Sou professor de Educação Física, aposentado. Preparador Físico de Futebol, Técnico de Futebol formado pela Universidade da Gama Filho, RJ.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Jogos Reduzidos e Adaptados
Jogos Reduzidos e Adaptados
Prof. Ocimar Esteves
Introdução:
Jogos reduzidos e adaptados são muito úteis no processo de aprendizado
do futebol, mas utilizá-los no processo de treinamento não é uma tarefa
simples. Com o intuito de facilitar o planejamento do treino e o entendimento das
demandas de cada faixa etária, desde a iniciação até ao profissional, os jogos
serão divididos em quatro estágios, de acordo com a complexidade de suas regras
e seus objetivos. Os quatro estágios foram divididos, didaticamente, da
seguinte forma:
- Estágio 1 -
Desenvolvimento Técnico Contextualizado em Situações Simples
- Estágio 2 -
Aspectos Táticos Individuais e Aprimoramento Técnico Contextualizado
- Estágio 3 -
Aspectos Táticos Conceituais e Tomados de Decisão em Pequenos Grupos.
- Estágio 4 -
Construção, Desenvolvimento e Aprimoramento do Modelo de Jogo.
Estágio 1 - Desenvolvimento Técnico
Contextualizado em Situações Simples
·
Este estágio é composto pelos jogos menos complexos, com regras simples
e que enfatizam o aprendizado técnico relacionado ao jogar. Em outras palavras,
os jogos que o compõe, buscam o aprendizado das ações técnicas (passe, domínio,
condução, finalização, etc.) de forma contextualizada ao jogo. As ações
técnicas não serão treinadas de forma isolada e segmentada. A técnica será
desenvolvida usando jogos que apresentem situações mais simples de serem
solucionadas do que as situações do jogo formal.
·
Algumas características dos jogos deste estágio são: superioridade
numérica para a equipe em posse da bola (de 3 a 7 jogadores contra 1 ou 2);
espaço e movimentação limitados; jogos com uma ou mais bolas; regras de baixa
complexidade; ênfase no aspecto técnico, entre outros. Os jogos deste estágio
se relacionam ao jogo formal, mas ainda possuem muitas diferenças com o mesmo.
·
Neste estágio, os jogos não precisam ser, necessariamente, da mesma
família do que o futebol. Como a ênfase é no desenvolvimento técnico, basta que
sejam jogos que utilizem habilidades necessárias ao futebol - em contextos
semelhantes.
Na verdade, e dependendo da idade do grupo em questão, podem ser até mesmo brincadeiras de bola com os pés.
Na verdade, e dependendo da idade do grupo em questão, podem ser até mesmo brincadeiras de bola com os pés.
Estágio 2 - Aspectos Táticos
Individuais e Aprimoramento Técnico Contextualizado.
·
Neste estágio, os jogos enfatizam o aprimoramento técnico dos jogadores
e o desenvolvimento de aspectos táticos individuais como cobertura, pressão,
linhas de passe, etc. Os jogos ainda podem contar com superioridade numérica
para a equipe em posse de bola, mas não com a mesma proporção do estágio 1.
·
Além de jogos com igualdade numérica, este estágio, também, conta com
jogos com inferioridade numérica para quem ataca. As decisões terão de ser
tomadas com maior velocidade e os jogadores terão menos tempo para completar as
tarefas técnicas e táticas. Mais uma vez, a ação técnica nunca é treinada de
forma isolada e descontextualizada do jogo.
Estágio 3 - Aspectos Táticos
Conceituais e Tomados de Decisão em Pequenos Grupos.
·
O foco deste estágio é o desenvolvimento de conceitos como posse
de bola, proteção ao alvo, recuperação da posse de bola, marcação individual e
zonal, amplitude, profundidade, ultrapassagem, entre outros. Em outras
palavras, este estágio conta com jogos que visam ao aprendizado de conceitos
importantes para diversos modelos de jogo, princípios estruturais e princípios
operacionais.
·
Estes conceitos serão aprendidos, independentemente, de esquemas
táticos. O objetivo principal é fazer com que os jogadores experimentem
diversas situações-problema que demandem decisões rápidas e importantes para o
jogo. Esses conceitos serão trabalhados em grupos pequenos ou médios, quando
comparados ao jogo formal.
