terça-feira, 31 de março de 2015

Especial: A Importância da Formação do Treinador de Futebol

Espanha faz sucesso no mundo e condiciona títulos e formação de jogadores ao longo processo de qualificação dos gestores técnicos de campo.

Equipe Universidade do Futebol
A Espanha fez história na edição de 2012 da Eurocopa. Na realidade, assinou com letras douradas mais um capítulo no processo que a consolida como a maior força do futebol mundial. Dois anos antes, na África do Sul, a equipe comandada por Vicente Del Bosque vencera de maneira inédita a Copa do Mundo, título que já sucedera o triunfo da equipe comandada por Luis Aragonés no principal torneio entre seleções do Velho Continente, em 2008.
Se traçarmos um paralelo, esta geração pode ser comparada ao Brasil durante a “Era Pelé”, podendo até ser considerada superior, pois, entre as vitórias nos Mundiais de 1958 e 1962, o melhor resultado da equipe canarinho foi um segundo lugar no sul-americano, em 1959.
No mesmo momento em que a supremacia da Fúria é destacada, o Brasil cai para o 13º lugar no ranking dos melhores do mundo, em atualização feita em novembro de 2012.
Mas o que tem de especial a equipe que mescla jogadores consagrados como Casillas, Albiol, Iniesta, Xavi, Fernando Torres, Fàbregas, Xabi Alonso, Sérgio Ramos, etc. (todos campeões europeus quatro anos atrás), e novatos como Jordi Alba, Juan Mata, Javi Martinez, Pedro Rodrigues, etc., com média de idade inferior a 24 anos? Será uma sorte de campeão? Um presente do destino que reuniu estas pérolas em uma mesma geração? Para o Técnico espanhol Vicente Del Bosque, os resultados não são mera coincidência e o caminho é muito mais trabalhoso do que se pensa.
“O nosso sucesso não é uma coincidência e tem origem em muitas coisas: na estrutura do futebol, nas academias e na formação dos treinadores. Os clubes [espanhóis] estão empenhados na formação de jovens. Antes viajávamos para França, Rússia e Alemanha para procurar talentos nas suas academias”, referiu o selecionador espanhol ao site da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).

Na mesma linha, Ginés Melendez, diretor-técnico da RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol), crê que o segredo do sucesso do futebol espanhol tem um ponto crucial que não começou no campo, mas sim nas salas de aula:
Para se ter a noção da dimensão que envolve a formação espanhola é só observarmos os dados: na temporada 2010/2011, a RFEF emitiu mais de 53 mil licenças para treinadores futebol e futsal que realizaram os cursos dos quatro níveis propostos pela federação espanhola.
Isso permite supor que, na Espanha, cada escolinha de futebol e futsal, equipe de iniciação ou alto rendimento possui um profissional formado sob a chancela da federação espanhola.
É importante salientar que aqui tomamos a Espanha apenas como um recente exemplo de sucesso, porém este trabalho de formação vem sendo realizado em todo continente europeu como mostraremos durante o especial.
Os dados apresentados chamam a atenção para uma nova realidade no cenário futebolístico mundial, no qual, devido à profissionalização do esporte, ao aumento e desenvolvimento das demandas atreladas ao jogo e ao contexto que o envolve, o cargo de treinador exige capacidades e qualidades não contempladas apenas pelo contato significativo com a modalidade como ex-jogador.
Para isto existe hoje a necessidade fundamental dos profissionais que objetivam trabalhar no futebol buscarem uma formação de qualidade. E é necessário dedicar-se com o intuito de melhorar sempre as metodologias de treino, a capacidade de liderança e muitas outras capacidades que fazem diferença no caminho para o sucesso.
Como comenta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo: "É essencial uma formação acadêmica para ex-jogadores e outros profissionais. Para ser um bom técnico de futebol, o ideal é unir a experiência do passado a uma formação técnica e teórica", atesta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo.
Patric Bonie, diretor técnico da Federação Irlandesa de Futebol, segue com a mesma ideia: "Começar por baixo, de preferência jovem, num clube onde ainda seja também jogador. E, depois, fazer um curso de treinador baseado na prática porque, embora a experiência enquanto jogador ajude, as técnicas de treino não se aprendem do ar. Tem de se realizar os cursos, de forma a estar preparado para o dia em que se assuma um importante cargo de treinador e para a inerente pressão".
José Mourinho, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol afirma ainda, que não ter sido jogador de futebol profissional o ajudou em seu trabalho como treinador, porém reitera a necessidade de vivenciar o ambiente desse esporte não contemplado em toda a magnitude nos livros:
José Mourinho e a necessidade da relação entre teoria e prática para a formação do treinador de futebol
A ideia que o treinador deve ter uma formação de qualidade também é compartilhada por alguns profissionais no Brasil, como é o caso do diretor das categorias de base do São Paulo Futebol Clube em depoimento para a Universidade do Futebol.
Com base neste polêmico e complexo assunto, a Equipe Universidade do Futebol preparou um especial com o tema: “A importância da formação de treinadores de futebol.”
Este especial tem o intuito de gerar reflexões a partir de algumas questões norteadoras como: qual é o atual estágio da formação desses profissionais em alguns dos principais países continente europeu? Qual a importância do processo? E no Brasil, em que estágio estamos? Qual é a opinião de treinadores e estudiosos do futebol a respeito do assunto?

Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder neste especial.Especial: A Importância da Formação do Treinador de Futebol

Espanha faz sucesso no mundo e condiciona títulos e formação de jogadores ao longo processo de qualificação dos gestores técnicos de campo.

Equipe Universidade do Futebol
A Espanha fez história na edição de 2012 da Eurocopa. Na realidade, assinou com letras douradas mais um capítulo no processo que a consolida como a maior força do futebol mundial. Dois anos antes, na África do Sul, a equipe comandada por Vicente Del Bosque vencera de maneira inédita a Copa do Mundo, título que já sucedera o triunfo da equipe comandada por Luis Aragonés no principal torneio entre seleções do Velho Continente, em 2008.
Se traçarmos um paralelo, esta geração pode ser comparada ao Brasil durante a “Era Pelé”, podendo até ser considerada superior, pois, entre as vitórias nos Mundiais de 1958 e 1962, o melhor resultado da equipe canarinho foi um segundo lugar no sul-americano, em 1959.
No mesmo momento em que a supremacia da Fúria é destacada, o Brasil cai para o 13º lugar no ranking dos melhores do mundo, em atualização feita em novembro de 2012.
Mas o que tem de especial a equipe que mescla jogadores consagrados como Casillas, Albiol, Iniesta, Xavi, Fernando Torres, Fàbregas, Xabi Alonso, Sérgio Ramos, etc. (todos campeões europeus quatro anos atrás), e novatos como Jordi Alba, Juan Mata, Javi Martinez, Pedro Rodrigues, etc., com média de idade inferior a 24 anos? Será uma sorte de campeão? Um presente do destino que reuniu estas pérolas em uma mesma geração? Para o Técnico espanhol Vicente Del Bosque, os resultados não são mera coincidência e o caminho é muito mais trabalhoso do que se pensa.
“O nosso sucesso não é uma coincidência e tem origem em muitas coisas: na estrutura do futebol, nas academias e na formação dos treinadores. Os clubes [espanhóis] estão empenhados na formação de jovens. Antes viajávamos para França, Rússia e Alemanha para procurar talentos nas suas academias”, referiu o selecionador espanhol ao site da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).

