terça-feira, 13 de março de 2012

O Sentimento Esportivo e a Educação


Rendimento escolar e rendimento esportivo para crianças: uma breve análise
Como trabalhar a paixão esportiva em benefício da vida escolar de jovens que são envolvidos na prática do futebol em escolinhas de iniciação e são movidos pelo sonho da profissionalização?
Jorge Efrahim Magalhães Berto*
O Brasil é o país do futebol onde uma paixão, que contagia milhões de pessoas em volta de um clube ou da nossa seleção, vem sendo transmitida de geração em geração; é muito comum encontrarmos situações diversas como a de pais que acompanham a emoção esportiva dos seus pais, filhos que transmitem o mesmo sentimento a seus filhos, sentimento este que mobiliza diversos pontos de discussão gerando debates acalorados e provocadores. Na medida em que a paixão transmitida de pai para filhos, de geração a geração contagia, em alguns casos enlouquece, bastando observar as reações das pessoas diante de finais de campeonato, sentimentos e emoções explicitamente demonstrados, bem observados nos anos que se realizam as Copas Mundiais de Futebol. Como explicar esta paixão? Esta maneira de estar ligado a uma modalidade esportiva?
“Marcel Mauss afirma que, pela imitação, os indivíduos de cada cultura constroem seus corpos e comportamentos [...] Esse corpo, que pode variar de acordo com o contexto histórico e cultural é adquirido pelos membros da sociedade por meio da imitação prestigiosa. Os indivíduos imitam atos, comportamento e corpos que obtiveram êxito e que são bem-sucedidos”. (Anjos, J.L. Educação Física, Corpo e Movimento, 2009, p.23)
Encontram-se aí envolvidos os aspectos históricos derivados de um esporte, como em um processo sócio-cultural.
“Ao transformar a natureza, os homens criam cultura, refinam, cada vez mais, técnicas, instrumentos – saber, enfim – e ao transformar a si mesmos: desenvolvem as suas funções mentais (percepção, atenção, memória e raciocínio) e a sua personalidade (sua maneira de sentir e atuar no mundo).” (Chicon, F. Educação Física, Aprendizagem e Desenvolvimento Humano, 2009, p. 11)
Como trabalhar essa paixão esportiva em benefício da vida escolar de nossas crianças que apreciam e são envolvidas na prática do futebol em escolinhas de iniciação e que são movidos pelo sonho de um dia tornarem-se um jogador de futebol?
O abandono escolar é significativo do valor demonstrado por esta prática esportiva, como a repetência na escola; ao lado da presença na escola por imposição dos pais, convivem com o ideal de tornarem-se jogadores em grandes clubes e com retorno econômico fácil. Como motivar a vida escolar e provocar uma reflexão crítica da situação?
A opção por esse tema é a crença de que há importância em um bom rendimento escolar na vida das crianças, que muitas vezes não percebem a pseudo-ilusão a respeito da vida dos jogadores de futebol e que são influenciadas pela mídia, que expõe uma pequena porcentagem da real vida destes atletas; justifico desta forma o interesse particular em relatar uma realidade próxima, tema este que, proporcionado por experiência pessoal, por ter feito parte dessa realidade, se torna essencial.
A motivação para o rendimento escolar
O termo “rendimento” se aplica em áreas diversas, o que não deixa de ser interessante na medida em que o encontramos direcionado à Economia, à Educação e ao treinamento físico.
Paralelamente também encontramos em Figueiredo (2009, p.12) citando Pimenta (2000) que os caminhos de superação de um professor acontecem quando as necessidades pedagógicas são postas pelo real ou dia a dia escolares.
A experiência acumulada em um professor e sua visão do mundo é importante e principalmente porque o sistema esportivo é alimentado pela mídia; encontramos em Bracht (2009) que nada é feito “[...] na perspectiva de orientar as políticas esportivas nacionais com vistas a garantir a plena cidadania dos indivíduos no plano das práticas corporais do movimento [...] “(Educação Física e Escola, p.55)