·
Os jogos deste estágio, normalmente, possuem regras que não
restringem as decisões dos jogadores, mas estimulam os mesmos a encontrarem
soluções para os problemas propostos. Regras novas serão, gradualmente,
adicionadas aos jogos reduzidos. As soluções aos problemas apresentados
estarão, muitas vezes, relacionadas aos princípios estruturais e operacionais
do jogo.
Estágio 4 - Construção,
Desenvolvimento e Aprimoramento do Modelo de Jogo.
·
Os jogos deste estágio se relacionam, diretamente, com o modelo
de jogo da equipe. Serão trabalhados aspectos e referências táticas como o
esquema tático, princípios estruturais e operacionais em grandes grupos, sempre
buscando a especificidade da forma de jogar da equipe.
·
Os jogos vão desde jogos médios até jogos de 11 contra 11
jogadores, onde serão trabalhadas as funções específicas de cada posição e
todos os conteúdos que englobam o modelo de jogo da equipe.
·
Os jogos deste estágio são bastante complexos e utilizam
múltiplas regras e alvos para pontuação. Por essa razão, são mais apropriados
para categorias de idade mais avançada e para o profissional. Porém, algumas
variações simplificadas podem ser introduzidas em todas as categorias, desde
que a complexidade das regras cresça, gradativamente.
·
Jogos deste estágio são muito importantes para que os jogadores
entendam os esquemas táticos e as regras de ação durante os jogos, sendo,
diretamente, relacionados ao modelo de jogo da equipe.
Distribuição
dos Estágios nas Categorias de Base e Profissional.
·
A divisão dos jogos em
quatro estágios proposta, anteriormente, não tem como objetivo segmentar o
processo de aprendizado. Todos os estágios contêm aspectos importantes para o
aprendizado do futebol e aparecerão, em menor ou maior escala, desde a
iniciação até o profissional, ao longo de toda a formação do jogador.
·
Por outro lado, a idade do jogador e a sua bagagem motora são
determinantes no tipo de treinamento que deve ser aplicado e, portanto, no
tempo que deve ser dedicado a cada estágio.
·
Em outras palavras, não queremos dizer que um determinado aluno
só vai fazer as atividades do estágio 2, quando tiver "dominado" as
atividades do estágio 1, por exemplo. Todos os estágios serão trabalhados em
quase todas as faixas etárias, com algumas exceções. De acordo com a idade e
com o nível de treinamento, um ou outro estágio receberá maior ênfase.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Treinamento de Futebol - II parte
Agora, vamos a um exemplo prático.
Imagine um grupo de atletas que está iniciando no futebol e que, portanto,
ainda não domina os fundamentos técnicos. Um exercício bastante comum é o
zigue-zague entre cones, buscando aperfeiçoar o controle de bola durante a
condução.
De forma geral, exercícios
analíticos retiram a imprevisibilidade do jogo, treinando apenas um elemento
que o compõe. No caso do exemplo acima, este elemento é a condução de bola.
Desde o início, o aluno ou jogador que realiza a atividade, já sabe todo
trajeto que deverá percorrer, ou seja, não existem influências de fatores
imprevisíveis.
Contudo, exercícios
analíticos não são aplicados apenas na iniciação, mas ao longo de todo o
processo de formação do jogador - inclusive no profissional. Abaixo, você pode
acompanhar uma animação construída baseada em uma atividade realizada por um
treinador de uma equipe de São Paulo.
Durante esta atividade, o
treinador orientava que todos os jogadores realizassem as ações da mesma
maneira, buscando perfeição no movimento. Frases como "por este lado",
"com a parte de fora do pé", "coloca curva na bola" foram
escutadas a todos os momentos.
Nosso objetivo com a animação acima
não é discutir sua eficiência ou aplicabilidade desta atividade em especial,
mas apresentar elementos que constituem a metodologia tradicional de
treinamento e as características dos exercícios analíticos. Neste exemplo, as
habilidades de conduzir, driblar, cruzar e cabecear são trabalhadas de formas
previsíveis e isoladas do contexto de jogo, caracterizando o exercício
analítico.
Na metodologia tradicional, a técnica
do movimento não é o único foco do treinamento no futebol. Treinamentos físicos
e táticos também são realizados, pautados em exercícios analíticos. Iniciaremos
com um exemplo do trabalho físico realizado de forma segmentada. Assista ao
vídeo abaixo, com trechos de treinamentos de uma equipe da Itália.
