quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pliometria no Futebol


Pliometria no Futebol -1

Técnica para aumentar a potência muscular e melhorar o rendimento também atua na prevenção e na reabilitação de lesões



Thiago Corrêa,Roberto Lampert,Jefferson Loss

Resumo

A pliometria é uma técnica conhecida para aumentar a potência muscular e melhorar o rendimento atlético, porém, só recentemente, sua importância na prevenção e na reabilitação de lesões está sendo discutida no âmbito do futebol. Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação mecânica, elástica e reflexa. Esse ciclo refere-se às atividades concêntricas precedidas por uma ação excêntrica rápida, cujo propósito é aumentar a força reativa do músculo pelo armazenamento de energia elástica na fase de pré-alongamento e sua reutilização durante a contração concêntrica, além da ativação do reflexo miotático. Esse trabalho de revisão de literatura tem como objetivo descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas da pliometria. Observa-se que esses exercícios são usados na fase final da reabilitação de vários tipos de lesões músculo-esqueléticas, tanto dos membros inferiores, quanto dos superiores e também na prevenção de alguns tipos de lesões, pois, acredita-se que eles são capazes de desenvolver força reativa, aumentar a resposta muscular e melhorar a coordenação neuromuscular. Conclui-se, que é fundamental para a comissão técnica de um clube de futebol conhecer o conceito e a aplicação da pliometria para o treinamento físico, na prevenção e no tratamento das lesões esportivas para poder elaborar uma periodização adequada com as necessidades do desporto.

PALAVRAS-CHAVE: Futebol, Pliometria e Treinamento.

INTRODUÇÃO

No futebol ações motoras como saltar e pequenos deslocamentos em altas velocidades utilizam uma alternância de contrações musculares, denominada de ciclo alongamento-encurtamento, ou seja, um mecanismo fisiológico cuja função é aumentar a eficiência mecânica dos movimentos, nos quais ocorre uma contração muscular excêntrica rápida, seguida, imediatamente, por uma ação concêntrica (VOIGHT et al, 2002).

Um dos meios pelo qual se aperfeiçoa o ciclo alongamento-encurtamento é a pliometria. A potência representa o componente principal de uma excelente forma física, que pode ser o parâmetro mais representativo do sucesso no futebol, um desporto que necessita força reativa e explosiva (BOMPA, 2004).

Os exercícios pliométricos são definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação elástica, mecânica e reflexa (MOURA et al, 2001). O propósito dos exercícios de ciclo alongar-encurtar ou de contra movimento é melhorar a capacidade de reação do sistema neuromuscular e armazenamento de energia elástica durante o pré-alongamento, para que esta seja utilizada durante a fase concêntrica do movimento (DESLANDES et al, 2003). Esses exercícios promovem a estimulação dos proprioceptores corporais para facilitar o aumento do recrutamento muscular numa mínima quantidade de tempo (WILK et al, 1993).

Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo descrever as bases mecânicas, elásticas e neurofisiológicas, formas de treinamento da pliometria, assim como, o seu papel e sua relevância no futebol, enquanto desporto competitivo.
Exercícios pliométricos

Existe uma grande variedade de exercícios pliométricos, os quais devem ser combinados e aplicados de acordo com a necessidade de cada esporte, um exemplo é o futebol, no qual o atleta deverá realizar exercícios para membros inferiores, pois esses atletas requerem força de impulsão para o salto e aceleração para os deslocamentos. A pliometria pode ser aplicada de forma simples, utilizando-se materiais de fácil aquisição, como caixas de madeira, cones, bolas e elásticos (BATISTAet al, 2003).

Os principais tipos de exercícios para membros inferiores são os saltos no lugar, ou seja, os membros inferiores aterrissam no mesmo lugar de onde saltaram e saltos com mudança de direção, nos quais os membros inferiores aterrissam em um ponto diferente de onde saltaram, que pode ser para o lado, para frente ou na diagonal e saltos em profundidade que utilizam caixas e requerem maior experiência, pois são mais agressivos, exigindo mais das qualidades reativas e de explosão muscular (BOMPA, 2004; CISSIK, 2004).
Bases fisiológicas do exercício pliométrico

A fisiologia do ciclo alongar-encurtar é baseada na combinação dos reflexos de estiramento muscular e nas propriedades mecânicas e, principalmente, elásticas do sistema músculo-tendíneo. Quando o músculo contrai concentricamente a maior parte da força produzida é proveniente do componente contrátil, ou seja, da interação entre os filamentos de actina e miosina e pouca energia elástica é armazenada. Como se sabe, a eficiência mecânica do trabalho muscular é de aproximadamente 25%, ou seja, somente esse valor da energia química gasta se converte em energia mecânica, movimento, e os outros 75% são transformados em energia térmica, uma energia que não interessa em termos de desempenho (MOURA, 1994). Com o ciclo excêntrico-concêntrico, o rendimento muscular é 25% a 40% maior, devido à "energia gratuita" fornecida pelo armazenamento e recuperação da energia elástica, contribuindo para a economia do gesto esportivo (BISCIOTTI et al, 2002). Porém, para que isso aconteça é necessário que se realize um pré-alongamento de pequena amplitude, grande velocidade e tempo de amortecimento bastante curto, caso contrário, muita dessa energia será dissipada em calor(MOURA et al, 2001).

Dessa forma, o exercício pliométrico é um meio que pode melhorar a força e potência muscular com recrutamento seletivo de fibras tipo IIb, haja visto que essas fibras respondem melhor ao pré-alongamento de alta velocidade e pequena amplitude (MOURA et al, 2001; COHEN et al, 2003). Portanto, os atletas de futebol necessitam o recrutamento de fibras musculares de contração rápida, o que lhes confere uma pré-qualificação importante para o desencadeamento da potenciação muscular através de exercícios pliométricos (BATISTA et al, 2003).

