terça-feira, 8 de julho de 2014

FUNDAMENTOS TÁTICOS NO FUTEBOL


FUNDAMENTOS TÁTICOS NO FUTEBOL
A Tática no Futebol
Embora não seja uma guerra, o futebol é o confronto entre duas nações representadas pelos seus “guerreiros” no campo.
Por isso, mesmo sendo um esporte, ele adapta o conceito de tática utilizado nas guerras: tática é a arte de dispor e ordenar tropas para combate.

Restringindo-se agora apenas ao futebol, dá para acrescentar outro conceito.
Como as equipes são compostas por pelo menos três setores – defesa, meio-campo e ataque – é preciso aplicar um sistema, responsável pela coordenação das partes entre si, transformando o que poderia ser um emaranhado de 11 jogadores em uma estrutura organizada.

Para isso, a partir da década de 1930, o futebol passou a evoluir com a criação de diversos sistemas táticos, responsáveis pela organização das equipes.
 
TÁTICA NO FUTEBOL

É preciso diferenciar três aspectos que contribuem para a execução do sistema tático adotado pela equipe.
Existem três tipos de táticas, e todas elas devem ser levadas em consideração pelo treinador de futebol.

Tática Individual:
é a função desempenhada pelo jogador. Dentro da proposta coletiva, o técnico precisa estabelecer de maneira clara e eficiente o papel de cada um. Envolve as orientações sobre a movimentação do jogador, a postura ofensiva e a postura defensiva.

Tática de grupo:
é o planejamento dirigido a um setor específico. Envolve as atribuições de cobertura, apoio à marcação, linhas de passe e triangulações, ocupação e abertura de espaços.
Exemplo: tática de grupo para defesa e ataque no lado direito do campo, envolvendo o lateral-direito, o primeiro volante e o meia-articulador.
Conforme suas táticas individuais, todos precisam saber como auxiliar uns aos outros na marcação, e como se movimentar organizadamente nas investidas de ataque.

Tática coletiva:
é o planejamento adotado para todo o time, aquele “dos números”, responsável por interligar e coordenar as táticas de grupo.
Mas o sucesso da tática coletiva depende da maneira como o treinador define as funções de cada jogador (táticas individuais) e a movimentação ordenada de cada setor (táticas de grupo).
Apenas definir o sistema tático, sem o cuidado de organizar as partes e as individualidades, não é suficiente.
 
ESTRATÉGIA

A estratégia não pode ser confundida com o sistema tático. Ela na verdade é a maneira como vai se comportar a equipe em campo.
Independentemente do sistema tático, o time pode adotar uma postura mais ofensiva ou mais defensiva.
Com o mesmo sistema tático, um time pode modificar a estratégia dentro de um jogo – invertendo jogadores de posição, por exemplo, ou alterando o sistema de marcação.
Mais ligada às táticas individual e de grupo, a estratégia leva em consideração a movimentação dos jogadores na marcação (cobertura, antecipação) e na articulação (antecipação, criação de espaços, formação de linhas de passe), e a característica dos atletas.
Times que se enfrentam com o mesmo esquema tático podem ter estratégias diferentes.
Por isso, é importante que os jogadores tenham capacidade para compreender as atribuições de cada função dentro da tática coletiva, assimilando mais de uma tática individual.
Isso oferece a oportunidade para que o treinador altere a estratégia com a bola rolando, sem a necessidade de fazer substituições, apenas modificando a função dos jogadores.
 
ZONAS DE MARCAÇÃO

A definição do sistema de marcação é fundamental dentro da estratégia de cada equipe. Mas também é preciso levar em consideração o preparo físico e a movimentação do adversário na definição do sistema de marcação.
De nada adiantaria, por exemplo, definir uma marcação-pressão se a equipe não tem condições físicas de aguentar essa exigência por muito tempo.

Zona:
é a marcação utilizada principalmente nos clubes da Inglaterra. Delimitada a zona de atuação de cada jogador (tática individual), ele vai dar combate nos adversários que por ali transitarem.
Exige muita visão periférica para antecipar as jogadas e fazer a abordagem correta no momento em que for exigido.

Pressão:
adiantam-se todos os setores (tática de grupo) e a marcação é feita no campo do adversário.
Os atacantes entram em combate direto com os zagueiros para induzir o adversário à ligação direta.

Meia-pressão:
a defesa e o meio-campo adiantam-se, mas a pressão é exercida apenas pelos atacantes, na saída de bola dos adversários.

Individual:
um jogador marca apenas um adversário, acompanhando o atleta em qualquer parte do campo.
Utilizada para anular algum jogador diferenciado de criação ou finalização.

Mista:
é diferenciada por setor (tática de grupo).
Pode ser adotada pressão no ataque, a zona no meio e a individual na defesa, por exemplo.
 
SISTEMAS TÁTICOS

A evolução das regras e do preparo físico levou os treinadores a criar novos sistemas de acordo com a exigência de cada época.
No início, o futebol se resumia a um grande número de atletas no ataque.
A estratégia era a ligação direta. Mas, com a regra do impedimento, os times precisaram se organizar.

O enfoque passou do ataque para o meio, onde a bola precisaria permanecer por maior tempo em busca da articulação.
Cada sistema, entretanto, surge como oposição ao antecessor, exatamente pela necessidade de vencê-lo.

