Estamos de volta,
Estavamos sem internet e agora vou atualizar.
Sou professor de Educação Física, aposentado. Preparador Físico de Futebol, Técnico de Futebol formado pela Universidade da Gama Filho, RJ.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
Circuitos para reflexão...
Circuitos para
reflexão sobre o corpo e os movimentos
Objetivos
- Analisar e refletir sobre o corpo e os movimentos
- Conhecer limites e possibilidades de movimentação do corpo.
- Aprender a controlar gradualmente o movimento do corpo.
- Ampliar o repertório motor.
Conteúdos
- Reconhecimento dos limites do corpo.
- Exploração das possibilidades de movimento do corpo.
Anos
1° e 2°.
Tempo estimado
Oito a dez aulas.
Materiais necessários
Colchonetes, cordas, bambolês e cones.
- Analisar e refletir sobre o corpo e os movimentos
- Conhecer limites e possibilidades de movimentação do corpo.
- Aprender a controlar gradualmente o movimento do corpo.
- Ampliar o repertório motor.
Conteúdos
- Reconhecimento dos limites do corpo.
- Exploração das possibilidades de movimento do corpo.
Anos
1° e 2°.
Tempo estimado
Oito a dez aulas.
Materiais necessários
Colchonetes, cordas, bambolês e cones.
Flexibilização
Para alunos com deficiência física (nos membros inferiores)
Na roda, faça com que todos se sentem em cadeiras, para que fiquem na mesma altura do colega que está na cadeira de rodas. Peça que o aluno com deficiência física fale sobre os movimentos que consegue fazer e conte como adapta os movimentos que não consegue realizar. Durante a 3ª etapa, o aluno precisará da sua ajuda para rolar no chão e da ajuda dos colegas, que podem guiar a cadeira do aluno pelo circuito de cones. Este aluno também pode ser desafiado a empurrar a própria cadeira dentro de um limite proposto com cordas colocadas paralelamente. Também é recomendável propor atividades que possam ser cumpridas com o aluno no chão, em colchonetes, que estimulem os movimentos possíveis para a criança com deficiência nos membros inferiores. A montagem dos circuitos em grupo pode ser uma boa chance para que os colegas experimentem alguns movimentos que são comuns para a criança com deficiência. Sempre estimule novos desafios e as potencialidades do seu aluno, inserindo-o no grupo.
Desenvolvimento
1ª etapa
Sente com os alunos em uma roda e converse sobre as possibilidades de movimentação do nosso corpo. Pergunte quais movimentos eles costumam realizar no dia a dia quando acordam (como o espreguiçar), ao escovar os dentes, ao caminhar até a escola ou quando brincam com os colegas. Sugira que as crianças se levantem, experimentem esses movimentos e falem quais as partes do corpo são acionadas para a realização de cada um deles. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, dê comandos para que realizem os movimentos discutidos, como se espreguiçar, caminhar, saltar, entre outros. Também estimule os alunos a criar movimentos novos a partir dos que foram experimentados.
2ª etapa
Pergunte como os animais se deslocam. Ouça os exemplos das crianças e questione como esses movimentos podem ser imitados. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, solicite que realizem os movimentos de diferentes animais. Diga para se posicionarem como se estivessem dentro de um ovo, tal e qual um pintinho antes de nascer. Em seguida, estimule-os a imitar desde o nascimento do pintinho até sua transformação em galo ou galinha. Agora, pergunte aos alunos sobre como dormem, comem, correm ou se espreguiçam os animais que conhecem. Comece pelos animais domésticos (cachorros, gatos etc.) e, depois, fale dos animais de fazendas (porco, vaca, ovelha, pato etc.), sempre pedindo para a criançada imitá-los. Vale também imitar animais que seriam vistos em um safári na África, por exemplo, caso de leões ferozes e girafas enormes, ou, então, aqueles que habitam a floresta Amazônica, como macacos saltitantes e jacarés de bocas enormes ao espreguiçar ao nascer do sol.