Segundo Wilk et al (1993), a pliometria é capaz de melhorar a eficiência neural e aumentar o controle neuromuscular. A utilização do pré-alongamento pode permitir que o atleta de futebol adquira uma melhor coordenação das atividades de específicos grupos musculares, a qual causa uma adaptação neural capaz de incrementar a produção de força reativa. O aumento da força reativa conseguida com o ciclo alongamento-encurtamento resulta tanto do armazenamento de energia elástica durante o pré-estiramento e sua reutilização como energia mecânica durante a contração concêntrica, como da ativação do reflexo miotático, porém, a porcentagem de cada um desses fatores não é conhecida (VOIGHT et al, 2002).
Utilização da pliometria na reabilitação

Os exercícios pliométricos são usados no treinamento de atletas para desenvolver força reativa, melhorar a reatividade muscular através da facilitação do reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e extra articular (MYERS et al, 2000; DESLANDES et al, 2003; HOWARD, 2005). Analisando os efeitos desses exercícios, acredita-se que estes podem ser benéficos na prevenção de lesões e também na reabilitação, principalmente de atletas de futebol (HILLBOM et al, 2005).

Esses exercícios passaram a fazer parte dos programas de reabilitação há pouco tempo (HOWARD, 2005). Os exercícios para membros inferiores, como os saltos em profundidade, são mais populares e bem mais descritos na literatura do que os para membros superiores, porém, o uso desses exercícios na reabilitação de atletas é cada vez mais comum (DAVIES et al, 2004), principalmente para goleiros de futebol. Incorpora, com isso, movimentos de específicos grupos musculares necessários para o melhor rendimento do atleta (FRONTERAet al, 2003). Esse treinamento recria o tipo de contração excêntrico-concêntrica vivida durante atividades atléticas e é parte vital da reabilitação do ombro do atleta (MYERSet al, 2000).

Bisciotti, Vilardi e Manfio (2002) relataram haver diminuição da capacidade elástica da musculatura, após lesão muscular, demonstrando a importante perda das características elásticas da musculatura extensora de joelho após a lesão e cirurgia de reconstrução de ligamento cruzado anterior, LCA, bem como, afirmaram que o elemento elástico em série possui função protetora das estruturas articulares e periarticulares em caso de brusca e repentina contração muscular, portanto, aqueles atletas que não promovem a potenciação muscular, limitam a estocagem e a restituição da energia elástica, se expondo a maiores riscos de lesões, principalmente traumáticos e na fase excêntrica do movimento.

Prentice e Voight (2003) afirmam que um fuso muscular com nível de sensibilidade baixo possui menor capacidade para superar o estiramento rápido e assim, produz uma resposta menos vigorosa. Deslandes et al. (2003) relatam que o indivíduo que realiza atividades com ciclo alongar-encurtar, ocorre uma melhor sincronização da atividade muscular e da atividade miotática, portanto, um programa de exercícios pliométricos, aumenta a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e melhorando o desempenho neuromuscular.

Parâmetros para o desenvolvimento do programa de exercícios pliométricos

A especificidade do exercício é um dos principais fatores para se obter um resultado eficaz com os exercícios pliométricos. Os movimentos específicos de cada esporte devem ser analisados pelo treinador e um programa de exercícios pliométricos deve seguir as exigências de cada desporto (PRENTICE et al, 2003; BOMPA, 2004).

Para elaborar um plano de tratamento usando a pliometria, o preparador deve estar ciente das inúmeras variáveis que afetam esses exercícios e dos objetivos que se quer alcançar com cada esporte e com cada indivíduo (DAVIES et al, 2004). As principais variáveis que devem ser estipuladas são: intensidade, volume e freqüência, porém outras variáveis, como o sentido do movimento corporal, a carga externa e o repouso, devem ser consideradas (PRENTICE et al, 2003).

O aumento da velocidade de execução do exercício aumenta a demanda de treinamento sobre ele, portanto, quando um novo exercício pliométrico é iniciado, deverá ser feito em velocidade e em um tempo de amortização menores, até que o atleta esteja pronto para progredir (NUTTING, 2004).

Não há consenso quanto ao volume, intensidade e freqüência ideais tanto para treinamento ou a reabilitação de atletas, porém é sabido que diferentemente do treinamento desportivo, no qual os exercícios chegam a um nível máximo, os exercícios pliométricos na reabilitação podem chegar a níveis submáximos (DAVIES et al, 2004).

Andrews, Harrelson e Wilk (2000) orientam a aplicação desses exercícios numa freqüência de no máximo 2 a 3 vezes por semana. O tempo de repouso é uma variável muito importante a ser considerada, haja visto que a pliometria pode causar fadiga, que é o resultado do esgotamento de energia contida nos músculos, como o ATP e o fosfato de creatina e também pela produção e acúmulo de ácido lático (BOMPA, 2004). No momento em que ocorre a fadiga, o controle motor fica deficitário e os efeitos do treinamento se perdem (PRENTICE et al, 2003). Por ser a pliometria um exercício de impacto, que envolve várias articulações, o alinhamento corporal correto deve ser orientado e corrigido pelo preparador. O excesso de exercícios sem um período de repouso adequado, assim como a aplicação da pliometria em fase inicial do tratamento são fatores que podem piorar a lesão ou até mesmo causar novas lesões (DESLANDES et al, 2003).

Na pliometria, podem ser geradas cargas biomecânicas extremas e o tecido conjuntivo dos pés, tornozelo, quadril e discos intervertebrais amortecem o choque para dissipar o estresse imposto por um salto. As lesões ocorrem quando forças exteriores agem nas articulações, excedendo a integridade estrutural dos músculos, ossos, e tecidos conjuntivos, por isso um programa de treinamento de força deve ser realizado antes do início dos exercícios pliométricos e deve envolver tanto a musculatura dos membros, como os estabilizadores da postura, como os abdominais e extensores da coluna (BOMPA, 2004).

