sábado, 14 de janeiro de 2012

Pilares Práticos Utilizados como Referencia na construção do jogar.

Pilares práticos utilizados como referência na construção do jogar
Entendimento e reflexões em busca de nortear a elaboração de um Modelo de Jogo

Leonardo Gondim*

Intrínsecos ao processo de modelação, hierarquização e construção do “jogar” que o futebol moderno exige, encontram-se o entendimento e detalhamento das fases e momentos inclusos dentro de uma partida.
Considerando a complexidade do jogo, oriunda da somatória de ações instantâneas e de ocorrência aleatória, busca-se a identificação das ações maiores que norteiam o jogo.
No intuito de gerar um melhor entendimento para os leitores, denominar-se-ão essas ações maiores que atuam em um jogo de futebol como “pilares práticos da construção do jogar”. Neste sentido cabem reflexões sobre o entendimento dos conceitos de fase e momento, pois se pode dizer que o jogar consiste em fases precedidas por momentos de alteração de postura.
Tem-se, como conceito de momento, uma ação instantânea, ou seja, algo imediato. No entanto, por fase pensa-se em um processo que passa por inicio, condução e conclusão. Sendo assim, vamos entender essa seqüência de ações.
Serão abordados, então, os ditos “pilares de entendimento” referentes ao “jogar”, quais sejam:


- Organização defensiva -> Transição ofensiva -> Organização ofensiva -> Transição defensiva – (Exemplo de organização de postura referenciado pelos pilares práticos da construção do jogar)
Faz-se necessário ressaltar que, de acordo com um entendimento global do jogo, os quatro pilares apresentados estão intimamente interligados, manifestando-se de modo contínuo e com seqüência randomizada.
Como uma abordagem inicial, buscaremos refletir sobre o conceito e alguns desdobramentos relacionados à organização defensiva.
Inserida a um sistema de relações que constitui o modelo de jogo, a organização defensiva engloba ações coletivas que, margeadas por princípios defensivos, conduzem a postura de uma equipe quando em ação “marcadora” (sem a posse da bola ou, com a mesma, de modo que exista um balanço defensivo – jogadores que, mesmo sem o poder da posse da bola, organizam e preocupam-se com a futura obrigação em defender- Conceito abordado em seguida).
Ou seja, pode-se conceituar organização defensiva como o ato coletivo atuante em prol da neutralização dos objetivos ofensivos do oponente, de modo a utilizar princípios defensivos elaborados e inseridos no modelo de jogo.
Sendo assim, alguns exemplos de organização desta manifestação tática do jogo, ou seja, algumas maneiras ou padrões para marcar as ações ofensivas do adversário, serão analisados.
O autor português Castelo, defende que a organização do processo defensivo baseia-se em três aspectos importantes:
- Equilíbrio/balanço defensivo: ocorre em situações em que, ainda em poder da posse da bola, a equipe visa se organizar e se preparar para uma futura obrigação em defender;
- Recuperação defensiva: tem início à medida que a equipe tenha sido impossibilitada de recuperar a bola imediatamente ao momento de perda, e sua duração se dá até ao momento de obtenção do padrão defensivo estipulado pelo modelo de jogo;
- Defesa propriamente dita: Aplicação prática do padrão defensivo da equipe e dos princípios defensivos pré estabelecidos, sejam coletivos ou individuais;
Tendo em vista as ferramentas que irão estruturar o tipo de organização do processo defensivo escolhido pelo treinador, serão abordados, por fim e de modo genérico, alguns exemplos dos referidos tipos:
- Defesa individual x defesa “homem a homem”: Marcar individualmente significa demonstrar preocupação com indivíduos que sejam decisivos às ações do jogo. Esse método evidencia situações de “um contra um” e igualdade numérica, porém, um defensor não executa a marcação em um mesmo jogador de ataque por toda a passagem defensiva, logo, trocas de marcação são constantemente executadas.
Como defesa “homem a homem”, por outro lado, entende-se a preocupação individual, seguindo os mesmos preceitos da marcação individual, em relação a jogadores decisivos, porém, a diferença consiste no fato de um defensor seguir executando a marcação em um mesmo jogador de ataque, até o final de uma passagem defensiva.

COMENTÁRIO DO VÍDEO GERADO PÓS-EDIÇÃO:

- Nos trechos demonstrados, nota-se uma grande preocupação em marcar a saída de bola do Barcelona e os chamados “abertos e profundos” (pontas) da equipe Catalã. Os zagueiros extremos da equipe do Bilbao executam perseguições aos pontas quando os mesmos se deslocam para o centro do campo, não se importando com o espaço que, possivelmente, se forme através desse deslocamento. Uma clara demonstração de organização defensiva “homem a homem”.

De modo geral, nota-se, nos dois métodos, o predomínio de referências defensivas individuais, ou seja, entende-se que o adversário é sempre perigoso, independente de sua localização.
- Defesa à Zona: Método que possui os espaços ocupados como maior referência dentro de ações de marcação, logo, o intuito maior é ocupar, de modo coletivo, os espaços mais perigosos do campo. Por espaço perigoso entende-se aquele próximo a bola e os ocupados pelas primeiras opções de apoio ao jogador detentor da posse, ou seja, é um método que exige uma ocupação de espaço racional e equilibrada, de modo a induzir o adversário a atuar em zonas mais densas do sistema defensivo da equipe que marca.
- Defesa à Zona Passiva: Forma de defender que apresenta como objetivo o encurtamento de espaços, criando dificuldades de ação ao ataque adversário, até que haja o erro. Consiste num método de defesa que não apresenta uma luta incessante em busca da bola, e sim uma postura paciente e indutiva, de modo a esperar o erro do adversário.