3ª etapa
Para explorar e desenvolver ainda mais as habilidades motoras da meninada, monte um circuito de atividades com materiais simples. Organize as estações de modo que os alunos possam vivenciar diversos movimentos a partir de diferentes desafios: equilibrar-se sobre uma corda (ou sobre uma linha desenhada com giz), subir em um banco de madeira e saltar (ou saltar por cima de colegas deitados no chão), desviar de cones (ou de garrafas plásticas com água) dispostos em linha reta, saltar dentro de bambolês (ou dentro de círculos desenhados com giz) e rolar sobre colchonetes (ou sobre grama ou outro piso macio). Primeiramente, deixe que os alunos percorram o circuito utilizando os movimentos que quiserem. Depois, indique quais movimentos são os pretendidos nessas atividades. Em seguida, faça com as crianças a associação dos movimentos vivenciados no circuito aos utilizados cotidianamente pelos alunos. Não esqueça de permitir que os alunos proponham variações, como equilibrar-se sobre a corda andando de costas, saltar dentro dos bambolês com apenas um dos pés ou transpor o banco sem tocá-lo. Por fim, peça que realizem o circuito também com os olhos vendados para estimular o desenvolvimento da percepção por meio de outros sentidos (que não seja a visão), de modo a desenvolver mais a sensibilização corporal. Por fim, proporcione momentos de socialização das experiências.
4ª etapa
Agora será a vez de as crianças sugerirem as atividades e os movimentos em um novo circuito de habilidades. Separe os alunos em grupos para que cada um crie um circuito diferente a ser vivenciado pelos colegas. Após a vivência dos circuitos, compare os movimentos e os desafios propostos por cada grupo, discuta sobre as diferenças entre eles e de onde surgiu a ideia para aqueles movimentos. Proponha também que a criançada construa, com base nas ideias anteriores dos grupos, um único circuito para que todos o experimentem. Apresente os materiais disponíveis e ressalte que a ideia é variar ainda mais os tipos de saltos, rolamentos e deslocamentos. Acompanhe um pouco da criação do novo circuito e assista a uma execução completa dele. Finalize com uma conversa e a produção de um quadro com legendas para registrar os movimentos vivenciados durante as aulas, tanto os sugeridos pelo professor como os criados pelos alunos, de modo que possam comparar o que sabiam e o que aprenderam.
Avaliação
É importante observar se os objetivos propostos para estas aulas foram gradativamente compreendidos e atingidos pela turma. Tenha atenção especial nos momentos de socialização das experiências motoras e, por fim, no momento da realização do registro coletivo das atividades, pois pode ser necessário reajustar as propostas para se adequar às especificidades da turma ou planejar atividades futuras.
Para alunos com deficiência física (nos membros inferiores)
Na roda, faça com que todos se sentem em cadeiras, para que fiquem na mesma altura do colega que está na cadeira de rodas. Peça que o aluno com deficiência física fale sobre os movimentos que consegue fazer e conte como adapta os movimentos que não consegue realizar. Durante a 3ª etapa, o aluno precisará da sua ajuda para rolar no chão e da ajuda dos colegas, que podem guiar a cadeira do aluno pelo circuito de cones. Este aluno também pode ser desafiado a empurrar a própria cadeira dentro de um limite proposto com cordas colocadas paralelamente. Também é recomendável propor atividades que possam ser cumpridas com o aluno no chão, em colchonetes, que estimulem os movimentos possíveis para a criança com deficiência nos membros inferiores. A montagem dos circuitos em grupo pode ser uma boa chance para que os colegas experimentem alguns movimentos que são comuns para a criança com deficiência. Sempre estimule novos desafios e as potencialidades do seu aluno, inserindo-o no grupo.
Desenvolvimento
1ª etapa
Sente com os alunos em uma roda e converse sobre as possibilidades de movimentação do nosso corpo. Pergunte quais movimentos eles costumam realizar no dia a dia quando acordam (como o espreguiçar), ao escovar os dentes, ao caminhar até a escola ou quando brincam com os colegas. Sugira que as crianças se levantem, experimentem esses movimentos e falem quais as partes do corpo são acionadas para a realização de cada um deles. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, dê comandos para que realizem os movimentos discutidos, como se espreguiçar, caminhar, saltar, entre outros. Também estimule os alunos a criar movimentos novos a partir dos que foram experimentados.
2ª etapa
Pergunte como os animais se deslocam. Ouça os exemplos das crianças e questione como esses movimentos podem ser imitados. Com a turma espalhada pela quadra ou pelo local em que ocorre a aula, solicite que realizem os movimentos de diferentes animais. Diga para se posicionarem como se estivessem dentro de um ovo, tal e qual um pintinho antes de nascer. Em seguida, estimule-os a imitar desde o nascimento do pintinho até sua transformação em galo ou galinha. Agora, pergunte aos alunos sobre como dormem, comem, correm ou se espreguiçam os animais que conhecem. Comece pelos animais domésticos (cachorros, gatos etc.) e, depois, fale dos animais de fazendas (porco, vaca, ovelha, pato etc.), sempre pedindo para a criançada imitá-los. Vale também imitar animais que seriam vistos em um safári na África, por exemplo, caso de leões ferozes e girafas enormes, ou, então, aqueles que habitam a floresta Amazônica, como macacos saltitantes e jacarés de bocas enormes ao espreguiçar ao nascer do sol.