Conclusão

A literatura tem demonstrado que o treinamento pliométrico influência na resposta reativa muscular, melhorando a sincronização da atividade muscular e da atividade miotática. Nesta perspectiva, um programa de exercícios pliométricos, deve aumentar a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e aprimorando o controle neuromuscular.

A literatura destaca a pliometria, além de um importante instrumento na reabilitação de lesões, como efetiva na prevenção destas, pois um bom controle motor atua como um mecanismo protetor capaz de ativar as vias de estabilização reflexas, feed foward, ocasionando uma resposta motora mais veloz diante de forças ou traumas inesperados. A pliometria é, portanto, uma forma de se obter força reativa e melhorar a propriocepção ao mesmo tempo.

A possibilidade de utilizar a pliometria como atividade estimuladora da potenciação muscular, surge como uma alternativa interessante aos treinadores de futebol. Entretanto, é fundamental para o preparador físico conhecer o conceito e a aplicação da pliometria no treinamento, na prevenção e no tratamento das lesões esportivas, para que possa elaborar um programa seguro e eficiente.

*Thiago Corrêa Duarte, Acadêmico, ESEF/ UFRGS
Roberto Lampert Ribas, Acadêmico, ESEF/ UFRGS
Jefferson Fagundes Loss, Ph.D., ESEF/ UFRGS



Como Treinar Pliometria no Futebol


Como Treinar Pliometria no Futebol?





Para atleta mais avançado que domina técnica do salto em profundidade, desafio será encontrar a altura ideal

Antes de iniciar um treino pliométrico é importante que seja feito um período de adaptação. Isso porque esse tipo de treino exige grande componente neuromuscular que ao ser desprezado aumenta a chance de ocorrência de lesão.

Embora a pliometria possa ser realizada por homens e mulheres de diferentes idades e categorias, alguns cuidados precisam ser tomados.

O ponto mais crítico do treinamento pliométrico é a técnica e, por esse motivo, realizar trabalhos educativos desde as categorias de base é fundamental. Entre os exercícios educativos que podem ser realizados com esse intuito encontram-se saltitos ou saltos com uma das pernas; com as duas pernas de forma alternada ou simultânea; com ou sem flexão de joelhos; somente com flexão e extensão de tornozelos; em terrenos de aclive ou declive; sem ou com obstáculos (plintos, cones, barreiras, bancos, etc.); com ou sem mudança de direção; com deslocamento frontal ou lateral; com ou sem carga externa.

A Figura 01 representa de forma esquemática de alguns tipos de saltos pliométricos.




Figura 01 - Exemplos de saltos pliométricos.

Esses exercícios podem ser usados como parte de aquecimento do treino ou também podem compor uma parte específica da sessão.

Para atletas mais avançados que já dominam a técnica do salto em profundidade, o desafio será encontrar a altura ideal de cada salto. É importante lembrar que o foco desse treino é fazer com que o atleta geralmente passe por quatro fases: i - queda rápida; ii - amortecimento breve; iii - restituição de energia elástica de forma rápida, e; iv - novo salto no menor tempo possível e o mais alto possível.

Quando se tem plataformas de contato que estimam a altura do salto, determinar cada uma dessas fases fica mais simples. Para aqueles que não as possuem, a solução é encontrar a altura ideal de salto pelo método de tentativa e erro. Se esse é o seu caso, faça a observação minuciosa da técnica e verifique o que está ocorrendo com a altura do salto. Se a mesma estiver aumentando, então a altura desejada ainda não foi alcançada e mais algumas tentativas precisam ser realizadas até que você encontre a altura ótima. Se a altura do salto estiver diminuindo, então você deve cessar as tentativas e escolher o salto em que o atleta alcançou a maior altura.



                                            

Lembre-se que o contato com o solo também é importante. Mas como a olho nu este tempo de contato é imperceptível, crie condições para que seu atleta saia do chão no menor tempo que ele conseguir. Você pode pedir para ele imaginar que está saltando sobre brasas ou melhor ainda será colocá-lo para saltar em declive.

O treino deve ser breve e nos primeiros sinais de fadiga os exercícios devem ser imediatamente interrompidos. Caso isso não ocorra, a efetividade do treino será perdida e o atleta estará mais propenso a se lesionar.

Quanto ao número de vezes na semana que a pliometria deve ser praticada, alguns estudos demonstram que apenas um estímulo por semana já é capaz de melhorar algumas variáveis de performance. No geral, realizar esse tipo de treino duas vezes por semana já é mais do que suficiente. No entanto, essa quantidade irá depender das condições e dos objetivos que se tem para cada jogador.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Análise de Desempenho no Futebol


A Análise de Desempenho no Futebol

Parte II: informações de jogo



Analista precisa mostrar o jogo e dar informações reais, pontuais e que ajudarão time nas vitórias e na formação

Na parte I da trilogia da análise de desempenho, vimos algumas das funções do analista e a interação entre vários tipos de dados.

Na segunda parte da série, gostaria de discutir com vocês a respeito das informações de jogo.

No jogo, por ele ser imprevisível, caótico, complexo, etc., muitos dados podem ser coletados e se transformar em informações para os jogadores, técnicos, preparadores físicos, árbitros, público e assim por diante.

É possível, por exemplo, coletarmos os dados de scout e apresentar para a comissão técnica um relatório com informações técnicas da equipe, como passe.

Vamos utilizar o exemplo do passe e ver como o mesmo pode nos trazer algumas informações do jogo.

Em um relatório X, vejo que a equipe A teve um aproveitamento de passe de 85%.

O que isso me mostra?

Quase nada!

Apenas com essas informações tenho poucos recursos para avaliar o jogo e fazer algum tipo de intervenção na prática, justamente por mostrar apenas uma parte descontextualizada do jogo (!).

Vamos tentar transformar esse dado em uma informação um pouco mais valiosa, se é que podemos dizer isso.

