quinta-feira, 13 de março de 2014

Circuitos para reflexão...

Circuitos para reflexão sobre o corpo e os movimentos

Objetivos
- Analisar e refletir sobre o corpo e os movimentos
- Conhecer limites e possibilidades de movimentação do corpo.
- Aprender a controlar gradualmente o movimento do corpo.
- Ampliar o repertório motor.

Conteúdos
- Reconhecimento dos limites do corpo.
- Exploração das possibilidades de movimento do corpo.

Anos
1° e 2°.

Tempo estimado
Oito a dez aulas.

Materiais necessários
Colchonetes, cordas, bambolês e cones.

Flexibilização
Para alunos com deficiência física (nos membros inferiores)
Na roda, faça com que todos se sentem em cadeiras, para que fiquem na mesma altura do colega que está na cadeira de rodas. Peça que o aluno com deficiência física fale sobre os movimentos que consegue fazer e conte como adapta os movimentos que não consegue realizar. Durante a 3ª etapa, o aluno precisará da sua ajuda para rolar no chão e da ajuda dos colegas, que podem guiar a cadeira do aluno pelo circuito de cones. Este aluno também pode ser desafiado a empurrar a própria cadeira dentro de um limite proposto com cordas colocadas paralelamente. Também é recomendável propor atividades que possam ser cumpridas com o aluno no chão, em colchonetes, que estimulem os movimentos possíveis para a criança com deficiência nos membros inferiores. A montagem dos circuitos em grupo pode ser uma boa chance para que os colegas experimentem alguns movimentos que são comuns para a criança com deficiência. Sempre estimule novos desafios e as potencialidades do seu aluno, inserindo-o no grupo.

Desenvolvimento
1ª etapa
Sente com os alunos em uma roda e converse sobre as possibilidades de movimentação do nosso corpo. Pergunte quais movimentos eles costumam realizar no dia a dia quando acordam (como o espreguiçar), ao escovar os dentes, ao caminhar até a escola ou quando brincam com os colegas. Sugira que as crianças se levantem, experimentem esses movimentos e falem quais as partes do corpo são acionadas para a realização de cada um deles. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, dê comandos para que realizem os movimentos discutidos, como se espreguiçar, caminhar, saltar, entre outros. Também estimule os alunos a criar movimentos novos a partir dos que foram experimentados.

2ª etapa
Pergunte como os animais se deslocam. Ouça os exemplos das crianças e questione como esses movimentos podem ser imitados. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, solicite que realizem os movimentos de diferentes animais. Diga para se posicionarem como se estivessem dentro de um ovo, tal e qual um pintinho antes de nascer. Em seguida, estimule-os a imitar desde o nascimento do pintinho até sua transformação em galo ou galinha. Agora, pergunte aos alunos sobre como dormem, comem, correm ou se espreguiçam os animais que conhecem. Comece pelos animais domésticos (cachorros, gatos etc.) e, depois, fale dos animais de fazendas (porco, vaca, ovelha, pato etc.), sempre pedindo para a criançada imitá-los. Vale também imitar animais que seriam vistos em um safári na África, por exemplo, caso de leões ferozes e girafas enormes, ou, então, aqueles que habitam a floresta Amazônica, como macacos saltitantes e jacarés de bocas enormes ao espreguiçar ao nascer do sol.