Num jogo de futebol, um jogador
realiza diversos saltos, corridas em alta e baixa velocidade, mudanças de
direção, etc. Baseados nestas informações, preparadores físicos que acreditam
em exercícios analíticos, trabalham as capacidades físicas separadamente,
através de circuitos, treinamentos intervalados e contínuos, saltos sobre
cones, etc., para que estas capacidades adquiridas sejam aproveitadas durante o
jogo de futebol.
Neste sentido, as avaliações físicas também são realizadas com testes analíticos e buscam medir o desempenho dos atletas.
Neste sentido, as avaliações físicas também são realizadas com testes analíticos e buscam medir o desempenho dos atletas.
Porém, trabalhar os aspectos
físicos de forma segmentada, baseados na quantificação das demandas do jogo não
é única forma de preparar o jogador para uma partida.
Esta discussão
será retomada ao longo deste curso.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o treinamento tático também é feito de forma segmentada, a partir de exercícios analíticos. Busca-se, através de movimentações pré-definidas e previsíveis, a repetição de padrões de movimentação da equipe. O objetivo, com esse tipo de trabalho, é que estes padrões treinados apareçam durante o jogo. Observe abaixo um vídeo de um treino de um treinador de uma equipe de Minas Gerais, buscando ultrapassagens e jogadas pela lateral.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o treinamento tático também é feito de forma segmentada, a partir de exercícios analíticos. Busca-se, através de movimentações pré-definidas e previsíveis, a repetição de padrões de movimentação da equipe. O objetivo, com esse tipo de trabalho, é que estes padrões treinados apareçam durante o jogo. Observe abaixo um vídeo de um treino de um treinador de uma equipe de Minas Gerais, buscando ultrapassagens e jogadas pela lateral.
Em suma, os principais conceitos do
treinamento tradicional foram resumidos e apontados a seguir.
A partir
destes conceitos, no quadro abaixo, discutiremos algumas possíveis conclusões a
respeito do treinamento tradicional.
Porém, o objetivo deste curso não é
discutir a metodologia tradicional de treinamento. O que você viu até agora
servirá de base para alguns contrapontos, críticas e novas propostas que virão
a seguir.
Formação do Jogador
A
partir de agora, depois de feita a análise da metodologia tradicional,
passaremos a buscar alternativas sobre o que pode ser feito para aperfeiçoar os
treinamentos no futebol. Como preencher as lacunas deixadas pelos exercícios
analíticos? Se a ênfase na formação não deve estar na técnica, mas no jogar - o
que deve fazer parte do processo de formação?
Para dar início a esta discussão, assista ao vídeo - um trecho da entrevista realizada pela Universidade do Futebol com o Prof. Dr. Júlio Garganta, renomado estudioso do futebol da Universidade do Porto (Portugal).
Para dar início a esta discussão, assista ao vídeo - um trecho da entrevista realizada pela Universidade do Futebol com o Prof. Dr. Júlio Garganta, renomado estudioso do futebol da Universidade do Porto (Portugal).
Competências Essenciais para jogar:
O que é Jogo?
Os jogos possuem estruturas que
organizam os jogadores, as regras, as estruturas motrizes e as condições
externas. Esses elementos se interagem de maneira complexa, ou seja, todos eles
influenciam um ao outro, continuamente, enquanto o jogo se desenrola, gerando,
ao mesmo tempo, emergências. Essas emergências são as novas aprendizagens que
possibilitam o surgimento de novas adaptações emocionais, físicas, cognitivas e
motoras.
Temos
que pensar no objetivo do jogo proposto e se ele criará, realmente, um ambiente
propício para a aprendizagem. O jogo tem que ter significado para quem pratica,
senão ele pode acabar não sendo jogo. Para ser jogo, precisa ter regras
definidas que absorvam os participantes para o mundo do jogo, que é (quase)
outra realidade. Se for jogo, traz imprevisibilidade e incerteza; exige o
enfrentamento de situações-problema pelo jogador, que não sabe exatamente o que
está por vir.
Portanto, o
professor/treinador que utiliza um jogo precisa pensar muito bem em como esse
jogo funcionará e o que causará em seus alunos. Além disso, como veremos mais
adiante neste curso, para que os jogos tragam os efeitos desejados, é
necessário que estejam incluídos em um processo de aprendizagem maior.