O todo desta problemática é importante, na medida em que serve de alerta, para que as crianças, que não terão a oportunidade de fazer uma carreira profissional futebolística, possam direcionar-se em outro rumo, de forma bem sucedida e menos dramática, da que acontece com muitos jogadores, que hoje sofrem com a realidade de terem optado por abandonar os estudos confiando no sucesso, fama e retorno financeiro que não conseguiram.
A nossa responsabilidade como professores é evidenciar a realidade existente às crianças em idade escolar, e a de despertar o interesse e motivação cultural e intelectual com o intuito de deixá-los mais conscientes e críticos para com a realidade do mundo do futebol, que não é evidenciado pela mídia, provocativa da mistura de sentimentos e sonhos das crianças, iludindo-as para uma realidade que, mesmo que não seja impossível, é muito difícil de alcançar.
Por outro lado, há exemplos de vários jogadores com uma vida escolar em nível acadêmico superior, que conseguiram conciliar a carreira com os estudos – é uma forma de exemplificar a necessidade de se resguardar perante o futuro com a possibilidade de dar continuidade a uma vida de forma estruturada, evitando as surpresas desagradáveis que muitos jogadores não pensam quando estão atuando.
Exemplos de atletas profissionais como Tostão, Sócrates, Falcão e Rogério Ceni, podem servir de parâmetro à necessidade de um rendimento escolar. Particularmente, lembranças pessoais trazem à memória a imposição de um bom rendimento na escola e o conhecimento de notas para que os treinamentos fossem levados adiante, alertando para a realidade da época em que o 2º grau era questão de sobrevivência, o que em nossos dias transformou-se para a importância de uma formação superior, devido ás exigências do mercado, onde a tensão mostra-se, não pela nota em si, mas pela possibilidade de ficar fora dos treinamentos.
Como usar exemplos de jogadores profissionais para estimular as crianças, que ainda estão em formação escolar?
Os ex-jogadores que encerram a vida esportiva muitas vezes não têm a oportunidade de continuar nos campos como diretores, supervisores ou treinadores. Na maioria das vezes não têm nem o direito de escolha, aceitando, assim, a primeira oportunidade de trabalho que aparece. Poderiam estes exemplos estimular atletas que ainda estão em formação, a explorarem como motivação o não seguimento do mesmo caminho? A vivência prática de um ex-jogador de futebol não proporciona nenhuma garantia de entidades, clubes ou mesmo do governo, que assegure uma continuidade em sua área de atuação.
Órgãos de controle, como o CREF, os taxam de leigos e os interditam de exercer a profissão por não serem formados em Educação Física, desprezando todo o aprendizado que receberam na prática.
Encontramos em Bracht (2009) que,
“[...] no intuito de realizar o Panamericano na cidade do Rio de Janeiro, não foram apresentados motivos educacionais, da saúde e, por incrível que pareça esportivos. Os motivos estão atrelados ao plano econômico: fomento do turismo; melhoria na infra-estrutura da cidade; geração de empregos; construção de estádios e arenas que no futuro, alimentarão negócios esportivos, etc...” (Educação Física e Escola, p.54)
Mas como usar esses exemplos para estimular nossos atletas que ainda estão em formação a explorarem esses exemplos e se motivarem a não seguir o mesmo caminho?
Algumas crianças com um simples diálogo entendem a mensagem e se esforçam mais na vida escolar; outros só entendem debaixo de imposição e até mesmo com alguns castigos. Uma forma de autoritarismo versus autoridade familiar.
A nossa responsabilidade como professores é evidenciar a realidade existente em crianças em idade escolar, é a de despertar o interesse e motivação cultural e intelectual com o intuito de deixá-los mais conscientes e críticos para com a realidade do mundo do futebol, que não é evidenciado pela mídia, provocativa da mistura de sentimentos e sonhos infantis, iludindo-as para uma realidade que, mesmo que não seja impossível, por vezes é muito difícil de alcançar. Ainda em Figueiredo (2009, p.27) encontramos que somos bastante responsáveis pela formação humana de nossos alunos.