3ª etapa
Para explorar e desenvolver ainda mais as habilidades motoras da meninada, monte um circuito de atividades com materiais simples. Organize as estações de modo que os alunos possam vivenciar diversos movimentos a partir de diferentes desafios: equilibrar-se sobre uma corda (ou sobre uma linha desenhada com giz), subir em um banco de madeira e saltar (ou saltar por cima de colegas deitados no chão), desviar de cones (ou de garrafas plásticas com água) dispostos em linha reta, saltar dentro de bambolês (ou dentro de círculos desenhados com giz) e rolar sobre colchonetes (ou sobre grama ou outro piso macio). Primeiramente, deixe que os alunos percorram o circuito utilizando os movimentos que quiserem. Depois, indique quais movimentos são os pretendidos nessas atividades. Em seguida, faça com as crianças a associação dos movimentos vivenciados no circuito aos utilizados cotidianamente pelos alunos. Não esqueça de permitir que os alunos proponham variações, como equilibrar-se sobre a corda andando de costas, saltar dentro dos bambolês com apenas um dos pés ou transpor o banco sem tocá-lo. Por fim, peça que realizem o circuito também com os olhos vendados para estimular o desenvolvimento da percepção por meio de outros sentidos (que não seja a visão), de modo a desenvolver mais a sensibilização corporal. Por fim, proporcione momentos de socialização das experiências.
4ª etapa
Agora será a vez de as crianças sugerirem as atividades e os movimentos em um novo circuito de habilidades. Separe os alunos em grupos para que cada um crie um circuito diferente a ser vivenciado pelos colegas. Após a vivência dos circuitos, compare os movimentos e os desafios propostos por cada grupo, discuta sobre as diferenças entre eles e de onde surgiu a ideia para aqueles movimentos. Proponha também que a criançada construa, com base nas ideias anteriores dos grupos, um único circuito para que todos o experimentem. Apresente os materiais disponíveis e ressalte que a ideia é variar ainda mais os tipos de saltos, rolamentos e deslocamentos. Acompanhe um pouco da criação do novo circuito e assista a uma execução completa dele. Finalize com uma conversa e a produção de um quadro com legendas para registrar os movimentos vivenciados durante as aulas, tanto os sugeridos pelo professor como os criados pelos alunos, de modo que possam comparar o que sabiam e o que aprenderam.
Avaliação
É importante observar se os objetivos propostos para estas aulas foram gradativamente compreendidos e atingidos pela turma. Tenha atenção especial nos momentos de socialização das experiências motoras e, por fim, no momento da realização do registro coletivo das atividades, pois pode ser necessário reajustar as propostas para se adequar às especificidades da turma ou planejar atividades futuras.
O que acontece no corpo
O que acontece
no corpo quando fazemos exercício?
Proponha dois tipos de corrida aos alunos e explique, com o auxílio de
um frequencímetro, porque quando praticamos atividade física o coração acelera
e a respiração muda
Objetivos
- Aprender os procedimentos
básicos para medir a frequência cardíaca
- Compreender a relação entre
a intensidade do exercício e a alteração na frequência cardíaca
- Entender a frequência
cardíaca como um indicador da intensidade dos exercícios, o gasto de
energia e o nível de condicionamento físico.
Conteúdo
- Fisiologia do coração
- Frequência cardíaca
- Corridas de atletismo
Anos
3º e 4º anos
Tempo estimado
Uma aula
Materiais necessários
Giz, lousa pequena, lápis, papel em branco, cones, apito e frequencímetro (para quem tiver esta possibilidade).
Introdução
O primeiro ciclo do Ensino Fundamental é um bom momento para entender os significados atribuídos ao corpo e aos "padrões" de beleza, temas relacionados ao exercício físico, bem estar e saúde. E também para abordar "Meio Ambiente e Saúde", tema transversal apontado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que deve aparecer nas aulas de Educação Física. Introduzir noções de Fisiologia é importante e ajuda o aluno a entender o que acontece com o corpo quando praticamos exercícios. Este conhecimento é fundamental, já que ao concluir o Ensino Médio o estudante deve saber planejar um programa de atividade física. Use este plano de aula como referência para ensinar as reações do organismo, mais precisamente do sistema cardiorrespiratório, durante corridas de velocidade e resistência.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Treinamento de Goleiros
Treinamento de goleiros: Método Analítico ou Método Global?