A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos. Os demais são considerados variações destes já existentes:
 
W.M – Arsenal – 1925
 
É o primeiro sistema tático identificado na história do futebol. Tem três zagueiros em linha, dois volantes, dois meias de ligação e três atacantes. Fez tanto sucesso que todos passaram a usá-lo, “espelhando” os confrontos. Quem quisesse vencer teria de aumentar o número de atacantes.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.
 
4-2-4 (utilizado pelo Brasil nas Copas de 58 e 62)

Com o objetivo de criar dificuldades para o W.M surgiu o 4-2-4. Com relação ao antecessor, um volante virou o 4º zagueiro, e um meia virou o 4º atacante. E no confronto com o W.M, ficaram 4 zagueiros para marcar 3 atacantes, e 4 atacantes contra três zagueiros.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “quarto zagueiro”, utilizado até hoje.
 
 
 
 
4-3-3 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1970)
 
A simplificação do 4-2-4 reduziu a permanência da bola no meio-campo, resumindo-se o jogo à ligação direta. Aos poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do ataque e da defesa para o meio-campo. E assim, o 4-3-3 é o primeiro sistema que busca aumentar a posse de bola no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias para dois volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de ataque ou defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e movimentação dos atacantes). Hoje, por exemplo, o Barcelona utiliza um 4-3-3 com laterais quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação que jogam em diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam para o fundo e faziam cruzamentos. É o mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente.
 
4-4-2 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1994)
 
Cada vez mais as atenções voltaram-se para o meio-campo. E então um dos atacantes passou para o setor de criação, eliminando a existência dos pontas. É um dos sistemas táticos que mais permite variações, dependendo da tática individual dos homens de meio e de ataque: variam o número de volantes e articuladores, o posicionamento de todos, e a característica dos atacantes. No meio, o desenho pode ser o quadrado, o losango, a linha, variando de um até quatro volantes. No ataque, também podem ser dois centroavantes fixos, ou dois atacantes de movimentação, ou então uma combinação entre o centroavante e o atacante.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.
 
3-5-2 (nascido na Itália)
 
Este é o esquema que mais sofre distorções. Nasceu na Itália com o conceito de líbero. O líbero (em italiano, “livre”), está originalmente localizado na defesa, mas é um jogador “livre” para se posicionar conforme as exigências da partida. Dentro do mesmo jogo pode estar atrás da linha de zagueiros – como homem da sobra, à frente deles – como volante, investir pelo meio ou pelas laterais, e até mesmo aparecer na área para concluir. Baresi é o maior exemplo de líbero bem sucedido pela inteligência com a qual se posicionava em campo, sempre atento à hora de modificar a própria posição.
Mas no Brasil o sistema é mal compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo.
Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga.
Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.
 
3-4-3 (Dinamarca 2002/Ajax 1995)
 
É um sistema quase misto, que se utiliza dos conceitos de defesa do 3-5-2 (líbero, cobertura e posicionamento) de meio-campo do 4-4-2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e de ataque do 4-3-3 (retorno do 3º atacante).
Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.
 
O FUTURO

O futebol está cada vez mais dependente da força física e da velocidade dos jogadores.
E isso vai se refletir nas opções relativas ao sistema tático – incluindo as táticas coletiva, de grupo e individual, à estratégia e ao sistema de marcação.

Dentro das estratégias, haverá cada vez mais variação de posicionamento tático dentro da mesma partida.
E por isso o jogador precisará ser cada vez mais inteligente e de raciocínio rápido.

Essas variações táticas vão exigir jogadores capazes de entender a necessidade da partida, com inteligência para cumprir mais de uma função tática individual e de assimilar diversos sistemas e estratégias, tanto de grupo como coletivas.
E assim esse jogador também terá autonomia para tomar decisões em campo.
 
O TREINADOR

Guss Hiddink - Um dos treinadores mais estrategistas do Futebol Moderno
Dados todos estes argumentos, fica muito claro porque sou tão crítico com os treinadores.
Muitos defendem que o poder de decisão está com os jogadores, que é a qualidade deles quem determina os vitoriosos, mas eu discordo.
Os méritos e as cobranças devem sim ser mais direcionadas ao treinador.

Neste pequeno resumo de apenas sete páginas expus uma diversidade de atribuições do treinador, mesmo as relacionadas ao desempenho do atleta.
Por muitas vezes, um jogador apresenta-se mal porque não tem uma tática individual clara, ou pior: foi escalado para cumprir uma função equivocada.
É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia.
É o treinador quem faz o time jogar, e quando o técnico é limitado, não tem inteligência para definir táticas individuais coerentes com as táticas de grupo, integradas à tática coletiva e de acordo com a melhor estratégia, o time torna-se um emaranhado de atletas chocando-se dentro de campo como baratas desgovernadas.
 
"SEMPRE NO ESPORTE COLETIVO VENCERÁ A COLETIVIDADE QUE ESTIVER MELHOR ORGANIZADA"
"UM GÊNIO DENTRO DE UMA EQUIPE EMBARALHADA CAI DE PRODUÇÃO, ENQUANTO UM JOGADOR LIMITADO FAZENDO PARTE DE UMA ENGRENAGEM INTELIGENTE TORNA-SE ÚTIL".


A Tática no Futebol


Embora não seja uma guerra, o futebol é o confronto entre duas nações representadas pelos seus “guerreiros” no campo.

Por isso, mesmo sendo um esporte, ele adapta o conceito de tática utilizado nas guerras: tática é a arte de dispor e ordenar tropas para combate.


Restringindo-se agora apenas ao futebol, dá para acrescentar outro conceito.