3ª etapa
Para explorar e desenvolver ainda mais as habilidades motoras da meninada, monte um circuito de atividades com materiais simples. Organize as estações de modo que os alunos possam vivenciar diversos movimentos a partir de diferentes desafios: equilibrar-se sobre uma corda (ou sobre uma linha desenhada com giz), subir em um banco de madeira e saltar (ou saltar por cima de colegas deitados no chão), desviar de cones (ou de garrafas plásticas com água) dispostos em linha reta, saltar dentro de bambolês (ou dentro de círculos desenhados com giz) e rolar sobre colchonetes (ou sobre grama ou outro piso macio). Primeiramente, deixe que os alunos percorram o circuito utilizando os movimentos que quiserem. Depois, indique quais movimentos são os pretendidos nessas atividades. Em seguida, faça com as crianças a associação dos movimentos vivenciados no circuito aos utilizados cotidianamente pelos alunos. Não esqueça de permitir que os alunos proponham variações, como equilibrar-se sobre a corda andando de costas, saltar dentro dos bambolês com apenas um dos pés ou transpor o banco sem tocá-lo. Por fim, peça que realizem o circuito também com os olhos vendados para estimular o desenvolvimento da percepção por meio de outros sentidos (que não seja a visão), de modo a desenvolver mais a sensibilização corporal. Por fim, proporcione momentos de socialização das experiências.

4ª etapa
Agora será a vez de as crianças sugerirem as atividades e os movimentos em um novo circuito de habilidades. Separe os alunos em grupos para que cada um crie um circuito diferente a ser vivenciado pelos colegas. Após a vivência dos circuitos, compare os movimentos e os desafios propostos por cada grupo, discuta sobre as diferenças entre eles e de onde surgiu a ideia para aqueles movimentos. Proponha também que a criançada construa, com base nas ideias anteriores dos grupos, um único circuito para que todos o experimentem. Apresente os materiais disponíveis e ressalte que a ideia é variar ainda mais os tipos de saltos, rolamentos e deslocamentos. Acompanhe um pouco da criação do novo circuito e assista a uma execução completa dele. Finalize com uma conversa e a produção de um quadro com legendas para registrar os movimentos vivenciados durante as aulas, tanto os sugeridos pelo professor como os criados pelos alunos, de modo que possam comparar o que sabiam e o que aprenderam.

Avaliação
É importante observar se os objetivos propostos para estas aulas foram gradativamente compreendidos e atingidos pela turma. Tenha atenção especial nos momentos de socialização das experiências motoras e, por fim, no momento da realização do registro coletivo das atividades, pois pode ser necessário reajustar as propostas para se adequar às especificidades da turma ou planejar atividades futuras.

O que acontece no corpo

O que acontece no corpo quando fazemos exercício?

Proponha dois tipos de corrida aos alunos e explique, com o auxílio de um frequencímetro, porque quando praticamos atividade física o coração acelera e a respiração muda

Objetivos
  • Aprender os procedimentos básicos para medir a frequência cardíaca
  • Compreender a relação entre a intensidade do exercício e a alteração na frequência cardíaca
  • Entender a frequência cardíaca como um indicador da intensidade dos exercícios, o gasto de energia e o nível de condicionamento físico.

Conteúdo
  • Fisiologia do coração
  • Frequência cardíaca
  • Corridas de atletismo


Anos
3º e 4º anos

Tempo estimado

Uma aula

Materiais necessários
Giz, lousa pequena, lápis, papel em branco, cones, apito e frequencímetro (para quem tiver esta possibilidade).

Introdução
O primeiro ciclo do Ensino Fundamental é um bom momento para entender os significados atribuídos ao corpo e aos "padrões" de beleza, temas relacionados ao exercício físico, bem estar e saúde. E também para abordar "Meio Ambiente e Saúde", tema transversal apontado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que deve aparecer nas aulas de Educação Física. Introduzir noções de Fisiologia é importante e ajuda o aluno a entender 
o que acontece com o corpo quando praticamos exercícios. Este conhecimento é fundamental, já que ao concluir o Ensino Médio o estudante deve saber planejar um programa de atividade física. Use este plano de aula como referência para ensinar as reações do organismo, mais precisamente do sistema cardiorrespiratório, durante corridas de velocidade e resistência.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Treinamento de Goleiros

Treinamento de goleiros: Método Analítico ou Método Global?