COMENTÁRIO DO VÍDEO GERADO PÓS-EDIÇÃO:
- Apesar de, em alguns poucos momentos, a seleção da Escócia apresentar um comportamento mais intenso no intuito de retomar a posse de bola, em grande parte do jogo a mesma demonstrou que pretendia manter uma organização defensiva baseada na ocupação horizontal de seu campo defensivo, demonstrando uma postura paciente, taticamente dedicada e voltada a diminuir os espaços ofensivos da seleção espanhola. Aguardar o momento de erro, mesmo que, neste trecho do vídeo, o mesmo não tenha ocorrido.
- Defesa a Zona “Pressionante”: Apresenta intuitos similares aos da defesa a zona, porém, possui uma vertente mais “agressiva” em momentos de pós-ocupação racional e equilibrada do espaço. Ou seja, define-se uma ocupação espacial densa e “ataca-se” o adversário de forma intensa quando o mesmo atuar neste espaço.

COMENTÁRIO DO VÍDEO GERADO PÓS-EDIÇÃO
- No vídeo acima, apesar da ênfase ser dada à posse de bola executada pela equipe do Real Madrid, pode-se observar uma organização defensiva zonal passiva, onde os atletas do Ajax tentam induzir a equipe merengue ao erro. Há uma abordagem mais enfática somente nos momentos que os atacantes adversários ocupam a última linha defensiva do Ajax (próximo a entrada da grande área). Um exemplo de organização defensiva zonal, passiva!
Posteriormente a este primeiro contato com os pilares de construção, serão aprofundadas discussões sobre os tipos de organização mencionados para então, em breve, dar inicio a reflexões sobre transição ofensiva, organização ofensiva e, por fim, transição defensiva.
Por além dos conteúdos abordados, ficam evidentes as inúmeras possibilidades de se organizar e conceituar ações táticas dentro das diferentes fases do jogo.
Ou seja, mãos a obra! Temos muito a pensar e construir dentro de um modelo de jogo!
Muito obrigado e até a próxima!
Bibliografia

ALMEIDA, F. A importância dos momentos de transição (ataque-defesa e defesa-ataque) num determinado entendimento de jogo. Dissertação de Licenciatura. Não Publicado. Porto: FADE-UP, 2006.
AMIEIRO, N. Defesa à Zona no Futebol. Um pretexto para reflectir sobre o «jogar»… bem, ganhando! Edição de autor. Porto, 2004.
BARRETO, R. O problematizar de dois princípios de jogo fundamentais no acesso ao rendimento superior do futebol: o «PRESSING» e a «POSSE DE BOLA» expressões duma «descoberta guiada» suportada numa lógica metodológica em que «o todo está na(s) parte(s) que está(ão) no todo». Dissertação de Licenciatura. Não Publicado. Porto: FCDEF-UP, 2003.
CARVALHAL, C. Entrevista. In: A importância dos momentos de transição (ataque-defesa e defesa-ataque) num determinado entendimento de jogo. Dissertação de Licenciatura. Não Publicado. Porto: FADE-UP, 2006.
FERREIRA, M.J. Entrevista. In: Defesa à zona no futebol: a (des) Frankensteinização de um conceito: uma necessidade face à inteireza inquebrantável que o jogar deve manifestar. Dissertação de Licenciatura. Não Publicado. Porto: FCDEF-UP, 2004.
OLIVEIRA, J.G. Conhecimento Específico em Futebol – Contributos para a definição de uma matriz dinâmica do processo ensino-aprendizagem/treino do jogo. Dissertação de Mestrado. Porto: FCDEF-UP, 2004.
MOURINHO, J. Entrevista. In: A Bola, 26 de Julho de 2002.
MOURINHO, J. Entrevista. In: Defesa à zona no futebol: a (des) Frankensteinização de um conceito: uma necessidade face à inteireza inquebrantável que o jogar deve manifestar. Dissertação de Licenciatura. Não Publicado. Porto: FCDEF-UP, 2004.

Aposentadoria dos Campos



Aposentadoria dos Campos:

O difícil processo de transição na vida de um atleta profissional.

Idade, novos interesses, fadiga psicológica, dificuldades com a equipe técnica, resultados esportivos em declínio e problemas de lesão são razões importantes para a decisão.



Marcelo Iglesias

Um dos pontos cruciais na carreira de um atleta profissional é estabelecer o momento certo para se aposentar. Por ser uma atividade que exige muita dedicação e preparo, são poucos os casos de atletas que conseguem atuar em bom nível até mais do que 30 anos de idade. Por isso, é importante que passem por um processo correto de ajuste nas esferas de vida ocupacional, financeira, social e psicológica, pois esse processo pode ser acompanhado por problemas emocionais.
Atualmente, não são incomuns os exemplos de ex-jogadores que, sabendo da sua condição inapropriada para seguirem dentro de campo, decidem permanecer ligados ao futebol de outra maneira, seja como técnicos, dirigentes, preparadores de goleiros, etc. Outro ramo procurado por alguns é o da política, visto o carisma que certas figuras da modalidade possuem.
Para tornar-se um atleta de elite, no mundo moderno, é necessário ter disciplina para treinar por muitos anos, dedicação quase que exclusiva para o esporte e, em geral, iniciar a carreira em idade muito precoce.

Em “O lado mental do futebol”, capítulo do livro "Ciência do Futebol", de autoria da nutricionista Isabel Guerra, doutoranda da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com Turíbio Leite de Barros Neto, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os autores afirmam que é grande a expectativa dos jogadores de alto nível de se tornarem atletas de sucesso nacional e internacional, já que essa conquista mobiliza a atenção de investimentos financeiros e tem grande espaço na mídia.