Então, tenho um dado que mostra que a equipe A tem 85% de aproveitamento de passes, contudo vejo que 70% dos mesmos são para trás ou para o lado e mais da metade deles (dos 70%) ocorrem no campo de defesa.

O que esse dado começa a me mostrar?

Que a equipe A tem um bom aproveitamento de passes, mas os mesmos ocorrem para trás e para o lado e no setor defensivo.

Continuo tentando dar sentido aos dados...

Olhando para o jogo vejo que o adversário, equipe B, tem como princípio de defesa impedir progressão atrás da linha 3 (meio-campo) e na transição defensiva os jogadores mais próximos à bola retardam a jogada, enquanto os demais voltar para trás da linha do meio-campo.

A equipe A, por sua vez, na transição ofensiva buscar tirar a bola da zona de pressão e logo inicia um jogo de manutenção da posse em seu campo defensivo e só progride em momentos em que cria superioridade numérica nos setores laterais do campo.

Olhando ainda para os dados vejo que nas regiões laterais do campo próximas à intermediária ofensiva há dois dados distintos em relação ao aproveitamento de passes. Enquanto no lado direito o aproveitamento passa dos 65% em passes para frente, do lado esquerdo esse valor não chega aos 30%.

Indo mais a fundo, vejo que do lado direto há um adversário na linha do meio que não está integrado ao processo e não estrutura bem o espaço em sua região. Por esse fato, a linha defensiva se posiciona a fim de compensar essa falha do jogador.

Por sua vez, essa compensação leva a uma perda do equilíbrio horizontal e os dados mostram que os lançamentos do lado direito para o lado esquerdo da defesa no campo ofensivo tiveram um aproveitamento de 50%.

Quando a equipe virava o jogo corretamente (da direita para a esquerda) e o jogador que recebia a bola buscava a progressão (45% das vezes), a equipe conseguiu criar três jogadas que acabaram em finalizações; em uma delas inclusive o gol aconteceu...

Vejam: de um dado de aproveitamento de passes conseguimos chegar ao gol!

O grande segredo é transformar os dados em informações valiosas.

O analista de desempenho precisa mostrar o jogo e dar informações reais, pontuais e que ajudarão a equipe a ganhar jogos ou a formar atletas melhores!

Dar apenas um pedaço do todo não é o suficiente!

Por isso volto a afirmar que isso é só o começo...

Espero que continuemos com bons mestres para que a cada dia aprendermos mais sobre a essência do jogo e para além disso!

A informação se encaixa?

Até a próxima.


A Análise de Desempenho no Futebol


A Análise de Desempenho no Futebol

 Parte I: Dados Gerais



Desempenho de um jogador não se resume às ações “táticas” ou ao posicionamento em campo. É muito mais

Depois da trilogia do Felipão, vamos agora para a série sobre a análise de desempenho!

Nos últimos anos, a análise de desempenho vem ganhando cada vez mais espaços no âmbito esportivo.

Em algumas modalidades, o papel da análise se configura com um dos pontos centrais da performance, como no futebol americano, beisebol, basquete, vôlei, futsal, atletismo, e assim por diante.

Assistindo a algumas partidas de vôlei da Superliga Nacional, notei que muitos treinadores ficam com seus tablets ao lado da quadra (alguns deixam com seus auxiliares) recebendo informações instantâneas sobre onde estão sendo os saques do adversário, onde os pontos estão acontecendo, onde a bola está passando pelo bloqueio, etc.

Será que tudo isso é importante? Será que ganha jogo?

No futebol, a análise de desempenho vem a algum tempo ganhando espaço, principalmente após a contratação do analista Rafael Vieira pela CBF. Quando o mesmo foi apresentado como membro da comissão de Mano Menezes, muitos se perguntaram o que esse profissional faria.

Mas o que ele faz?

Bom, neste ano iniciei um projeto piloto na base do clube e gostaria de compartilhar algumas reflexões e mesmo dúvidas sobre essa função.

No meu primeiro dia como analista de desempenho levantei as funções que pensei ser relevantes se tratando de formação e de resultado.

A lista é extensa.

De uma maneira geral, as funções giram em torno da análise individual dos atletas em treinos, jogos e fora do campo; análise coletiva da equipe em jogos e treinos; análise do adversário individual e coletivamente.

Dentro dessas funções, temos subdivisões que vão desde a análise comportamental do atleta até a análise das suas ações no jogo com controles subjetivos, quantitativos e qualitativos de seu desempenho.

Desempenho que precisa ser entendido com algo complexo, onde as variáveis são fractais do desempenho.

Por exemplo, em um controle hipotético de deslocamento do atleta, vejo que ele percorreu 6,320 km em um período de 80 minutos. Pelos parâmetros utilizados observo que é uma distância relativa baixa; contudo, com a análise do jogo, posso identificar que minha equipe recuperava a bola muito rapidamente e economizava energia para chegar ao gol adversário. Além disso, esse atleta ocupa muito bem o espaço e é ponto fundamental para a progressão da equipe com bola. Analiso também que mesmo tendo um volume total de deslocamento não tão alto. Suas ações de alta intensidade estão na média do grupo, ou seja, um dado apenas pode visto fragmentado do todo: complexidade.

O desempenho de um atleta de futebol não se resume as ações “táticas” ou ao posicionamento em campo. Ele é muito mais do que isso.

Analisar o desempenho do atleta é compará-lo com ele mesmo em toda a sua essência e verificar como cada variável está interagindo com as demais.

Depois de tudo isso é preciso ainda gerar as informações e os relatórios para os diversos departamentos do clube. Cada um deles precisa de um tipo de informação baseado nos próprios dados que eles fornecem para o analista que tem o papel integrador da informação. Ele deve agir como um ser transdiciplinar dentro do clube.

Mas e as informações para o treinador?

O que é importante para ele ganhar os jogos?

Muitas informações!

Mas não todas!

Como diria Renato Russo:

“Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.”

Isso é a análise de desempenho.

