quarta-feira, 12 de março de 2014

Treinamento de Goleiros

Treinamento de goleiros: Método Analítico ou Método Global?

A evolução dos métodos de ensino no treinamento de goleiros transcende o conhecimento empírico adotado há décadas por preparadores
Cleber Sgarbi*


O futebol evoluiu muito nos últimos anos, e com o crescente progresso do treinamento esportivo, algumas áreas específicas como o treinamento de goleiros vêm ganhando destaque nas últimas décadas.
Em relação aos métodos de ensino, podemos dizer que é um conjunto de ações e procedimentos, nos quais o preparador de goleiros, através da organização dos conteúdos do treino (atividades de ensino), condiciona os goleiros a atingirem objetivos específicos como, a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.
Podemos citar alguns exemplos como o Método de Exposição – Explica o conteúdo; Método de Observação – Observação (visual); Método Individualizado – Necessidades individuais; Método Analítico – Desenvolve as partes do todo; Método Global – Desenvolve o todo.
Ainda há muitas perguntas sobre qual método é melhor e mais eficiente no processo ensino/aprendizagem/treinamento. Partindo destas indagações, busquei fazer uma pesquisa sobre os métodos de ensino que mais são utilizados no treinamento de goleiros hoje em dia.
Na década de 70, a figura do preparador de goleiros não existia, os trabalhos eram realizados pelos próprios goleiros ou pelos preparadores físicos e os cuidados designados à formação ou aperfeiçoamento técnico dos goleiros eram mínimos.
Os exercícios compreendiam a movimentos ginásticos, flexões, abdominais, exercícios com pesos, técnicas de finalizações e intersecções sobre a área de meta. Os métodos de ensino se baseavam no conhecimento empírico de cada atleta.
Hoje em dia, encontramos uma série de métodos de ensino sendo praticados e os que mais são utilizados são os métodos analíticos e globais. Todos os métodos têm sua importância em distintos momentos da preparação de um goleiro, cabe ao preparador de goleiros escolherem o método certo para o momento certo.
MÉTODO DE ENSINO ANALÍTICO
O Método Analítico é utilizado desde a década de 60, e é centrado na técnica, em exercícios onde há predominância de repetições dos gestos esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas específicas. Esse método caracteriza-se pela repetição, ajudando assim, a memorizar e a automatizar o gesto técnico em nosso Sistema Nervoso Central (SNC), é o aprendizado de técnica por técnica, gesto por gesto.
As habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferidas para as situações de jogo propriamente ditas, ou seja, consiste em ensinar destrezas motoras por partes, para, posteriormente, uni-las (SANTANA, 2005, MATTA; GRECO, 1996, TONROLLE, 2004)
Ficou claro que o Método de Ensino Analítico caracteriza-se por inúmeras repetições, maior contribuição no processo ensino/aprendizagem, o aprendizado das técnicas se torna mais fácil e rápido, é o melhor método para o ensino e aperfeiçoar dos gestos técnicos, facilita a execução dos exercícios, possibilita um melhor desenvolvimento motor específico, fica fácil a individualização dos treinos técnicos, além disso, é possível corrigir imediatamente o que precisa melhorar.
Resumindo: Pode-se treinar somente um tipo de técnica, até que ela esteja bem desenvolvida e assimilada pelo goleiro. Esse método é muito utilizado nas categorias de base, onde os jovens goleiros estão aprendendo as técnicas. Também é muito utilizado no âmbito profissional no período das pré-temporadas, com o objetivo de aperfeiçoar a técnica já aprendida na base. Ou ainda, para corrigir um possível erro do gesto técnico em uma determinada ação motora realizada no jogo.
MÉTODO DE ENSINO GLOBAL
O Método de Ensino Global é centrado na tática do jogo, cujo ambiente se torna mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é refutada e o objetivo principal é o desenvolvimento da inteligência do aprendiz. Esse método caracteriza-se por apresentar situações reais de jogo, ou seja, modelo de jogo como base do processo de treino e parte da totalidade do movimento, caracterizando-se também pelo aprender jogando.
O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar jogar, onde o aprendiz aprende diretamente a partir da própria experiência, com o auxilio indireto do professor/técnico. Alguns autores acreditam que o treino não pode ser realizado somente através de soluções impostas, pois as ações se tornam mecanizadas e a criatividade para “resolver problemas” não se desenvolve em sua plenitude. (TONROLLER, 2004; CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004; RESENDE, 2007; SANTANA, 2005)
Podemos ver claramente que esse método caracterizam-se pelo aprender jogando. O repertório motor fica vasto e aperfeiçoado para o jogo, há uma maior interação com outros setores da equipe. O desenvolvimento tático específico de jogo fica mais evidente, a percepção de espaço e cognitiva fica aperfeiçoada – posicionamento e colocação na área de meta, percepção das jogas, reações e tomadas de decisões mais rápidas, além de uma maior concentração nas ações que ocorrem no campo de jogo.
Para que o processo ensino/aprendizagem/treinamento dos gestos técnicos específicos tenham maior êxito, o Método de Ensino Analítico oferece maiores contribuições, pois a partir das repetições dos movimentos, se automatiza o gesto específico de uma modalidade esportiva.
Em contrapartida, para que o processo de ensino/aprendizagem/treinamento da capacidade de tomada de decisão e raciocínio rápido, integração com outros setores da equipe e execução de ações específicas em situações reais de jogo, o Método de Ensino Global oferece maiores contribuições, pois o goleiro aprende vivenciando o jogo propriamente dito.
Em outras palavras, além do habitual treino de repetições dos gestos técnicos específicos, concordo com Oliveira (2004) quando diz que, “só podemos falar de especificidade no treino, quando existe uma relação constante entre os componentes tático-técnicos, psico-cognitivos, físicos e coordenativos, em correlação permanente com o modelo de jogo adaptado pelo treinador e respectivos princípios que lhe dão corpo.”
Ou seja, cabe ao preparador de goleiros analisarem e identificar as necessidades individuais ou do grupo de goleiros, escolherem o melhor método de ensino a ser aplicado e em que momento deve ser aplicado.
Então, pergunto a você, preparador de goleiros:
Você tem consciência do método que está utilizando em seus treinamentos?
Você sabe diferenciar um método de outro?
Todos os goleiros necessitam deste método?
Em que momento deve ser utilizado tal método?
Com que frequência você utiliza?
Está tendo feedback com seus goleiros?
Está tendo resultados positivos?
CONCLUSÃO
Não podemos comprovar qual método é mais ou menos eficiente, mas podemos ver claramente que a utilização de um determinado método em um determinado período do treinamento, pode influenciar diretamente no processo de aprendizado ou não dos gestos técnicos.
Cabe ao preparador de goleiros, analisar e diagnosticar as necessidades individuais ou do grupo, a partir de aí, planejar os treinamentos utilizando o método mais pertinente ao estagio atual de desenvolvimento dos futuros atletas ou atletas.
BIBLIOGRAFIA