Nesse contexto, os atletas profissionais ganham como consequência, vantagens econômicas, notoriedade e, de fato, prestígio. Para os atletas de alto rendimento, o esporte é a energia que move a vida, é o marco de sua identidade.
Entretanto, após anos de dedicação, por razões diversas, defrontam-se com o processo final de carreira do esporte. É quando a maioria dos jogadores se conscientiza de não ter sido preparado para enfrentar a vida pós-esporte, pois negligenciou esse processo. Dessa forma, a aposentadoria pode gerar uma situação de estresse e de crise de identidade para muitos atletas.
Para a Federação Européia de Psicologia do Esporte e Atividades Corporais (FEPSAC), identidade esportiva deve ser conceituada como a força e a exclusividade em que o esportista identifica a si mesmo com o esporte; essa identificação exclusiva é fortalecida pelo reconhecimento social e sucesso econômico que acompanham os resultados positivos da carreira esportiva. Sendo assim, terminar a carreira esportiva pode se tornar um dos momentos mais difíceis da vida de um atleta, já que a mudança no estilo de vida requer uma adaptação de papéis sociais e profissionais.

A maioria dos atletas não percebe a importância de outras fontes de identificação em outros âmbitos da vida (outra profissão ou atividade), indispensáveis para a manutenção do equilíbrio durante e ao término da carreira. Essa percepção errada da realidade, em muitos casos, é ratificada por técnicos, dirigentes e membros da família. Em “O atleta e o mito do herói: o imaginário esportivo contemporâneo”, Kátia Rubio afirma: “na relação entre o ego e o desempenho de papéis sociais, muitas vezes o atleta se vê identificado com a figura espetacular sugerida pela condição de esportista, aquele capaz de realizar grandes feitos, dificultando sua participação em situações da vida cotidiana e em outras atividades sociais”.
A transição de carreira esportiva significa mudança de uma fase da carreira para outra, acompanhada por concomitantes mudanças nas características psicológicas e sociais do atleta, e da necessidade de recursos para lidar com o momento. De acordo com o que é apresentado em “Career transition and concomitant changes in athletes” (“Transição de carreira e concomitantes mudanças em atletas”, em tradução livre), a carreira esportiva é composta de uma sequência de sucessivas fases, com períodos de transição, identificadas como: a transição do esporte infantil para o juvenil, seguida da transição para o júnior e, finalmente, para o adulto; a transição do esporte amador para o profissional e a transição para o término da carreira esportiva.

Cada uma requer exigências específicas e ajustes nas esferas da vida ocupacional, financeira, social e psicológica do atleta e, fundamentalmente, sempre será necessário o esforço pessoal para a adaptação à nova fase.
Dessa forma, a natureza desse ajustamento à aposentadoria, para cada atleta, dependerá da interação de múltiplos fatores. Entretanto, um fator isolado não garante se um ajustamento será fácil e tranquilo. Somente uma análise da complexa interação entre diversos fatores é que levará à compreensão de como determinado atleta conviverá com o fato de se aposentar.
Um dos pontos que deve ser levado em consideração é que, por vezes, o jogador encerrará a sua carreira de maneira voluntária, mas, em outras ocasiões, isso poderá ocorrer forçadamente. Com isso posto, pode-se citar como algumas das causas das aposentarias de atletas profissionais: a idade, novos interesses emergentes, fadiga psicológica, dificuldades com a equipe técnica, resultados esportivos em declínio, problemas de contusão ou de saúde, e a ausência do seu nome entre os relacionados para os jogos.
Partindo do fato de que a transição de carreira esportiva é um processo, Jim Taylor e Bruce Ogilvie desenvolveram o “Modelo Conceitual da Transição de Carreira”, que integra, além da informação teórica da Psicologia do Esporte, a investigação empírica. De acordo com os estudiosos, as características da transição incluem: duração, mudanças de posição social, grau de estresse, desafios enfrentados e, fundamentalmente, a percepção de estresse nesse momento.
Determinadas áreas específicas, consideradas moduladoras do ajustamento ao momento da aposentadoria e facilitadoras de adaptação adequada, também podem ser avaliadas: percepção de controle; identidade esportiva; suporte social; experiências anteriores (outras transições); envolvimento com atividades relacionadas com esporte depois da aposentadoria; grau de planejamento profissional; status socioeconômico; habilidades (persistência, competitividade, metas, etc.); objetivos relacionados com esportes; e foco depois da aposentadoria.
Portanto, toda transição de carreira tem o potencial de ser uma crise, alívio, ou uma combinação de ambos, dependendo da avaliação dos atletas frente à situação.
Um estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina do Esporte, em dezembro de 2008, com 79 ex-atletas de futebol e basquete, por meio de entrevistas semi-estruturadas, apontou que 75,9% dos indivíduos avaliados decidiram encerrar a carreira esportiva de forma voluntária. A transição de carreira ocorreu de maneira gradativa e natural, como eles mesmos citaram nas entrevistas. Para a maioria dos ex-atletas (68,4%), esse momento foi oportuno, ou seja, aconteceu na época certa, enquanto que, para 27,9% dos entrevistados, a decisão de parar de competir profissionalmente ocorreu muito cedo e de forma prematura.
Ainda segundo esse estudo, as causas mais frequentes relacionadas à saída do esporte em ordem decrescente foram: idade (49,4%), surgimento de outros interesses (43,0%), mudanças no estilo de vida (17,7%), problemas de saúde (16,5%), problemas de lesões (15,2%), ausência de perspectivas futuras (13,9%), problemas de relacionamento com dirigentes (13,9%), "declínio dos resultados" (12,7%), cansaço psicológico (11,4%), relacionamento com o técnico (10,1%), cansaço físico (7,6%), relacionamento com a família (7,6%) e relacionamento com a equipe (3,8%).
Em relação às consequências emocionais por conta do processo de finalização da carreira esportiva, algumas emoções preponderaram. Em ordem decrescente: 50,6% dos ex-jogadores sentiram tristeza no momento da transição esportiva para uma nova carreira e 36,7 % se sentiram conformados. Além disso, a pesquisa apontou que 17,7% da amostra sentiram felicidade nesse momento, 6,3% se sentiram tensos, 5,1% sentiram medo, 5,1% ficaram deprimidos, 3,8% sentiram raiva, 3,8% ficaram ressentidos, 1,3% sentiram culpa e nenhum dos entrevistados fez referência a sentimentos de desespero.
Por fim, no que tange os aspectos físicos, a pesquisa indicou que, ao encerrar a carreira esportiva, 43% dos entrevistados tiveram a percepção de que a aptidão física piorou. Segundo dados coletados, o peso dos sujeitos aumentou e eles tornaram-se quase que totalmente inativos. A condição física não melhorou para nenhum dos avaliados.
Portanto, deixar a arena esportiva tende a ser um momento difícil da vida de um atleta, pois sempre requer adaptação de papéis sociais e profissionais. Fica claro que essa adaptação torna-se ainda mais difícil quando o atleta tem forte identificação com a figura de esportista. Em geral, apresenta dificuldades psicológicas e vivencia momentos de tristeza, depois de anos de exclusiva dedicação à carreira competitiva.