A evolução dos métodos de ensino no treinamento de goleiros transcende o conhecimento empírico adotado há décadas por preparadores
Cleber Sgarbi*


O futebol evoluiu muito nos últimos anos, e com o crescente progresso do treinamento esportivo, algumas áreas específicas como o treinamento de goleiros vêm ganhando destaque nas últimas décadas.
Em relação aos métodos de ensino, podemos dizer que é um conjunto de ações e procedimentos, nos quais o preparador de goleiros, através da organização dos conteúdos do treino (atividades de ensino), condiciona os goleiros a atingirem objetivos específicos como, a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.
Podemos citar alguns exemplos como o Método de Exposição – Explica o conteúdo; Método de Observação – Observação (visual); Método Individualizado – Necessidades individuais; Método Analítico – Desenvolve as partes do todo; Método Global – Desenvolve o todo.
Ainda há muitas perguntas sobre qual método é melhor e mais eficiente no processo ensino/aprendizagem/treinamento. Partindo destas indagações, busquei fazer uma pesquisa sobre os métodos de ensino que mais são utilizados no treinamento de goleiros hoje em dia.
Na década de 70, a figura do preparador de goleiros não existia, os trabalhos eram realizados pelos próprios goleiros ou pelos preparadores físicos e os cuidados designados à formação ou aperfeiçoamento técnico dos goleiros eram mínimos.
Os exercícios compreendiam a movimentos ginásticos, flexões, abdominais, exercícios com pesos, técnicas de finalizações e intersecções sobre a área de meta. Os métodos de ensino se baseavam no conhecimento empírico de cada atleta.
Hoje em dia, encontramos uma série de métodos de ensino sendo praticados e os que mais são utilizados são os métodos analíticos e globais. Todos os métodos têm sua importância em distintos momentos da preparação de um goleiro, cabe ao preparador de goleiros escolherem o método certo para o momento certo.
MÉTODO DE ENSINO ANALÍTICO
O Método Analítico é utilizado desde a década de 60, e é centrado na técnica, em exercícios onde há predominância de repetições dos gestos esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas específicas. Esse método caracteriza-se pela repetição, ajudando assim, a memorizar e a automatizar o gesto técnico em nosso Sistema Nervoso Central (SNC), é o aprendizado de técnica por técnica, gesto por gesto.
As habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferidas para as situações de jogo propriamente ditas, ou seja, consiste em ensinar destrezas motoras por partes, para, posteriormente, uni-las (SANTANA, 2005, MATTA; GRECO, 1996, TONROLLE, 2004)
Ficou claro que o Método de Ensino Analítico caracteriza-se por inúmeras repetições, maior contribuição no processo ensino/aprendizagem, o aprendizado das técnicas se torna mais fácil e rápido, é o melhor método para o ensino e aperfeiçoar dos gestos técnicos, facilita a execução dos exercícios, possibilita um melhor desenvolvimento motor específico, fica fácil a individualização dos treinos técnicos, além disso, é possível corrigir imediatamente o que precisa melhorar.
Resumindo: Pode-se treinar somente um tipo de técnica, até que ela esteja bem desenvolvida e assimilada pelo goleiro. Esse método é muito utilizado nas categorias de base, onde os jovens goleiros estão aprendendo as técnicas. Também é muito utilizado no âmbito profissional no período das pré-temporadas, com o objetivo de aperfeiçoar a técnica já aprendida na base. Ou ainda, para corrigir um possível erro do gesto técnico em uma determinada ação motora realizada no jogo.
MÉTODO DE ENSINO GLOBAL
O Método de Ensino Global é centrado na tática do jogo, cujo ambiente se torna mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é refutada e o objetivo principal é o desenvolvimento da inteligência do aprendiz. Esse método caracteriza-se por apresentar situações reais de jogo, ou seja, modelo de jogo como base do processo de treino e parte da totalidade do movimento, caracterizando-se também pelo aprender jogando.
O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar jogar, onde o aprendiz aprende diretamente a partir da própria experiência, com o auxilio indireto do professor/técnico. Alguns autores acreditam que o treino não pode ser realizado somente através de soluções impostas, pois as ações se tornam mecanizadas e a criatividade para “resolver problemas” não se desenvolve em sua plenitude. (TONROLLER, 2004; CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004; RESENDE, 2007; SANTANA, 2005)
Podemos ver claramente que esse método caracterizam-se pelo aprender jogando. O repertório motor fica vasto e aperfeiçoado para o jogo, há uma maior interação com outros setores da equipe. O desenvolvimento tático específico de jogo fica mais evidente, a percepção de espaço e cognitiva fica aperfeiçoada – posicionamento e colocação na área de meta, percepção das jogas, reações e tomadas de decisões mais rápidas, além de uma maior concentração nas ações que ocorrem no campo de jogo.
Para que o processo ensino/aprendizagem/treinamento dos gestos técnicos específicos tenham maior êxito, o Método de Ensino Analítico oferece maiores contribuições, pois a partir das repetições dos movimentos, se automatiza o gesto específico de uma modalidade esportiva.
Em contrapartida, para que o processo de ensino/aprendizagem/treinamento da capacidade de tomada de decisão e raciocínio rápido, integração com outros setores da equipe e execução de ações específicas em situações reais de jogo, o Método de Ensino Global oferece maiores contribuições, pois o goleiro aprende vivenciando o jogo propriamente dito.
Em outras palavras, além do habitual treino de repetições dos gestos técnicos específicos, concordo com Oliveira (2004) quando diz que, “só podemos falar de especificidade no treino, quando existe uma relação constante entre os componentes tático-técnicos, psico-cognitivos, físicos e coordenativos, em correlação permanente com o modelo de jogo adaptado pelo treinador e respectivos princípios que lhe dão corpo.”
Ou seja, cabe ao preparador de goleiros analisarem e identificar as necessidades individuais ou do grupo de goleiros, escolherem o melhor método de ensino a ser aplicado e em que momento deve ser aplicado.
Então, pergunto a você, preparador de goleiros:
Você tem consciência do método que está utilizando em seus treinamentos?
Você sabe diferenciar um método de outro?
Todos os goleiros necessitam deste método?
Em que momento deve ser utilizado tal método?
Com que frequência você utiliza?
Está tendo feedback com seus goleiros?
Está tendo resultados positivos?
CONCLUSÃO
Não podemos comprovar qual método é mais ou menos eficiente, mas podemos ver claramente que a utilização de um determinado método em um determinado período do treinamento, pode influenciar diretamente no processo de aprendizado ou não dos gestos técnicos.
Cabe ao preparador de goleiros, analisar e diagnosticar as necessidades individuais ou do grupo, a partir de aí, planejar os treinamentos utilizando o método mais pertinente ao estagio atual de desenvolvimento dos futuros atletas ou atletas.
BIBLIOGRAFIA