Como as equipes são compostas por pelo menos três setores – defesa, meio-campo e ataque – é preciso aplicar um sistema, responsável pela coordenação das partes entre si, transformando o que poderia ser um emaranhado de 11 jogadores em uma estrutura organizada.


Para isso, a partir da década de 1930, o futebol passou a evoluir com a criação de diversos sistemas táticos, responsáveis pela organização das equipes.

 

TÁTICA NO FUTEBOL


É preciso diferenciar três aspectos que contribuem para a execução do sistema tático adotado pela equipe.

Existem três tipos de táticas, e todas elas devem ser levadas em consideração pelo treinador de futebol.


Tática Individual: é a função desempenhada pelo jogador. Dentro da proposta coletiva, o técnico precisa estabelecer de maneira clara e eficiente o papel de cada um. Envolve as orientações sobre a movimentação do jogador, a postura ofensiva e a postura defensiva.


Tática de grupo: é o planejamento dirigido a um setor específico. Envolve as atribuições de cobertura, apoio à marcação, linhas de passe e triangulações, ocupação e abertura de espaços.

Exemplo: tática de grupo para defesa e ataque no lado direito do campo, envolvendo o lateral-direito, o primeiro volante e o meia-articulador.

Conforme suas táticas individuais, todos precisam saber como auxiliar uns aos outros na marcação, e como se movimentar organizadamente nas investidas de ataque.


Tática coletiva: é o planejamento adotado para todo o time, aquele “dos números”, responsável por interligar e coordenar as táticas de grupo.

Mas o sucesso da tática coletiva depende da maneira como o treinador define as funções de cada jogador (táticas individuais) e a movimentação ordenada de cada setor (táticas de grupo).

Apenas definir o sistema tático, sem o cuidado de organizar as partes e as individualidades, não é suficiente.

 

ESTRATÉGIA


A estratégia não pode ser confundida com o sistema tático. Ela na verdade é a maneira como vai se comportar a equipe em campo.

Independentemente do sistema tático, o time pode adotar uma postura mais ofensiva ou mais defensiva.

Com o mesmo sistema tático, um time pode modificar a estratégia dentro de um jogo – invertendo jogadores de posição, por exemplo, ou alterando o sistema de marcação.

Mais ligada às táticas individual e de grupo, a estratégia leva em consideração a movimentação dos jogadores na marcação (cobertura, antecipação) e na articulação (antecipação, criação de espaços, formação de linhas de passe), e a característica dos atletas.

Times que se enfrentam com o mesmo esquema tático podem ter estratégias diferentes.

Por isso, é importante que os jogadores tenham capacidade para compreender as atribuições de cada função dentro da tática coletiva, assimilando mais de uma tática individual.

Isso oferece a oportunidade para que o treinador altere a estratégia com a bola rolando, sem a necessidade de fazer substituições, apenas modificando a função dos jogadores.

 

ZONAS DE MARCAÇÃO


A definição do sistema de marcação é fundamental dentro da estratégia de cada equipe. Mas também é preciso levar em consideração o preparo físico e a movimentação do adversário na definição do sistema de marcação.

De nada adiantaria, por exemplo, definir uma marcação-pressão se a equipe não tem condições físicas de aguentar essa exigência por muito tempo.


Zona: é a marcação utilizada principalmente nos clubes da Inglaterra. Delimitada a zona de atuação de cada jogador (tática individual), ele vai dar combate nos adversários que por ali transitarem.

Exige muita visão periférica para antecipar as jogadas e fazer a abordagem correta no momento em que for exigido.


Pressão: adiantam-se todos os setores (tática de grupo) e a marcação é feita no campo do adversário.

Os atacantes entram em combate direto com os zagueiros para induzir o adversário à ligação direta.


Meia-pressão: a defesa e o meio-campo adiantam-se, mas a pressão é exercida apenas pelos atacantes, na saída de bola dos adversários.


Individual: um jogador marca apenas um adversário, acompanhando o atleta em qualquer parte do campo.

Utilizada para anular algum jogador diferenciado de criação ou finalização.


Mista: é diferenciada por setor (tática de grupo).

Pode ser adotada pressão no ataque, a zona no meio e a individual na defesa, por exemplo.

 

SISTEMAS TÁTICOS


A evolução das regras e do preparo físico levou os treinadores a criar novos sistemas de acordo com a exigência de cada época.

No início, o futebol se resumia a um grande número de atletas no ataque.

A estratégia era a ligação direta. Mas, com a regra do impedimento, os times precisaram se organizar.


O enfoque passou do ataque para o meio, onde a bola precisaria permanecer por maior tempo em busca da articulação.

Cada sistema, entretanto, surge como oposição ao antecessor, exatamente pela necessidade de vencê-lo.


A FIFA reconhece apenas seis sistemas táticos. Os demais são considerados variações destes já existentes:

 

W.M – Arsenal – 1925

 


É o primeiro sistema tático identificado na história do futebol. Tem três zagueiros em linha, dois volantes, dois meias de ligação e três atacantes. Fez tanto sucesso que todos passaram a usá-lo, “espelhando” os confrontos. Quem quisesse vencer teria de aumentar o número de atacantes.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “zagueiro central”, utilizado até hoje.

 

4-2-4 (utilizado pelo Brasil nas Copas de 58 e 62)


Com o objetivo de criar dificuldades para o W.M surgiu o 4-2-4. Com relação ao antecessor, um volante virou o 4º zagueiro, e um meia virou o 4º atacante. E no confronto com o W.M, ficaram 4 zagueiros para marcar 3 atacantes, e 4 atacantes contra três zagueiros.
CURIOSIDADE: Dele surgiu o termo “quarto zagueiro”, utilizado até hoje.