Além disso, nota-se que a idade é um fator limitador da performance e desencadeador da aposentadoria, o que acaba levando a um sentimento de conformismo e, ao mesmo tempo, motivando para outros interesses e objetivos emergentes, tais como o desejo de poder passar mais tempo com a família.

Outro ponto relevante é a piora na saúde física dos ex-atletas e o quanto a diminuição planificada e gradativa da carga física a que foram submetidos durante o período ativo é necessária, ao se pensar na qualidade de vida pós-esporte.

Portanto, seria interessante que, tanto do campo científico, como por meio de uma iniciativa da direção dos clubes de futebol, fossem desenvolvidos programas de aposentadoria que tenham como objetivo principal capacitar atletas em transição de carreira a lidarem melhor com esse momento e, principalmente, utilizar esses programas no início da carreira para minimizar a ansiedade com relação ao futuro.


Bibliografia

Orlick T. From hero to zero. In: In pursuit of excellence: how to win in sport and life through mental training.
2nd ed. Champaign: Human Kinetics, 1990;167-75.
Brandão MRF. O lado mental do futebol. In: Barros Neto TL, Guerra I, editores. Ciência do futebol.
Barueri: Manole, 2004;203-20.
FEPSAC. Position statement: sports career termination, 1999. Biel: FEPSAC; c2003a [cited 2006 Jan 9]. Available from: http://www.smartstep.se/ssp/ sportpsychology/module.asp?page=detail& XModuleId=8243& ProductId=2670.
Rubio K. O atleta e o mito do herói: o imaginário esportivo contemporâneo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
Alfermann D. Career transition and concomitant changes in athletes. In: Proceedings of the 11th World Congress of Sport Psychology; 2005 Aug 5-19; Sidney, Austrália. Sidney: International Society of Sport Psychology, 2005.
Taylor J, Ogilvie BC. A conceptual model of adaptation to retirement among athletes. J Appl Sport Psychol 1994;6:1-20.
Sinclair DA, Orlick T. Positive transitions from high-performance sport. Sport Psychol 1993;7:138-50.
Lavallee D. The effect of a life development intervention on sports career transition adjustment.
Sport Psychol 2005;19:193-202.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Evolução do Futebol Brasileiro: elementos para uma reflexão política



Sem investimentos em capacitação e política mais clara, que defina metas dentro de visão sistêmica e integrada dos fenômenos do esporte, seremos apenas coadjuvantes desse grande espetáculo globalizado

João Paulo Medina*

Via de regra, um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol, com mais ou menos importância. Mas o dia 18 de dezembro de 2011 poderia ser considerado um marco, um divisor de águas para o futebol brasileiro. A derrota da equipe do Santos – considerada por muitos, a melhor do Brasil – para o Barcelona por 4 a 0, pela final do Mundial de Clubes, foi uma aula de futebol, como afirmou de forma madura o talentoso e promissor jogador santista Neymar. Contudo, mais do que uma aula, bem que este jogo poderia ser também um ponto de partida para uma verdadeira mudança de paradigma da ainda tradicional e arcaica estrutura do futebol brasileiro.

Costuma-se dizer que o futebol imita a vida, como também se afirma que o vigor da economia de um país define sua saúde em todos os outros aspectos. Há tempos que comemoramos vários e importantes progressos em nossa economia, com reflexos sociais mais diretos na ascensão de milhões de brasileiros que estão saindo da miséria ou da linha da pobreza para níveis de vida mais dignos.