Em próximas colunas continuo essa discussão.

Até a próxima.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Jogos Reduzidos versus Jogos Condicionados






Jogos Reduzidos versus Jogos Condicionados



Vantagens e desvantagens destas metodologias de treinamento



Paulo Cesar do Nascimento*

Cada vez mais, os profissionais da área têm procurado alternativas para aprimorar e especificar a prescrição e o controle do treinamento no futebol a fim de acompanhar a evolução dos aspectos físicos e táticos da modalidade. Nos esportes coletivos de características intermitentes, existe uma tendência a buscar métodos que possam aprimorar as capacidades físicas juntamente com as qualidades técnicas e táticas a partir do método global ou integrado. Nesse contexto, os jogos reduzidos aparecem como uma proposta interessante de treinamento para o aprimoramento da performance de jogadores de futebol (BANGSBO, 1994; DRUST; REILLY, 2000; IMPELIZZERI et al., 2006; HILL-HAAS et al., 2011).

Apesar da constatação da importância que aplicação de jogos reduzidos possui para o aprimoramento da performance de atletas de modalidades intermitentes, ainda há uma lacuna na literatura científica de estudos que analisaram o efeito desse modelo de treinamento no futebol.

Alguns estudos encontrados na literatura científica investigaram métodos específicos a partir de jogos reduzidos no futebol e os efeitos nas qualidades físicas da modalidade (DRUST; REILLY, 2000; REILLY; GILBOURNE, 2003; IMPELIZZERI et al., 2006).

Impelizzeri et al. (2006) compararam o efeito do treinamento de jogos reduzidos com o modelo de corrida intervalada de alta intensidade (4 séries de 4 minutos a 90 % a 95 % da frequência cardíaca máxima com recuperação ativa de 3 minutos para ambos os métodos), duas vezes por semana em jogadores adolescentes de futebol. Este trabalho demonstrou que o treinamento no modelo de jogos reduzidos realizado nessa intensidade da frequência cardíaca máxima - FCmáx (90% a 95%) proporcionou melhoras na capacidade e potência aeróbia dos atletas de forma similar ao método de corrida intervalada. Dessa forma, constata-se que é possível encontrar faixas de intensidades de esforço durante os jogos reduzidos que possibilitem o treinamento nos diferentes domínios fisiológicos (moderado, pesado e severo), para melhorar o condicionamento aeróbio e a performance dos atletas (BANGSBO, 1994; DRUST; REILLY, 2000; REILLY; GILBOURNE, 2003; HILL-HAAS et al., 2011).

O treinamento no modelo de jogos reduzidos pode alcançar uma intensidade de exercício adequada para melhorar tanto o condicionamento específico de modalidades intermitentes (testes de campo), como variáveis aeróbias, assim como o consumo máximo de oxigênio (VO2max) e os limiares de transição fisiológica (DA SILVA et al., 2011). Assim, a preparação física deve ser baseada na realização de exercícios específicos da modalidade, visto que os mesmos resultarão em modificações anatômicas e fisiológicas que se relacionam as necessidades da mesma (DA SILVA et al., 2011).

Assim, esse tipo de treinamento parece ser uma alternativa eficiente para aprimorar a performance aeróbia em esportes coletivos, ativando grupos musculares que são requeridos durante os jogos (IMPELIZZERI et al., 2006), tendo benefícios tais como: reproduzir as demandas de movimentação, intensidade fisiológica e a técnica requerida para jogar uma partida (HILL-HAAS et al., 2011; DA SILVA et al., 2011).

Entretanto existe uma confusão na prática por parte dos profissionais na aplicação dos jogos reduzidos e dos jogos condicionados. Entre os adeptos da primeira metodologia muitos utilizam somente (ou como foco principal) com ênfase no aprimoramento físico. As principais regras impostas durante a aplicação desta metodologia (espaço reduzido, menos elementos envolvidos e numero de toques na bola limitados para cada jogador) são estritamente para o controle da relação volume/intensidade. Ainda há aqueles que utilizam os jogos reduzidos dentro da metodologia do treinamento integral, como parte de um aprimoramento físico específico.

Com os chamados jogos condicionados, que se convencionou assim dizer a partir de algum tempo atrás, mas na verdade nada mais são que os jogos desportivos coletivos, os já então conhecidos como JDC’s, os quais foram propagados em grande parte pelo professor Garganta e seus colaboradores (do grupo de estudo da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto - FADEUP), mas que surgiram originalmente com o professor Claude Bayer com a obra que impulsionou essa discussão “O ensino dos desportos coletivos” (1994) publicada originalmente na França em 1979.

Importante ressaltar esta nova forma de conceber o ensino do esporte coletivo, iniciada por Claude Bayer e ampliada pelos autores portugueses, vem rediscutindo a técnica aliada à discussão da tática. Mais tarde, na década de 1990 surgiu o trabalho “O Ensino dos Jogos Desportivos”, coletânea organizada por Amandio Graça e José de Oliveira de 1995, fruto do trabalho do Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, da FADEUP.

Diferente da maneira que os jogos reduzidos são vistos ou aplicados, os jogos condicionados ou JDC’s podem de maneira semelhante, a partir do uso das mesmas regras (espaço reduzido, menos jogadores e numero de toques na bola limitados) aprimorarem o condicionamento físico dos atletas de futebol, mas não necessariamente dessa forma, pois podem ser realizados com a ótica do jogo formal adaptado.

Além disso, esta metodologia extrapola o aprimoramento físico/técnico, alcançando um aprimoramento tático e de tomada de decisão dos jogadores. Com normas estabelecidas e regras que busquem um objetivo para a atividade, seja ele qual for aprendizagem/fixação dos princípios táticos de jogo ou como agir frente a determinadas situações da partida dentro do modelo de jogo da equipe, os jogos condicionados geram um aprendizado e

stratégico/tático com sua aplicação.

