quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Recuperação da Posse de Bola


 


Recuperação da Posse de Bola: atividades práticas

 

Processo deve ser sistematizado no treino. Gritar à equipe não tem utilidade: oriente só no que for preciso

Dentro do modelo de jogo, temos várias referências que orientam a ação coletiva dos atletas, e podemos destacar os princípios operacionais, que inclusive já abordei bastante em colunas anteriores. Esses princípios orientam a ação dos atletas nos diferentes momentos do jogo. Sendo assim temos os princípios de ataque, os de defesa e os de transição (defensiva e ofensiva).

Na coluna desta semana, vamos focar nos defensivos.

No momento defensivo, segundo Bayer (1994), temos três princípios operacionais:

- Proteção efetiva da meta defendida
- Impedir progressão da equipe e da bola em direção à meta defendida
- Recuperação da posse de bola

Dentro de uma partida, geralmente as equipes possuem um princípio predominante que rege a ação dos atletas.

Será que é possível uma equipe ter mais de um princípio predominante?

Sendo assim (ou não), vamos nos focar no princípio da “recuperação da posse de bola”, que ultimamente está na moda.

Quando a equipe possui esse princípio como predominante, os atletas buscam constantemente uma ação direta de recuperação da posse de bola. Isso leva a uma tendência de aumento no número de desarmes (informação para análise de jogo).

Vale destacar que esse princípio pode ser realizado a partir de qualquer linha de marcação (1, 2, 3, 4 ou 5, nada garante que uma equipe que está “marcando” na linha 2 está buscando recuperar a posse de bola, etc.) e em qualquer faixa do campo (lateral ou central, existem equipes que impedem progressão na região central do campo e buscam a recuperação da posse de bola nas laterais, etc.)

Pois bem: após a definição do princípio e das ressalvas, vamos para o campo.

Para que esse princípio se manifeste como um comportamento da equipe, é preciso... treinar de uma maneira sistematizada e processual!

Vamos às atividades:

Atividade 1

Descrição
- Atividade de 3 x 1: o objetivo é estimular a pressão sobre o portador da bola mesmo com inferioridade numérica. Neste jogo é trabalhada a ação do desarme em situação de jogo. Cabe ao treinador estimular a pressão constante sobre a bola.

Regras e Pontuação
- A cada 30 minutos, inverte o jogador que está no centro
- Toda vez que o jogador que está no centro recuperar a bola marca um ponto. Vence o jogo quem marcar o maior número de pontos no tempo determinado.



Atividade 2

Descrição
- Atividade de 4 x 4 + 4 coringas, em que o objetivo das equipes é realizar 10 passes. Equipes se enfrentam dentro do espaço delimitado; fora deste espaço, há quatro coringas que auxiliam equipe com posse de bola. Equipe que está sem a posse de bola deve realiza a pressão sobre a bola e pode inclusive roubar a bola dos coringas fora do espaço delimitado. Nesta atividade é trabalhada a recuperação da posse de bola, o desarme, a estruturação do espaço e as interações entre os jogadores na pressão.

Regras e Pontuação
-Equipe pontua quando trocar oito passes.



Atividade 3

Descrição
- Atividade de 6+G x 7, em que o objetivo das equipes é recuperar a bola o mais rápido possível e evitar a pontuação do adversário. Nesta atividade, os atletas são estimulados em um ambiente específico à recuperação da posse de bola de uma forma organizada no campo de ataque.

Regras e Pontuação

Equipe de ataque
- Marca ponto quando passar a linha do meio. Os pontos são determinados pela quantidade de passes realizados antes de ultrapassar a linha do meio. Por exemplo, equipe fez 10 passes consecutivos e ultrapassou a linha do meio, marca 10 pontos.

- Marca 1 ponto quando tirar a bola da região onde ela foi recuperada (veja a transição sendo trabalhada)

Equipe de defesa
- Marca 1 ponto quando recuperar a bola na região onde ela foi perdida.
- Marca 5 pontos quando fizer o gol.