* Preparador de goleiros do E.C.Passo Fundo/RS.

Da solução estrutural à solução de fato

Sistema 1-4-2-3-1: da solução estrutural à solução de fato

Partindo dos problemas estruturais a serem resolvidos no jogo, esse esquema tático vem sendo muito utilizado pelos treinadores atualmente
Leandro Zago.
“Tão importante quanto visualizá-la de maneira estática é o
treinador compreender toda a dinâmica relacional da plataforma”
 (Zago in Arruda etc. al, 2013, p. 441)
O esquema tático (ou plataforma tática) 1-4-2-3-1 vem sendo muito utilizado por todo o futebol mundial, inclusive no Brasil. Assim como aconteceu com o 1-4-4-2, depois com o 1-3-5-2, o 1-4-2-3-1 passou a ser visto como a solução de todos os problemas.
Entender porque um esquema tático se torna mais "popular" entre os treinadores talvez seja tão ou mais fundamental do que entender o próprio esquema. Em geral, esse esquema se apresenta das seguintes formas apresentadas abaixo.
Figura 1 – Variações estruturais básicas do 1-4-2-3-1
Basicamente, o 1-4-2-3-1 se apresenta nas três formas apresentadas acima ao longo do jogo e, dependendo das características dos jogadores e da proposta de jogo com mais regularidade em uma delas, porém passando ocasionalmente pelas outras duas.
Na estruturação original, o primeiro campo corresponde ao esquema montado com dois volantes e três meias. No campo central, os alas devem possuir características para tal função. E no campo da direita, as características dos jogadores das laterais da linha de meias (?!) normalmente são atacantes que não de referência.
Figura 2 – Hierarquia das Interações entre os meias e atacantes
Ao longo do jogo, dependendo da posição da bola e da equipe que detém a posse, o esquema tático vai se deformando para se ajustar às necessidades momentâneas (recuperação da bola, direcionamento do jogo do adversário, construção do jogo, fase de finalização, etc.).
O 4-2-3-1 geralmente passa pelos arranjos apresentados (figura 1) durante o jogo pela proximidade dessas posições com a que seus jogadores ocupam em campo mais naturalmente. Porém, em muitos casos, apesar de considerar que esse esquema tático é a base para as outras variações, o que vai definir realmente o esquema tático é a forma como os jogadores interagem em campo.
Na figura 2, as setas laranjas indicam uma "relação mais forte" entre os jogadores do setor, enquanto as setas pretas indicam uma "relação menos forte" entre seus membros. Portanto, independentemente de como o esquema é nomeado, o que vai defini-lo é o resultado dessas interações.
Nas três situações (figura 2) os meias / alas / atacantes podem ser assim chamados de acordo com os parceiros com quem interajam mais fortemente. No primeiro campo (figura 2), a linha com três meias realiza suas dinâmicas baseado primeiramente nos comportamentos de seus companheiros dessa linha.
A linha possui dinâmicas que então conectadas com as da equipe. Há uma hierarquia, que respeita e integra essas dinâmicas num todo funcional em direção à eficácia no jogo. No campo central, os alas interagem mais fortemente com a linha de volantes e menos fortemente com o meia central.
Como produto, a equipe trabalha mais em uma plataforma 1-4-4-1-1 pela forma como estrutura o espaço na solução dos problemas do jogo. No campo da direita, há uma interação maior com o atacante centralizado do que com o meia do centro.
