reversibilidade: O destreinamento se processa com rapidez quando uma pessoa deixa de participar de um programa de exercícios. Após apenas uma ou duas semanas de destreinamento, podem ocorrer reduções significativas na capacidade tanto metabólicas, quanto de trabalho, e muitos dos aprimoramentos induzidos pelo treinamento são perdidos dentro de alguns meses. "O ponto importante é que, até mesmo entre atletas altamente treinados, os efeitos benéficos de muitos anos de treinamento prévio com exercícios são transitórios e reversíveis".

(Tubino, 1984) cita cinco como os princípios do treinamento esportivo:

- Princípio da Individualidade Biológica;
- Princípio da adaptação;
- Princípio da sobrecarga;
- Princípio da continuidade;
- Princípio da interdependência volume-intensidade;

Princípio da Individualidade Biológica: "Chama-se Individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz que com que não existam pessoas iguais entre si." (TUBINO, 1984, p.100).

Princípio da adaptação: De acordo com Weineck, a adaptação é a lei mais universal e importante da vida. Adaptações biológicas apresentam-se como mudanças funcionais e estruturais em quase todos os sistemas. Sob "adaptações biológicas no esporte", entendem-se as alterações dos órgãos e sistemas funcionais, que aparecem em decorrência das atividades psicofísicas e esportivas (WEINECK, 1991).

Princípio da sobrecarga: De acordo com Dantas: "Imediatamente após a aplicação de uma carga de trabalho, há uma recuperação do organismo, visando restabelecer a homeostase" (DANTAS, 1995, p.43).

Princípio da Continuidade: Para o organismo se adaptar, necessita obrigatoriamente de continuidade, pois as adaptações fisiológicas necessitam de tempo para acontecerem.

Princípio da Interdependência Volume-Intensidade: Aumentando-se as cargas de treinamento conseqüentemente aumentam-se os índices de desempenho, pois existe uma relação entre volume x intensidade de treinamento.

Conclusão

Visando sempre a obtenção de melhores resultados nas suas performances esportivas todos os atletas, em especial atletas de futebol, através de seus treinadores, educadores físicos e fisiologistas utilizam cada vez mais os princípios do treinamento desportivo, buscando novas técnicas e metodologias de treinamento.

O constante estudo, aprendizado e atualização do treinamento são fundamentais para o sucesso de atletas e equipes de futebol ou outros esportes coletivos ou individuais, independente da categoria envolvida. Na sua maioria os princípios estão co-relacionados, existindo assim a necessidade do desenvolvimento de todos eles, pois um levará a otimização do outro.

A busca pelo equilíbrio deve ser sempre o principal objetivo a ser alcançado.

Referências bibliográficas

McARDLE, Willian; D.KATCH, Frank; I, KATCH; Victor L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.

TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3ª edição. São Paulo: Ibrasa, 1984.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Preocupado...

Muito preocupado com a Copa Rio.
Até o momento não fomos informado da nossa inscrição da copa RIO 2014.
A federação Carioca dá muita fresca para meu gosto.