Na mesma linha, Ginés Melendez, diretor-técnico da RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol), crê que o segredo do sucesso do futebol espanhol tem um ponto crucial que não começou no campo, mas sim nas salas de aula:
Para se ter a noção da dimensão que envolve a formação espanhola é só observarmos os dados: na temporada 2010/2011, a RFEF emitiu mais de 53 mil licenças para treinadores futebol e futsal que realizaram os cursos dos quatro níveis propostos pela federação espanhola.
Isso permite supor que, na Espanha, cada escolinha de futebol e futsal, equipe de iniciação ou alto rendimento possui um profissional formado sob a chancela da federação espanhola.
É importante salientar que aqui tomamos a Espanha apenas como um recente exemplo de sucesso, porém este trabalho de formação vem sendo realizado em todo continente europeu como mostraremos durante o especial.
Os dados apresentados chamam a atenção para uma nova realidade no cenário futebolístico mundial, no qual, devido à profissionalização do esporte, ao aumento e desenvolvimento das demandas atreladas ao jogo e ao contexto que o envolve, o cargo de treinador exige capacidades e qualidades não contempladas apenas pelo contato significativo com a modalidade como ex-jogador.
Para isto existe hoje a necessidade fundamental dos profissionais que objetivam trabalhar no futebol buscarem uma formação de qualidade. E é necessário dedicar-se com o intuito de melhorar sempre as metodologias de treino, a capacidade de liderança e muitas outras capacidades que fazem diferença no caminho para o sucesso.
Como comenta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo: "É essencial uma formação acadêmica para ex-jogadores e outros profissionais. Para ser um bom técnico de futebol, o ideal é unir a experiência do passado a uma formação técnica e teórica", atesta Tostão, ex-jogador e colunista esportivo.
Patric Bonie, diretor técnico da Federação Irlandesa de Futebol, segue com a mesma ideia: "Começar por baixo, de preferência jovem, num clube onde ainda seja também jogador. E, depois, fazer um curso de treinador baseado na prática porque, embora a experiência enquanto jogador ajude, as técnicas de treino não se aprendem do ar. Tem de se realizar os cursos, de forma a estar preparado para o dia em que se assuma um importante cargo de treinador e para a inerente pressão".
José Mourinho, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol afirma ainda, que não ter sido jogador de futebol profissional o ajudou em seu trabalho como treinador, porém reitera a necessidade de vivenciar o ambiente desse esporte não contemplado em toda a magnitude nos livros:
José Mourinho e a necessidade da relação entre teoria e prática para a formação do treinador de futebol
A ideia que o treinador deve ter uma formação de qualidade também é compartilhada por alguns profissionais no Brasil, como é o caso do diretor das categorias de base do São Paulo Futebol Clube em depoimento para a Universidade do Futebol.
Com base neste polêmico e complexo assunto, a Equipe Universidade do Futebol preparou um especial com o tema: “A importância da formação de treinadores de futebol.”
Este especial tem o intuito de gerar reflexões a partir de algumas questões norteadoras como: qual é o atual estágio da formação desses profissionais em alguns dos principais países continente europeu? Qual a importância do processo? E no Brasil, em que estágio estamos? Qual é a opinião de treinadores e estudiosos do futebol a respeito do assunto?
Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder neste especial. 

Distancia percorrida e volume do Passe

Distância percorrida e volume de passes em treinamento a partir de jogos reduzidos com regras adaptadas: um exemplo

Precisamos entender que repostas eles gerarão, como conectá-los em uma sessão, semana ou mês de treinos.
Rodrigo Azevedo Leitão

Faz algum tempo (não mais de uma década), que autores e pesquisadores fora do Brasil, dedicados ao estudo da fisiologia do esporte – e nesse caso os mais voltados ao futebol – passaram a direcionar seu foco de investigação, aos treinamentos a partir de jogos em espaços reduzidos.
Ainda que no momento atual dessas pesquisas, o entendimento sobre o jogo de uma forma global, ainda esteja em segundo plano, é inegável que as coisas estão avançando.
No Brasil, a associação da pedagogia do esporte nas investigações "biológicas" (digamos assim, apenas por questões didáticas), tem resultado, em achados interessantes (que prometem em breve publicações reveladoras).
Algumas pesquisas, especialmente com foco em concentração de lactato sanguíneo e variação da frequência cardíaca durante esforço, têm tentado desvendar a influência verbal do treinador durante treinos a partir de jogos reduzidos, nessas variáveis.
Em breve, publicarei em revistas científicas especializadas, alguns resultados a respeito de achados sobre o treinamento de futebolistas a partir de jogos de futebol adaptados, associando-os a questões pedagógicas que envolvem sua construção e suas regras de execução.
Porém, como aqui nesse espaço não preciso expor o rigor a e formalidade necessários para publicações científicas, vou apresentar de maneira menos "procedimental" e em uma linguagem menos acadêmica, uma breve e rápida degustação de uma fração dos dados que serão publicados.
Então vejamos um dos jogos que foram analisados:
a) Atividade/jogo analisado - jogo 5 contra 5, durante 10 minutos, em um campo quadrado de 35 m x 35 m, com restrição no número de toques na bola.
b) O objetivo das duas equipes foi manter a posse da bola. Cada 8 passes completos, sem interrupção do adversário, valeu 1 ponto para a equipe que os realizou.
c) A atividade foi realizada com 3 grupos diferentes de jogadores. Cada grupo foi submetido a ela (a atividade), em 3 séries de 10 minutos cada. A cada série, a única alteração na atividade, foi a abordagem verbal do treinador.
d) Em uma das séries a abordagem verbal foi direcionada para a criação de "apoios" para serem ofertados ao portador da bola por parte dos seus companheiros de time. Em outra das séries a abordagem verbal foi direcionada à pressão e ao ataque a bola, para que os jogadores da equipe sem a posse dela tentassem recuperá-la mais rapidamente. E por fim, em uma das séries, não houve abordagem verbal direcionada; apenas a arbitragem e condução das regras do jogo.
e) O mesmo treinador conduziu todas as atividades.
f) A ordem das regras de abordagem foi sorteada, e diferente para cada um dos grupos.