* Preparador de goleiros do E.C.Passo Fundo/RS.

Da solução estrutural à solução de fato

Sistema 1-4-2-3-1: da solução estrutural à solução de fato

Partindo dos problemas estruturais a serem resolvidos no jogo, esse esquema tático vem sendo muito utilizado pelos treinadores atualmente
Leandro Zago.
“Tão importante quanto visualizá-la de maneira estática é o
treinador compreender toda a dinâmica relacional da plataforma”
 (Zago in Arruda etc. al, 2013, p. 441)
O esquema tático (ou plataforma tática) 1-4-2-3-1 vem sendo muito utilizado por todo o futebol mundial, inclusive no Brasil. Assim como aconteceu com o 1-4-4-2, depois com o 1-3-5-2, o 1-4-2-3-1 passou a ser visto como a solução de todos os problemas.
Entender porque um esquema tático se torna mais "popular" entre os treinadores talvez seja tão ou mais fundamental do que entender o próprio esquema. Em geral, esse esquema se apresenta das seguintes formas apresentadas abaixo.
Figura 1 – Variações estruturais básicas do 1-4-2-3-1
Basicamente, o 1-4-2-3-1 se apresenta nas três formas apresentadas acima ao longo do jogo e, dependendo das características dos jogadores e da proposta de jogo com mais regularidade em uma delas, porém passando ocasionalmente pelas outras duas.
Na estruturação original, o primeiro campo corresponde ao esquema montado com dois volantes e três meias. No campo central, os alas devem possuir características para tal função. E no campo da direita, as características dos jogadores das laterais da linha de meias (?!) normalmente são atacantes que não de referência.
Figura 2 – Hierarquia das Interações entre os meias e atacantes
Ao longo do jogo, dependendo da posição da bola e da equipe que detém a posse, o esquema tático vai se deformando para se ajustar às necessidades momentâneas (recuperação da bola, direcionamento do jogo do adversário, construção do jogo, fase de finalização, etc.).
O 4-2-3-1 geralmente passa pelos arranjos apresentados (figura 1) durante o jogo pela proximidade dessas posições com a que seus jogadores ocupam em campo mais naturalmente. Porém, em muitos casos, apesar de considerar que esse esquema tático é a base para as outras variações, o que vai definir realmente o esquema tático é a forma como os jogadores interagem em campo.
Na figura 2, as setas laranjas indicam uma "relação mais forte" entre os jogadores do setor, enquanto as setas pretas indicam uma "relação menos forte" entre seus membros. Portanto, independentemente de como o esquema é nomeado, o que vai defini-lo é o resultado dessas interações.
Nas três situações (figura 2) os meias / alas / atacantes podem ser assim chamados de acordo com os parceiros com quem interajam mais fortemente. No primeiro campo (figura 2), a linha com três meias realiza suas dinâmicas baseado primeiramente nos comportamentos de seus companheiros dessa linha.
A linha possui dinâmicas que então conectadas com as da equipe. Há uma hierarquia, que respeita e integra essas dinâmicas num todo funcional em direção à eficácia no jogo. No campo central, os alas interagem mais fortemente com a linha de volantes e menos fortemente com o meia central.
Como produto, a equipe trabalha mais em uma plataforma 1-4-4-1-1 pela forma como estrutura o espaço na solução dos problemas do jogo. No campo da direita, há uma interação maior com o atacante centralizado do que com o meia do centro.
Visualmente, emerge o 1-4-3(2-1)-3. A relação não acontece apenas no nível espacial, portanto, mesmo que a equipe transite entre os três desenhos, será atraída para uma configuração em especial.
Figura 3 – Duas possibilidades para a Pressão Alta (Linha 1)
Acima são apresentadas duas possibilidades de estruturação espacial para a pressão na referida plataforma tática. No primeiro modelo, a "linha de 4" defensiva fica preservada e os volantes flutuam de maneira mais agressiva para o lado da bola compensando a manutenção do lateral na linha.
Como vantagem, a linha defensiva fica mais larga, porém uma zona frágil tem que ser administrada no centro (oposto à bola) conforme destacado na figura 3 (retângulo horizontal vermelho).
Com a subida do lateral fechando a paralela, o centro do campo fica mais povoado (modelo à direita na figura 3), porém a linha defensiva fica mais estreita, com maior fragilidade às diagonais longas (zona vermelha – retângulo vertical).
Obviamente, a abordagem do jogador que pressiona a bola muda em função do tipo de pressão (direcionando para o centro ou para a paralela).
Figura 4 – Posicionamento para Pressão a partir da Linha 2
Do ponto de vista estrutural, a pressão a partir da linha 2 (intermediária de ataque) é melhor acomodada pela plataforma do que a pressão alta (linha 1).
Os espaços entre os laterais e os meias do mesmo lado (LD – MD e LE – ME), são mais facilmente diminuídos e a necessidade de ajustes é menor, conforme demonstrado na figura 3. Habitualmente, a pressão inicia quando a bola é direcionada para uma das laterais, conforme o campo da direita da figura 4.
Dependendo do princípio operacional (recuperação da bola ou impedir a progressão) o atacante se comporta de maneira diferente. Para a recuperação, ele busca manter a bola na zona para poder ser pressionada (tirando linha de passe no zagueiro ou que permita a virada). Se o objetivo for impedir a progressão, ele pode entrar atrás da linha da bola novamente e permitir a circulação.
Figura 5 – Organização defensiva na linha 4 e balanço ofensivo
Dentre as possibilidades de organização defensiva na linha 4 (intermediária defensiva) que o esquema tático permite duas estão apresentadas na figura 5.
No campo da esquerda, a opção é por uma proporção (Leitão, 2009) mais conservadora do ponto de vista numérico com viés defensivo, enquanto no campo da direita há uma proporção mais ousada.
A proporção é um conceito das duas fases de transição (ataque-defesa e defesa-ataque) que, segundo o autor, relativiza o número de jogadores que estão efetivamente "defendendo" ou "atacando" sem que isso possa parecer uma fragmentação, apenas como sistematização do conteúdo.
No campo à esquerda a proporção é de (2 x [8 + G]), ou seja, dois jogadores com preocupações já ofensivas no caso da recuperação da bola e nove (goleiro incluso) jogadores envolvidos mais diretamente com a sua recuperação. No campo da direita a proporção é de (4 x [6 + G]).
Naturalmente, a ocupação do espaço pelos jogadores permite um balanço ofensivo (em destaque no campo à direita) que rapidamente pode deixar o ataque com boa amplitude (MD e ME) e profundidade (AT).
Em compensação, com esse balanço, a marcação em largura (equilíbrio horizontal) fica prejudicada. O posicionamento do campo à esquerda oferece um melhor equilíbrio defensivo (em largura inclusive), porém, no movimento seguinte à recuperação o tempo para ocupar o campo de ataque é maior.