Atividade 4

Descrição
- Atividade de 11 X 11, em que o objetivo das equipes é recuperar a bola o mais rápido possível e fazer o gol. Nesta atividade específica os atletas são estimulados a buscar a recuperação da posse de bola o mais rápido possível.

Regras e Pontuação
- A cada cinco passes, equipe com posse de bola marca 1 ponto.
- Gol vale 5 pontos.



Vejam, são atividades com poucas regras que contemplam muito bem os objetivos propostos.

Ficar gritando para a equipe recuperar a bola deve ser sistematizado no treino; no jogo, deixe os atletas jogarem e oriente no que for preciso.

Até a próxima!



Atividade 4

Descrição
- Atividade de 11 X 11, em que o objetivo das equipes é recuperar a bola o mais rápido possível e fazer o gol. Nesta atividade específica os atlet



sexta-feira, 27 de julho de 2012

III - As regras certas e a dinâmica do jogo: treinando a organização


ofensiva – parte III



Confira algumas sugestões de regras para o treinamento dos aspectos ofensivos de sua equipe e interaja conosco

O tema desta semana se refere à sequência das colunas publicadas meses atrás relativas ao treinamento e, consequentemente, ao jogar de qualidade. Se você não teve oportunidade de ler a primeira ou a segunda partes, aconselho que retome a leitura a fim de que o texto não adquira uma conotação de “receita de bolo”, para ser reproduzida sem a mínima reflexão.

Conforme havia mencionado, as sugestões de regras apontadas nas próximas linhas favorecem o treinamento da organização ofensiva de sua equipe. Para continuar, outro conceito que não pode ser perdido na interpretação das regras e, obviamente, na elaboração e aplicação do treino diz respeito aos fractais, abordado noutra coluna semanas atrás.

Para treinar alguns Meios Táticos Ofensivos como Desmarques, Apoios, Mobilidade com ou sem Trocas de Posição, as seguintes regras podem ser utilizadas para compor o jogo:

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e a equipe pontuar quando receber passes em setores desocupados pelo adversário. Esta regra força os jogadores da equipe que detém a posse de bola a buscarem constantemente os espaços vazios no campo de ataque do adversário;

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e o atleta que fizer o passe deve mudar de setor, caso contrário, pontuação ao adversário. Esta regra faz com que o atleta que realizou o passe internalize o conceito de dar sequência a jogada mesmo após ter realizado uma ação direta com bola;

• Dividir o campo de ataque em diversos setores e a cada passe feito no campo de ataque todos os atletas que estão no campo ofensivo (com exceção do jogador que recebeu o passe), devem mudar de setor. Uma regra que favorece significativamente a mobilidade ofensiva, mas deve ser feita somente quando os atletas dominarem competências prévias relativas à movimentação da equipe, pois a desordem gerada no jogo devido às constantes mudanças de setores pode dificultar a aplicação do jogo;

• A equipe pontuar quando houver uma troca de posição entre dois jogadores no campo de ataque, em que um dos jogadores responsáveis pela troca receba um passe. Regra que implica que a equipe que possui a posse de bola execute trocas de marcação com o objetivo de dificultar e desorganizar a organização defensiva adversária. Como envolve somente três jogadores (o que faz o passe, além dos dois que realizam a troca), esta regra possui maior facilidade de aplicabilidade;

• A equipe pontuar ao trocar um número determinado de passes no campo de ataque sem poder devolver o passe para o jogador no qual o atleta o recebeu. Espera-se com esta regra que o atleta que fez o passe não seja o próximo a realizar o apoio e que demais atletas aproximem-se do que recebeu a bola, abrindo-lhe linhas de passe;

• Restrição do número de toques na bola por jogador. Regra bastante utilizada e propagada para acelerar o jogo ofensivo, logo, exigir maior mobilidade coletiva;
Para estimular o Meio Tático Ofensivo de Fintas e Dribles, como sugestões de regras:

• Delimitar um setor próximo à zona de risco em que um drible realizado precedido por um passe equivale a uma pontuação. Estimula os atletas a tentarem jogadas individuais em setores próximos ao alvo em que a equipe precisa manter a posse de bola;