 

 

 

 

4-3-3 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1970)

 


A simplificação do 4-2-4 reduziu a permanência da bola no meio-campo, resumindo-se o jogo à ligação direta. Aos poucos, entretanto, a atenção dos confrontos passou do ataque e da defesa para o meio-campo. E assim, o 4-3-3 é o primeiro sistema que busca aumentar a posse de bola no setor de criação. Pode variar de um volante e dois meias para dois volantes e um meia, modificando-se ainda mais com as estratégias de ataque ou defesa (laterais ofensivos ou defensivos, sistema de marcação e movimentação dos atacantes). Hoje, por exemplo, o Barcelona utiliza um 4-3-3 com laterais quase fixos à defesa, em linha, e atacantes de movimentação que jogam em diagonal, ao contrário dos antigos pontas, que corriam para o fundo e faziam cruzamentos. É o mesmo sistema, mas com uma estratégia diferente.

 

4-4-2 (utilizado pelo Brasil na Copa de 1994)

 


Cada vez mais as atenções voltaram-se para o meio-campo. E então um dos atacantes passou para o setor de criação, eliminando a existência dos pontas. É um dos sistemas táticos que mais permite variações, dependendo da tática individual dos homens de meio e de ataque: variam o número de volantes e articuladores, o posicionamento de todos, e a característica dos atacantes. No meio, o desenho pode ser o quadrado, o losango, a linha, variando de um até quatro volantes. No ataque, também podem ser dois centroavantes fixos, ou dois atacantes de movimentação, ou então uma combinação entre o centroavante e o atacante.
CURIOSIDADE: Dele nasceu o termo “quarto homem de meio-campo”.

 

3-5-2 (nascido na Itália)

 


Este é o esquema que mais sofre distorções. Nasceu na Itália com o conceito de líbero. O líbero (em italiano, “livre”), está originalmente localizado na defesa, mas é um jogador “livre” para se posicionar conforme as exigências da partida. Dentro do mesmo jogo pode estar atrás da linha de zagueiros – como homem da sobra, à frente deles – como volante, investir pelo meio ou pelas laterais, e até mesmo aparecer na área para concluir. Baresi é o maior exemplo de líbero bem sucedido pela inteligência com a qual se posicionava em campo, sempre atento à hora de modificar a própria posição.
Mas no Brasil o sistema é mal compreendido. No 3-5-2 tupiniquim, o líbero virou o “homem da sobra”, ou pior: o “terceiro zagueiro”. Atua fincado atrás da linha de zaga, sem liberdade para apoiar nem sequer de posicionar-se à frente deles, como um volante. E assim, o time perde volume no meio-campo.
Compreender a função do líbero é fundamental para o sucesso do 3-5-2, porque apenas com um jogador capaz de assimilar essa tática individual de extrema alternância de funções, com posicionamento, noção de cobertura e movimentação constante, pode exercê-la. Do contrário, o líbero seguirá sendo apenas um rebatedor atrás da linha de zaga.
Outro conceito trazido pelo 3-5-2 é o de alas, abolindo os laterais. Os alas têm na origem a função de não apenas jogar pelos lados, mas também ocupar os espaços de meio-campo na articulação das jogadas.

 

3-4-3 (Dinamarca 2002/Ajax 1995)

 


É um sistema quase misto, que se utiliza dos conceitos de defesa do 3-5-2 (líbero, cobertura e posicionamento) de meio-campo do 4-4-2 (diversas possibilidades de desenhos e estratégias) e de ataque do 4-3-3 (retorno do 3º atacante).
Os demais esquemas são considerados pela FIFA variações destes seis reconhecidos. Portanto, o 3-6-1 pode ser visto como uma variação do 3-5-2, o 4-5-1 como uma alternativa ao 4-4-2 e assim por diante.

 

O FUTURO


O futebol está cada vez mais dependente da força física e da velocidade dos jogadores.

E isso vai se refletir nas opções relativas ao sistema tático – incluindo as táticas coletiva, de grupo e individual, à estratégia e ao sistema de marcação.


Dentro das estratégias, haverá cada vez mais variação de posicionamento tático dentro da mesma partida.

E por isso o jogador precisará ser cada vez mais inteligente e de raciocínio rápido.


Essas variações táticas vão exigir jogadores capazes de entender a necessidade da partida, com inteligência para cumprir mais de uma função tática individual e de assimilar diversos sistemas e estratégias, tanto de grupo como coletivas.

E assim esse jogador também terá autonomia para tomar decisões em campo.

 

O TREINADOR


Guss Hiddink - Um dos treinadores mais estrategistas do Futebol Moderno

Dados todos estes argumentos, fica muito claro porque sou tão crítico com os treinadores.

Muitos defendem que o poder de decisão está com os jogadores, que é a qualidade deles quem determina os vitoriosos, mas eu discordo.

Os méritos e as cobranças devem sim ser mais direcionadas ao treinador.


Neste pequeno resumo de apenas sete páginas expus uma diversidade de atribuições do treinador, mesmo as relacionadas ao desempenho do atleta.

Por muitas vezes, um jogador apresenta-se mal porque não tem uma tática individual clara, ou pior: foi escalado para cumprir uma função equivocada.
É o treinador quem define todas as táticas individuais, dos 10 jogadores de linha – e até do goleiro (reposição de bola, posicionamento como “homem da sobra”...), todas as táticas de grupo e encaixa essas definições na tática coletiva e na estratégia.