Alguns pais recorrem ao professor, como que num pedido de socorro, percebendo afinidades e identificação de seus filhos, confiando à missão de auxiliá-los no resgate do ano letivo de seus filhos. Assumir essa missão acontece por termos a consciência da importância de uma vida escolar bem sucedida no futuro de nossos atletas, mas é necessária uma estratégia, mas também de resultados. Comprometer o trabalho profissional nos leva a ter cautela, pois alguns alunos podem ser indispensáveis no esquema tático da equipe. Situações especiais nos sugerem oportunidades diferenciadas para um professor.
A consciência da importância da vida escolar é uma estratégia necessária a nós professores e os resultados desta missão podem fazer com que os alunos conquistem melhores resultados em seu percurso escolar sem o abandono do mesmo. Na maioria das vezes, o conhecimento do rendimento escolar de cada criança, por falta de um profissional em Pedagogia para acompanhamento, implica em um posicionamento mais efetivo do professor e em períodos de transição, por vezes delicado, a falta de conhecimento do rendimento escolar do aluno leva o professor a atitudes diferenciadas.
Acreditamos que, uma das formas de conseguir êxito, pode ser aplicada da seguinte forma, em sete etapas que aqui descrevemos:
1- Ter em mãos as informações sobre as competições ou viagens a serem feitas pela equipe.
2- Verificar se existem atrativos suficientes para serem usados como forma de convencimento a um eventual sacrifício.
3- Ter o mínimo de aproximação possível ou o conhecimento de quem são os pais de cada atleta.
4- Reunir com a Diretora para esclarecimentos da real situação oferecendo auxílio.
5- Convocar uma reunião com os pais daqueles que estão com as notas comprometidas, respeitando se houver qualquer tipo de oposição à nossa ajuda.
6- Se reunir com os atletas que estão com as notas baixas e propor um acordo.
7- Seguir o acordo feito anteriormente para com aqueles que não o cumpriram, para garantir a eficácia do método nos próximos anos quando necessário.
Ao concluirmos, poderíamos afirmar a eficácia dessa estratégia aplicada ao futebol, utilizando os critérios descritos, como “moeda de troca”, na medida em que esse é realmente um item importante na vida do aluno, podendo ajudá-lo na obtenção de um melhor rendimento na vida escolar, orientando-o não somente no ambiente de treinos, mas também em sua rotina escolar, e não só com futebol, mas em qualquer outro esporte onde exista o amor pelo que se faz, o comprometimento com suas responsabilidades, mas também com seus sonhos e objetivos que ainda se deseja realizar e alcançar, e que sendo feitos ou buscados sem o amor necessário para alcançá-los, esses objetivos passam a estar comprometidos com o fracasso.
Afinal, encontramos em Della Fonte que, “[...] o professor não teria o intuito de, a partir da especificidade de sua área, levar os alunos a amarem o conhecimento? Mas como ele pode fazer isso, se ele próprio, muitas vezes, não tem uma relação amorosa com o saber?...” (Educação Física, Educação e Reflexão Filosófica, p. 16)
Conclusão
Esta é a realidade daqueles que não concluíram seus estudos e as dificuldades particulares de cada um para sobreviverem do pouco que recebem, por não terem escolaridade suficiente que proporcione lutar por melhores oportunidades e que não podem ser esquecidas nos momentos em que se mostra necessário dialogar e conscientizar os alunos.
Poucos serão aqueles que se apropriam de bons trabalhos com uma escolaridade comprometida e sem alguém que possa auxiliá-los.
Desta maneira, estamos convencidos de que os alunos têm de ser conscientizados daquilo que almejam, para que não se mostrem despreparados para uma possível mudança de planos na vida pessoal e escolar.
Bibliografia
ANJOS, J.L. Educação Física, Corpo e Movimento. Vitória: UFES-NEAAD, 2009
BRACHT, V. Educação Física e Escola. Vitória: UFES-NEAAD, 2009
CHICON, F. Educação Física, Aprendizagem e Desenvolvimento Humano. Vitória: UFES-NEAAD, 2009
DELLA FONTE, S. Educação Física, Educação e Reflexão Filosófica. Vitória: UFES-NEAAD, 2010
FIGUEIREDO, Z. Educação Física, Formação Docente e Currículo. Vitória: UFES-NEAAD, 2009.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Treinador Europeu x Treinador Brasileiro:


Entendendo as diferenças
Formas de trabalho e mentalidade talvez expliquem a razão pela quais técnicos são tão diferentes.

Nicolau Trevisani Frota
Ser treinador de futebol no Brasil e na Europa. Um sonho que, apesar de muito comum entre os profissionais nativos (eu me incluo neste grupo), é muito difícil de realizar. Mas por que um país que possui tanta facilidade para expandir atletas para o exterior tem tanta dificuldade para fazer o mesmo com seus treinadores para a Europa e recebê-los aqui?
Ao contrário de muitos, não acho que a resposta desta pergunta esteja na falta de qualidade dos brasileiros ou somente na língua. Acredito que a língua pode até ser um fator, mas as grandes dificuldades deste intercâmbio estão na mentalidade e nas formas de trabalho dos dois ambientes.
No Brasil, o treinador é uma figura muito instável dentro do cenário do futebol. Em um esporte ainda “pouco evoluído” (embora esteja melhorando) em questões administrativas, o técnico é contratado “apenas “para cuidar do time e, logo em suas primeiras derrotas, é dispensado, ficando desempregado, o que geralmente cria uma alta pressão por resultados e impede o profissional de deixar um legado ao seu clube.
Em contrapartida, quando ocorre o resultado positivo aqui, o treinador é bem mais valorizado do que no Velho Continente.
Na Europa, nos trabalhos de alto nível, o treinador é encarado como uma figura mais importante e em geral é escolhido de acordo com o projeto do clube, o que gera maior estabilidade para trabalhar, e mais condições para realizar um trabalho e deixar sua marca no clube.
No exterior, existe uma maior preocupação com categorias de base, e na maioria dos casos o treinador do profissional é diferentemente do Brasil: ele é o grande responsável por fazer a integração de atletas com o departamento profissional.
Esta integração ocorre com uma filosofia de trabalho a ser seguida por ambos, que é definida pelo treinador do time principal.
Não estou querendo dizer que é melhor trabalhar em um ou outro, mas apenas mostrar as diferenças entre ambos – o que, para mim, é o que dificulta este intercâmbio.

Bebidas Energéticas não são recomendadas durante a atividade física.


A quantidade de açúcar que as bebidas energéticas oferecem ao organismo é excessiva e podem causar dor no estômago. Por serem carbonatadas, não hidratam o organismo.

Verão é a época do sol, do namoro, das badalações e agitos. É nesta estação de intenso calor que médicos e especialistas chamam a atenção para o consumo excessivo de bebidas, principalmente àquelas misturadas com energéticos.
Segundo o médico cardiologista André Fontes Dias, jovens e adolescentes, costumam procurar ter mais energia para participar da maratona de festas e terminam abusando das bebidas energéticas, o que é perigoso para a saúde, alerta o médico.
Segundo ele, a fórmula de composição desse tipo de bebida contém grande quantidade de componentes que excitam o coração e podem aumentar os batimentos cardíacos.
Geralmente, a fórmula de uma bebida energética é composta de cafeína, ginseng, vitamina B, açúcar e outras ervas. De acordo com o médico, essa composição pode causar problemas cardíaco a longo prazo, fazendo com que o coração trabalhe acima de sua capacidade. Além de prejudicar o coração, os energéticos também podem causar vários problemas como contração muscular, distúrbios do sono e até estresse.
Misturada com o álcool, a bebida causa ainda mais danos. Bebidas energéticas não são recomendadas durante a atividade física. A quantidade de açúcar que elas oferecem ao organismo é excessiva e podem causar dor no estômago. Por serem carbonatadas, não hidratam o organismo, explicou o cardiologista.
Disparo do consumo
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir), o consumo de bebidas energéticas disparou no Brasil nos últimos anos, com um crescimento de 25% só de 2010 para 2011. Se a mistura da bebida com o álcool nas baladas já preocupava os médicos, agora o problema está na associação do produto a estilos de vida saudável.
“Quem abusa desses compostos em busca de pique extra para agüentar uma agenda cheia demais pode colocar a saúde em risco, alerta o médico André Fontes Dias.
Já o médico Fábio de Brito, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) vai mais além e diz que os energéticos são perigosos para a saúde. O energético misturado a um simples comprimido de paracetamol para a dor de cabeça, pode levar a óbito repentino por insuficiência hepática.
E se misturado com outras bebidas alcoólicas tem efeito devastador no organismo atacando vários órgãos vitais como os rins, por exemplo, alerta o especialista. Segundo ele, essa preocupação com o efeito dos energéticos atinge os cardiologistas do mundo inteiro, porque a bebida é também contraindicada para vários grupos populacionais, sob o risco de ocorrências cardiovasculares, gastrite, desidratação e dependência.
O professor de Educação Física, Eduardo Ferreira, em seu doutorado, estudou os efeitos do álcool com energéticos em camundongos.
“Enquanto os camundongos que receberam só álcool ficavam prostrados, os que receberam a combinação ficavam hiperexcitados. “Isso nos leva a crer que o sujeito pode ficar embriagado, mas achando que está bem.
A excitação leva a um erro de julgamento”, diz. Combinar álcool com energéticos se mostrou uma prática comum entre os jovens brasileiros. Em um levantamento feito pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) foi constatado que 74,3% dos 18 mil estudantes ouvidos já experimentaram a mistura.