• Gol precedido por drible em setores próximos à zona de risco ter pontuação maior que demais gols. Regra que privilegia o drible que antecede a finalização, ou seja, uma das poucas circunstâncias do jogo em que este recurso precisa ser utilizado;

• Dividir o campo em setores em que o drible é permitido. Executá-lo em setores não permitidos e a equipe perder a posse de bola, pontuação para o adversário. Regra que busca o aprendizado coletivo dos setores ideais para a realização do referido Meio Tático;


Lembre-se de dividir corretamente os pontos para o jogo ficar competitivo. Do contrário, a Lógica do Jogo criada pode privilegiar comportamentos coletivos distantes do que idealiza para a equipe.

Aguardo sugestões de como você treinaria cada um destes Meios Táticos. Esta troca de informações é muito enriquecedora.

Para finalizar, lembre-se também que as preocupações técnicas-físicas-mentais para o desenvolvimento do jogo devem acontecer. Por isso, o controle adequado do tempo de estímulo, tamanho do campo, ações técnicas predominantes e até a observação e intervenção diante de comportamentos individuais durante o jogo devem ser estabelecidas para que o seu TODO seja contemplado.

E ainda falam que o futebol (ensinar e jogar) é fácil...

As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade!


 parte II

Planeje distribuição dos pontos; regras devem levar à aquisição de comportamentos pretendidos por você

Após a coluna da semana anterior alguns leitores me perguntaram sobre o modelo de periodização que defendo. Como o futebol, em sua essência, é um jogo, qualquer planejamento de treinamentos que não periodize o jogar complexo e sim fragmentos da modalidade estará minimizando resultados, pois dedicará horas cruciais das sessões de treino para o desenvolvimento de capacidades isoladas e, portanto, distantes das situações-problema impostas pelo jogo.

Posto isso, evidencio que sou adepto de uma periodização com fundamentação sistêmica, que não é a tática, dada as diferenças que vejo em minha atuação, e também não é a complexa de jogo, devido às minhas limitações/poucas informações acerca deste modelo.

São por motivos como estes que expus minhas dúvidas e questionamentos num dos ambientes mais favoráveis para se discutir futebol no Brasil. As dúvidas e questionamentos se limitaram à vertente física do jogo. Afirmo, porém, que inquietações também existem para as demais vertentes...

Dúvidas à parte (que sempre existirão numa busca constante por conhecimento), é momento de pensar a sessão de treino. E para criar jogos em que as situações-problema sejam semelhantes as que irão ocorrer nas competições, estejam certos (e para isso, obviamente, não há dúvidas) que as soluções não estão nos intervelados de corrida, nos treinos pliométricos, na sala de musculação, nas caixas de areia, nas trações, nos tático-sobra, nos coletivos sem bola, na repetição de fundamentos ou em quaisquer outros treinos analíticos.

A solução está nos jogos bem criados e corretamente orientados.

Acertar na criação de um jogo parece simples, porém, ao longo de minha jornada profissional como atleta ou gestor de campo vivenciei inúmeras situações que foram jogo, mas, mesmo assim, estavam distantes (ainda que melhor do que os treinos analíticos) do jogar desejado.

Já joguei o conhecido “futebol alemão” durante incontáveis semanas seguidas com as mesmas regras e as mesmas intervenções do treinador. Semana após semana, nossos problemas e adversários não eram os mesmos, porém, os treinos sim. Também já presenciei discussões que o mesmo jogo pode ter objetivos diferentes, inclusive opostos. Por exemplo, trabalhar o igualmente conhecido “passa 10” para objetivos como a posse de bola e para a recuperação da posse de bola.

Penso que para jogos iguais, objetivos iguais (no máximo, semelhantes). Lembrando, é claro, que se houve a adição de uma regra sequer, já não é mais o mesmo jogo.

Enfim, inúmeras situações de treino vivenciadas poderiam ter maior eficácia e contribuição na construção de um jogar coletivo de qualidade. O desconhecimento, gerado pela incompetência inconsciente, e até mesmo a preguiça de pensar o treino são fatores limitantes na criação de jogos.