Visualmente, emerge o 1-4-3(2-1)-3. A relação não acontece apenas no nível espacial, portanto, mesmo que a equipe transite entre os três desenhos, será atraída para uma configuração em especial.
Figura 3 – Duas possibilidades para a Pressão Alta (Linha 1)
Acima são apresentadas duas possibilidades de estruturação espacial para a pressão na referida plataforma tática. No primeiro modelo, a "linha de 4" defensiva fica preservada e os volantes flutuam de maneira mais agressiva para o lado da bola compensando a manutenção do lateral na linha.
Como vantagem, a linha defensiva fica mais larga, porém uma zona frágil tem que ser administrada no centro (oposto à bola) conforme destacado na figura 3 (retângulo horizontal vermelho).
Com a subida do lateral fechando a paralela, o centro do campo fica mais povoado (modelo à direita na figura 3), porém a linha defensiva fica mais estreita, com maior fragilidade às diagonais longas (zona vermelha – retângulo vertical).
Obviamente, a abordagem do jogador que pressiona a bola muda em função do tipo de pressão (direcionando para o centro ou para a paralela).
Figura 4 – Posicionamento para Pressão a partir da Linha 2
Do ponto de vista estrutural, a pressão a partir da linha 2 (intermediária de ataque) é melhor acomodada pela plataforma do que a pressão alta (linha 1).
Os espaços entre os laterais e os meias do mesmo lado (LD – MD e LE – ME), são mais facilmente diminuídos e a necessidade de ajustes é menor, conforme demonstrado na figura 3. Habitualmente, a pressão inicia quando a bola é direcionada para uma das laterais, conforme o campo da direita da figura 4.
Dependendo do princípio operacional (recuperação da bola ou impedir a progressão) o atacante se comporta de maneira diferente. Para a recuperação, ele busca manter a bola na zona para poder ser pressionada (tirando linha de passe no zagueiro ou que permita a virada). Se o objetivo for impedir a progressão, ele pode entrar atrás da linha da bola novamente e permitir a circulação.
Figura 5 – Organização defensiva na linha 4 e balanço ofensivo
Dentre as possibilidades de organização defensiva na linha 4 (intermediária defensiva) que o esquema tático permite duas estão apresentadas na figura 5.
No campo da esquerda, a opção é por uma proporção (Leitão, 2009) mais conservadora do ponto de vista numérico com viés defensivo, enquanto no campo da direita há uma proporção mais ousada.
A proporção é um conceito das duas fases de transição (ataque-defesa e defesa-ataque) que, segundo o autor, relativiza o número de jogadores que estão efetivamente "defendendo" ou "atacando" sem que isso possa parecer uma fragmentação, apenas como sistematização do conteúdo.
No campo à esquerda a proporção é de (2 x [8 + G]), ou seja, dois jogadores com preocupações já ofensivas no caso da recuperação da bola e nove (goleiro incluso) jogadores envolvidos mais diretamente com a sua recuperação. No campo da direita a proporção é de (4 x [6 + G]).
Naturalmente, a ocupação do espaço pelos jogadores permite um balanço ofensivo (em destaque no campo à direita) que rapidamente pode deixar o ataque com boa amplitude (MD e ME) e profundidade (AT).
Em compensação, com esse balanço, a marcação em largura (equilíbrio horizontal) fica prejudicada. O posicionamento do campo à esquerda oferece um melhor equilíbrio defensivo (em largura inclusive), porém, no movimento seguinte à recuperação o tempo para ocupar o campo de ataque é maior.

