Sou professor de Educação Física, aposentado. Preparador Físico de Futebol, Técnico de Futebol formado pela Universidade da Gama Filho, RJ.
sábado, 17 de dezembro de 2016
domingo, 23 de outubro de 2016
Porque o treino deve ser bem preparado e planejado?
Porque
o treino deve ser bem preparado e planejado?
Desconheço,
hoje, que treinadores possam ter sucesso sem um planejamento correto do seu
trabalho. Quando realizamos determinadas tarefas, o conhecimento da tarefa em
causa e a experiência são suficientes para realizar a tarefa. Por exemplo,
quando precisamos de um exercício de posse de bola, facilmente desenhamos um em
nossa mente, distribuímos o material pelo campo e pelos jogadores, explicamos o
exercício e começa a atividade. Mas, planejar um treino é mais complexo, pois é
a preparação de múltiplas tarefas, que dependem de vários fatores. Não podemos
organizar o treino como queremos, pois existem limitações, que já vamos
perceber quais.
- Preparação prévia de todos os detalhes
O
tempo de treino é limitado. Isso quer dizer que o treinador não tem tempo de
estudar todas as condições de treino na mesma hora que o treino vai começar.
Excitem condicionantes no treino, como o que queremos e o que precisamos
treinar, que não podemos simplesmente escolher em cima da hora. Antes do
treino, qualquer treinador deve reunir todas as informações possíveis, como
condições para o treino, o que pretende treinar a equipe nesse dia, o
adversário e o calendário, entre outras condicionantes. Por exemplo, se o
treino é feito numa segunda ou terça-feira após um jogo, devemos planejar para
recuperar os jogadores; numa quinta ou sexta-feira, já com o relatório na mão
do próximo adversário, o treino deve estar mais focado na preparação do jogo.
Tempo é precioso, e se um treinador organizar todo treino antes do mesmo
começar, logo terá condições para correr bem do inicio ao fim.
- Os jogadores evoluem muito mais.
Um
treino bem pensado, planejado é bem mais eficiente que um treino apenas dado.
Ainda se vê treinador mandar os jogadores correr em volta do campo, logo em
seguida um jogo formal e pronto, está feito. Se perceberem pouco ou nada de
futebol, e os jogadores até acreditam que estão evoluindo, mas essa evolução
não existe. O treino engloba varias vertentes, e o treinador precisa ter
domínio em todas elas. Afinal de contas, ele é o responsável pelos jogadores
durante o treino. Por exemplo, se tem um modelo de jogo a ser desenvolvido,
correr em volta do campo e pedir que façam e ou aquilo aos jogadores, não
basta, a não ser que sejam extremamente inteligentes para desenvolverem sozinhos
(mas aí, seriam bastante mais inteligentes do que o treinador). Nem todos os exercícios
servem para determinado modelo de jogo, logo o treinador precisa procurar os
exercícios que mais convém para esse modelo de jogo.
Assim,
o treino está focado em um objetivo e como tal a evolução dos jogadores está
perdida.
- Trabalhar sem pressão é trabalhar com qualidade.
Quem
não gosta de trabalhar sem pressão e que tudo aconteça naturalmente e bem
feito?
Pois
nem sempre é fácil trabalhar sem pressão, seja em que profissão for. Qual o
jogador que sentirá confortável em ver o seu treinador nervoso como o que tem
que fazer? Será que isso passa confiança aos jogadores? Obviamente não. Se o
treinador fizer o seu trabalho como se tudo parecesse natural, os jogadores nem
notam que o trabalho está sendo bem feito e a única coisa que pretendem é treinar.
Já se o treinador não souber o que fazer em campo, meio perdido, os jogadores
facilmente notam isso, e não sentem que o treino tem a qualidade que deveria
ter. Um treinador com uma postura correta, confiante, e com um plano de treino
bem organizado, transmite muito mais confiança aos jogadores acerca do seu
método de treino. Por exemplo, por alguma razão Mourinho afirma que gosta do
que faz. É a confiança que o treinador português tem no seu trabalho que em
muito influencia a qualidade do mesmo.