Treinamento Tecnicista ou Tradicional - I parte
O Treinamento
Tradicional e a Formação do Jogador.
O Fim da
Metodologia Tecnicista?
Inteligência de
Jogo: O Coração da Metodologia Através de Jogos.
Assim, esperamos que aproveite bem seus estudos.
Neste capítulo, temos como principal objetivo colocar as características
e diferenças entre a metodologia tradicional e o treinamento através de jogos.
De acordo com o título desta aula, neste momento enfocaremos o treinamento tradicional
e a formação do jogador.
Porém, por que estudar o treinamento tradicional agora, se o objetivo do
curso é o treinamento através de jogos reduzidos?
É muito importante entender que para compreender as principais vantagens
do trabalho através de jogos, é necessário, primeiramente, mostrarmos os
conceitos, vantagens e desvantagens do treinamento tradicional. A metodologia
de treinamento, pautada na complexidade e na integração dos conceitos físicos,
técnicos e táticos, surge para tentar resolver alguns problemas existentes no
treinamento tradicional do futebol.
Antes de iniciarmos as discussões sobre jogos reduzidos, vamos analisar
um pouco da metodológica tradicional de treino, frequentemente em pregada no Brasil
em clubes das mais variadas expressões.
De maneira geral,
a metodologia mais utilizada no futebol é baseada no treinamento “Tecnicista”.
Como o próprio nome já diz neste tipo de trabalho é dada ênfase na técnica, ou
seja, nos fundamentos do jogo de futebol. Alguns exemplos deste fundamentos são
o passe, domínio, condução, drible, finalização, etc.
Segundo esta metodologia, para que seja possível jogar o
jogo é necessário, previamente, aprender a realizar os movimentos técnicos, que
são considerados como as "bases para o jogar". Busca-se, portanto, a
execução perfeita do movimento para que, em um segundo momento, estas
habilidades adquiridas possam ser treinadas em jogo.
sábado, 29 de agosto de 2015
Tática no Futebol
FUNDAMENTOS TÁTICOS NO FUTEBOL
A
Tática no Futebol
|
|
Embora não seja uma guerra, o futebol é
o confronto entre duas nações representadas pelos seus “guerreiros” no campo.
Por isso, mesmo sendo um esporte, ele
adapta o conceito de tática utilizado nas guerras: tática é a arte de dispor e
ordenar tropas para combate.
Restringindo-se agora apenas ao futebol, dá para acrescentar outro conceito.
Como as equipes são compostas por pelo
menos três setores – defesa, meio-campo e ataque – é preciso aplicar um sistema,
responsável pela coordenação das partes entre si, transformando o que poderia
ser um emaranhado de 11 jogadores em uma estrutura organizada.
Para isso, a partir da década de 1930, o futebol passou a evoluir com a criação de diversos sistemas táticos, responsáveis pela organização das equipes.
TÁTICA NO FUTEBOL
É preciso diferenciar três aspectos que contribuem para a execução do sistema tático adotado pela equipe.
Existem três tipos de táticas, e todas
elas devem ser levadas em consideração pelo treinador de futebol.
Tática Individual: é a função desempenhada pelo jogador. Dentro da proposta coletiva, o técnico precisa estabelecer de maneira clara e eficiente o papel de cada um. Envolve as orientações sobre a movimentação do jogador, a postura ofensiva e a postura defensiva.
Tática de grupo: é o planejamento dirigido a um setor específico. Envolve as atribuições de cobertura, apoio à marcação, linhas de passe e triangulações, ocupação e abertura de espaços.
Exemplo: tática de grupo para defesa e
ataque no lado direito do campo, envolvendo o lateral-direito, o primeiro
volante e o meia-articulador.
Conforme suas táticas individuais,
todos precisam saber como auxiliar uns aos outros na marcação, e como se
movimentar organizadamente nas investidas de ataque.
Tática coletiva: é o planejamento adotado para todo o time, aquele “dos números”, responsável por interligar e coordenar as táticas de grupo.
Mas o sucesso da tática coletiva
depende da maneira como o treinador define as funções de cada jogador (táticas
individuais) e a movimentação ordenada de cada setor (táticas de grupo).