Figura 6 – Balanço defensivo
Na figura 6 são mostradas duas possibilidades de balanço defensivo com a estrutura e a proporção (6 x [4 + G]) mantidas, mas com variação dos jogadores que o realizam. No campo à esquerda, um volante faz o balanço da jogada (VD) e o outro da equipe (VE).
No outro modelo, o lateral faz o balanço da jogada (LD) e o volante do lado da bola (VD) o da equipe, com o outro volante (VE) mais adiantado. O balanço defensivo do campo à esquerda, coloca mais jogadores na lateral em que está a bola (aumentado as chances de triangulações) enquanto o balanço defensivo do campo à direita preenche mais a faixa central.
As vantagens e desvantagens devem ser pesadas. Há muitas outras possibilidades, como o lateral oposto no balanço (5 x [5 + G]), por exemplo.
De maneira consciente ou intuitiva, o 4-2-3-1 ganhou espaço no Brasil quando algumas preocupações coletivas começaram a nortear as ações dos treinadores. Em boa parte das situações, o esquema ainda é utilizado por permitir encaixes individuais mais facilmente.
Originalmente com três meias, conforme apresentado, no Brasil é mais normal observá-lo com dois atacantes abertos (seria um 1-4-3-3?) e um mais centralizado ou até com um atacante aberto de um lado e um meia no outro, quase um 1-4-4-2 "disfarçado".

O esquema ou plataforma tática não se esgota nele mesmo. Todos os conceitos discutidos podem ser resolvidos em outros esquemas, desde que a essência do problema seja entendida.

Do Papel para o Campo

O treino da estratégia: do papel para o campo

O grande desafio dos treinadores, após terem acesso às informações, é passar o que sabem para a prática.