- Conseguimos gastar muito tempo em planejar treino
Nos
escalões inferiores, com pouco trabalho semanal, onde até muitos treinadores e
jogadores tem outra profissão além o futebol, isso não é notório. Mas em clubes
grandes, os treinadores tem o seu próprio escritório, tem muita informação para
tratar (como relatório do departamento médico, do departamento de scouting,
objetivos da direção, etc.), que condiciona bastante o trabalho do treinador.
Logo, para que o treino corra bem por inteiro, deve estar tudo planejado ao
máximo possível. Primeiro, isto, depois aquilo, depois outra coisa. Fazemos
assim, dura tanto tempo, recupera tanto tempo. “Enquanto eu recupero os
jogadores, você prepara o exercício tal, e você aproveita para preparar o
material do exercício seguinte”.
Então,
vamos pensar no planejamento do Treino?
FUNDAMENTOS TÁTICOS NO FUTEBOL
FUNDAMENTOS TÁTICOS NO FUTEBOL
A Tática no Futebol
Embora não seja uma guerra, o futebol
é o confronto entre duas nações representadas pelos seus “guerreiros” no
campo.
Por isso, mesmo sendo um esporte, ele
adapta o conceito de tática utilizado nas guerras: tática é a arte de dispor
e ordenar tropas para combate.
Restringindo-se agora apenas ao futebol, dá para acrescentar outro conceito.
Como as equipes são compostas por
pelo menos três setores – defesa, meio-campo e ataque – é preciso aplicar um sistema,
responsável pela coordenação das partes entre si, transformando o que poderia
ser um emaranhado de 11 jogadores em uma estrutura organizada.
Para isso, a partir da década de 1930, o futebol passou a evoluir com a criação de diversos sistemas táticos, responsáveis pela organização das equipes.
TÁTICA NO FUTEBOL
É preciso diferenciar três aspectos que contribuem para a execução do sistema tático adotado pela equipe.
Existem três tipos de táticas, e
todas elas devem ser levadas em consideração pelo treinador de futebol.
Tática Individual: é a função desempenhada pelo jogador. Dentro da proposta coletiva, o técnico precisa estabelecer de maneira clara e eficiente o papel de cada um. Envolve as orientações sobre a movimentação do jogador, a postura ofensiva e a postura defensiva. Tática de grupo: é o planejamento dirigido a um setor específico. Envolvem as atribuições de cobertura, apoio à marcação, linhas de passe e triangulações, ocupação e abertura de espaços.
Exemplo: tática de grupo para defesa
e ataque no lado direito do campo, envolvendo o lateral-direito, o primeiro
volante e o meia-articulador.
Conforme suas táticas individuais,
todos precisam saber como auxiliar uns aos outros na marcação, e como se
movimentar organizadamente nas investidas de ataque.
Tática coletiva: é o planejamento adotado para todo o time, aquele “dos números”, responsável por interligar e coordenar as táticas de grupo.
Mas o sucesso da tática coletiva
depende da maneira como o treinador define as funções de cada jogador
(táticas individuais) e a movimentação ordenada de cada setor (táticas de
grupo).
Apenas definir o sistema tático, sem
o cuidado de organizar as partes e as individualidades, não é suficiente.
ESTRATÉGIA
A estratégia não pode ser confundida com o sistema tático. Ela na verdade é a maneira como vai se comportar a equipe em campo.
Independentemente do sistema tático,
o time pode adotar uma postura mais ofensiva ou mais defensiva.
Com o mesmo sistema tático, um time
pode modificar a estratégia dentro de um jogo – invertendo jogadores de
posição, por exemplo, ou alterando o sistema de marcação.