Algumas ações podem ser suficientes para impedir a ocorrência destes erros. Entre elas:

• Saiba exatamente o nível em que se encontra sua equipe para cada um dos momentos do jogo;

• Saiba exatamente o nível que você pretende atingir em cada um dos momentos do jogo;

• Decida quais são os objetivos do jogo que será criado;

• Defina as regras do jogo.

É justamente ao definir as regras do jogo que muitos se perdem. Definem um objetivo, mas criam regras que se desencontram; estabelecem regras vagas, distantes do que se quer construir; são incoerentes com as pontuações, privilegiando ações de fácil execução; definem muitas regras, deixando o jogo confuso, definem poucas regras, deixando o jogo pouco complexo. Ou seja, erros que podem ser fatais na rodada seguinte.

Para criar regras convergentes para o objetivo de desmarcações, por exemplo, é possível privilegiar o passe recebido em um espaço vazio no campo ofensivo. Para trabalhar recuperação da posse de bola, punir a equipe que não recuperar a posse a partir de um setor delimitado em um curto espaço de tempo é uma opção. Para trabalhar progressão com passes curtos, a obrigatoriedade de passes pra frente até a intermediária ofensiva pode ser uma boa ideia.

Em relação às pontuações, deve se atentar ao fato de nenhuma ação ter maior pontuação que o gol, pois para cumprir a lógica do futebol formal (é para isso que se treina) gols precisarão ser feitos. Exemplificando: dar maior pontuação para a posse do que para o gol pode criar o mau-hábito em uma equipe querer fazer mais a posse do que o gol.

Pode ser interessante pensar na seguinte combinação: posse no ataque por 15 segundos = 1 ponto; gol = 2 pontos; posse + gol = 5 pontos.

Já sobre a quantidade de regras, insira mais ou menos de acordo com os objetivos pretendidos e respeitando o já mencionado nível de sua equipe e o princípio da progressão complexa.

Com o jogo elaborado, o último detalhe, mas não menos importante, compreende a correta intervenção do treinador. É dele a missão de construir referências coletivas comuns que no jogo formal se manifestarão adequadamente em ações correspondentes à auto-organização do jogo.

Na próxima coluna que tratar deste tema, será iniciada a discussão de regras favoráveis à aquisição de determinados comportamentos coletivos referentes à organização ofensiva.

Para quem tiver interesse, disponibilizo por e-mail uma planilha orientadora para treinamentos. Nela, será possível atentar-se para elementos centrais na elaboração de uma sessão de treino e estabelecer as inter-relações e combinações do jogo criado com os objetivos propostos.

As regras certas e a dinâmica do jogo: favoreça um treinar (jogar) de qualidade


 parte I

Proposta debate regras que podem potencializar aquisição de comportamentos coletivos na equipe

Você tem sido assertivo na elaboração do seu planejamento semanal? As atividades que você e sua comissão técnica pensaram estão colaborando satisfatoriamente para a evolução do nível de jogo de sua equipe? A evolução tem incidido sobre as quatro vertentes do futebol ao mesmo tempo? O jogo que você joga em sua cabeça para cada uma das imprevisíveis situações de um jogo contra qualquer adversário, seus jogadores também o tem jogado?

A resposta afirmativa para estas questões introdutórias, de profissionais do futebol que trabalham a partir de uma perspectiva sistêmica, é difícil inclusive para quem já tem experiência em utilizar o jogo como método de ensino. Se respondeu positivamente, esteja certo de que você, sua comissão e, principalmente, sua equipe estarão à frente das demais.

Caso a resposta não seja afirmativa, mesmo que para somente uma das perguntas (apesar de acreditar que todas estão inter-relacionadas), um dos motivos pode ter origem nas regras das atividades criadas que, com as reflexões proporcionadas nas próximas linhas, terão possibilidades de solução.

Há alguns meses, publiquei sobre a importância do princípio das propensões na elaboração da sessão de treinamento. Na ocasião, mencionei, porém não me aprofundei, a importância da correta elaboração das regras dos jogos criados para o cumprimento deste princípio.