Para Da Silva (1998) a construção do conhecimento nos jogos condicionados se deve edificar a partir de perspectivas que se focalizem na lógica interna ou natureza do jogo. A lógica interna do jogo é o produto da interação contínua entre as principais convenções do regulamento e a evolução das soluções práticas encontradas pelos jogadores, decorrentes das suas habilidades táticas, técnicas e físicas.

Dessa forma, se os jogos reduzidos forem conduzidos com objetivos bem determinados quanto aos princípios táticos ou idealizado com intenção de uma evolução de aprendizagem dentro do modelo de jogo pretendido, nada mais é, ou tornam-se jogos condicionados. Ainda é preciso criar nos atletas a consciência da natureza do jogo, que é além de outras características, imprevisível. Por isso, ao buscar criar/idealizar um jogo condicionado é preciso saber que deve haver uma liberdade para a tomada de decisão por parte dos atletas e também serão necessárias alternativas ou variações da atividade para proporcionar um aprendizado aprimorado. Agora vejamos o exemplo a seguir:


Este é um exemplo de uma atividade de jogo condicionado para introduzir para uma atividade mais próxima do jogo formal. Joga-se em um espaço próximo de 2/4 de campo com um numero de elementos de 7x7 mais goleiros (numero dependente do esquema tático adotado).

Divide-se o campo de jogo em quatro setores e por ser um exercício introdutório tem um caráter mais abrangente com objetivo principal de trabalhar a compactação e os blocos defensivos e ofensivos e/ou unidade defensiva e ofensiva para preparar para exercícios mais específicos de acordo com o planejamento. Para tal a regra mais importante é a de que tanto a equipe que ataca quanto a que defende deve estar nos dois setores mais próximos da bola.

Após esse primeiro momento, deve-se ir introduzindo variações tais como a transição rápida para os dois setores ofensivos em um determinado tempo ou numero de toques na bola com ou sem posse de bola em um segundo momento, e num terceiro momento a realização da pressão para retomar a posse da bola no setor onde ela foi perdida. Deve-se também criar diferentes pontuações para o gol e para cada regra adotada afim de estimular mais a prática e o aprendizado. Importante também são os momentos de reflexão entre as atividades para conferir o nível de entendimento de cada jogador.



Exemplo 2:


Esta atividade é um exemplo de jogo condicionado mais complexo, ou seja, muito próximo da ótica do jogo formal (provavelmente muitos discordem que se assemelhe dos jogos reduzidos). No exemplo acima joga-se em 10 atletas contra 8 mais o goleiro. O objetivo principal da atividade é o trabalho da defesa a zona. Para isso divide-se o campo de defesa em setores (3 na horizontal e 3 na vertical, linha pontilhada). Os princípios táticos que podem ser trabalhados como objetivo do exercício são a unidade defensiva, contenção e cobertura defensiva, e os sub-princípios tais como concentração defensiva, ataque a ala da bola, dobras de marcação, entre outros.

A intenção da atividade é que os atletas formem as duas linhas de quatro (dependente do esquema tático) da maneira mais adequada possível as situações de jogo e aplicando os princípios e sub-princípios desejados. Para tal coloca-se regra de que a equipe que defende precisa estar dentro dos dois setores mais próximos do local onde está o portador da bola.

Além disso princípios ofensivos também são trabalhados, tais como infiltração e apoio ofensivo. Ainda a equipe que defende o gol na trave normal ataca três traves pequenas (golzinhos). O objetivo é fazer a equipe entender como armar o contra-ataque e/ou transição ofensiva da melhor e mais rápida maneira possível. Para isso pode-se colocar regras tais como o gol pelas laterais vale mais do que pelo meio, certo numero de toques para chegar ao meio de campo ou um tempo determinado.

Como é uma atividade que aborda vários aspectos deve-se ter o cuidado quanto em que momento aplica-lá no planejamento e quanto ao feedback ou correção dada aos atletas, pois é comum corrigir os aspectos que não são o objetivo principal do exercício.

Adicionalmente, com a utilização desse método as habilidades técnicas e táticas são envolvidas e treinadas em condições similares dos jogos, ou seja, um treinamento específico do esporte que promove uma efetiva transferência ao ambiente competitivo (BANGSBO, 1994; HILL-HAAS et al., 2011).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

BANCO DE JOGO


Banco de jogos - jogo 1



Jogo de compactação e flutuação, em campo dividido entre áreas em seis faixas verticais e oito horizontais

Caros leitores,

em cinco colunas, abordei o tema currículo de formação do atleta de futebol. Nestes materiais, estão inseridos os conteúdos que um grupo de profissionais de um clube formador do estado de SP aplica em todas as suas categorias, visando à formação de atletas de alto nível, tanto para o departamento profissional, como para negociação com outros clubes.

Em colunas futuras, alguns temas e sub-temas serão aprofundados propondo uma discussão em relação à importância de trabalhá-los para melhorar o desempenho das equipes. E, também, como será feito na presente semana, diversos jogos (conceituais ou conceituais em ambiente específico) serão descritos com o intuito de ilustrar o currículo e de auxiliá-los numa possível intervenção prática no aperfeiçoamento de determinado(s) momento(s) do jogo.

O jogo que será descrito abaixo, como vocês já devem saber, não é pra ser utilizado como receita, desvinculado do contexto da equipe e com a simples e insensata aplicação das regras que serão expostas.

A reflexão que esta coluna propõe consiste na interpretação dos elementos do jogo que permitem que esta atividade seja, de fato, de compactação e flutuação. Mais do que o desejo do treinador para que ambas ocorram, deverá ganhar este jogo (e todos os demais que eu venha apresentar) a equipe que melhor cumprir sua lógica. E, dentre as ações que serão necessárias para cumprir a lógica deste jogo, encontram-se a compactação e flutuação.