Mais ligada às táticas individual e
de grupo, a estratégia leva em consideração a movimentação dos jogadores na
marcação (cobertura, antecipação) e na articulação (antecipação, criação de
espaços, formação de linhas de passe), e a característica dos atletas.
Times que se enfrentam com o mesmo
esquema tático podem ter estratégias diferentes.
Por isso, é importante que os
jogadores tenham capacidade para compreender as atribuições de cada função
dentro da tática coletiva, assimilando mais de uma tática individual.
Isso oferece a oportunidade para que
o treinador altere a estratégia com a bola rolando, sem a necessidade de
fazer substituições, apenas modificando a função dos jogadores.
ZONAS DE MARCAÇÃO
A definição do sistema de marcação é fundamental dentro da estratégia de cada equipe. Mas também é preciso levar em consideração o preparo físico e a movimentação do adversário na definição do sistema de marcação.
De nada adiantaria, por exemplo,
definir uma marcação-pressão se a equipe não tem condições físicas de
aguentar essa exigência por muito tempo.
Zona: é a marcação utilizada principalmente nos clubes da Inglaterra. Delimitada a zona de atuação de cada jogador (tática individual), ele vai dar combate nos adversários que por ali transitarem.
Exige muita visão periférica para
antecipar as jogadas e fazer a abordagem correta no momento em que for
exigido.
Pressão: adiantam-se todos os setores (tática de grupo) e a marcação é feita no campo do adversário.
Os atacantes entram em combate direto
com os zagueiros para induzir o adversário à ligação direta.
Meia-pressão: a defesa e o meio-campo adiantam-se, mas a pressão é exercida apenas pelos atacantes, na saída de bola dos adversários. Individual: um jogador marca apenas um adversário, acompanhando o atleta em qualquer parte do campo.
Utilizada para anular algum jogador
diferenciado de criação ou finalização.
Mista: é diferenciada por setor (tática de grupo).
Pode ser adotada pressão no ataque, a
zona no meio e a individual na defesa, por exemplo.
SISTEMAS TÁTICOS
A evolução das regras e do preparo físico levou os treinadores a criar novos sistemas de acordo com a exigência de cada época.
No início, o futebol se resumia a um
grande número de atletas no ataque.
A estratégia era a ligação direta.
Mas, com a regra do impedimento, os times precisaram se organizar.
O enfoque passou do ataque para o meio, onde a bola precisaria permanecer por maior tempo em busca da articulação.
Cada sistema, entretanto, surge como
oposição ao antecessor, exatamente pela necessidade de vencê-lo.
A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos. Os demais são considerados variações destes já existentes:
W.M – Arsenal -
1925
É o primeiro sistema tático
identificado na história do futebol. Tem três zagueiros em linha, dois
volantes, dois meias de ligação e três atacantes. Fez tanto sucesso que todos
passaram a usá-lo, “espelhando” os confrontos. Quem quisesse vencer teria de
aumentar o número de atacantes.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.
4-2-4 (utilizado
pelo Brasil nas Copas de 58 e 62)
Com o objetivo de criar dificuldades para o W.M surgiu o 4-2-4. Com relação ao antecessor, um volante virou o 4º zagueiro, e um meia virou o 4º atacante. E no confronto com o W.M, ficaram 4 zagueiros para marcar 3 atacantes, e 4 atacantes contra três zagueiros. CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “quarto zagueiro”, utilizado até hoje.
4-3-3 (utilizado
pelo Brasil na Copa de 1970)
A simplificação do 4-2-4 reduziu a
permanência da bola no meio-campo, resumindo-se o jogo à ligação direta. Aos
poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do ataque e da defesa
para o meio-campo. E assim, o 4-3-3 é o primeiro sistema que busca aumentar a
posse de bola no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias
para dois volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de
ataque ou defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e
movimentação dos atacantes). Hoje, por exemplo, o Barcelona utiliza um 4-3-3
com laterais quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação que
jogam em diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam para o fundo
e faziam cruzamentos. É o mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente.