Tais conquistas, entretanto, não podem esconder o enorme atraso que ainda temos em muitos indicadores sociais, culturais, educacionais, bem como esportivos. Ou seja, não podemos nos enganar, pois ainda somos um país pobre em muitos aspectos. E para comprovar isso, basta atentarmos para o nosso nível de educação, em que somente 10% da população economicamente ativa possui um diploma universitário. Isso é muito mais baixo do que se pode encontrar, por exemplo, em países como Rússia, Índia e China, que, como o Brasil, são considerados emergentes.
Sem contar os números de nosso analfabetismo funcional, cujos dados são muito imprecisos, mas que devem chegar próximo à casa dos 50% de nossa população total. O que é trágico e vergonhoso, para dizer o mínimo.
Mas vamos, nesta breve reflexão crítica, apenas tentar entender o cenário em que se assenta o nosso atraso futebolístico atual. E não gostaria que o leitor entendesse minhas considerações como de alguém com visão pessimista que não valoriza o que é nosso e não quer enxergar nosso progresso. Não significa também que tenhamos que reassumir, diante de nações mais desenvolvidas, nosso histórico complexo de “vira-lata”. Não se trata disso, mas sim de entender que, apesar de nossas virtudes e enorme potencial, se não fizermos um correto diagnóstico de nossas mazelas, jamais nos instrumentalizaremos no sentido de superá-las de forma consistente e sustentável.
Nossas lentas, porém evidentes conquistas democráticas, têm nos permitido denunciar, contestar e debater criticamente nossos problemas sociais, talvez como nunca tenhamos conseguido em nossa história enquanto país institucionalizado. Portanto, estamos em um momento adequado para questionarmos alguns dos nossos pressupostos que nos fizeram ser o que somos. E isso vale para o país, como também para o nosso futebol pentacampeão mundial.
Não acredito mais que possamos recuperar todo o nosso atraso nos próximos dois, três ou quatro anos, até que cheguem a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) a serem realizados no Brasil. Mas é preciso começar de verdade. E o começo começa com consciência. Em se tratando de futebol, enquanto continuarmos em dúvida se ainda somos ou não os melhores do mundo, estaremos perdendo tempo.
E uma das primeiras evidências que temos que enxergar é que nada muda do dia para a noite. Principalmente se estivermos falando de evolução social, cultural e esportiva. Não podemos resumir o desenvolvimento de um país apenas com construção de aeroportos, rodovias, ferrovias e belos estádios de futebol. Isso representa apenas uma parte, pequena – diga-se de passagem – de nosso crescimento. O principal é entender que temos condições objetivas de mudanças e isso nos permitirá tomar consciência de que para termos uma nação forte é preciso muito mais do que simplesmente algumas melhorias em nossa infraestrutura.
Mas para ficarmos apenas no terreno esportivo, cabem aqui algumas questões que teremos que resolver nos próximos anos, se é que ainda temos pretensões de estar entre os grandes do futebol mundial.
Um dos principais aspectos que tem atrapalhado muito nosso progresso nesta área é a visão empírica e superficial que ainda prevalece no futebol. Se ela foi suficiente para nossas conquistas anteriores e para sermos o que somos hoje, fica cada vez mais evidente que sem investimentos na capacitação profissional e em uma política mais clara, que defina metas de médio e longo prazos para o futebol brasileiro dentro de uma visão mais sistêmica e integrada dos fenômenos que compõem este esporte, seremos dentro de algum tempo apenas coadjuvantes dos grandes espetáculos globalizados em que se está transformando o altamente competitivo futebol profissional. Ou não foi este o papel desempenhado pelo Brasil, representado pelo Santos, na partida com o Barcelona?
Para evitarmos que isso se torne rotina é preciso que comecemos a responder algumas perguntas, urgentemente:
• Quando os nossos dirigentes vão se profissionalizar ou pelo menos se atualizar para darem conta das demandas do futebol globalizado deste século XXI, deixando de olhar apenas para o seu entorno mais próximo e cuidando apenas de seus interesses particulares?
• Quando os órgãos de comunicação vão entender o seu papel estratégico nestas mudanças e os jornalistas esportivos se prepararem melhor antes de formular seus elogios e críticas, muitas vezes estéreis e descontextualizados?
• E os treinadores? Será que vão perceber que, dentro deste novo cenário, não basta mais ter sido jogador de futebol ou mesmo ter frequentado uma Escola de Educação Física para ser um profissional bem sucedido? Quando vão entender que esta função, hoje em dia, além de certas características de personalidade, exige profundos conhecimentos sobre liderança de grupos, tática e estratégia de jogo, metodologia científica de treinamento, cultura geral, “media training”, entre outros requisitos?
• Quando os clubes, através de seus dirigentes, serão capazes de estabelecer uma política clara para seus departamentos de futebol, não só no terreno da gestão, como também no terreno técnico (sim, o dirigente tem que entender o suficiente deste aspecto para poder contratar e acompanhar seus treinadores e funcionários dentro do perfil desejado pela política estabelecida).
• E a formação de nossos jovens atletas? Será que vamos finalmente compreender que é preciso superar urgentemente a visão tecnicista que ainda predomina nas categorias de base e nas escolas de futebol espalhadas pelo Brasil, para adotarmos uma abordagem interdisciplinar formando o atleta integralmente e preparando-os para a vida profissional, pessoal e social?
• E quando as instituições que dirigem o nosso futebol (CBF, Federações, Sindicatos, Associações) serão pressionadas o suficiente para entenderem que seus interesses particulares não podem conflitar com os interesses do desenvolvimento do futebol brasileiro? E o governo, através do Ministério do Esporte, será que não poderia ajudar na formulação de uma política esportiva mais atuante para o país?
Enfim, estes são alguns dos questionamentos que precisam entrar na pauta de todos aqueles que desejam e torcem por um futebol melhor, mesmo que estas providências cheguem tarde demais para podermos disputar de igual para igual a próxima Copa do Mundo.

*João Paulo Medina é Diretor Executivo da Universidade do Futebol

Evolução do Futebol Brasileiro

Evolução do Futebol Brasileiro: elementos para uma reflexão política



Sem investimentos em capacitação e política mais clara, que defina metas dentro de visão sistêmica e integrada dos fenômenos do esporte, seremos apenas coadjuvantes desse grande espetáculo globalizado