Figura 6 – Balanço defensivo
Na figura 6 são mostradas duas possibilidades de balanço defensivo com a estrutura e a proporção (6 x [4 + G]) mantidas, mas com variação dos jogadores que o realizam. No campo à esquerda, um volante faz o balanço da jogada (VD) e o outro da equipe (VE).
No outro modelo, o lateral faz o balanço da jogada (LD) e o volante do lado da bola (VD) o da equipe, com o outro volante (VE) mais adiantado. O balanço defensivo do campo à esquerda, coloca mais jogadores na lateral em que está a bola (aumentado as chances de triangulações) enquanto o balanço defensivo do campo à direita preenche mais a faixa central.
As vantagens e desvantagens devem ser pesadas. Há muitas outras possibilidades, como o lateral oposto no balanço (5 x [5 + G]), por exemplo.
De maneira consciente ou intuitiva, o 4-2-3-1 ganhou espaço no Brasil quando algumas preocupações coletivas começaram a nortear as ações dos treinadores. Em boa parte das situações, o esquema ainda é utilizado por permitir encaixes individuais mais facilmente.
Originalmente com três meias, conforme apresentado, no Brasil é mais normal observá-lo com dois atacantes abertos (seria um 1-4-3-3?) e um mais centralizado ou até com um atacante aberto de um lado e um meia no outro, quase um 1-4-4-2 "disfarçado".

O esquema ou plataforma tática não se esgota nele mesmo. Todos os conceitos discutidos podem ser resolvidos em outros esquemas, desde que a essência do problema seja entendida.

Do Papel para o Campo

O treino da estratégia: do papel para o campo

O grande desafio dos treinadores, após terem acesso às informações, é passar o que sabem para a prática.