4-4-2 (utilizado
pelo Brasil na Copa de 1994)
Cada vez mais as atenções voltaram-se
para o meio-campo. E então um dos atacantes passou para o setor de criação,
eliminando a existência dos pontas. É um dos sistemas táticos que mais
permite variações, dependendo da tática individual dos homens de meio e de
ataque: variam o número de volantes e articuladores, o posicionamento de
todos, e a característica dos atacantes. No meio, o desenho pode ser o
quadrado, o losango, a linha, variando de um até quatro volantes. No ataque,
também podem ser dois centroavantes fixos, ou dois atacantes de movimentação,
ou então uma combinação entre o centroavante e o atacante.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.
3-5-2 (nascido na
Itália)
Este é o esquema que mais sofre
distorções. Nasceu na Itália com o conceito de líbero. O líbero (em italiano,
“livre”), está originalmente localizado na defesa, mas é um jogador “livre”
para se posicionar conforme as exigências da partida. Dentro do mesmo jogo
pode estar atrás da linha de zagueiros – como homem da sobra, à frente deles
– como volante, investir pelo meio ou pelas laterais, e até mesmo aparecer na
área para concluir. Baresi é o maior exemplo de líbero bem sucedido pela
inteligência com a qual se posicionava em campo, sempre atento à hora de
modificar a própria posição.
Mas no Brasil o sistema é mal compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo. Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga. Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.
3-4-3 (Dinamarca
2002/Ájax 1995)
É um sistema quase misto, que se
utiliza dos conceitos de defesa do 3-5-2 (líbero, cobertura e posicionamento)
de meio-campo do 4-4-2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e
de ataque do 4-3-3 (retorno do 3º atacante).
Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.
O FUTURO
O futebol está cada vez mais dependente da força física e da velocidade dos jogadores.
E isso vai se refletir nas opções
relativas ao sistema tático – incluindo as táticas coletiva, de grupo e
individual, à estratégia e ao sistema de marcação.
Dentro das estratégias, haverá cada vez mais variação de posicionamento tático dentro da mesma partida.
E por isso o jogador precisará ser
cada vez mais inteligente e de raciocínio rápido.
Essas variações táticas vão exigir jogadores capazes de entender a necessidade da partida, com inteligência para cumprir mais de uma função tática individual e de assimilar diversos sistemas e estratégias, tanto de grupo como coletivas.
E assim esse jogador também terá
autonomia para tomar decisões em campo.
O TREINADOR
Com estes argumentos, fica muito
claro porque sou tão crítico com os treinadores.
Muitos defendem que o poder de
decisão está com os jogadores, que é a qualidade deles quem determina os
vitoriosos, mas eu discordo.
Os méritos e as cobranças devem sim
serem mais direcionadas ao treinador.
Neste pequeno resumo de apenas sete páginas expus uma diversidade de atribuições do treinador, mesmo as relacionadas ao desempenho do atleta.
Por muitas vezes, um jogador
apresenta-se mal porque não tem uma tática individual clara, ou pior: foi
escalado para cumprir uma função equivocada.
É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia.
É o treinador quem faz o time jogar,
e quando o técnico é limitado, não tem inteligência para definir táticas
individuais coerentes com as táticas de grupo, integrada à tática coletiva e
de acordo com a melhor estratégia, o time torna-se um emaranhado de atletas
chocando-se dentro de campo como baratas desgovernadas.
"SEMPRE NO
ESPORTE COLETIVO VENCERÁ A COLETIVIDADE QUE ESTIVER MELHOR ORGANIZADA"
"UM GÊNIO
DENTRO DE UMA EQUIPE EMBARALHADA CAI DE PRODUÇÃO, ENQUANTO UM JOGADOR
LIMITADO FAZENDO PARTE DE UMA ENGRENAGEM INTELIGENTE TORNA-SE ÚTIL”.
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