Jogo conceitual em ambiente específico de compactação e flutuação


- Campo dividido entre áreas em seis faixas verticais e oito faixas horizontais;

- Com isso, ocorrerá a formação de retângulos com aproximadamente 8,5m de cumprimento x 11,5m de largura;

- Tempo de atividade (incluindo esforço e pausa) a critério da comissão técnica, em função dos objetivos (fiscos, técnicos, táticos, emocionais) desejados;

Plataforma de jogo - equipes A e B - 1-4-2-3-1

Regras do jogo

 Ultrapassar pelo menos uma faixa horizontal através da condução ou de um passe, entre as linhas 4 e 3 do campo, sem que a equipe que defende tenha três linhas de jogadores (centrais e laterais - volantes e meias abertos - meia centralizado e atacante) nos setores (retângulos) horizontais e verticais consecutivos em relação à posição da bola = 1 ponto.

Veja os exemplos:




Após fazer um passe que ultrapassou uma faixa horizontal, 1 ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das três linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.




Após fazer um passe que ultrapassou uma faixa horizontal, não há ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das três linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.




Após fazer um passe que ultrapassou duas faixas horizontais, 1 ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das três linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.





Após fazer um passe que ultrapassou duas faixas horizontais, não há ponto para a equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das três linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

 Ultrapassar pelo menos uma faixa horizontal através da condução ou de um passe, à frente da linha 3 do campo, sem que a equipe que defende tenha duas linhas de jogadores (centrais e laterais - volantes e meias abertos) nos setores (retângulos) horizontais e verticais consecutivos em relação à posição da bola = 2 pontos.

Veja os exemplos:



Após conduzir a bola e ultrapassar uma faixa horizontal, 2 pontos para equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) não tem o posicionamento das duas linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.




Após conduzir a bola e ultrapassar uma faixa horizontal, não há ponto para equipe A (Azul), pois a equipe B (Verde) tem o posicionamento das duas linhas de jogadores em setores horizontais e verticais consecutivos.

 Fazer o gol e a equipe que sofreu ter pelo menos nove jogadores à frente da linha 2 do campo = 10 pontos;

 Fazer o gol e a equipe que sofreu ter menos do que nove jogadores à frente da linha 2 do campo = 15 pontos.


Veja os exemplos:


Nesta primeira imagem, o gol da Equipe A (Azul) vale 10 pontos e, na segunda imagem, 15 pontos.

Estou aberto para dúvidas, sugestões, comentários e críticas através do e-mail. Quem achou que o jogo tem muitos detalhes ou muitas regras, não esqueçam o princípio da progressão complexa. Este jogo pode começar a ser construído do mais fácil para o mais difícil, por exemplo, somente com faixas horizontais, ou com faixas verticais e até mesmo com retângulos (setores) maiores do que 8,5m x 11,5m.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Controlar as ações do jogo! Fins ou meios?


Vamos refletir sobre quais posturas contribuem para o controle das ações do jogo e se há algo “maior” por trás do que é abordado no cotidiano

Leonardo Gondim*

Nesta saudável discussão, fugindo um pouco da seqüência que venho abordando (organizações defensivas), penso em discutir dois fatores que podem ser importantes para a conquista do controle das ações do jogo: a marcação pressão e a posse de bola, juntamente com o intuito de esclarecer se os mesmos funcionam e são vistos como meios ou fins dentro do processo do jogo.

Vejo que, em determinadas análises, deixamos de lado o objetivo principal do jogo, aquele que está determinado pelas regras do mesmo, ou seja, a lógica do jogo (ou qualquer outro nome com o qual queiramos defini-la), a busca incessante por pontuar mais que o adversário.

Com o “advento Barcelona”, a mídia se preocupa excessivamente mais com posse de bola, pressão direta e aguda, velocidade do jogo e outros, do que com a necessária efetividade. De forma alguma quero dizer que a equipe catalã não o seja, muito menos que os meios citados não sejam decisivos; porém, não podemos esquecer que ganha aquele que marca mais gols. Algo a nos atentarmos, pois é que sem a tal efetividade, as ações se tornam inespecíficas ao jogo. Isso será abordado mais a frente.

Enfim, pensando em pontuar mais que o oponente e, ao meu pensar, sofrer a menor quantidade de gols possível, vamos refletir sobre alguns fatores que podem conferir controle às ações do jogo.

Abordo inicialmente um conceito voltado à organização defensiva: pressão coletiva ou pressing, como queiram. Podemos entender como uma ação coletiva que prima por dificultar ou impedir a organização ofensiva da equipe contraria, isto é, não deixar o adversário criar.

Pensemos de forma mais profunda: por que pressionar? Onde pressionar? Como pressionar?

Tais perguntas foram feitas por um companheiro de equipe universitária que tive e que, pensando racionalmente, fazem todo o sentido dentro de um contexto de marcação pressão. Então, vamos analisar um dos diversos métodos que podemos encontrar de pressão.

Equipe: Manchester City / Treinador: Roberto Mancini

A equipe de Mancini, quando em situação de pressão em zona alta (linha defensiva do adversário), atua com três jogadores (centroavante e dois pontas) na primeira linha de pressão, no intuito de induzir o adversário a conduzir a bola para as laterais do campo.

Seu setor de meio de campo é preenchido por três jogadores em forma de triângulo (um volante fixo a frente da defesa e dois volantes/meias mais avançados), no qual os dois avançados atuam em abordagem individual e direta, e o volante fixo, realiza coberturas para os dois que avançam.

A última linha (zagueiros e laterais) atua de modo a observar a ação dos três atuantes em pressão alta, ou seja, se os mesmos estão abordando intensamente e próximos dos defensores adversários, avançam e compactam a equipe; mas se a abordagem está distante (favorecendo uma bola longa, por exemplo), recuam e ocupam sua metade do campo de forma mais cautelosa.

Na imagem a seguir notamos os dois alas, o centroavante e os dois volantes mais avançados mantendo um posicionamento muito adiantado em relação ao seu próprio campo defensivo. Além disso, pode-se observar o retorno do lateral-esquerdo, que havia acabado de participar do último momento ofensivo da equipe.