Portanto, diz Eduardo Ferreira, cuide-se na ingestão dessas bebidas perigosas ao organismo, tome com moderação e, principalmente, sem misturas doidas que podem te levar a morte ou a seqüelas ao resto da vida. Divirta-se divertindo e não se matando!!! 

Alimentação e Exercícios sozinhos não explicam onda de obesidade.


Diário da Saúde
O que vem primeiro?
O estresse pode fazer você engordar.
E ser obeso pode ser um fator criador de estresse.
Brynjar Foss e Sindre Dyrstad, da Universidade de Stavanger, na Noruega, apresentaram uma nova teoria para tentar elucidar esse "circuito fechado".
Segundo os dois, a alimentação e a falta de exercícios não são suficientes para explicar a atual onda de obesidade no mundo.
Comida e sedentarismo
Ingerir uma maior quantidade de comida rica em gordura, sal e açúcar, combinado com pouca atividade física, têm sido apontadas pela Organização Mundial da Saúde como as causas principais da obesidade.
É por isso que os médicos prescrevem dietas para emagrecer e exercícios físicos.
A mídia faz o restante, afirmam os pesquisadores, divulgando as academias, as dietas e estilos de vida mais saudáveis - tudo em termos de alimentação e exercícios.
Eles questionam essa abordagem desde o início, perguntando-se se a obesidade é mesmo uma consequência, ou se seria causa de algo - ou, eventualmente, as duas coisas.
Engordar por estresse
Os pesquisadores revisaram uma série de estudos, que mostram que o ganho de peso e os níveis de cortisol - o chamado hormônio do estresse - são incrivelmente mais elevados em pessoas que engordam por causa do estresse.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Qual é a Regulamentação para atuar como Treinador de Futebol no Brasil?


Universidade do Futebol esclarece disputa entre entidades que representam as categorias dos treinadores e dos professores de Educação Física.



A regulamentação da profissão de treinador de futebol no Brasil vem sendo debatida há muitos anos. No centro deste debate estão, de um lado, as entidades que representam os profissionais de Educação Física, em especial CONFEF (Conselho Federal de Educação Física e CREF’s (Conselhos Regionais de Educação Física) e de outras instituições sindicais representativas dos treinadores que não são certificados pelas Escolas de Educação Física, geralmente liderados por ex-atletas que pleiteiam ou já exercem a função de treinadores em clubes ou outras instituições futebolísticas.

Nesta quebra de braços, a vantagem muitas vezes parece ficar com as instituições mais organizadas e estruturadas que representam os profissionais formados em Educação Física. Porém a briga ainda está longe de encontrar um vencedor, apesar dos argumentos de ambos os lados. Recentemente, por exemplo, o SITREFESP (Sindicato dos Treinadores de Futebol do Estado de São Paulo) deu um golpe na instituição que representa os graduados em Educação Física, o CREF4/SP (Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região), como veremos nesta matéria.