Mais recentemente, elaborei uma atividade de análise de jogo qualitativa para diferentes turmas de um curso de pós-graduação em futebol no qual sou professor. A avaliação consistia em, a partir da cópia digital do jogo em formato de DVD e determinados intervalos de tempo, analisar o comportamento de duas equipes em cada um dos momentos do jogo. Além disso, foram propostas duas questões finais que solicitavam a elaboração de uma síntese de um novo Modelo de Jogo da equipe derrotada e a criação de uma atividade que, pelas suas características, poderia levar a cabo o comportamento pretendido.

Digo “poderia”, pois, como afirmam alguns estudiosos da modalidade, os exercícios de futebol em situações de jogo são somente potencialmente específicos. Transformá-lo em jogo, garantir o estado de jogo por parte dos participantes e intervir didática e corretamente são questões indispensáveis para quem adota este método.

E ao analisar os inúmeros trabalhos, cerca de 40 dos mais de 60 que tenho para corrigir, percebi uma grande dificuldade dos alunos (daqueles que realmente fizeram e não dos que somente copiaram) em transformar determinado objetivo, mais especificamente algum exercício, em jogo. Ou seja, eu esperava mais!

Quem acompanha futebol de alto nível pode observar a manifestação de diversos princípios de jogo e ter o interesse despertado em criá-los em sua própria equipe. Bloco alto, pressing zonal, penetração, amplitude, compactação, flutuação, progressão com passes curtos, mobilidade são apenas alguns dos exemplos de comportamentos coletivos das grandes equipes do futebol mundial que muitos treinadores (dos mais variados segmentos e escalões) tentam reproduzir em seus liderados.

Todavia, na tentativa desta reprodução pode estar o grande equívoco na elaboração dos jogos. Como já abordei na coluna de tempos atrás, uma equipe não irá compactar adequadamente na sessão de treinamento se isto não for uma referência coletiva comum para dada situação-problema do jogo criado.

Uma equipe não irá progredir predominantemente com passes curtos se este comportamento não for hábito. Enfim, para cada atividade criada, não basta seu interesse em estimular determinado princípio de jogo. As regras, que formarão um exercício com uma lógica própria, devem convergir para aquilo que precisa ser treinado.

Como sabemos, no futebol, as regras e referências do jogo (alvos, terreno, bola) deixam claros que quem fizer mais gols será o vencedor da partida. Já nas sessões de treinamento, as regras e elementos do jogo podem (e devem) ser diferentes. E com o objetivo de auxiliar na elaboração/criação de regras que potencializem a ocorrência de determinados comportamentos coletivos, em colunas futuras sobre este tema, trocaremos discussões e sugestões que acelerem nosso processo de resposta afirmativa para os quatro questionamentos do início do texto.

Acredito que a eficácia na manipulação de todas as regras do jogo de futebol e a adequação para o nível de jogo atual além do pretendido são variáveis determinantes para o sucesso de sua equipe. Aqueles que nunca treinaram com jogos, com o norte de algumas regras como auxílio, poderão acelerar o processo de capacitação a aceitação do método. Aqueles com visão integrada poderão perceber se as regras que criam para atingirem determinados objetivos físicos (ou técnicos, ou táticos) estão em consonância com o Modelo de Jogo da equipe e com a Lógica do Jogo de futebol e, por fim, aqueles que dominam a utilização de jogos na perspectiva da complexidade poderão contribuir significativamente com novas possibilidades e comentários que serão publicados com os devidos créditos na coluna posterior que tratar do tema.

E quando muitos de nós estivermos respondendo afirmativamente para aquelas quatro questões do início do texto, provavelmente, teremos que rever nossos conceitos, pois os estudiosos do futebol (aqueles mesmos que afirmam que os exercícios são somente potencialmente específicos) também afirmam que o Modelo de Jogo deve ser utópico, inatingível e em constante evolução.

Coisas do (complexo) futebol!

Pliometria para o desenvolvimento de força no futebol


Pliometria para o desenvolvimento de força no futebol

Tipo de ação muscular que gera estiramento mesmo contraindo é a ação excêntrica. Mas como ser efetivo?