Na imagem abaixo, nota-se que o ponta direito (circulado em preto) não atua na abordagem, ou seja, a mesma perde sua efetividade e, em conseqüência, a última linha defensiva recua, evidenciando uma alteração no método de organização defensiva, que passa a ser zonal e não pressionante.




Ainda sobre a figura acima, de acordo com a mudança de postura oriunda da primeira linha ofensiva, os jogadores alteram, também, a distribuição física dentro do campo, passando a um compacto 1-4-4-2.

Segundo o próprio treinador, o ato de pressionar depende muito do adversário em questão e tem como principal objetivo não permitir que a equipe contrária se organize para pensar em seu momento de criação.

Podemos concluir, então, de acordo com as três perguntas citadas anteriormente, que Mancini orienta sua equipe a pressionar para impedir a organização ofensiva do adversário, preferindo que essa pressão tenha inicio (e resultado positivo – recuperação da bola) na primeira linha defensiva do adversário, independente de onde esta esteja localizada.

Por fim, a equipe realizará a ação com três jogadores atuando como primeira linha de pressão (centroavante e dois pontas), de modo a induzirem o adversário para as laterais do campo, onde os meio-campistas e laterais estão orientados a avançar e pressionar (se estiverem ao mesmo lado da bola) ou compactar horizontalmente (se estiverem do lado oposto ao da bola).

Essa é apenas uma das formas de se organizar uma ação de pressing. À parte sua efetividade, nota-se que o processo possui referências e orientações, o que julgo ser o mais importante dentro possível permitido pela imprevisibilidade do jogo, além de representar a importância do “dedo” do treinador.

Reforçando as palavras de Roberto Mancini, atuar de modo a pressionar o adversário parece ser um bom meio de assumir o controle das ações do jogo, porém, é um processo que exige muita organização e responsabilidade de todos os atletas da equipe.

Outro fator muito comentado e valorizado nas rodas de discussão ou mesmo pela mídia é a importância da porcentagem da posse de bola. Exemplo maior, a esmagadora superioridade estatística que a equipe do Barcelona impõe, neste quesito, aos seus adversários.

Neste ponto, proponho uma discussão simples, apoiada, em sua maioria, em conversas e reflexões com colegas de profissão.

Pensando em um momento de organização ofensiva, momento este em que a equipe possui a bola e visa, seguindo o objetivo do jogo, pontuar, o que seria mais importante: a posse de bola? A quantidade de toques certos? Vamos discutir!

Para ilustrar, proponho a analise de dois vídeos da equipe com maior referência quanto à posse de bola, o Barcelona:



Notemos que a equipe catalã busca, na maioria de seus passes, encontrar jogadores que estejam e maior profundidade, em relação ao portador da bola, e que, somente quando isso não é possível, ocorre um passe para trás ou para o lado. Temos que as construções dos ataques são baseadas em passes que, ao mesmo tempo, afastam a bola da zona de recuperação/pressão e conferem mínima profundidade à equipe.

Na seqüência, temos uma ação ofensiva constituída, em sua maioria, por passes para frente e, quando isso não acontece (poucas vezes), o passe seguinte é realizado em velocidade e com maior profundidade que os anteriores. Guardemos essas informações.

Em um antigo vídeo intitulado “Tiene sés segundos” (atualmente fora do ar, dentro do blog paradigmaguardiola.blogspot.com), nota-se a intensidade com a qual a equipe do Barcelona busca recuperar a posse após a perda da bola, o intuito é que tal fato ocorra o mais rápido possível. “Mas qual a relação deste tema com o que estamos refletindo agora?”, vocês podem estar se perguntando.

Vamos lá, em uma rápida análise, porém, profunda, podemos concluir que a obrigatoriedade de recuperação de posse inúmeras vezes sinaliza que a equipe perdeu a bola, também, inúmeras vezes. Ao que não nos atentamos é: em quais condições essas perdas ocorreram?

Observando alguns vídeos que retratam a intensidade em ações de recuperação da bola que margeia o momento sem posse da equipe catalã, vemos que as perdas são caracterizadas por tentativas de passes em profundidade, ações de “1 contra 1” com objetivo frontal, lançamentos em profundidade ou passes curtos para frente. Logo, existe a tentativa de manutenção da posse de bola, porém, a mesma consiste em um “estágio” para se chegar à meta, às finalizações: o jogar para frente.

Assim como pressionar de modo a impedir as organizações ofensivas do adversário, ter a posse de bola aparenta ser um importante meio para se chegar à conquista do controle das ações do jogo. Poderia parar por aqui minhas reflexões, porém, há algo maior que estamos esquecendo.

Concluindo e interpretando os dois textos, quero demonstrar que a equipe de Pep Guardiolla (em breve Tito Villanueva) possui uma grande porcentagem de posse de bola em seus jogos e que exerce uma pressão agudíssima aos mesmos. Porém, também possui essa vantagem estatística em quantidade de finalizações, quantidade de finalizações certas e, por último, quantidade de passes CERTOS e ERRADOS para FRENTE!

Ou seja, a pressão em qualquer zona do campo, a recuperação da bola, a manutenção de posse, os passes certos e muitos outros, são meios de se obter o objetivo/fim máximo do jogo, aquele mesmo que, em certas discussões ou abordagens da mídia esportiva, está sendo deixado de lado: pontuar, marcar, guardar, fazer gol!

Por fim, defendo que qualquer equipe e treinador devem possuir meios muito claros e bem treinados, porém, esses devem ser formas de se atingir a lógica única do jogo, que ainda consiste em pontuar mais que o adversário.

O que vocês acham? Peço que opinem e questionem. Vamos enriquecer essa discussão?

“O conhecimento único, verdadeiro e absoluto é aquele que nos leva ao insucesso!”

Asdericel - Panamericano