quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ATIVIDADE ESPORTIVA


 


 

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Vicente Molina Neto acredita que o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da instituição de ensino.


Em entrevista coletiva concedida ao Portal do Professor, o educador comenta a importância do esporte durante a trajetória escolar. “Os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas”, afirma. Na UFRGS, Molina coordena o grupo de pesquisa F3P-Efice – Grupo de Estudos Qualitativos Formação de Professores e Prática Pedagógica em Educação Física e Ciências do Esporte.

Também participa do grupo Formación Inovación y Nuevas Tecnologias e do Centro de Estudios sobre los Cambios en la Cultura y en la Educación, ambos da Universidade de Barcelona (Espanha), onde cursou doutorado em filosofia e ciências da educação, participou de pós-doutorado e fez estágio sênior como professor convidado. Ele tem licenciatura em educação física, mestrado em educação e experiência nas áreas de formação de professores de educação física e de esporte escolar.

Qual é a importância de desenvolver atividades esportivas na escola?

Vicente Molina Neto –
Esse conjunto de perguntas é o mesmo que a área de conhecimento educação física se faz há mais de 40 anos. E nesse tempo todo foram respondidas desde diferentes perspectivas teóricas.

No meu ponto de vista, o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da escola e quando isso é entendido por toda a comunidade escolar, não só por um coletivo docente específico.Para entender a questão do esporte na escola é necessário pensar em um erro histórico de preposição – é de preposição mesmo.

Historicamente, governos têm tentado “desenvolver o esporte na escola como meio de desenvolvimento humano e social”. Fracassam porque o esporte que vem acontecendo na escola é de certo modo diferente do esporte no sentido que a sociedade em geral dá ao conceito.

O sentido que os estudantes dão, quando pedem ao professor de educação física para jogar bola, é diferente do que pensam os gestores quando propõem políticas públicas de incentivo ao esporte na escola.

Nesses casos, os adultos antecipam o desenvolvimento de hábitos higiênicos, respeito às regras do jogo e uma série de valores do mundo adulto, como o aumento do quadro nacional de medalhas olímpicas. Já as crianças e adolescentes, quando jogam bola na escola, apostam em celebração e na transgressão das normas em que não acreditam.

Portanto, como alguns colegas já disseram, é importante pensar o esporte da escola. É nessa perspectiva que penso estar a importância do esporte da escola como conteúdo da educação física. Na medida em que amplia a cultura corporal de movimento dos estudantes.

– Quais os benefícios que o esporte pode trazer para crianças e adolescentes (físicos, comportamentais, emocionais...)?

– Na perspectiva que antes explicitei, os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas. O esporte da escola brasileira traz grandes benefícios ao desenvolvimento da sociedade brasileira. Ajuda, integrado com outros processos de socialização, na construção do cidadão brasileiro.

– Quais as principais modalidades esportivas que podem ser desenvolvidas na escola? Há algumas mais adequadas ao ambiente escolar do que outras? Por quê?

– Não há uma modalidade esportiva melhor do que outra a ser ensinada na escola. Tampouco há alguma que seja proibida. O que as escolas precisam para o desenvolvimento da educação física em toda sua plenitude, incluído o esporte da escola, é espaço – aberto, coberto, verde. Enfim, espaço onde possam ser desenvolvidos, pelo professorado de educação física, os esportes, os jogos, as lutas, as atividades de comunicação e expressão corporal, a dança o folclore etc.

– Os professores de educação física estão capacitados para desenvolver atividades esportivas nas escolas? É importante participar de cursos de especialização? Qual o papel das instituições universitárias nesse aspecto?

– Tudo o que há de bom e ruim no esporte da escola tem uma luxuosa contribuição do professorado de educação física. Em face da constituição histórica da disciplina educação física, o professorado sabe bastante de esporte, mas muito pouco de criança e de adolescente. Sabe muito sobre as regras do jogo, mas pouco como lidar com estudante com dificuldades de aprendizagem.