João Paulo Medina*

Via de regra, um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol, com mais ou menos importância. Mas o dia 18 de dezembro de 2011 poderia ser considerado um marco, um divisor de águas para o futebol brasileiro. A derrota da equipe do Santos – considerada por muitos, a melhor do Brasil – para o Barcelona por 4 a 0, pela final do Mundial de Clubes, foi uma aula de futebol, como afirmou de forma madura o talentoso e promissor jogador santista Neymar. Contudo, mais do que uma aula, bem que este jogo poderia ser também um ponto de partida para uma verdadeira mudança de paradigma da ainda tradicional e arcaica estrutura do futebol brasileiro.
Costuma-se dizer que o futebol imita a vida, como também se afirma que o vigor da economia de um país define sua saúde em todos os outros aspectos. Há tempos que comemoramos vários e importantes progressos em nossa economia, com reflexos sociais mais diretos na ascensão de milhões de brasileiros que estão saindo da miséria ou da linha da pobreza para níveis de vida mais dignos.
Tais conquistas, entretanto, não podem esconder o enorme atraso que ainda temos em muitos indicadores sociais, culturais, educacionais, bem como esportivos. Ou seja, não podemos nos enganar, pois ainda somos um país pobre em muitos aspectos. E para comprovar isso, basta atentarmos para o nosso nível de educação, em que somente 10% da população economicamente ativa possui um diploma universitário. Isso é muito mais baixo do que se pode encontrar, por exemplo, em países como Rússia, Índia e China, que, como o Brasil, são considerados emergentes.
Sem contar os números de nosso analfabetismo funcional, cujos dados são muito imprecisos, mas que devem chegar próximo à casa dos 50% de nossa população total. O que é trágico e vergonhoso, para dizer o mínimo.
Mas vamos, nesta breve reflexão crítica, apenas tentar entender o cenário em que se assenta o nosso atraso futebolístico atual. E não gostaria que o leitor entendesse minhas considerações como de alguém com visão pessimista que não valoriza o que é nosso e não quer enxergar nosso progresso. Não significa também que tenhamos que reassumir, diante de nações mais desenvolvidas, nosso histórico complexo de “vira-lata”. Não se trata disso, mas sim de entender que, apesar de nossas virtudes e enorme potencial, se não fizermos um correto diagnóstico de nossas mazelas, jamais nos instrumentalizaremos no sentido de superá-las de forma consistente e sustentável.
Nossas lentas, porém evidentes conquistas democráticas, têm nos permitido denunciar, contestar e debater criticamente nossos problemas sociais, talvez como nunca tenhamos conseguido em nossa história enquanto país institucionalizado. Portanto, estamos em um momento adequado para questionarmos alguns dos nossos pressupostos que nos fizeram ser o que somos. E isso vale para o país, como também para o nosso futebol pentacampeão mundial.
Não acredito mais que possamos recuperar todo o nosso atraso nos próximos dois, três ou quatro anos, até que cheguem a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) a serem realizados no Brasil. Mas é preciso começar de verdade. E o começo começa com consciência. Em se tratando de futebol, enquanto continuarmos em dúvida se ainda somos ou não os melhores do mundo, estaremos perdendo tempo.
E uma das primeiras evidências que temos que enxergar é que nada muda do dia para a noite. Principalmente se estivermos falando de evolução social, cultural e esportiva. Não podemos resumir o desenvolvimento de um país apenas com construção de aeroportos, rodovias, ferrovias e belos estádios de futebol. Isso representa apenas uma parte, pequena – diga-se de passagem – de nosso crescimento. O principal é entender que temos condições objetivas de mudanças e isso nos permitirá tomar consciência de que para termos uma nação forte é preciso muito mais do que simplesmente algumas melhorias em nossa infraestrutura.
Mas para ficarmos apenas no terreno esportivo, cabem aqui algumas questões que teremos que resolver nos próximos anos, se é que ainda temos pretensões de estar entre os grandes do futebol mundial.
Um dos principais aspectos que tem atrapalhado muito nosso progresso nesta área é a visão empírica e superficial que ainda prevalece no futebol. Se ela foi suficiente para nossas conquistas anteriores e para sermos o que somos hoje, fica cada vez mais evidente que sem investimentos na capacitação profissional e em uma política mais clara, que defina metas de médio e longo prazos para o futebol brasileiro dentro de uma visão mais sistêmica e integrada dos fenômenos que compõem este esporte, seremos dentro de algum tempo apenas coadjuvantes dos grandes espetáculos globalizados em que se está transformando o altamente competitivo futebol profissional. Ou não foi este o papel desempenhado pelo Brasil, representado pelo Santos, na partida com o Barcelona?
Para evitarmos que isso se torne rotina é preciso que comecemos a responder algumas perguntas, urgentemente:
• Quando os nossos dirigentes vão se profissionalizar ou pelo menos se atualizar para darem conta das demandas do futebol globalizado deste século XXI, deixando de olhar apenas para o seu entorno mais próximo e cuidando apenas de seus interesses particulares?
• Quando os órgãos de comunicação vão entender o seu papel estratégico nestas mudanças e os jornalistas esportivos se prepararem melhor antes de formular seus elogios e críticas, muitas vezes estéreis e descontextualizados?
• E os treinadores? Será que vão perceber que, dentro deste novo cenário, não basta mais ter sido jogador de futebol ou mesmo ter frequentado uma Escola de Educação Física para ser um profissional bem sucedido? Quando vão entender que esta função, hoje em dia, além de certas características de personalidade, exige profundos conhecimentos sobre liderança de grupos, tática e estratégia de jogo, metodologia científica de treinamento, cultura geral, “media training”, entre outros requisitos?
• Quando os clubes, através de seus dirigentes, serão capazes de estabelecer uma política clara para seus departamentos de futebol, não só no terreno da gestão, como também no terreno técnico (sim, o dirigente tem que entender o suficiente deste aspecto para poder contratar e acompanhar seus treinadores e funcionários dentro do perfil desejado pela política estabelecida).
• E a formação de nossos jovens atletas? Será que vamos finalmente compreender que é preciso superar urgentemente a visão tecnicista que ainda predomina nas categorias de base e nas escolas de futebol espalhadas pelo Brasil, para adotarmos uma abordagem interdisciplinar formando o atleta integralmente e preparando-os para a vida profissional, pessoal e social?
• E quando as instituições que dirigem o nosso futebol (CBF, Federações, Sindicatos, Associações) serão pressionadas o suficiente para entenderem que seus interesses particulares não podem conflitar com os interesses do desenvolvimento do futebol brasileiro? E o governo, através do Ministério do Esporte, será que não poderia ajudar na formulação de uma política esportiva mais atuante para o país?
Enfim, estes são alguns dos questionamentos que precisam entrar na pauta de todos aqueles que desejam e torcem por um futebol melhor, mesmo que estas providências cheguem tarde demais para podermos disputar de igual para igual a próxima Copa do Mundo.