Entre as capacidades motoras necessárias para a prática do futebol estão a força rápida, também chamada de força explosiva e a velocidade. Das diferentes estratégias utilizadas para o desenvolvimento dessas capacidades, sem dúvida, a pliometria é uma das mais importantes.

Ao contrário do que muitos imaginam, pliometria não significa simplesmente saltar. O termo plio significa "maior" e o termo metric se refere a "média". Ambos são oriundos do vocabulário grego pleytein que também significa "aumentar" e, portanto, pliometria significa aumentar o tamanho da musculatura.

Nesse tipo de exercício o músculo esquelético deve ser "aumentado" como se estivesse alongando ao mesmo tempo em que se contrai e por mais paradoxo que isso possa parecer, do ponto de vista mecânico é perfeitamente possível.

Esse tipo de ação muscular que gera estiramento mesmo contraindo é chamado de ação excêntrica e é um dos requisitos essenciais do treino pliométrico.

Nesse tipo de ação o ciclo alongamento-encurtamento do músculo esquelético deve ser aproveitado ao máximo e essas ações excêntricas agirão como freios à medida que são acionadas a favor da ação gravitacional, por exemplo.

Do ponto de vista neural, a vantagem dessas ações é que a via motora do Sistema Nervoso Central consegue recrutar mais rapidamente as fibras musculares do Tipo IIX (que são mais rápidas e mais potentes do que as outras fibras musculares), as quais possibilitarão ao músculo gerar mais força o mais rápido possível.

Do ponto de vista metabólico essa ação é vantajosa pelo fato de o estiramento das estruturas contráteis (filamentos fino e espesso) gerar contração sem gasto de energia (contração passiva), ao passo que as estruturas elásticas (tendão, epimísio, perimísio, endomísio e titina) "acumulam" energia elástica. Essas duas respostas otimizam a transformação de energia química (ATP) em energia mecânica (ação concêntrica - ativa) fazendo com que o trabalho muscular seja mais eficiente na ação muscular concêntrica subseqüente.

Para que a transferência de energia elástica em energia mecânica seja feita de forma ótima a mesma deverá ocorrer o mais breve possível (normalmente abaixo de 200ms). Caso isso não corra, a energia elástica será dissipada em forma de calor e ao invés de otimizar o trabalho muscular irá prejudicá-lo.

Apesar de extremamente vantajoso para o ganho de impulsão e de velocidade, na prática, para que o trabalho de pliometria seja efetivo, torna-se imprescindível:

i) adaptar a musculatura do atleta a esse tipo de treino;
ii) determinar a altura ideal dos saltos a serem realizados;
iii) minimizar o tempo de contato com o solo;
iv) realizar as ações motoras sem sinais de fadiga.

Caso esses itens sejam negligenciados, ao invés de melhora da força rápida, o atleta poderá ficar mais lento, menos econômico, menos eficiente e aumentar suas chances de lesão muscular.


Até lá!

Pliometria em atletas praticantes de futebol de alto rendimento


Pesquisa avalia o resultado do treinamento pliométrico para a força muscular de jogadores profissionais

Camila Ruivo Baroni e Caroline Denadai Eleutério

Exercício pliométrico é aquele que ativa o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo estriado esquelético combinando força e velocidade para gerar melhor potência muscular. O objetivo deste estudo foi investigar o efeito do treinamento pliométrico sob a impulsão horizontal, vertical, agilidade em corrida e velocidade de deslocamento em corrida de 35 metros.

Participaram 5 jogadores de futebol profissional que disputavam o campeonato paulista da 2ª divisão de 2009. Utilizou-se ficha de avaliação e protocolo de treinamentos elaborados pelas autoras, balança da marca Filizola, cronômetro Kenko e fita métrica. Os atletas foram avaliados pré e pó-treinamento, que durou 10 semanas, 1 vez semanal por 40 minutos. Os resultados mostraram melhora significativa apenas para impulsão vertical, concluindo-se que a eficácia do método proposto foi apenas para esta variável.

Seleção de Basquetebol 1988

Esta foto era quando eu fui técnico da seleção do Estado -1988.

Asdericel - Panamericano