Apenas definir o sistema tático, sem o
cuidado de organizar as partes e as individualidades, não é suficiente.
ESTRATÉGIA
A estratégia não pode ser confundida com o sistema tático. Ela na verdade é a maneira como vai se comportar a equipe em campo.
Independentemente do sistema tático, o
time pode adotar uma postura mais ofensiva ou mais defensiva.
Com o mesmo sistema tático, um time
pode modificar a estratégia dentro de um jogo – invertendo jogadores de
posição, por exemplo, ou alterando o sistema de marcação.
Mais ligada às táticas individual e de
grupo, a estratégia leva em consideração a movimentação dos jogadores na
marcação (cobertura, antecipação) e na articulação (antecipação, criação de
espaços, formação de linhas de passe), e a característica dos atletas.
Times que se enfrentam com o mesmo
esquema tático podem ter estratégias diferentes.
Por isso, é importante que os jogadores
tenham capacidade para compreender as atribuições de cada função dentro da
tática coletiva, assimilando mais de uma tática individual.
Isso oferece a oportunidade para que o
treinador altere a estratégia com a bola rolando, sem a necessidade de fazer
substituições, apenas modificando a função dos jogadores.
ZONAS DE MARCAÇÃO
A definição do sistema de marcação é fundamental dentro da estratégia de cada equipe. Mas também é preciso levar em consideração o preparo físico e a movimentação do adversário na definição do sistema de marcação.
De nada adiantaria, por exemplo,
definir uma marcação-pressão se a equipe não tem condições físicas de aguentar
essa exigência por muito tempo.
Zona: é a marcação utilizada principalmente nos clubes da Inglaterra. Delimitada a zona de atuação de cada jogador (tática individual), ele vai dar combate nos adversários que por ali transitarem.
Exige muita visão periférica para
antecipar as jogadas e fazer a abordagem correta no momento em que for exigido.
Pressão: adiantam-se todos os setores (tática de grupo) e a marcação é feita no campo do adversário.
Os atacantes entram em combate direto
com os zagueiros para induzir o adversário à ligação direta.
Meia-pressão: a defesa e o meio-campo adiantam-se, mas a pressão é exercida apenas pelos atacantes, na saída de bola dos adversários.
Individual: um jogador marca apenas um adversário, acompanhando o atleta em qualquer parte do campo.
Utilizada para anular algum jogador
diferenciado de criação ou finalização.
Mista: é diferenciada por setor (tática de grupo).
Pode ser adotada pressão no ataque, a
zona no meio e a individual na defesa, por exemplo.
SISTEMAS TÁTICOS
A evolução das regras e do preparo físico levou os treinadores a criar novos sistemas de acordo com a exigência de cada época.
No início, o futebol se resumia a um
grande número de atletas no ataque.
A estratégia era a ligação direta. Mas,
com a regra do impedimento, os times precisaram se organizar.
O enfoque passou do ataque para o meio, onde a bola precisaria permanecer por maior tempo em busca da articulação.
Cada sistema, entretanto, surge como
oposição ao antecessor, exatamente pela necessidade de vencê-lo.
A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos. Os demais são considerados variações destes já existentes:
W.M – Arsenal – 1925
|
|
É o primeiro sistema tático
identificado na história do futebol. Tem três zagueiros em linha, dois
volantes, dois meias de ligação e três atacantes. Fez tanto sucesso que todos
passaram a usá-lo, “espelhando” os confrontos. Quem quisesse vencer teria de
aumentar o número de atacantes.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.
4-2-4 (utilizado pelo Brasil nas Copas
de 58 e 62)
Com o objetivo de criar dificuldades para o W.M surgiu o 4-2-4. Com relação ao antecessor, um volante virou o 4º zagueiro, e um meia virou o 4º atacante. E no confronto com o W.M, ficaram 4 zagueiros para marcar 3 atacantes, e 4 atacantes contra três zagueiros.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “quarto zagueiro”, utilizado até hoje.
4-3-3 (utilizado pelo Brasil na Copa de
1970)
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A simplificação do 4-2-4 reduziu a
permanência da bola no meio-campo, resumindo-se o jogo à ligação direta. Aos
poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do ataque e da defesa para
o meio-campo. E assim, o 4-3-3 é o primeiro sistema que busca aumentar a posse
de bola no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias para dois
volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de ataque ou
defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e movimentação
dos atacantes). Hoje, por exemplo, o Barcelona utiliza um 4-3-3 com laterais
quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação que jogam em
diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam para o fundo e faziam
cruzamentos. É o mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente.