Jose Barbosa e Luis Freire

A observação de adversários assume cada vez mais um papel relevante no futebol contemporâneo, sendo que as equipes técnicas contam já com elementos ou mesmo departamentos que fazem a análise e a observação dos adversários.
Hoje em dia, os treinadores além de deverem construir uma identidade forte para a sua própria equipe, através do treino dos princípios de jogo constituintes do seu modelo de jogo, procuram cada vez mais perceber quais as debilidades e virtudes dos seus adversários.
As informações sobre o adversário deverão revelar uma reflexão conjunta (do departamento de observação; do observador principal e do treinador adjunto ou principal), de forma que estas sejam devidamente partilhadas e entendidas por toda a estrutura técnica, sendo obtidas através da visualização de diversos jogos do adversário.
A elaboração de relatórios e entrega de vídeos pelos observadores é essencial, de forma que a informação seja devidamente comprovada e possa ser exemplificada aos jogadores se assim o treinador principal o entender.
Toda a informação recolhida deverá ter em atenção à forma de jogar da nossa equipe, sendo peremptório o conhecimento do modelo de jogo da equipe por parte de toda a estrutura técnica, percebendo assim como o time poderá tirar proveito dos pontos fracos do adversário e como poderá contrariar os seus pontos fortes.
Após todas estas premissas serem respeitadas, é importante a elaboração um plano para o jogo, ou seja, um plano estratégico, de forma que as informações recolhidas possam traçar um caminho ajudando a equipe a atingir o sucesso.
O grande desafio dos treinadores após terem acesso a estas informações será então passar o que sabem do papel para o campo de futebol. Será muito importante que os treinadores não caiam no erro de transmitirem as informações em longas palestras, em demoradas apresentações vídeo, ou transformarem o seu treino em uma aula sobre o adversário, descaracterizando a sua forma de jogar, comprometendo a sua identidade e criando medo e preocupação nos seus jogadores em vez de um sentimento de preparação absoluta e confiança para o confronto seguinte.
O treino deverá então ser composto por exercícios que forneçam aos jogadores, as pistas necessárias para que os mesmos percebam como podem aproveitar as debilidades adversárias e prevenirem-se para os pontos mais fortes dos seus opositores.
É importante que os exercícios contenham constrangimentos que guiem as ações dos jogadores para o objetivo pretendido pelo treinador. O exercício de treino deverá ser a principal ferramenta para que o plano estratégico resulte na prática e saia do papel com sucesso, consciencializando a equipe do que o treinador pretende para o jogo seguinte.
A conceitualização dos exercícios deverá ser direcionada para o treino do nosso modelo de jogo, mas a colocação de regra nos exercícios poderá ajudar os treinadores a criarem algumas nuances estratégicas que permitirão consciencializar a equipe do pretendido.
Os jogadores não deverão ser alertados do pretendido antes de experimentarem os exercícios (refiro-me aos objetivos estratégicos), possibilitando aos mesmos a descoberta de soluções e a percepção das dificuldades que o exercício lhes apresenta. Estas soluções e dificuldades que os exercícios apresentam deverão guiar os jogadores a perceberem o que fazer no próximo jogo.
Durante os exercícios o treinador deverá aí sim, ter um papel intervencionista, explicando o porquê do exercício ter determinadas regras e determinados constrangimentos (exemplo: colocação das balizas, divisão do espaço do exercício por setores ou corredores; limitação de tempo para recuperar posse de bola numa determinada zona; colocação de zonas limitadas em espaços a explorar antes de obter gol; limite do número de passes para variar o jogo de um corredor lateral para outro, obrigatoriedade de ir aos dois corredores laterais sendo que antes de marcar deverá existir uma variação através de diagonal uma longa etc.).