A ação do treinador

A ação do treinador: dos gritos à descoberta guiada.

Interferência é direta na dinâmica de toda a atividade, modificando objetivos e respostas dos atletas no treino.

"Para mim liderar não é mandar, para mim liderar é guiar”
José Mourinho
"Ser treinador de futebol não é nada fácil...": essa frase muitas vezes remete à instabilidade do cargo, mas nesta coluna tal afirmação serve muito bem para ilustrar a complexidade da ação desse profissional dentro do processo de treino.
Em um processo de treino pautado na complexidade, a ação do treinador interfere diretamente na dinâmica de toda a atividade, modificando os objetivos e as ações dos jogadores dentro do treino.
No estudo de Rampinini e outros autores (Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games), podemos observar como a intervenção do treinador modifica diretamente os parâmetros físicos das atividades.
Nesse estudo, os autores submetem os jogadores a jogos reduzidos com e sem a intervenção verbal dos treinadores. A frequência cardíaca, concentração de lactato sanguíneo e na percepção subjetiva de esforço foram mesurados e analisados em cada atividade.
Os dados mostram que quando há a intervenção ativa com estímulo verbal do treinador, há um incremento em todos os parâmetros observados; já quando não há a intervenção do treinador, esses dados sofrem uma queda significativa. Sendo assim, podemos concluir que a ação do treinador interfere diretamente no estímulo físico dentro dos jogos reduzidos.
Contudo, não basta incentivar verbalmente os jogadores para que eles corram mais, ou gritar se eles cometerem algum erro dentro da atividade: é preciso saber guiar todo o processo!
Guiar todo o processo significa orientar os jogadores para aquilo que se espera dentro do jogo. Na base, essa orientação vai além do jogo e se foca (pelo menos deveria) no desenvolvimento de jogadores inteligentes e como visão crítica sobre o jogo, e não simplesmente obedientes taticamente.
O treinador precisa traçar os objetivos e guiar os jogadores ao longo do caminho. Nesse âmbito, a dura ou a repreensão pode e deve ser utilizada em momentos pertinentes, pois formar muitas vezes requer esse tipo de intervenção (claro que com toda a ação pedagógica embutida).
Para José Mourinho, os jogadores precisam ser estimulados a discutir, questionar, experimentar. Tudo com a supervisão e orientação de toda a comissão, que não deve deixar que isso se torne em uma grande discussão, na qual qualquer raciocino é permitido.
A discussão precisa ter um norte, que evolui a cada treino e não deixa que os jogadores se acomodem em questões antigas. Nesse processo, denominado de "descoberta guiada" pelo treinador português, não há estagnação e as discussões evoluem a cada treino e a cada jogo.

Sabemos que cada atividade tem seu objetivo e nosso papel como professor em sua essência deve ser de levar os atletas a entender e avaliar a eficiência de suas ações jogo a jogo, treino a treino.
Em suma, precisamos guiar o processo e não trazer respostas prontas com conteúdo vazio de significado para os atletas.

Lembre-se que esse guiar passa pelos aspectos físicos, técnicos e mentais do jogo, e não apenas pela tática.

quarta-feira, 18 de março de 2015

CAIARI


CAIARI

História do bairro onde Nasci

Construído em 1938 foi destinado ao corpo gerencial e burocrático da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Nele encontra-se o primeiro conjunto habitacional entregue a sua população a praça das Três Caixas d'água, a praça Aluísio Ferreira, a Escola Barão do Solimões e a Catedral do Sagrado Coração de Jesus.