É o treinador quem faz o time jogar, e quando o técnico é limitado, não tem inteligência para definir táticas individuais coerentes com as táticas de grupo, integradas à tática coletiva e de acordo com a melhor estratégia, o time torna-se um emaranhado de atletas chocando-se dentro de campo como baratas desgovernadas.

 

"SEMPRE NO ESPORTE COLETIVO VENCERÁ A COLETIVIDADE QUE ESTIVER MELHOR ORGANIZADA"

"UM GÊNIO DENTRO DE UMA EQUIPE EMBARALHADA CAI DE PRODUÇÃO, ENQUANTO UM JOGADOR LIMITADO FAZENDO PARTE DE UMA ENGRENAGEM INTELIGENTE TORNA-SE ÚTIL".

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Excesso de Treino

MATÉRIA PUBLICADA PELO SITE GLOBO.COM

A maior parte das fraturas por stress em corredores ocorre na tíbia, osso da canela.

Segundo algumas pesquisas, as fraturas nesse local representam de 35% a 49% de todas as fraturas por stress. O desenvolvimento da fratura por stress na tíbia está ligado ao acúmulo de forças mecânicas transmitidas para o osso, excedendo sua capacidade de reparação e remodelação com o passar do tempo.

Existem alguns fatores relacionados ao seu surgimento, embora sua exata causa ainda esteja envolta em dúvidas. Entre eles, incluem-se o volume de treinamento exagerado, condições intrínsecas como regulação hormonal e nível nutricional, e fatores biomecânicos como alto impacto.

Pessoas com fratura por stress exibem um amortecimento de impacto na corrida deficiente em comparação a pessoas sem lesão. A força com que o corpo aterrissa no chão é maior, e o joelho, que deveria funcionar como uma mola para suavizar o impacto, fica mais rígido. Além disso, um alto grau de pronação do tornozelo também é observado em pessoas que apresentam essa fratura.

Pesquisadores japoneses acompanharam 230 corredores por três anos, no intuito de descobrir com mais detalhes sobre o que causa a fratura por stress. Eles mediram altura, peso, índice de massa corpórea, amplitude de movimento do tornozelo e quadril, flexibilidade dos músculos da perna, alinhamento do joelho, arco do pé (se plano ou normal), força do quadril e condicionamento físico. No início da pesquisa, nenhum corredor apresentava lesão.

Ao final dos três anos, 21 tiveram fratura por stress e a única diferença entre esses corredores e os que continuaram sem problemas foi a flexibilidade dos músculos das pernas. Os que tiveram fratura apresentavam maior rigidez, o que pode interferir no mecanismo de absorção de impacto e gerar sobrecarga na tíbia.

O tratamento normalmente não é cirúrgico e envolve um período de repouso estabelecido pelo médico. No retorno à corrida, é importante atentar-se ao impacto do corpo com o solo. Procure correr fazendo o mínimo barulho possível, mantenha o tronco estável e alto (imagine que uma corda te puxa para cima) e deixe as pernas relaxadas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lesão Muscular.




Os estiramentos musculares do membro inferior estão entre as lesões mais comuns no esporte, podendo chegar até um terço das lesões. Os músculos isquiotibiais (atrás da coxa – que são: bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso) são os principais músculos afetados em atletas de elite.

Essas lesões estão associadas a esportes que envolvem aceleração e desaceleração, saltos, mudanças de direção e chutes. Resultam em um grande tempo afastado dos esportes. Normalmente resultam de um alongamento durante a fase de contração muscular (contração excêntrica).
Fatores predisponentes da lesão
Muitos fatores têm sido associados com essas lesões, porém não têm uma evidência científica muito forte.

1. Lesão prévia: Orchard em um estudo no futebol australiano, mostrou que a lesão prévia dos isquiotibiais foi o principal fator de risco para uma nova lesão.

2. Fadiga: músculo fadigado predispõe à lesão. Estudos em coelhos mostraram que o músculo fadigado absorve menos energia antes de romper-se. Está também associado a alterações biomecânicas.

3. Flexibilidade diminuída: músculos que são alongados ciclicamente apresentam uma característica de suportarem um maior alongamento antes da lesão. Witvrouw mostrou uma forte correlação entre retração da musculatura dos isquiotibiais durante avaliação na pré-temporada e subseqüente lesão durante a temporada em jogadores de futebol.

4. Fraqueza: muitos estudos associam a falta de força muscular com as lesões posteriores da coxa. Atletas que não sofreram lesões mostraram maior força na contração excêntrica.
Recorrência
Esta lesão comum tem uma alta taxa de reincidência o que faz os atletas, treinadores, médicos e fisioterapeutas ficarem frustrados. Pode chegar até 30% de reincidência. O tecido cicatricial não tem a mesma elasticidade do tecido normal, podendo sofrer novo estiramento. Também ocorre uma diminuição da força muscular nos demais músculos devido ao desuso (repouso). Normalmente o tempo de recuperação é maior do que se imagina inicialmente.
Local anatômico e patofisiologia
O local mais comum é na junção miotendinosa (entre o músculo e o tendão) do bíceps femoral. Apesar de muita investigação, a etiologia e a patofisiologia permanecem obscuras. Estudos histológicos mostraram que a lesão é caracterizada por inflamação e edema e sangramento. A resposta inflamatória aguda é responsável pela proliferação de fibroblastos. Após a resolução do processo inflamatório, um processo fibrótico segue e leva à formação da cicatriz. Este tecido cicatricial é menos flexível e mais fraco que o tecido normal. 
Apresentação clínica
Geralmente há uma história de dor súbita posterior na coxa associada à perda da função do músculo. No exame, pode-se perceber inchaço localizado, dor e possivelmente um defeito no músculo. Equimose (roxo) é indicativo de lesão maior, porém pode levar até dois dias para aparecer. Há dor e diminuição da força de contração durante a flexão forçada do joelho. Também há uma diminuição na capacidade de alongar a perna afetada.
Classificação
A mais conhecida é a de O’Donoghue:
Grau 1 - não há ruptura de fibras, sem perda de função ou força e há apenas um processo inflamatório de baixo grau. Normalmente o retorno pode ocorrer dentro de uma semana até 10 dias.