A partir do Decreto-Lei 3.199 de 1.941, reconheceu-se a presença de um profissional qualificado para trabalhar como treinador o indivíduo formado pela Escola de Educação Física e Desporto da Universidade do Rio de Janeiro. Trinta e cinco anos mais tarde, a Lei 6.354 de 1.976 dizia em seu artigo 27: “Todo ex-atleta profissional de futebol que tenha exercido a profissão durante 3 (três) anos consecutivos ou 5 (cinco) anos alternados, será considerado, para efeito de trabalho, monitor de futebol” (Brasil, 1976).

Entretanto, a regulamentação da ocupação de treinador profissional de futebol onde se estabeleceram as mesmas legislações do trabalho e da previdência social, se oficializou pela Lei 8.650 de 1.993, que dizia no seu artigo 3:

O exercício da profissão de Treinador Profissional de Futebol ficará assegurado preferencialmente:

I - aos portadores de diploma expedido por Escolas de Educação Física ou entidades análogas, reconhecidas na forma da lei;

II - aos profissionais que, até a data do início da vigência desta Lei, hajam, comprovadamente, exercido cargos ou funções de treinador de futebol por prazo não inferior a seis meses, como empregado ou autônomo, em clubes ou associações filiadas às Ligas ou Federações, em todo o território nacional”.

Atualmente, a Lei Nº 9.696, de 1º de setembro de 1.998, que regulamenta a profissão de Educação Física, diz no Art. 3º:

“Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto” (Brasil, 1.998).

Há movimentos para se estabelecer uma regulamentação conjunta. A própria CBF, entidade que rege o futebol no Brasil, promove um projeto educacional que pretende, com o apoio de FIFA e Uefa, se tornar o curso oficial que permita o exercício da profissão do treinador de futebol. Mas a situação ainda permanece indefinida.

Por enquanto, o que vale mesmo é a qualificação – ou seja, competência – para determinado profissional desempenhar a função de treinador de futebol. Para isso, basta ele ter o aval da direção do clube, com ou sem chancela do CREF, ou de qualquer outra certificação.

Em 2009, por decisão da Dra. Silvia Melo da Matta, Juíza Federal Substituta, da 8ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, foi concedida a antecipação dos efeitos da tutela antecipada que garante aos técnicos e ou treinadores de futebol o livre exercício profissional.

A ação foi movida pelo SITREFESP, presidido por Mário Travaglini, que procurou salvaguardar seus associados com o direito de exercerem livremente o trabalho, sem que houvesse qualquer interferência do CREF4/SP.

Afirma a autora da decisão que a Lei 8.650/93, a qual dispõe especificamente sobre as relações de trabalho do treinador profissional de futebol, está sendo desrespeitada pelo CREF4/SP, pois está previsto em seu artigo 3º que a profissão de treinador profissional de futebol será exercida preferencialmente por portadores de diploma expedido por escolas de Educação Física, e não obrigatoriamente, como quer o CREF4/SP. Há ainda o argumento de que a Lei 8.650/93 é especifica da categoria, não cabendo qualquer tentativa de enquadramento em outra legislação ou normativa.

Além disso, o Conselho Federal de Educação Física – CONFEF e o CREF4/SP – são órgãos de representação, de disciplina, de defesa e fiscalização exclusivamente dos profissionais de Educação Física.

O técnico ou treinador de futebol não precisa estar inscrito no Conselho Federal de Educação Física e nem em Conselhos Regionais de Educação Física. Os clubes de futebol têm em seus quadros profissionais de várias áreas, entre eles médicos, fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas e preparadores físicos. Estes fazem parte da comissão técnica de uma equipe, mas cada um está sujeito à inscrição nos conselhos que representam suas respectivas categorias profissionais.

A Dra. Sílvia acatou o pedido do advogado Dr. João Guilherme Maffia, que representou o Sindicato dos Treinadores na demanda, antecipando os efeitos da sentença, garantindo assim aos técnicos e ou treinadores de futebol, associados ao SITREFESP, o livre exercício de sua profissão, independentemente de estarem inscritos no Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região de São Paulo.

O fato é que – apesar das acaloradas polêmicas – até o momento não existe no Brasil nenhum curso oficial que “autorize” alguém a ser treinador ou técnico de futebol. A eventual regulamentação que autorizaria o exercício legal da profissão simplesmente não existe. Por isso, o que se vê neste disputado mercado são clubes e instituições futebolísticas contratando os seus profissionais baseados em recomendações, indicações, experiência acumuladas ou então por suas competências específicas, e não preferencialmente a partir de sua certificação em Educação Física.