Sabe muito sobre os aspectos biodinâmicos do movimento, mas pouco sobre ler contextos de ensino e aprendizagem. Poucos sabem fazer análise de conjuntura com o fim de integrar seu ensino a um projeto educacional consistente.

Também há muitos cursos bons, principalmente nas universidades federais. Na UFRGS, promovemos uma reforma curricular importante. Acredito que seja o melhor currículo de educação física do Brasil.

Centramos as ações nos interesses dos estudantes a partir da pergunta: que saberes são necessários para que o professor de educação física atue de modo competente nos diferentes lugares nos quais a educação ganha concretude e tem visibilidade?

Com ele, corrigimos grande parte da fragmentação dos saberes da área de conhecimento e os integramos através de atividades interdisciplinares, contribuímos com a organização do tempo dos alunos (ensino e trabalho; ensino e pesquisa; ensino e extensão; ensino e tempo para estudar) e com ele contribuímos com algo que a departamentalização da universidade tinha retirado dos alunos – a possibilidade das turmas, o grupo, a integração, a possibilidade da formação política face a face.

Contudo, não foi uma tarefa tranquila e unânime, na medida em que discutir currículo e formação do professorado enseja uma série de debates sobre concepções de mundo e de educação.

Hoje, na Escola de Educação Física da UFRGS, os estudantes saem preparados para trabalhar em todos os ambientes de ensino e aprendizagem. Ainda mais, são capazes de trabalhar com equipes multidisciplinares e liderá-las.

Contudo, devem continuar estudando porque o fato de um estudante ter uma boa formação inicial não dispensa a formação continuada, a especialização e a continuidade dos estudos.

– De que forma o Brasil pode estimular a formação de novos atletas?

– O desenvolvimento do esporte, da dança, dos jogos, das lutas passa pela educação física regular. Se quisermos estimular a formação de estudantes qualificados, com sólida formação humana na cultura corporal do movimento humano, coloquemos esses programas sociais sob a tutela do projeto pedagógico da escola e da educação física regular. Ofereçamos as condições e avaliemos os resultados na comunidade escolar.

– Algum país poderia servir de exemplo ao Brasil com relação ao desenvolvimento de atividades esportivas na escola? Por quê?

– O Brasil é o modelo dele mesmo. Há que ter paciência histórica. A formação e o desenvolvimento humano não se fazem por decreto. Temos coisas a aprender com os outros, mas eles também têm muito que aprender conosco. Vejam o caso do futebol. A grande maioria dos treinadores europeus de sucesso não se cansa de dizer que adaptou a suas realidades o modelo brasileiro de jogar futebol.

Acredito na educação integral e na escola com horário expandido, não para fazer os deveres das disciplinas de caráter intelectual, mas para fazer atividades que integrem o esporte, a dança o teatro, o artesanato, a música e o exercício filosófico – a escola de Atenas.

Enfim, atividades alternativas ao currículo escolar de base intelectual. Aqueles estudantes que pretendam se dedicar ao aprimoramento esportivo, com vistas à profissionalização, que tenham oportunidades e meios, dentro e fora da escola. A escola não é uma ilha. A comunidade também educa.


Matéria publicada pelo site Portal Brasil.

Lago do Cuniã









Equipe do TRE em Nazare, indo para o LAGO DO CUNÂ


Nosso trabalho pelo TRE. Nautica Amazonia no ramal Aliança













segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Artrose do Joelho



 

A artrose é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo das articulações (juntas) do organismo, marcada pelo desgaste das cartilagens que revestem as extremidades ósseas, causando dor e podendo levar a deformidades. As articulações mais acometidas pela artrose são as que suportam peso, como coluna vertebral, os quadris e joelhos. A doença é tambem conhecida como osteoartrose ou ostetoartrite.


A dor ao nível do joelho geralmente é o primeiro sintoma da artrose. Essa dor é de caráter progressivo. Acentua-se com a atividade física (degraus, subida e descida de escadas, esportes de contato e movimentos repetitivos) e é diretamente proporcional ao excesso de peso. No início dos sintomas, o repouso é uma forma de alívio.