Jose Barbosa e Luis Freire

A observação de adversários assume cada vez mais um papel relevante no futebol contemporâneo, sendo que as equipes técnicas contam já com elementos ou mesmo departamentos que fazem a análise e a observação dos adversários.
Hoje em dia, os treinadores além de deverem construir uma identidade forte para a sua própria equipe, através do treino dos princípios de jogo constituintes do seu modelo de jogo, procuram cada vez mais perceber quais as debilidades e virtudes dos seus adversários.
As informações sobre o adversário deverão revelar uma reflexão conjunta (do departamento de observação; do observador principal e do treinador adjunto ou principal), de forma que estas sejam devidamente partilhadas e entendidas por toda a estrutura técnica, sendo obtidas através da visualização de diversos jogos do adversário.
A elaboração de relatórios e entrega de vídeos pelos observadores é essencial, de forma que a informação seja devidamente comprovada e possa ser exemplificada aos jogadores se assim o treinador principal o entender.
Toda a informação recolhida deverá ter em atenção à forma de jogar da nossa equipe, sendo peremptório o conhecimento do modelo de jogo da equipe por parte de toda a estrutura técnica, percebendo assim como o time poderá tirar proveito dos pontos fracos do adversário e como poderá contrariar os seus pontos fortes.
Após todas estas premissas serem respeitadas, é importante a elaboração um plano para o jogo, ou seja, um plano estratégico, de forma que as informações recolhidas possam traçar um caminho ajudando a equipe a atingir o sucesso.
O grande desafio dos treinadores após terem acesso a estas informações será então passar o que sabem do papel para o campo de futebol. Será muito importante que os treinadores não caiam no erro de transmitirem as informações em longas palestras, em demoradas apresentações vídeo, ou transformarem o seu treino em uma aula sobre o adversário, descaracterizando a sua forma de jogar, comprometendo a sua identidade e criando medo e preocupação nos seus jogadores em vez de um sentimento de preparação absoluta e confiança para o confronto seguinte.
O treino deverá então ser composto por exercícios que forneçam aos jogadores, as pistas necessárias para que os mesmos percebam como podem aproveitar as debilidades adversárias e prevenirem-se para os pontos mais fortes dos seus opositores.
É importante que os exercícios contenham constrangimentos que guiem as ações dos jogadores para o objetivo pretendido pelo treinador. O exercício de treino deverá ser a principal ferramenta para que o plano estratégico resulte na prática e saia do papel com sucesso, consciencializando a equipe do que o treinador pretende para o jogo seguinte.
A conceitualização dos exercícios deverá ser direcionada para o treino do nosso modelo de jogo, mas a colocação de regra nos exercícios poderá ajudar os treinadores a criarem algumas nuances estratégicas que permitirão consciencializar a equipe do pretendido.
Os jogadores não deverão ser alertados do pretendido antes de experimentarem os exercícios (refiro-me aos objetivos estratégicos), possibilitando aos mesmos a descoberta de soluções e a percepção das dificuldades que o exercício lhes apresenta. Estas soluções e dificuldades que os exercícios apresentam deverão guiar os jogadores a perceberem o que fazer no próximo jogo.
Durante os exercícios o treinador deverá aí sim, ter um papel intervencionista, explicando o porquê do exercício ter determinadas regras e determinados constrangimentos (exemplo: colocação das balizas, divisão do espaço do exercício por setores ou corredores; limitação de tempo para recuperar posse de bola numa determinada zona; colocação de zonas limitadas em espaços a explorar antes de obter gol; limite do número de passes para variar o jogo de um corredor lateral para outro, obrigatoriedade de ir aos dois corredores laterais sendo que antes de marcar deverá existir uma variação através de diagonal uma longa etc.).
Estas são apenas algumas das regras que poderão ser utilizadas para guiar os jogadores a fazerem o pretendido pelo treinador, possibilitando a exploração de pontos fracos ou fortes do adversário seguinte. Para que, mais facilmente, possam entender a nossa forma de conceitualizar o treino da estratégia apresentamos um exemplo prático (exercício de treino).
Algumas características gerais do modelo de jogo da equipe A nos diferentes momentos de jogo:
1 - Privilegia o ataque pelos corredores laterais.
2 - Prefere a circulação de bola com recurso a muitos passes e mobilidade ofensiva.
3 - Procura fazer campo grande quando ataca.
4 - Defende zonalmente.
5 - Defende utilizando a concentração coletiva (campo pequeno).
6 - Pressiona após a perda da bola independentemente do local onde a perde, encurtando o espaço entre linhas.
7 - Transita para o ataque, preferencialmente, utilizando a exploração dos corredores laterais de forma rápida tentando provocar desequilíbrios nestas zonas do campo.
Equipa B – O adversário (Exemplo de alguns pontos fortes e fracos)
1 - Dificuldade nos cruzamentos ao 2º poste devido ao mau posicionamento dos seus laterais dentro da área, sendo que fecham mal o espaço entre central e lateral, deixando possivelmente que os extremo da equipe A e o ponta de lança possam antecipar-se aos laterais adversários.
2 - Equipe forte nas segundas bolas no meio-campo ofensivo adversário, sendo que após cruzamentos são fortes a reagir às segundas bolas encurtando o espaço entre meio de campo e ataque. Importante reagir rápido às segundas bolas que advêm de cruzamentos para dentro da nossa área.
3 - Existência de espaço nas costas dos médios centros da equipe B, derivado à elevada distância entre linhas (linha do setor defensivo e linha do setor intermédio). A equipe A deverá explorar este espaço entre linhas.
Exercício de treino da equipe A (permitindo o treino do nosso modelo de jogo e o treino de nuances estratégicas aproveitando as debilidades adversárias e prevenindo para os pontos fortes).
Não será apresentado o espaço do exercício nem a duração, pois não se pretende com este exemplo refletir sobre o regime de esforço do mesmo, dependendo este do dia da semana que o treinador pretender operacionalizar este exercício.
- Ambas as equipes antes de marcarem gol têm de ir aos dois corredores laterais (respeita os princípios 1, 2, 3 do modelo de jogo).
- Gol obtido através de cruzamentos na 2º trave vale 3 gols para a equipe amarela (alerta para o ponto fraco 1 da equipe adversária e obriga a nossa equipe a treinar a concentração coletiva – princípio de jogo 5 e a lutar pela segunda bola após cruzamento – ponto forte 2).
- Os brancos marcam nas balizas colocadas no corredor central. Para que possa haver gol, a bola deverá passar por dentro da baliza e deverá existir a desmarcação de um jogador para receber a bola na zona X (alerta para a exploração do espaço nas costas dos médios centro adversários ou médio centro adversário - ponto fraco 3).
Cabe ao treinador e a sua equipe técnica criarem exercícios ricos em conteúdos, respeitando ao máximo a forma de jogar da equipe e dando aos seus jogadores soluções através da implementação de regras que os guiem para a percepção do plano estratégico para o jogo seguinte.
A transmissão da informação deverá incutir segurança aos jogadores, o recurso ao vídeo deverá ser efetuado, deverá existir um conjunto de imagens selecionadas com curto tempo de duração e o mais semelhantes possíveis entre si que permitam aos jogadores a percepção dos erros e virtudes adversárias.
Mas, na nossa opinião, não há melhor forma do que treinar a estratégia para o próximo jogo do que no campo de futebol, o habitat natural do jogador e dos treinadores.
A imaginação dos treinadores deverá ser desafiada e posta à prova, pois, cada vez mais, a vertente estratégica do jogo se faz notar na alta competição e nas divisões profissionais de todo o futebol mundial.

Cabe aos mesmos transportarem do papel para o terreno de jogo toda a informação que possam dispor sobre o adversário respeitando a forma de jogar da equipe que treinam.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Acho muito Importante. Iniciação Esportiva


Iniciação Esportiva - aspectos positivos e negativos da especialização esportiva precoce no futebol.

A criança não é um adulto em miniatura e o professor também deve ter responsabilidade pedagógica com ela

Diogo Willian de Lima

As Modalidades Esportivas Coletivas, desde a sua origem, têm sido praticadas pelas crianças e adolescentes dos mais diferentes povos e nações. Sua evolução é constante, ficando cada vez mais evidente seu caráter competitivo, regido por regras e regulamentos (Teodorescu, 1984).