Segundo o historiador Abnael Machado de Lima, em 10 de julho de 1931 por intermédio do Decreto nº 20.200, o governo federal assumiu a administração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré até então sob o controle da empresa anglo-canadense The Madeira-Mamoré Railway Company, sendo nomeado superintendente o tenente do exército, Aluízio Pinheiro Ferreira para administrar a ferrovia. O qual após sanar os problemas de déficit financeiros, passou as ações sociais tais como a instalações de escolas nos locais com dez e mais crianças, os professores contratados pela ferrovia, construção do prédio para instalar o Grupo Escolar Barão do Solimões mesmo essa unidade escolar sendo do governo do Amazonas e a construção de um conjunto habitacional (o primeiro do Brasil), com área de lazer (a atual praça Aluízio Ferreira), com instalações elétricas, água encanada e sanitárias, com casas residenciais para operários (Vila Erse) e para funcionários administrativos e técnicos, constituindo-se o conjunto no bairro Caiari situado entre as atuais avenidas Pinheiro Machado ao Norte, Carlos Gomes ao Sul, Presidente Dutra ao Leste e Farquhar a Oeste.

Foi inaugurado em 11 de outubro de 1940, conjuntamente com a Usina de Eletricidade (atual prédio da CERON na av. 7 de Setembro) e o edifício dos Correios e Telégrafos (na atual av. Presidente Dutra esquina com av. 7 de Setembro), pelo Presidente da República, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, em visita a Porto Velho.

Atualmente o Bairro Caiari continua sendo um bairro residencial, com seus moradores antigos ou seus e seus descendentes, entretanto, alguns pontos comerciais, tais como: bares, lojas, escritórios, consultórios, entre outros instalaram-se aos arredores das ruas do bairro.

Metade dos professores não tem didática para o que ensina, diz OCDE


Metade dos professores não tem didática para o que ensina, diz OCDE.

Pesquisa internacional foi divulgada nesta quarta-feira (25).
Mais de 100 mil professores e dirigentes de 34 países foram ouvidos.

No Brasil, mais de 90% dos professores dos anos finais do ensino fundamental concluíram o ensino superior. No entanto, 50% afirmam que a pedagogia das disciplinas que lecionam fez parte de sua educação formal.

Isso significa que um professor de biologia, por exemplo, não aprendeu em sua formação como ensinar o conteúdo aos seus alunos.

Os dados fazem da parte da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning Internacional Survey, Talis, na sigla em inglês) feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de países desenvolvidos, divulgada nesta quarta-feira (25).

Cerca de 106 mil professores dos anos finais do ensino fundamental responderam à pesquisa. No Brasil, 14.291 professores e 1.057 diretores de 1.070 escolas completaram o questionário da OCDE.

A pesquisa aponta que os professores brasileiros gastam semanalmente, em média, 25 horas trabalhando, o que representa seis horas a mais que a média dos países da Talis. Eles também declaram dedicar de 10% a 22% mais tempo na maior parte das outras atividades, como correção dos trabalhos e orientação aos alunos.

Amor pela profissão
Apesar dos problemas da carreira, o levantamento mostra que mais de nove em cada vez professores estão satisfeitos com seus empregos e quase oito em dez escolheriam novamente a profissão.

"Nós precisamos atrair os melhores e mais brilhantes para se juntar à profissão. Os professores são a chave na economia do conhecimento de hoje, onde uma boa educação há um alicerce fundamental para o sucesso do todas as crianças no futuro”, disse Andreas Schleicher, diretor da OCDE durante lançamento da pesquisa em Tóquio.

A pesquisa também apontou que a maioria dos professores (68%) é formada por mulheres. A única exceção é no Japão. A idade média é 43 anos, sendo que Cingapura tem os professores mais jovens, e a Itália os mais velhos. Um total de 91% concluiu a formação universitária e 90%, o curso de licenciatura. A média do tempo lecionando é de 16 anos, geralmente em tempo integral (82%) e em contrato permanente (83%).

Professor no Brasil perde 20% da aula com bagunça na classe, diz estudo


Professor no Brasil perde 20% da aula com bagunça na classe, diz estudo.

Pesquisa da OCDE aponta que 60% dos docentes têm alunos-problemas.
Brasil lidera 'ranking' de intimidação verbal entre alunos e professores.

Uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que no Brasil o professor perde 20% do tempo de aula acalmando os alunos e colocando a classe em ordem para poder ensinar. Além disso, o estudo aponta que 60% dos professores brasileiros ouvidos têm mais de 10% de alunos-problemas em sua sala de aula, o maior índice entre os países participantes do estudo.

A pesquisa Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning Internacional Survey, Talis, na sigla em inglês) ouviu professores de 33 países.