Estas são apenas algumas das regras que poderão ser utilizadas para guiar os jogadores a fazerem o pretendido pelo treinador, possibilitando a exploração de pontos fracos ou fortes do adversário seguinte. Para que, mais facilmente, possam entender a nossa forma de conceitualizar o treino da estratégia apresentamos um exemplo prático (exercício de treino).
Algumas características gerais do modelo de jogo da equipe A nos diferentes momentos de jogo:
1 - Privilegia o ataque pelos corredores laterais.
2 - Prefere a circulação de bola com recurso a muitos passes e mobilidade ofensiva.
3 - Procura fazer campo grande quando ataca.
4 - Defende zonalmente.
5 - Defende utilizando a concentração coletiva (campo pequeno).
6 - Pressiona após a perda da bola independentemente do local onde a perde, encurtando o espaço entre linhas.
7 - Transita para o ataque, preferencialmente, utilizando a exploração dos corredores laterais de forma rápida tentando provocar desequilíbrios nestas zonas do campo.
Equipa B – O adversário (Exemplo de alguns pontos fortes e fracos)
1 - Dificuldade nos cruzamentos ao 2º poste devido ao mau posicionamento dos seus laterais dentro da área, sendo que fecham mal o espaço entre central e lateral, deixando possivelmente que os extremo da equipe A e o ponta de lança possam antecipar-se aos laterais adversários.
2 - Equipe forte nas segundas bolas no meio-campo ofensivo adversário, sendo que após cruzamentos são fortes a reagir às segundas bolas encurtando o espaço entre meio de campo e ataque. Importante reagir rápido às segundas bolas que advêm de cruzamentos para dentro da nossa área.
3 - Existência de espaço nas costas dos médios centros da equipe B, derivado à elevada distância entre linhas (linha do setor defensivo e linha do setor intermédio). A equipe A deverá explorar este espaço entre linhas.
Exercício de treino da equipe A (permitindo o treino do nosso modelo de jogo e o treino de nuances estratégicas aproveitando as debilidades adversárias e prevenindo para os pontos fortes).
Não será apresentado o espaço do exercício nem a duração, pois não se pretende com este exemplo refletir sobre o regime de esforço do mesmo, dependendo este do dia da semana que o treinador pretender operacionalizar este exercício.
- Ambas as equipes antes de marcarem gol têm de ir aos dois corredores laterais (respeita os princípios 1, 2, 3 do modelo de jogo).
- Gol obtido através de cruzamentos na 2º trave vale 3 gols para a equipe amarela (alerta para o ponto fraco 1 da equipe adversária e obriga a nossa equipe a treinar a concentração coletiva – princípio de jogo 5 e a lutar pela segunda bola após cruzamento – ponto forte 2).
- Os brancos marcam nas balizas colocadas no corredor central. Para que possa haver gol, a bola deverá passar por dentro da baliza e deverá existir a desmarcação de um jogador para receber a bola na zona X (alerta para a exploração do espaço nas costas dos médios centro adversários ou médio centro adversário - ponto fraco 3).
Cabe ao treinador e a sua equipe técnica criarem exercícios ricos em conteúdos, respeitando ao máximo a forma de jogar da equipe e dando aos seus jogadores soluções através da implementação de regras que os guiem para a percepção do plano estratégico para o jogo seguinte.
A transmissão da informação deverá incutir segurança aos jogadores, o recurso ao vídeo deverá ser efetuado, deverá existir um conjunto de imagens selecionadas com curto tempo de duração e o mais semelhantes possíveis entre si que permitam aos jogadores a percepção dos erros e virtudes adversárias.
Mas, na nossa opinião, não há melhor forma do que treinar a estratégia para o próximo jogo do que no campo de futebol, o habitat natural do jogador e dos treinadores.
A imaginação dos treinadores deverá ser desafiada e posta à prova, pois, cada vez mais, a vertente estratégica do jogo se faz notar na alta competição e nas divisões profissionais de todo o futebol mundial.

Cabe aos mesmos transportarem do papel para o terreno de jogo toda a informação que possam dispor sobre o adversário respeitando a forma de jogar da equipe que treinam.