Entre todas as Modalidades Esportivas Coletivas praticadas com bola, o futebol é a mais apaixonante e que exige combinações mais complexas do sistema neuromuscular. Sua história ou pré-história inicia na Ásia, primeiro na China, com o chamado Tsú Chu, umas das primeiras referências ao jogo praticado com as mãos e com os pés, e, depois na era medieval, no Japão, com o nome de Kemari (Rose Junior, 2006).

Na sociedade contemporânea, o futebol tem se mostrado um fenômeno de grande relevância sociocultural e é, também, amplamente vivenciado pelo brasileiro em seu cotidiano e ressignificado a partir de sua institucionalização e de sua apropriação pelos diversos grupos sociais. (Valentin; Coelho, 2005).

Filgueira e Schwartz (2007) diz que no Brasil o futebol é um fenômeno cultural que cativa e impressiona pela sua grandeza, cuja prática tem crescido rapidamente, envolvendo um número significativo de participantes, desde a infância até a vida adulta. O futebol é para os brasileiros, sem dúvida, mais do que um esporte: uma paixão que faz parte da cultura.

Muitos jovens brasileiros sonham em um dia poder ser um atleta profissional de futebol, na intenção de unir a paixão que sentem pelo esporte à perspectiva de um futuro melhor para si e suas famílias, com isso passam a praticá-lo vendo-o como um caminho mais rápido de conseguirem sucesso e independência financeira.

Para isso, muitos acabam recorrendo às escolinhas de futebol para se aperfeiçoarem nas técnicas desse esporte e assim adquirirem a formação necessária que possa levá-los um dia a ser um atleta profissional.

O que antes era "privilégio" de prefeituras e clubes, hoje está sendo explorado, por agências, ex-atletas e clubes nas formas de escolinhas de futebol.

Scaglia (2006) mostra que as escolinhas ganharam espaço com a expansão imobiliária que acabou provocando o desaparecimento de muitos campos de várzea existentes nas médias e grandes cidades brasileiras. Implantadas como alternativa para a formação de novos atletas para o futebol brasileiro, as escolinhas fizeram com que o futebol, que antes era jogado de forma aberta e espontânea nos campos de peladas espalhados pelo Brasil, passasse a ser praticado em locais quase sempre fechados - muitos deles sob a responsabilidade de ex-atletas - que viram nisso uma oportunidade de poderem repassar aos seus alunos o que aprenderam dentro do futebol, e também uma forma de explorarem lucrativamente essa atividade.

Não é o suficiente que alguém tenha jogado futebol para ser um técnico deste esporte (Lembrando que existem profissionais altamente capacitados que foram atletas e tornaram-se excelentes treinadores, posteriormente em equipes profissionais), no que se refere ao treinamento ou trabalho com crianças.

É necessário, também, que este profissional conheça sobre o que Zakharov (1992) citado por Gomes e Machado (1999) chama de períodos sensitíveis do treinamento, que são os períodos etários em que as influências específicas de treino no organismo humano provocam elevada reação de resposta, que assegura os ritmos consideráveis de crescimento da função em treinamento; que ele tenha conhecimentos suficientes sobre a anatomia da criança; que possua boa preparação psicológica e amplo conhecimento específico; é preciso ter noções das etapas de desenvolvimento desportivo até atingir a fase adulta competitiva; e que ele saiba com aproveitar as fases de desenvolvimento da criança.

Este trabalho levando em consideração o crescente numero de escolinhas de futebol e o numero elevado de profissionais que se interessam pela área ocupa-se de criar subsídios aos profissionais que atuam na área do ensino/ treinamento de futebol para crianças.

Há intenção aqui não é, entretanto, formar uma única maneira de treinamento para essa faixa etária. Mas, sim, fazer com que os profissionais que dele tomarem conhecimento, sejam levados a refletir sobre os treinamentos, buscando outros caminhos, auxiliando o desenvolvimento não só do futebol - levando até a realização de estudos futuros, uma vez que há pouca literatura sobre o tema.

Especialização Esportiva Precoce

A Especialização Precoce (EP) é um processo que vem sendo a tempos discutido por especialistas em treinamento esportivo, e consequentemente no meio futebolístico. Para Personne (1987) "iniciação esportiva precoce" é a atividade esportiva desenvolvida antes da puberdade, caracterizada por uma alta dedicação aos treinamentos (mais de 10 horas semanais) e principalmente por ter uma finalidade eminentemente competitiva.

Já Kunz (1994), referindo-se a "treinamento especializado precoce", entende que este ocorre quando crianças são introduzidas antes da fase pubertária a um processo de treinamento planejado e organizado em longo prazo, que se efetiva em um mínimo de três sessões semanais com o objetivo do gradual aumento do rendimento, além da participação periódica em competições.

Para Krebs (1992), a especialização se da quando o atleta tem um sistema de treinos levados a picos máximos de sua capacidade, acompanhados de competições de nível elevado, havendo um relacionamento em tempo quase que integral entre o técnico e o atleta.

Iniciação Esportiva no Futebol

Para aprender a jogar um esporte qualquer, uma criança deve ter a oportunidade de experimentar um número grande de situações. Cada situação dessas será responsável pela abertura de um grande número de possibilidades, sendo que, cada possibilidade dessas, quando for experimentada, poderá abrir outras tantas.

Ao final de um longo processo, o acervo de possibilidades motoras, intelectuais, sociais, morais, e assim por diante, disponível no jovem que se formou nesse esporte, será imensamente mais amplo que no jovem formado em uma equipe ou escolinha que lhe impôs um sistema de superespecialização (Freire, 2002).

O primeiro fator a ser considerado são as fases de desenvolvimento físico da criança. Existe uma série de transformações ou mudanças da estrutura física da criança na faixa de idade da iniciação no futebol, compreendida nas chamadas categorias menores de 07 á 13 anos de idade.

É importante considerar, na iniciação esportiva, a idade biológica, o nível de coordenação motora e o grau de inteligência para a elaboração das atividades a serem desenvolvidas pela criança, a fim de contribuir com o maior número de vivências motoras possíveis.