Grau 2 - ocorre lesão tecidual que reduz a força do músculo. Diminuição da função muscular. Retorno em duas a quatro semanas.

Grau 3 - caracterizado por completa ruptura da unidade músculo-tendínea com perda completa da função muscular. Retorno entre seis a oito semanas.
Exames de imagem
A ultrassonografia (ecografia) é útil, porém o exame padrão é a ressonância magnética.
Tratamento
O manejo destas lesões é essencialmente a modificação das atividades somado a um programa de reabilitação. Outras medidas são o uso de medicamentos, assim como estimulação elétrica e ultrassom. Cirurgia é muito rara quando ocorre uma avulsão completa.

1. Medicamentos antiinflamatórios não esteróides: São frequentemente usados, porém seu uso tem sido questionado. Mais de cinco a sete dias pode diminuir a velocidade de cicatrização.

2. Corticosteróides: também controverso. Deve ser reservado quando há um aumento do processo inflamatório durante a reabilitação (quando o processo inflamatório não se resolve em poucos dias).

3. Ultrassom: embora usado frequentemente, não há uma evidência científica forte que seja útil. Tem o objetivo de aumentar a síntese protéica e a permeabilidade das membranas e a atividade fibroblástica.

4. Cirurgia: Raramente indicada, apenas para lesões de avulsão (arrancamento) da musculatura junto ao osso, que pode ocorrer na sua origem junto ao osso do ísquio (no quadril).
Reabilitação
Fase 1: O manejo inicial consiste em repouso, gelo, compressão e elevação para minimizar um dano tecidual maior, diminuir o sangramento, diminuir a resposta inflamatória e diminuir a dor.

Fase 2: Mobilidade precoce controlada e alongamentos passivos (assistidos), sempre dentro de uma área de conforto. O paciente não pode sentir dor. Natação e exercícios para os membros superiores são estimulados para manter o condicionamento.

Fase 3: exercícios isocinéticos são iniciados. Estimula-se o uso de bicicleta e de esteira.

Fase 4: após realizar exercícios isocinéticos sem dor, o atleta inicia corridas em linha reta. Permite-se o uso de exercícios de contração excêntrica. A intensidade do treinamento é gradualmente aumentada e o atleta inicia exercícios de agilidade e arranques.

Fase 5: fase final é o retorno ao esporte. Não há consenso de quando o atleta pode voltar. Todo esforço é feito para realizar os exercícios específicos do esporte sem dor, com a força normal, com a agilidade normal, sem dor, e então, o retorno ao esporte é permitido. Apesar disso, o risco de reincidência permanece alto por um período significativo.

domingo, 25 de maio de 2014

Lesão Meniscal: Diagnóstico e Tratamento



Matéria publicada pelo site Gustavo Vanni

O menisco é uma fibrocartilagem em formato de C que absorve e transmite a carga através dos joelhos. A causa mais comum de ruptura meniscal é a pressão excessiva e forças torcionais aplicadas no joelho.


Esse movimentos acontecem durante atividades esportivas ou quedas. Nesses momentos realizamos movimentos torcionais extremos do joelho e de hiperflexão. Pacientes com diminuição do espaço articular do joelho devido a perda da cartilagem e com artrose podem sofrer rupturas meniscais tanto agudas como degenerativas devido a pequenos movimentos agudos e de repetição. O exame de imagem de escolha para o diagnóstico das lesões meniscais é a ressonância nuclear magnética do joelho.

O diagnóstico da lesão meniscal é realizado através do conjunto de sintomas do paciente e da ressonância nuclear magnética. Os sintomas do joelho com lesão meniscal geralmente são inchaço do joelho, dor na região lateral (de fora) ou medial (de dentro) do joelho e dor para agachar ou para realizar a máxima extensão do joelho. Sintomas como travamento, falseio e estouros podem ocorrer.

Os sintomas são agravados por exercícios vigorosos e movimentos torcionais. O descer das escadas também pode gerar dor meniscal. Ao deitar a noite o paciente pode sentir dor ao relaxar as pernas e com isso torcer o joelho ou dobrar o mesmo. A persistência desses sintomas por 4 a 6 semanas podem significar uma lesão meniscal. Casos agudos são vistos imediatamente pelo componente do trauma e dor intensa. As lesões ligamentares agudas também podem imitar esses sintomas no trauma do tipo entorse do joelho.

O tratamento das lesões meniscais incluem:

- Iniciar fisioterapia para melhora dos sintomas.
- Uso de antiinflamatórios não esteróides por até duas semanas.

Restrição dos movimentos que causam dor

Cirurgia artroscópica do joelho para ressecar parcialmente as lesões meniscais ou realizar a sutura das mesmas. A diferença na indicação entre a menisectomia parcial( ressecção) e a sutura do menisco está baseada no tipo de lesão, na localização da lesão em termos de vascularização do menisco e tempo ocorrido da lesão. Lesões com mais de seis semanas de lesão meniscal não são indicadas para realizar a sutura meniscal.