O estudo aponta que no Brasil o professor perde 20% do tempo para por a classe em ordem e acabar com a bagunça, 13% do tempo resolvendo problemas burocráticos e 67% dando conteúdo. É o país que onde o professor mais perde tempo de aula. A média dos países da OCDE é de 13% do tempo para acabar com a bagunça.

O estudo perguntou aos professores se eles têm mais ou menos de 10% de alunos problemáticos na classe. O Brasil teve 60% dos docentes apontando terem mais de 10% de estudantes problemáticos. Chile, México e Estados Unidos aparecem depois. Na outra ponta, Dinamarca, Croácia, Noruega e Japão têm menos relatos de professores sobre alunos com mau comportamento.

Os dados foram levantados em 2013 com alunos do ensino fundamental e ensino médio (alunos de 11 a 16 anos), mas um relatório sobre a questão de comportamento dos alunos foi divulgado este ano. No Brasil, 14.291 professores e 1.057 diretores de 1.070 escolas completaram o questionário da pequisa.

A pesquisa Talis coleta dados sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho dos professores nas escolas de todo o mundo. O objetivo é fornecer informações que possam ser comparadas com outros países para que se defina políticas para o desenvolvimento da educação.

VEJA ALGUNS DADOS DA PESQUISA:

Tempo para por a classe em ordem
No Brasil o professor perde 20% do tempo para acalmar os alunos, dar broncas e colocar a classe em ordem. A média da OCDE é de 13%.

Aluno que chega atrasado
Este não chega a ser um grande problema em comparação a outros. O índice no Brasil é de 51,4%, menor que a média dos países, de 51,8%. Países mais desenvolvidos têm alunos que atrasam mais, como Finlândia (86,5%), Suécia (78,4% Holanda (75,7%), Estados Unidos (73,3%) e França (61,6%).

Falta às aulas
Também o Brasil está na média, com 38,4%. Suécia (67,2%), Finlândia (64%) e Canadá (61,8) têm números maiores. O menor índice é da República Checa (5,7%).

Vandalismo e roubo
O Brasil está em segundo lugar neste item, com 11,8% dos relatos dos professores, atrás do México, líder com 13,2% e à frente da Malásia, com 10,8%.

Intimidação verbal entre alunos
O Brasil lidera a pesquisa com 34,4% dos relatos de professores, seguido pela Suécia (30,7%) e Bélgica (30,7%).

Ferimentos em briga de alunos
O maior índice é do México (10,8%), seguido por Chipre (7,2%) e Finlândia (7%). O Brasil aparece em quarto com 6,7%.

Intimidação verbal de professores
O Brasil é primeiro lugar com 12,5%. Em seguida vem a Estônia (11%).

Uso e posse de drogas e/ou álcool
Nos relatos, o Brasil tem o mais índice (6,9%), seguido pelo Canadá (6%).

Formação do professor
A pesquisadora Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, participou do levantamento. Ela também fez pesquisas em Ontário, no Canadá, e na Inglaterra, e percebeu que a formação dos professores é melhor nestes países.

Ainda de acordo com o estudo, no Brasil, mais de 90% dos professores dos anos finais do ensino fundamental concluíram o ensino superior, mas cerca de 25% não fizeram curso de formação de professores. Em comparação, no Chile aproximadamente 9 entre 10 professores concluíram tais cursos, assim como quase todos os professores na Austrália e em Alberta (Canadá).

"No Brasil, por problemas de salários e outras atividades, se coloca um professor que não foi preparado para dar aquela disciplina. Além disso, a média no Brasil é de 31 alunos por classe, enquanto nos outros países é de 24 alunos", destaca Gabriela.

Segundo ela, é preciso criar um sistema de planejamento de políticas de apoio às escolas e aos professores para lidar com alunos que estão se desenvolvendo. "Todo mundo entende que na pré-adolescência os estudantes testam seus limites e estão aprendendo a ser autônomos", afirma a pesquisadora. "Antes de acharmos que nosso aluno é preciso ver que em outros países os estudantes têm muito apoio que no nosso não tem."

Em seu relatório, a pesquisadora conclui que "a construção de uma cultura escolar positiva pode ser uma forma de reduzir problemas de comportamento e absentismo, e, portanto, melhorar as condições de aprendizagem dos alunos". "Uma maneira de criar um ambiente mais positivo é envolver os alunos, pais e professores nas decisões da escola. Professores que trabalham em escolas com um maior nível de participação entre as partes interessadas têm menos relatos de alunos com problemas de comportamento em suas salas de aula."