Na formação de base, todas as coisas devem ser aprendidas por experiências as mais diversificadas possíveis (Freire, 2002). Haveria outro caminho a seguir no desenvolvimento esportivo que não esse percorrido tradicionalmente, que inclui, nos casos extremos, especialização precoce, contusões, limitações da inteligência, excessos de treinamento?

Claro que há, e foi seguido por vários excepcionais atletas do futebol, entre eles, Garrincha, Pelé e Maradona, que aprenderam enquanto brincavam, como qualquer criança de vida normal. Fossem nossos técnicos esportivos melhores observadores, encontrariam nesses fenômenos esportivos a orientação mais segura para suas pedagogias (Freire, 2002).

A prática do futebol, na iniciação esportiva, se manifesta através do jogo, nas diversas manifestações lúdicas que podem ser instituídas na aprendizagem do futebol.

O jogador de qualidade é aquele que vivencia um número enorme de possibilidades e, para cada situação do jogo, ele encontra a melhor. O jogador de hoje tem poucas possibilidades, imposta por rotinas exaustivas e limitadas, portanto, formando um jogador de pouca qualidade, o que torna o jogo de menor qualidade com movimentos estereotipados, sem qualidade. Por isso, estamos cada vez mais frequentemente vendo jogadores de baixo nível técnico e equipes de péssima qualidade.

Aspectos Negativos Da Especialização Esportiva Precoce

Aspectos físicos

Negrão (1980) alerta para os danos físicos que podem ser ocasionados pelo esporte altamente competitivo praticado em idade precoce. O trabalho muscular intenso excessivo, associado a sobrecarga emocional que a competição provoca, pode ocasionar perturbações no desenvolvimento normal da criança, principalmente no ritmo do crescimento em altura e no desenvolvimento somático, funcional e intelectual.

O esporte competitivo implica treinamentos específicos de cada modalidade, o que poucas vezes vem ao encontro das necessidades fisiológicas da criança. Para Negrão (1980), crianças só podem suportar esforços reduzidos, fisiologistas renomados, são unânimes em afirmar a importância de treinamento aeróbico para crianças.

Nahas (1980) diz ainda que, quando a intensidade e a frequência das atividades competitivas são grandes e extrapola o ambiente escolar e grupal, exigindo da criança um grau de especialização incomum para a idade em que se encontra, passam a existir dúvidas consideráveis sobre se os benefícios para um desenvolvimento ótimo são importantes bastante para se desprezarem os perigos de lesões e traumas psicológicos (às vezes irreparáveis).

As possíveis consequências de se especializar a criança precocemente estão diretamente ligadas ao fato de se adotar, por longo período de tempo, uma metodologia incompatível com as características, interesses e necessidades dela. Logo, os possíveis efeitos podem não se manifestar diretamente, mas no decorrer de temporadas (Santana, apud Ramos e Neves, 2008).

A respeito disso, Kunz (1994) apud Ramos e Neves (2008), diz que os maiores problemas que um treinamento especializado precoce provoca sobre a vida da criança e especialmente seu futuro, após encerrar a carreira esportiva, podem ser enumerados como:

a) formação escolar deficiente, devido à grande exigência em acompanhar com êxito a carreira esportiva;

b) a unilateralização de um desenvolvimento que deveria ser plural,

c) reduzida participação em atividades, brincadeiras e jogos do mundo infantil, indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade na infância.

Santana (2005) apud Ramos e Neves (2008), acrescenta mais alguns riscos da especialização precoce na criança:

a) stresse de competição: que se caracteriza por um sentimento de medo e insegurança, causado principalmente por conflitos oriundos de uma prática excessivamente competitiva. A criança, neste caso, tem medo de errar, sente-se insegura e com a auto-estima ameaçada;

b) saturação esportiva: que se manifesta quando a criança apresenta sinais de desânimo (enjôo) e desinteresse em continuar a prática do esporte. Sente-se, assim porque o praticou em excesso e quer abandoná-lo.

Teixeira (1981) diz, durante nossa longa vivencia esportiva, o que chamamos de "síndrome da saturação esportiva". Indivíduos que iniciaram muito cedo a pratica esportiva especializada são acometidos por essa síndrome, caracterizada por certa aversão pelo esporte que praticam, exatamente naquele momento em que deveriam praticá-lo com mais intensidade (adolescência).

Também é bastante discutido o fato estarem desde muito cedo especializados em determinada função, no caso dos jogadores de futebol, limitando–os a uma posição específica dentro da equipe, o que, certamente, pode limitar suas possibilidades de ação no futuro.

Exemplo bem característico deste acontecimento é o fato de muitos treinadores optarem por relacionar alguns jogadores, que se apresentam em estágios de crescimento mais avançados que a média para a categoria, para jogarem exclusivamente de atacantes aproveitando da maior força adquirida com o crescimento.

Porém, mesmo com todo êxito conseguido na juventude, muitos destes jogadores falham em idades mais avançadas por não serem capazes de atuar contra jogadores que apresentam níveis de força equiparados ou mesmo superioresuma realidade nas idades mais avançadas e nos profissionais.

Aspectos Positivos da Especialização Esportiva Precoce

Segundo Estigarriba (2005), a criança na prática esportiva vivência a cooperação, o convívio social, desenvolve o respeito pelos outros, a competitividade sadia, o espírito de equipe, disciplina e a persistência.

Nunes e Gonçalves (2008) entrevistaram os professores das instituições que participaram do campeonato: Copa Bahamas de Futsal 2007 e de acordo com a opinião dos entrevistados são apresentados como aspectos positivos fundamentais em uma competição: o entrosamento, a convivência, o lúdico, o espírito de grupo, a coletividade, o respeito às regras, a integração, a participação, a responsabilidade e o aprendizado que se tira com a vitória com a derrota.

Mostrando-se assim que o esporte ou a prática esportiva nas categorias de iniciação é muito mais do que competir, que ganhar e perder, é ter motivação, é viver momentos, e fazer amigos, além de desenvolver o físico e o bem-estar.