*João Paulo Medina é Diretor Executivo da Universidade do Futebol

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

feliz ano novo

Feliz Ano novo a todos.

Estamos de ferias no projeto Ribeirinho e confesso a voces que aqui em Porto Velho quero ficar longe de todos e as vezes fico sem tambem sem a coragem de se ligar na internet.

Mas vamos lá, com gosto de Futebol aqui vai uma dica:


O Treinamento em Futebol e os Níveis Neurológicos

Quais mudanças do futebol brasileiro dependem de você? Novos comportamentos se refletem no ambiente

Aproxima-se o fim de inúmeras competições pelo Brasil. Tanto nos campeonatos das categorias de base como nas competições profissionais, as próximas semanas serão de jogos decisivos. E estes jogos, físicos-técnicos-táticos-emocionais ao mesmo tempo, para todos os jogadores, durante os minutos que correspondem a cada partida, pedem treinamentos que contemplem as mesmas características do jogo, certo? Pelo que temos visto, errado!

Declarações, observações, leituras, imagens e reportagens variadas ilustram um cenário que precisa ser alterado mais rapidamente.

Trações, circuito com saltos e acelerações, corridas com mudanças de direção, finalizações descontextualizadas, saltos com pneu, táticos-sombra ou quaisquer outros treinamentos que privilegiem fragmentos do jogo (e não fractais), podem significar perdas de minutos preciosos em momentos, conforme mencionados, tão decisivos. Para estes momentos, leia-se a luta contra o rebaixamento, o acesso, o título, as vagas em competições importantes e, inclusive, a manutenção do emprego.

O dinamismo do mundo atual permite o acesso à informação, ao que é novo ou tendência, num intervalo de tempo consideravelmente pequeno. No futebol, o novo é treinar conforme se quer jogar. Barcelona, José Mourinho, Júlio Garganta, Porto, Claude Bayer, Rodrigo Leitão, Universidade do Porto, Vítor Frade, Ajax, Alcides Scaglia, André Villas-Boas são exemplos de pessoas e instituições que têm privilegiado e divulgado o que é atual.

Porém, por que mesmo com tanta informação disponível, a transformação está aquém da ideal?
Cada indivíduo interpreta a realidade de forma distinta. Diferentes experiências, aprendizagens, vivências e reflexões formam a visão de mundo de cada ser humano, que pode ter maior ou menor capacidade de mudança.

Alguns estudiosos do comportamento humano afirmam que gerimos a mudança (e todos os nossos pensamentos) a partir de seis níveis neurológicos: ambiente, comportamento, competências, crenças/ valores, identidade e espiritualidade.

A interpretação da realidade considerada neste texto será a do treinamento em futebol que, de acordo com todo o material científico que se tem conhecimento, pode ser desenvolvido a partir de um viés tecnicista, integrado ou atual (sistêmico).

O ambiente significa o local em que cada indivíduo atua. Traduzindo para o treinamento em futebol, corresponde a cada clube, formado por um determinado grupo de pessoas.

O comportamento compreende as atitudes efetivas de cada pessoa em um determinado ambiente. Em relação ao treinamento, tais atitudes se referem à maneira que é operacionalizado o processo de desenvolvimento de uma equipe.

Já as competências significam o conjunto de habilidades que cada indivíduo possui e que refletem o modo como o mesmo aplica seus conhecimentos. Para o exemplo deste texto, traduz o que o indivíduo sabe e o quanto se capacita.

E, por último (afinal não será abordada a identidade e espiritualidade para não parecer demasiadamente utópico), o treinamento em futebol segundo as crenças e valores. Neste nível neurológico, a interpretação da realidade se dá de acordo com o que a pessoa acredita, com seus princípios e com suas verdades.

Posto isso, é possível afirmar que a transformação está aquém da ideal, porque pouquíssimos indivíduos que atuam com o futebol conseguem gerar mudanças efetivas no nível neurológico das crenças e valores.

Toda informação disponível tardará para ser, de fato, uma transformação do futebol brasileiro, enquanto as intervenções ocorrerem somente nos três primeiros níveis neurológicos.

Diversos ambientes não permitem uma troca harmoniosa de conhecimento entre os seus integrantes e enquanto treinadores acreditarem que vencerão seus jogos simplesmente porque estão há muito tempo na bola e conhecem o meio, a transformação será atrasada.

O comportamento predominante do treino em futebol não converge para todas as sessões diretamente relacionadas com a ideia de jogo do treinador e assim permanecerá enquanto os preparadores físicos crerem que são necessárias sessões exclusivas para o desenvolvimento de potência, capacidade aeróbia ou resistência específica.

Leituras sobre periodização tática, complexidade, teoria dos jogos, ensino dos JDC e princípios táticos do futebol não irão para a prática, ou irão menos do que poderiam, enquanto forem verdades absolutas para as comissões técnicas, as experiências adquiridas tanto de caráter empírico ou científico.

Mas, se cada indivíduo, não só para o treinamento em futebol, mas para a vida, decidir ampliar sua reflexão, discussão e busca de conhecimento (e autoconhecimento), as mudanças emergenciais serão mais rápidas.

Transformar crenças e valores não é fácil! Os mesmos estudiosos do comportamento humano afirmam que quanto mais alto o nível neurológico, mais difícil é a mudança. O certo é que não há mudança de crença sem tentativa, sem risco, sem acertos, sem erros, sem novas experiências e disponibilidade para novas oportunidades.

Caso haja mudança de crenças e valores em cada indivíduo, consequentemente serão re-significados os três níveis neurológicos inferiores.

Quando a interpretação da realidade para o treino de futebol estiver fundamentada numa perspectiva sistêmica, a sede pela aquisição constante de novas habilidades transferirá todo o conhecimento teórico já existente para a realidade prática.