A recuperação das lesões meniscais leva de duas a oito semanas se o tratamento realizado foi somente a ressecção parcial do menisco. Caso tenha sido realizada a sutura meniscal a recuperação pode levar de dois meses a quatro meses.

O tratamento fisioterápico após a cirurgia artroscópica é necessário dependendo da evolução do pós-operatório do paciente. Paciente com sutura meniscal sempre necessitam de fisioterapia. Lesões na cartilagem ou ligamentos podem ocorrer e o tempo de recuperação bem como o tratamento cirúrgico podem sofrer alteração.

Exercício intenso pode causar problema cardiovascular



 

Estudos concluem que exagerar na atividade física eleva risco de ataque cardíaco, derrame e arritmia. Mas isso não é um convite ao sedentarismo: pesquisadores alertam que qualquer exercício é melhor do que nenhum.

Fazer exercícios intensos regularmente pode ser maléfico à saúde cardiovascular. Segundo dois estudos, um alemão e outro sueco, ambos publicados quarta-feira no periódico Heart, exagerar na atividade física aumenta o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia. Mas isso não é um incentivo a não fazer nenhum exercício. Os pesquisadores ressalvam que se exercitar em qualquer quantidade é melhor do que ser sedentário.

Os cientistas do Centro de Estudo Alemão de Câncer mediram por dez anos a frequência e a intensidade de atividade física, além da taxa de mortalidade, de mais de 1.000 pessoas com doença arterial coronariana cardíaca estável.

Todos os participantes, com idade média de 60 anos, tinham participado de um programa de reabilitação cardíaca, que incluía exercícios regulares. Dos voluntários, 30% praticavam exercícios menos de duas vezes semanais (sendo que 10% nunca ou raramente praticavam), 40% duas a quatro vezes e 30% mais que quatro.

Ao compilar os dados, os cientistas detectaram, sem surpresa, que os sedentários tinham quatro vezes mais probabilidade de morrer de quaisquer causas do que os ativos fisicamente, sendo o risco de ataque cardíaco ou derrame duas vezes superior.

A constatação inesperada foi que os voluntários que praticavam os exercícios intensos mais de quatro vezes por semana também tinham duas vezes mais probabilidade de morrer de ataque cardíaco ou derrame do que aqueles que malhavam com menor frequência.

Já a pesquisa sueca, realizada por estudiosos do Departamento de Cardiologia do Hospital Karolinska, perguntou a mais de 44.000 homens, com idades entre 45 e 79 anos, sobre o tempo dedicado à atividade física nas idades de 15, 30 e 50 anos, e sobre cada ano depois dos 60 anos. A saúde cardíaca dos participantes foi acompanhada por doze anos, em média, desde 1997, período em que foi documentado quantos voluntários desenvolveram arritmia cardíaca e fibrilação atrial, um conhecido fator de risco do derrame.

Os pesquisadores constataram que os homens que se exercitaram intensamente por mais de cinco horas semanais tinham 19% mais probabilidade de desenvolver arritmia aos 60 anos do que aqueles que praticaram atividade física por menos de uma hora por semana. O risco subiu para 49% quando se realizava mais de cinco horas de exercício por semana aos 30 anos — grupo que, posteriormente, fazia menos de uma hora de atividade aos 60 anos.

"Esses dados precisam ser analisados com cautela. Nós podemos, definitivamente, dizer que qualquer quantidade de exercício é melhor do que o sedentarismo", disse ao site de VEJA Ute Mons, líder da pesquisa alemã. "Minha recomendação é que pacientes com problemas no coração estabeleçam sua 'dose' de exercício junto com o médico e o educador físico."

quinta-feira, 8 de maio de 2014


  
O gosto pelo futebol faz parte da cultura do povo brasileiro. Desde criança, jogar bola é uma das brincadeiras mais prazerosas e, na idade adulta, as partidas entre amigos ou aquelas não oficiais no fim de semana, também conhecidas como "peladas" - estão inclusas.


Entretanto, é necessário estar atento às lesões que podem decorrer dessa atividade, mesmo sendo uma partida descontraída.
"A pessoa tem uma vida sedentária e, normalmente, quando chega no fim de semana, quer jogar. Porém, não pode esquecer do alongamento, isso é fundamental para tentar evitar lesões." Quem faz o alerta é o especialista em ortopedia e traumatologia e autor do livro "Apenas Futebol", João Rozas Barrios. Uma dica que ele dá aos peladeiros de fim de semana é: tome um copo de água com uma colher de chá de bicarbonato de sódio uma hora antes da partida. Isso evitará a dor muscular no dia seguinte.

De acordo com Barrios, o maior número de lesões sérias nos atletas profissionais são as musculares, mas os tornozelos e os joelhos também sofrem com a quantidade de impacto, pois funcionam como para-choques de todos os movimentos que um jogador faz durante a partida; salta, corre e para de repente. "Os tornozelos, nas estatísticas, são responsáveis por 20% das complicações mais sérias no futebol; 15% estão no joelho e 35% são musculares."

Porém, a gravidade da lesão está em relação ao tempo em que o jogador fica fora do esporte.
Lesões musculares
As complicações mais comuns no futebol são as contusões. De acordo com o livro "Apenas Futebol", as contusões e lesões musculares foram as mais frequentes e a maior incidência ocorreu nos jogadores de meio-campo e ataque. Também revela que 45% das lesões acontecem durante os jogos, 40% nos treinos táticos-técnicos e as restantes nos exercícios físicos.