Considerações Finais

A iniciação ao futebol é ideal para adquirir habilidades coordenativas motoras básicas. A princípio, o treinamento técnico deve objetivar a aprendizagem de movimentos, e não o gesto técnico específico do futebol.

Deve-se lembrar de que a criança é levada à prática do influenciado pelo meio e aspirando tornar-se um atleta profissional de futebol. Mas, para que isto aconteça, deve-se considerar que este pequeno atleta não pode ser submetido ao mesmo processo de formação técnica e competitiva dos adultos.

O trabalho feito com crianças deve ter a adaptação adequada para ela, considerando seu desenvolvimento, além de respeitar também os seus interesses. Gomes e Machado (1999)

WeineckK (1991) diz que no período dos 09 aos 12 anos, a criança encontra-se na primeira infância escolar (09 anos) e infância escolar tardia (10/11 e 12 anos). Este período de tempo compreende a época de melhor aproveitamento para a aprendizagem dos gestos esportivos sem, entretanto, propor a formação especificada de gestos.

Isto se explica pelo fato de que a criança nesta idade já passou por um período de aprendizagem multilateral e plurificado, formando uma ampla gama de movimentos generalizados, que formam uma base consistente para o aprendizado de movimentos com maior teor técnico.

A estratégia ou planejamento tático deve ser simples sem muitas variações de jogo (defensivas e ofensivas), podendo ser em forma de jogos reduzidos com elementos e objetivos essenciais ao jogo formal.

Para concluir, lembramos que a criança não é um adulto em miniatura e que o professor além de sua tarefa técnica, também deve ter responsabilidade pedagógica com o futuro da criança a ele confiado.

Bibliografia

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WEINECK, J. Biologia do esporte. Traduzido por Anita Viviane. São Paulo: Manole, 1991.

A importância da aplicação dos principios...


A importância da aplicação dos princípios do treinamento Desportivo no Futebol de Base e Profissional.

 

A constante melhora e equilíbrio dos atributos físicos são fundamentais na preparação física e técnica de um atleta

Prof. Esp. Marcio Fernandes*

 

Introdução

O treinamento desportivo tem como objetivo principal a melhora do desempenho físico, motor e esportivo dos indivíduos praticantes de algum tipo de modalidade esportiva, seja ela uma simples corrida ou a prática de um esporte com exigências motoras mais complexas, como é o caso do futebol.

O treinamento desportivo está diretamente ligado ao aumento do rendimento e desempenho dos atletas, dentro de suas modalidades específicas.

O futebol é por si só, um esporte intermitente e tem exigências físicas das mais variadas e complexas, pois engloba um grande conjunto de valências motoras. Dentre estas valências, podem-se destacar os índices de força, resistência, velocidade e coordenação neuromuscular dos indivíduos. A constante melhora e equilíbrio de todos estes atributos físicos é o ponto fundamental na preparação física e técnica de um atleta.

Por isso, a aplicação correta dos princípios do treinamento esportivo é fundamental neste esporte e esta diretamente correlacionada com o aumento do desempenho individual do atleta.

O futebol profissional tem seu alicerce maior nas categorias de base, onde os atletas dão os primeiros passos na sua formação atlética. Nesta etapa, acontece a iniciação esportiva dos garotos e garotas. A formação técnica, tática, cognitiva e psicológica é iniciada, transformando-os em atletas aptos para realizarem suas atividades nos mais altos níveis de intensidade e exigências condizentes com o esporte.

Este é um período de maturação fisiológica, no qual diversas mudanças ocorrem no corpo dos jovens atletas. Este período nada mais é que um período que determina a velocidade e o momento do crescimento e que pode se diferenciar de indivíduo para indivíduo. Neste momento, as taxas hormonais se elevam, as epífises ósseas vão sendo formadas e, por isso, nesta época a aplicação correta dos princípios do treinamento esportivo é necessária, pois do contrário o desenvolvido pode ser severamente comprometido.

A principal ferramenta utilizada pelos educadores físicos para detectar os períodos de maturação é a observação de alguns indicadores. Os principais indicadores do período de maturação são:

• Sexuais - Pilosidade púbica; (aparecimento e crescimento dos pelos pubianos), desenvolvimento genital e crescimento das mamas (mulheres).

• Somáticos – Idade no pico de velocidade de crescimento (correlação entre idade e centímetros por ano), % de estatura predita (correlação entre peso/altura por ano.

• Esqueléticos – Desenvolvimento das epífises ósseas;

Com a mudança de categoria devido à idade, os níveis de cargas, a relação volume x intensidade e tipos de treinamentos devem ser alterados, utilizando-se metodologias condizentes com cada faixa etária trabalhada.

Podemos citar como um bom exemplo dessas alterações as sessões de treinamento de força: na categoria infantil (± 15 anos), o treino de força (considera-se todas as variações desta valência), não pode ter a mesma intensidade que um treinamento de força da categoria juvenil (± 17 anos), pois por mais que as idades apresentem apenas 2 anos de diferença.

Nesta faixa etária este período de tempo pode ser muito significativo no pico de maturação do jovem, tanto a níveis de formação óssea, quanto muscular, pois é justamente neste período que acontece o chamado popularmente "estirão" de crescimento, momento onde o crescimento ósseo e muscular pode acontecer com grande velocidade.

Já nas categorias maiores, juniores (±18 a 20 anos) e profissionais, as cargas e sessões de treinamento já são bem diferenciadas e específicas, pois neste período a maturação já esta em um estágio bem adiantando, praticamente finalizada, alterando-se pouca coisa. Consequentemente as cargas e volumes de treinamento podem ser implantados com maior intensidade e complexidade. Deve-se priorizar o aperfeiçoamento e as especificidades das valências físicas.

Como os jovens estão sendo "lançado” na categoria profissional cada vez mais precocemente, o acompanhamento do desenvolvimento morfológico deve ser minucioso por parte de treinadores, educadores físicos e fisiologistas, pois a "queima" de etapas futuramente poderá ter consequências desastrosas na formação do atleta.