Enquanto a regulamentação não se efetiva, cabe aos profissionais e pretendentes ao exercício da profissão de treinador, qualificarem-se para bem exercer suas funções, sejam eles professores de Educação Física, ex-jogadores de futebol, ou qualquer outra pessoa que deseje seguir essa carreira.

Nesta direção e também preocupada com o movimento de regulamentação da profissão de treinador, a Universidade do Futebol se destaca ao oferecer cursos on-line e presenciais que objetivam promover a qualificação profissional dos gestores de campo (além do treinador, o assistente técnico, o preparador físico, o treinador de goleiros, o coordenador técnico, etc.), elemento indispensável para o adequado exercício de suas funções. E é sempre bom lembrarmos que qualificação profissional deveria ser pré-requisito para o exercício de qualquer profissão.

Evolução do Futebol Brasileiro: elementos para uma reflexão política


Sem investimentos em capacitação e política mais clara, que defina metas dentro de visão sistêmica e integrada dos fenômenos do esporte, seremos apenas coadjuvantes desse grande espetáculo globalizado.



João Paulo Medina*

Via de regra, um jogo de futebol é apenas um jogo de futebol, com mais ou menos importância. Mas o dia 18 de dezembro de 2011 poderia ser considerado um marco, um divisor de águas para o futebol brasileiro. A derrota da equipe do Santos – considerada por muitos, a melhor do Brasil – para o Barcelona por 4 a 0, pela final do Mundial de Clubes, foi uma aula de futebol, como afirmou de forma madura o talentoso e promissor jogador santista Neymar. Contudo, mais do que uma aula, bem que este jogo poderia ser também um ponto de partida para uma verdadeira mudança de paradigma da ainda tradicional e arcaica estrutura do futebol brasileiro.

Costuma-se dizer que o futebol imita a vida, como também se afirma que o vigor da economia de um país define sua saúde em todos os outros aspectos. Há tempos que comemoramos vários e importantes progressos em nossa economia, com reflexos sociais mais diretos na ascensão de milhões de brasileiros que estão saindo da miséria ou da linha da pobreza para níveis de vida mais dignos.

Tais conquistas, entretanto, não podem esconder o enorme atraso que ainda temos em muitos indicadores sociais, culturais, educacionais, bem como esportivos. Ou seja, não podemos nos enganar, pois ainda somos um país pobre em muitos aspectos. E para comprovar isso, basta atentarmos para o nosso nível de educação, em que somente 10% da população economicamente ativa possui um diploma universitário. Isso é muito mais baixo do que se pode encontrar, por exemplo, em países como Rússia, Índia e China, que, como o Brasil, são considerados emergentes.

Sem contar os números de nosso analfabetismo funcional, cujos dados são muito imprecisos, mas que devem chegar próximo à casa dos 50% de nossa população total. O que é trágico e vergonhoso, para dizer o mínimo.

Mas vamos, nesta breve reflexão crítica, apenas tentar entender o cenário em que se assenta o nosso atraso futebolístico atual. E não gostaria que o leitor entendesse minhas considerações como de alguém com visão pessimista que não valoriza o que é nosso e não quer enxergar nosso progresso. Não significa também que tenhamos que reassumir, diante de nações mais desenvolvidas, nosso histórico complexo de “vira-lata”. Não se trata disso, mas sim de entender que, apesar de nossas virtudes e enorme potencial, se não fizermos um correto diagnóstico de nossas mazelas, jamais nos instrumentalizaremos no sentido de superá-las de forma consistente e sustentável.

Nossas lentas, porém evidentes conquistas democráticas, têm nos permitido denunciar, contestar e debater criticamente nossos problemas sociais, talvez como nunca tenhamos conseguido em nossa história enquanto país institucionalizado. Portanto, estamos em um momento adequado para questionarmos alguns dos nossos pressupostos que nos fizeram ser o que somos. E isso vale para o país, como também para o nosso futebol pentacampeão mundial.