Com novas competências, derivadas de crenças e valores transformados, novos comportamentos serão observados, pois os anteriores perderão o sentido.

Finalmente, novos comportamentos refletem em mudanças de ambiente, ou seja, do grupo de pessoas que formam cada um dos clubes do futebol brasileiro.

Existem diferentes maneiras de cada ser humano modificar suas crenças: pode ser procurando ajuda, se conhecendo, estudando, conversando, ou de qualquer outra forma que permita um exercício frequente de reflexão.

Para você que já crê no que é atual em relação ao treinamento em futebol, faça sua parte com as competências e comportamentos adequados nos ambientes em que você atua. Já para aqueles que não crêem, não esperem o ambiente e o comportamento dos outros mudarem para você fazer o mesmo, pois isto pode não resolver se suas crenças permanecerem imutáveis.

Enfim, para todos os casos, a mudança só depende de você! Em que nível neurológico você está em relação ao treinamento em futebol?

Às vezes, para falar de futebol é preciso falar de pessoas...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Diario de Nazaré

Diário de Nazaré



Segunda feira, dia 05 de dezembro de 2011, amanheceu com muita chuva impossibilitando a viajem à Nazaré, localidade onde irei trabalhar no projeto ribeirinho. A viajem foi adiada para o dia seguinte.

Às oito horas da manhã do dia 06 de dezembro zarpamos rumo as nossas localidade de trabalho.

Professor Ocimar para Nazaré, professores Ricardo e Aline para Santa Catarina, professores Flavio para Cuniã e professora Selma para Papagaio. Os demais professores vão de Barco Recreio, professora Eny para Nazaré e professoras Damaris e Lucia para Demarcação.

Como eu tinha deixado minhas coisas em Santa Catarina como; panelas, bolas, cesta básica, carne, peixe, roupas etc. Tive que ir até Catarina buscar.

Quando cheguei lá encontrei todas as minhas coisa mexidas, as bolas foram todas usada e furadas, bolas de futebol e de borracha e as panelas sumiram.

Estou sem material para trabalhar.

Agora vamos ao trabalho aqui em Nazaré.

Parece que nada mudaram, os problemas são os mesmo de fevereiro deste ano, quando aqui vim pela primeira vez e o conselho municipal de educação estava presente na ocasião onde mostrei todos os problemas como;

A escola tem duas salas de aula para quatro professores trabalharem a tarde sendo uma sala para os alunos das serie inicias e outra sala para os alunos do projeto. Uma casinha em frente aos motores da usina de energia que fazem um barulho infernal que serve de sala de aula e um chapéu de palha imundo, sujo, fedido de fezes, sem quadro branco, sem cadeiras todas quebradas, suficiente, não tem energia e ventilador, um calor horrível, cheio de mato e aberto onde todos que passam mexem com os alunos, em fim sem a mínima condições de trabalho e o pior ao lado dos motores da usina, um barulho infernal.

Não tomaram nenhuma atitude para resolver os problemas citados.

Será que o problema da educação municipal está com os professores do projeto ribeirinho? Que por não resolveram também os problemas administrativos (?) e que são da secretaria. Que são de responsabilidade de Dier. (?)

Olhem, confesso a vocês que foi um dia terrível para dar uma aula nessas condições, aula de educação física imagine outras matérias. E o pior nenhum professor que por aqui passaram não reclamaram as condições de trabalho, ficam todos calados e por trás, ficam queimando e o mais agravante, os pais, a família não diz nada, por que o que importa pra eles, é ter professor na localidade.

Quinta-Feira participei de uma reunião no Armazém Club aqui de Nazaré com a secretaria adjunta da Seduc, Sra. Suely Aragão e a comunidade sobre a forma de educação a ser aplicada na escola de ensino fundamental e médio quando da sua inauguração.

Primeiro a comunidade falou a pedido da secretaria Suely Aragão e primeira a falar foi à professora Eny.

Falou sobre a conversa do Senhor Governador com a comunidade que disse que a escola seria agrícola e tempo integral e com alternância e que ela é contra essa alternância. Em fim a grande maioria presente na reunião fizeram críticas pesadíssimas contra o projeto ribeirinho.





Por último pedi a palavra por não agüentar criticas sobre os professores do projeto.

Culpei os professores em geral, culpei a secretaria municipal, culpei os alunos e principalmente os pais, a família por não estarem presente na vida escolar de seus filhos e isto eu havia falado com os alunos um dia anterior e solicitei que eles, falassem para os seus pais dos problemas encontrados e não resolvidos, joguei pesado com a comunidade que ficam criticando, mas reclamam quando faltam professores e reclamam quando tem. Mas são os mesmos que criticam. Também dei a sugestão com seria ideal que a escola nova funcionasse, em tempo integral até aproximadamente das 7:30 as 15:00 horas.

Por fim a secretaria falou que não seria ideal para a localidade uma escola agrícola e sim ensino regular em tempo integral, também retificou o que eu havia dito, sem a presença da família não há educação, estão jogando seus filhos mãos dos professores resolverem a educação, no final à sugestão da secretaria foi aceito por todos.

Sexta-Feira fomos com os alunos no posto de saúde fazer o exame antropométrico.

Semana tranqüila, não vejo à hora de retornar pra casa.

Hoje é sábado acordei cedo demais ansioso pra ir pra casa e como também amanheceu chuvendo, alias chuve há 3 dias sem parar.

Mais uma vez não passaram no dia marcado, passei a tarde toda na beira do rio a espera da voadeira e isso me intriga.

Ficam protegendo alguns professores e outros cobram criticam nossas atitudes por falar a verdade.

Tem professor que vai quando quer e retorna primeiro.

Os direitos são iguais, todos são concursados e merecem respeito.

Asdericel - Panamericano