 

Definições

Para que haja um desenvolvimento e melhora no desempenho esportivo e físico dos atletas, é importante e necessário que os educadores físicos utilizem a aplicação dos princípios que regem o treinamento desportivo nas suas sessões de treinamento. Estes princípios nada mais são que regras que devem ser utilizadas como instrumento de ajuda e auxílio, na obtenção de melhores resultados durante todo o período de vida atlética dos praticantes de atividades físicas intensas.

(Mc. ARDLE, KATCH, KATCH 1996) Citam quatro princípios aplicados no treinamento desportivo:

- PRINCÍPIO DE SOBRECARGA;
- PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE;
- PRINCÍPIO DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS;
- PRINCÍPIO DE REVERSIBILIDADE;

(Mc. ARDLE, KATCH, KATCH 1996), definem os princípios:

Princípio da sobrecarga: "Para ampliar o aprimoramento fisiológico e induzir uma resposta ao treinamento, deverá ser aplicada uma sobrecarga com o exercício que seja específico para a atividade". Ao exercitar-se em um nível de intensidade mais alto que aquele adotado normalmente, consegue-se induzir uma série de adaptações ao treinamento altamente específicas e que permitem ao organismo funcionar com maior eficiência.

A sobrecarga apropriada para cada pessoa poderá ser conseguida pela manipulação de combinações de frequências, intensidade, modalidade e duração do treinamento, com uma consideração específica para modalidade do exercício.

Principio da Especificidade: quando aplicada ao treinamento, a especificidade se refere a adaptações nos sistemas metabólicos e fisiológicos, dependendo do tipo de sobrecarga imposta. Um estresse com exercícios específicos, como um treinamento de força e potência, induz adaptações específicas, que nesse caso são adaptações de força e potência, enquanto um exercício aeróbico ou cardiovascular específico produz adaptações específicas ao treinamento de endurance, com intercambio apenas limitado dos benefícios derivados entre o treinamento muscular de força e aeróbico. "Para uma maior simplicidade, o exercício específico desencadeia adaptações específicas que criam efeitos específicos do treinamento".

Princípios das diferenças individuais: Muitos fatores para a variação individual na resposta ao treinamento. Por exemplo, é importante o nível de aptidão relativa da pessoa no início do treinamento. É irreal esperar que pessoas diferentes que iniciam juntas um programa de exercícios estejam no mesmo "estado" de treinamento ao mesmo tempo.

Consequentemente, é contra produtivo insistir que todos os atletas de uma mesma equipe treinem da mesma forma ou com o mesmo ritmo relativo ou absoluto de trabalho. È igualmente irreal esperar que todos os indivíduos respondam a um determinado estímulo de treinamento exatamente da mesma forma. "Os benefícios do treinamento são aprimorados quando programas são planejados de forma a atender as necessidades individuais e as capacidades dos participantes".

Princípio da reversibilidade: O destreinamento se processa com rapidez quando uma pessoa deixa de participar de um programa de exercícios. Após apenas uma ou duas semanas de destreinamento, podem ocorrer reduções significativas na capacidade tanto metabólicas, quanto de trabalho, e muitos dos aprimoramentos induzidos pelo treinamento são perdidos dentro de alguns meses. "O ponto importante é que, até mesmo entre atletas altamente treinados, os efeitos benéficos de muitos anos de treinamento prévio com exercícios são transitórios e reversíveis".

(Tubino, 1984) cita cinco como os princípios do treinamento esportivo:

- Princípio da Individualidade Biológica;
- Princípio da adaptação;
- Princípio da sobrecarga;
- Princípio da continuidade;
- Princípio da interdependência volume-intensidade;

Princípio da Individualidade Biológica: "Chama-se Individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz que com que não existam pessoas iguais entre si." (TUBINO, 1984, p.100).

Princípio da adaptação: De acordo com Weineck, a adaptação é a lei mais universal e importante da vida. Adaptações biológicas apresentam-se como mudanças funcionais e estruturais em quase todos os sistemas. Sob "adaptações biológicas no esporte", entendem-se as alterações dos órgãos e sistemas funcionais, que aparecem em decorrência das atividades psicofísicas e esportivas (WEINECK, 1991).

Princípio da sobrecarga: De acordo com Dantas: "Imediatamente após a aplicação de uma carga de trabalho, há uma recuperação do organismo, visando restabelecer a homeostase" (DANTAS, 1995, p.43).

Princípio da Continuidade: Para o organismo se adaptar, necessita obrigatoriamente de continuidade, pois as adaptações fisiológicas necessitam de tempo para acontecerem.

Princípio da Interdependência Volume-Intensidade: Aumentando-se as cargas de treinamento conseqüentemente aumentam-se os índices de desempenho, pois existe uma relação entre volume x intensidade de treinamento.

Conclusão

Visando sempre a obtenção de melhores resultados nas suas performances esportivas todos os atletas, em especial atletas de futebol, através de seus treinadores, educadores físicos e fisiologistas utilizam cada vez mais os princípios do treinamento desportivo, buscando novas técnicas e metodologias de treinamento.

O constante estudo, aprendizado e atualização do treinamento são fundamentais para o sucesso de atletas e equipes de futebol ou outros esportes coletivos ou individuais, independente da categoria envolvida. Na sua maioria os princípios estão co-relacionados, existindo assim a necessidade do desenvolvimento de todos eles, pois um levará a otimização do outro.

A busca pelo equilíbrio deve ser sempre o principal objetivo a ser alcançado.

Referências bibliográficas

McARDLE, Willian; D.KATCH, Frank; I, KATCH; Victor L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.

TUBINO, Manoel José Gomes. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3ª edição. São Paulo: Ibrasa, 1984.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Preocupado...

Muito preocupado com a Copa Rio.
Até o momento não fomos informado da nossa inscrição da copa RIO 2014.
A federação Carioca dá muita fresca para meu gosto.

Futsal