O joelho inchado (derrame articular) é o segundo sintoma e muito frequente em pessoas que têm a doença e praticam esportes. O responsável por esse inchaço é o processo inflamatório da membrana sinovial (membrana que recobre a articulação do joelho). Essa reage à presença dos restos cartilaginosos produzindo um líquido viscoso e amarelado.

Logo que o edema sinovial torna-se importante, a pressão criada acentua as dores que podem ser sentidas pelo doente na parte posterior do joelho. Outro sintoma marcante é a perda progressiva do movimento. Os efeitos da artrose no esporte vao desde queixas moderadas com inchaço e dores leves após à incapacitaçao plena nas atividades da vida diaria.

Estudos sobre a artrose no esporte indicaram que:

Obesidade, sedentarismo e fraqueza muscular aumentam as chances de uma pessoa desenvolver a artrose. Muitas pessoas com artrose tornam-se menos ativas por causa da dor e do medo de causar mais danos. Isso pode, infelizmente, levar a músculos cada vez mais fracos, o que piora o doença.

O principal objetivo da reabilitaçao é aumentar a força muscular e flexibilidade, além de reduzir a dor e rigidez. Exercícios aeróbicos melhoram a saude do coração e permitem que os músculos trabalhem de forma mais eficiente. Além de exercícios individualizados, as pessoas devem praticar atividades, como caminhadas, ciclismo, natação, yoga e pilates.

Quanto exercício que você deve fazer por semana? A Sociedade Americana de Reumatologiarecomenda 30 minutos por dia durante cinco dias por semana - ou seja, 2,5 horas por semana. Espera-se melhora de sintomas após aproximadamente seis a oito semanas de exercícios regulares. 

Tratamento

Para aliviar os sintomas, podem ser administrados medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios e empregar-se a fisioterapia e hidroterapia, que promovem melhora da dor tanto pelo uso de técnicas anti-inflamatórias quando pelo fortalecimento e alongamento musculares, protegendo assim as articulações e estimulando sua movimentação, evitando a rigidez articular. 

Infiltraçoes do joelho 

Nos casos de artrose leve a moderada, é possível a reposição das propriedades do líquido sinovial, alterada na artrose por meio da injeção dentro do joelho de um líquido desenvolvido em laboratório, chamado acido hialurônico, que traz novamente a viscosidade normal, protegendo a cartilagem e melhorando a dor e a mobilidade articular. Esta terapia é chamadaviscosuplementação, e tem as vantagens de poder ser aplicada pelo médico no próprio consultório, com desconforto mínimo, semelhante à aplicação de uma injeção no músculo.

O efeito dura em média de oito meses a um ano, dependendo do grau da artrose em cada paciente e auxilia na reabitaçåo e retorno ao esporte. A infiltração do joelho com o PRP (Plasma Rico em Plaquetas) faz parte do conceito da terapia biológica e foi desenvolvido pela ideia de se injetar nas lesões dos atletas e pacientes em geral uma concentração de fatores de reparaçao tecidual do seu próprio sangue extraídos das plaquetas.

As plaquetas possuem os “fatores de regeneração tecidual”, nossos fatores de cicatrização e crescimento celular, e sao o “gatilho” inicial da cicatrização de qualquer dano tecidual como, por exemplo, após um corte na pele.

Estudos recentes realizados ne Espanha e Itália mostraram que o PRP, quando infiltrado em joelhos de pacientes portadores de artrose, levaram a rápido alivio de sintomas e retorno ao esporte, prolongando-se por até dois anos. Isso, especialmente em indivíduos do sexo masculino, jovens e em estágios iniciais da doença, com escores superiores à infiltração tradicional com acido hialurônico.

O resultados promissores da ação da infiltração articular do PRP tem encorajado pesquisadores do mundo todo, dos quais eu me incluo e estudos futuros determinarão em breve o efeito biológico dele no tecido cartilaginoso e seu efeito reparador.