"Quando pensamos em futebol, achamos que é utilizado apenas os membros inferiores. Porém, na verdade, o organismo inteiro participa de uma partida. Caso fique muito tempo sem jogar e, de repente, volte, no dia seguinte o corpo irá sentir", lembra o médico.

A coluna cervical participa do jogo o tempo todo. Por isso, essa musculatura do jogador é bem fortalecida. Durante a partida, os músculos paravertebrais são utilizados, assim como os abdominais, estes que, de tão utilizados, se houver um problema, eles produzem uma lesão no púbis, trazendo um quadro de pubalgia, sendo de difícil tratamento - quem sofreu isso foi Kaká, cita Barrios.
Entorses e luxações
As lesões mais comuns ao longo da vida de um jogador de futebol profissional são: as contusões, que são as batidas sobre uma determinada zona do corpo; as entorses, resultado de quando se ultrapassa o limite normal de movimento de uma articulação; distensões musculares - podendo ser em grau leve, médio e grave -, causadas pelo estiramento das fibras musculares, mas sem provocar lesão; rupturas musculares; problemas tendinosos, e as luxações.

"Muita gente confunde luxação com contusão, mas são muito diferentes", diz Barrios. A luxação é o deslocamento de um osso da articulação. E, por último, a fratura.

Hoje o jogo é muito mais físico e mais rápido. Existem pessoas que analisam o futebol e sabem quantos quilômetros o jogador percorre durante uma partida. Fazendo uma análise desde 1950 para cá, antes, era considerado um futebol arte, pois os atletas tinham tempo para olhar e pensar, comenta o especialista.

"Li num artigo uma comparação de quantos quilôemtros percorria-se antigamente. Nenhum jogador passou dos 4 km nos anos 60, 70. Na última Copa, na final de Espanha e Holanda, o Iniesta correu 12 km", diz Barrios. Como a participação é exaustiva, os clubes possuem um médico, fisioterapeuta, nutricionista, e em alguns, há até psicólogos.

Um tipo de fratura que existe em vários esportes é a por estresse, que acontece, na maioria, nos pés dos futebolistas. São fissuras microscópicas dos ossos, causadas por uma soma de quantidade de impacto. A maior parte das lesões ocorre sem haver toque. 
Joelho e tornozelo
O joelho e tornozelo não têm envoltório muscular que possa os proteger. Portanto, qualquer movimento inadequado trará lesão. O joelho é uma articulação complexa, pois são quatro ligamentos que fornecem estabilidade; dois laterais, impedindo que abra, e os cruzados, não permitindo um movimento de gaveta.
"A lesão dos cruzados é aterrorizante pra quem joga futebol, só volta depois de seis meses", explica o ortopedista. O meio-campo Paulo Henrique Ganso sofreu duas complicações desta, sendo uma em cada joelho.

Devido ao progresso da medicina, próteses e tratamentos, a artroscopia (permite refazer os ligamentos), deixou os jogadores mais tranquilos.
"Quando comecei, as lesões eram meniscais, e são mais benignas do que as dos ligamentos." Há meio século, quando se operava um menisco, abria a articulação e não deixava um resto meniscal. O paciente era internado de três a quatro dias, havia um pós-operatório mais longo. Hoje, retira-se o menisco em 30 minutos. "Se for problema no menisco, à noite está em casa. A lesão dos ligamentos cruzados também não são mais incapacitantes como era antes", afirma Barrios.

Já a articulação labral raramente é lesada no futebol, mas nos tenistas é mais comum. "Se não for prontamente tratada, ela leva à incapacidade. Foi o que aconteceu com o Guga. Pouca gente sabe que ele tem uma prótese", elucida Barrios.

Outra lesão, que é rara, mas pode acontecer, é quando o jogador está com a boca aberta, leva uma bolada na mandíbula e sofre uma fratura na articulação temporamandibular. "Pouca gente sabe que temos como se fosse menisco nessa articulação", finaliza Barrios. 
Estudante teve lesão grave

Quem sofreu uma lesão grave durante uma partida de futebol não oficial foi o estudante de engenharia mecânica Lucas Prezotto, 22 anos. Ele teve uma ruptura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito (igual Paulo Henrique Ganso, do São Paulo ).

"Foi em uma disputa de bola normal. Eu estava jogando como zagueiro e dividi a bola com o centroavante. Não houve falta e nem maldade no lance, foi uma fatalidade", lembra o estudante, afirmando ter sentido muita dor na hora da ruptura do ligamento.

A recuperação, de acordo com Lucas, pode ser entendida de duas formas: para poder andar e realizar atividades diárias, demorou de 15 a 20 dias. Porém, para jogar uma partida de futebol após a cirurgia levou 10 meses. O tratamento foi baseado em 30 sessões de fisioterapia e 15 de hidroterapia. "Foi dado início ao fortalecimento com exercícios funcionais e depois fortalecimento especializado em academia, que venho dando sequência até hoje." Entretanto, a cirurgia não foi feita de imediato. Lucas esperou a época de provas terminar para operar.

A lesão ocorreu em abril do ano passado, porém, o joelho ainda dói em certas ocasiões, como em situações de sobrecarga. "Voltei a jogar bola só agora. E, um dia após a partida, sinto uma leve dor, mas isso é normal", finaliza. 

Asdericel - Panamericano