4-4-2 (utilizado pelo Brasil na Copa de
1994)
|
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Cada vez mais as atenções voltaram-se
para o meio-campo. E então um dos atacantes passou para o setor de criação,
eliminando a existência dos pontas. É um dos sistemas táticos que mais permite
variações, dependendo da tática individual dos homens de meio e de ataque:
variam o número de volantes e articuladores, o posicionamento de todos, e a
característica dos atacantes. No meio, o desenho pode ser o quadrado, o
losango, a linha, variando de um até quatro volantes. No ataque, também podem
ser dois centroavantes fixos, ou dois atacantes de movimentação, ou então uma
combinação entre o centroavante e o atacante.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.
3-5-2 (nascido na Itália)
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Este é o esquema que mais sofre
distorções. Nasceu na Itália com o conceito de líbero. O líbero (em italiano,
“livre”), está originalmente localizado na defesa, mas é um jogador “livre”
para se posicionar conforme as exigências da partida. Dentro do mesmo jogo pode
estar atrás da linha de zagueiros – como homem da sobra, à frente deles – como
volante, investir pelo meio ou pelas laterais, e até mesmo aparecer na área
para concluir. Baresi é o maior exemplo de líbero bem sucedido pela
inteligência com a qual se posicionava em campo, sempre atento à hora de
modificar a própria posição.
Mas no Brasil o sistema é mal compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo.
Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga.
Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.
Mas no Brasil o sistema é mal compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo.
Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga.
Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.
3-4-3 (Dinamarca 2002/Ajax 1995)
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É um sistema quase misto, que se
utiliza dos conceitos de defesa do 3-5-2 (líbero, cobertura e posicionamento)
de meio-campo do 4-4-2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e de
ataque do 4-3-3 (retorno do 3º atacante).
Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.
Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.
O FUTURO
O futebol está cada vez mais dependente da força física e da velocidade dos jogadores.
E isso vai se refletir nas opções
relativas ao sistema tático – incluindo as táticas coletiva, de grupo e
individual, à estratégia e ao sistema de marcação.
Dentro das estratégias, haverá cada vez mais variação de posicionamento tático dentro da mesma partida.
E por isso o jogador precisará ser cada
vez mais inteligente e de raciocínio rápido.
Essas variações táticas vão exigir jogadores capazes de entender a necessidade da partida, com inteligência para cumprir mais de uma função tática individual e de assimilar diversos sistemas e estratégias, tanto de grupo como coletivas.
E assim esse jogador também terá
autonomia para tomar decisões em campo.
O TREINADOR
|
Guss Hiddink - Um dos treinadores mais estrategistas do Futebol Moderno |
Dados todos estes argumentos, fica
muito claro porque sou tão crítico com os treinadores.
Muitos defendem que o poder de decisão
está com os jogadores, que é a qualidade deles quem determina os vitoriosos,
mas eu discordo.
Os méritos e as cobranças devem sim ser
mais direcionadas ao treinador.
Neste pequeno resumo de apenas sete páginas expus uma diversidade de atribuições do treinador, mesmo as relacionadas ao desempenho do atleta.
Por muitas vezes, um jogador
apresenta-se mal porque não tem uma tática individual clara, ou pior: foi
escalado para cumprir uma função equivocada.
É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia.
É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia.
É o treinador quem faz o time jogar, e
quando o técnico é limitado, não tem inteligência para definir táticas
individuais coerentes com as táticas de grupo, integradas à tática coletiva e
de acordo com a melhor estratégia, o time torna-se um emaranhado de atletas
chocando-se dentro de campo como baratas desgovernadas.
"SEMPRE NO ESPORTE COLETIVO
VENCERÁ A COLETIVIDADE QUE ESTIVER MELHOR ORGANIZADA"
"UM GÊNIO DENTRO DE UMA EQUIPE
EMBARALHADA CAI DE PRODUÇÃO, ENQUANTO UM JOGADOR LIMITADO FAZENDO PARTE DE UMA
ENGRENAGEM INTELIGENTE TORNA-SE ÚTIL".
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