Não acredito mais que possamos recuperar todo o nosso atraso nos próximos dois, três ou quatro anos, até que cheguem a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016) a serem realizados no Brasil. Mas é preciso começar de verdade. E o começo começa com consciência. Em se tratando de futebol, enquanto continuarmos em dúvida se ainda somos ou não os melhores do mundo, estaremos perdendo tempo.

E uma das primeiras evidências que temos que enxergar é que nada muda do dia para a noite. Principalmente se estivermos falando de evolução social, cultural e esportiva. Não podemos resumir o desenvolvimento de um país apenas com construção de aeroportos, rodovias, ferrovias e belos estádios de futebol. Isso representa apenas uma parte, pequena – diga-se de passagem – de nosso crescimento. O principal é entender que temos condições objetivas de mudanças e isso nos permitirá tomar consciência de que para termos uma nação forte é preciso muito mais do que simplesmente algumas melhorias em nossa infraestrutura.

Mas para ficarmos apenas no terreno esportivo, cabem aqui algumas questões que teremos que resolver nos próximos anos, se é que ainda temos pretensões de estar entre os grandes do futebol mundial.

Um dos principais aspectos que tem atrapalhado muito nosso progresso nesta área é a visão empírica e superficial que ainda prevalece no futebol. Se ela foi suficiente para nossas conquistas anteriores e para sermos o que somos hoje, fica cada vez mais evidente que sem investimentos na capacitação profissional e em uma política mais clara, que defina metas de médio e longo prazos para o futebol brasileiro dentro de uma visão mais sistêmica e integrada dos fenômenos que compõem este esporte, seremos dentro de algum tempo apenas coadjuvantes dos grandes espetáculos globalizados em que se está transformando o altamente competitivo futebol profissional. Ou não foi este o papel desempenhado pelo Brasil, representado pelo Santos, na partida com o Barcelona?

Para evitarmos que isso se torne rotina é preciso que comecemos a responder algumas perguntas, urgentemente:

• Quando os nossos dirigentes vão se profissionalizar ou pelo menos se atualizar para darem conta das demandas do futebol globalizado deste século XXI, deixando de olhar apenas para o seu entorno mais próximo e cuidando apenas de seus interesses particulares?

• Quando os órgãos de comunicação vão entender o seu papel estratégico nestas mudanças e os jornalistas esportivos se prepararem melhor antes de formular seus elogios e críticas, muitas vezes estéreis e descontextualizados?

• E os treinadores? Será que vão perceber que, dentro deste novo cenário, não basta mais ter sido jogador de futebol ou mesmo ter frequentado uma Escola de Educação Física para ser um profissional bem sucedido? Quando vão entender que esta função, hoje em dia, além de certas características de personalidade, exige profundos conhecimentos sobre liderança de grupos, tática e estratégia de jogo, metodologia científica de treinamento, cultura geral, “media training”, entre outros requisitos?

• Quando os clubes, através de seus dirigentes, serão capazes de estabelecer uma política clara para seus departamentos de futebol, não só no terreno da gestão, como também no terreno técnico (sim, o dirigente tem que entender o suficiente deste aspecto para poder contratar e acompanhar seus treinadores e funcionários dentro do perfil desejado pela política estabelecida).

• E a formação de nossos jovens atletas? Será que vamos finalmente compreender que é preciso superar urgentemente a visão tecnicista que ainda predomina nas categorias de base e nas escolas de futebol espalhadas pelo Brasil, para adotarmos uma abordagem interdisciplinar formando o atleta integralmente e preparando-os para a vida profissional, pessoal e social?

• E quando as instituições que dirigem o nosso futebol (CBF, Federações, Sindicatos, Associações) serão pressionadas o suficiente para entenderem que seus interesses particulares não podem conflitar com os interesses do desenvolvimento do futebol brasileiro? E o governo, através do Ministério do Esporte, será que não poderia ajudar na formulação de uma política esportiva mais atuante para o país?

Enfim, estes são alguns dos questionamentos que precisam entrar na pauta de todos aqueles que desejam e torcem por um futebol melhor, mesmo que estas providências cheguem tarde demais para podermos disputar de igual para igual a próxima Copa do Mundo.


*João Paulo Medina é Diretor Executivo da Universidade do Futebol

Asdericel - Panamericano