A evolução dos métodos de ensino no treinamento de
goleiros transcende o conhecimento empírico adotado há décadas por preparadores
Cleber Sgarbi*
O futebol evoluiu
muito nos últimos anos, e com o crescente progresso do treinamento esportivo,
algumas áreas específicas como o treinamento de goleiros vêm ganhando destaque
nas últimas décadas.
Em relação aos métodos de ensino, podemos dizer que é um conjunto de
ações e procedimentos, nos quais o preparador de goleiros, através da
organização dos conteúdos do treino (atividades de ensino), condiciona os
goleiros a atingirem objetivos específicos como, a assimilação consciente dos
conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas.
Podemos citar alguns exemplos como o Método de Exposição – Explica o
conteúdo; Método de Observação – Observação (visual); Método Individualizado –
Necessidades individuais; Método Analítico – Desenvolve as partes do todo;
Método Global – Desenvolve o todo.
Ainda há muitas perguntas sobre qual método é melhor e mais eficiente no
processo ensino/aprendizagem/treinamento. Partindo destas indagações, busquei
fazer uma pesquisa sobre os métodos de ensino que mais são utilizados no
treinamento de goleiros hoje em dia.
Na década de 70, a figura do preparador de goleiros não existia, os
trabalhos eram realizados pelos próprios goleiros ou pelos preparadores físicos
e os cuidados designados à formação ou aperfeiçoamento técnico dos goleiros
eram mínimos.
Os exercícios compreendiam a movimentos ginásticos, flexões, abdominais,
exercícios com pesos, técnicas de finalizações e intersecções sobre a área de
meta. Os métodos de ensino se baseavam no conhecimento empírico de cada atleta.
Hoje em dia, encontramos uma série de métodos de ensino sendo praticados
e os que mais são utilizados são os métodos analíticos e globais. Todos os
métodos têm sua importância em distintos momentos da preparação de um goleiro,
cabe ao preparador de goleiros escolherem o método certo para o momento certo.
MÉTODO DE ENSINO ANALÍTICO
O Método Analítico é utilizado desde a década de 60, e é centrado na
técnica, em exercícios onde há predominância de repetições dos gestos
esportivos e na especialização precoce do aluno em cima de algumas técnicas
específicas. Esse método caracteriza-se pela repetição, ajudando assim, a
memorizar e a automatizar o gesto técnico em nosso Sistema Nervoso Central
(SNC), é o aprendizado de técnica por técnica, gesto por gesto.
As habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois,
possam ser transferidas para as situações de jogo propriamente ditas, ou seja,
consiste em ensinar destrezas motoras por partes, para, posteriormente, uni-las
(SANTANA, 2005, MATTA; GRECO, 1996, TONROLLE, 2004)
Ficou claro que o Método de Ensino Analítico caracteriza-se por inúmeras
repetições, maior contribuição no processo ensino/aprendizagem, o aprendizado
das técnicas se torna mais fácil e rápido, é o melhor método para o ensino e
aperfeiçoar dos gestos técnicos, facilita a execução dos exercícios,
possibilita um melhor desenvolvimento motor específico, fica fácil a
individualização dos treinos técnicos, além disso, é possível corrigir
imediatamente o que precisa melhorar.
Resumindo: Pode-se treinar somente um tipo de técnica, até que ela
esteja bem desenvolvida e assimilada pelo goleiro. Esse método é muito
utilizado nas categorias de base, onde os jovens goleiros estão aprendendo as
técnicas. Também é muito utilizado no âmbito profissional no período das
pré-temporadas, com o objetivo de aperfeiçoar a técnica já aprendida na base.
Ou ainda, para corrigir um possível erro do gesto técnico em uma determinada
ação motora realizada no jogo.
MÉTODO DE ENSINO GLOBAL
O Método de Ensino Global é centrado na tática do jogo, cujo ambiente se
torna mais prazeroso, a especialização precoce de algumas habilidades é
refutada e o objetivo principal é o desenvolvimento da inteligência do
aprendiz. Esse método caracteriza-se por apresentar situações reais de jogo, ou
seja, modelo de jogo como base do processo de treino e parte da totalidade do
movimento, caracterizando-se também pelo aprender jogando.
O ponto de partida é a equipe, que aprende a jogar através do deixar
jogar, onde o aprendiz aprende diretamente a partir da própria experiência, com
o auxilio indireto do professor/técnico. Alguns autores acreditam que o treino
não pode ser realizado somente através de soluções impostas, pois as ações se
tornam mecanizadas e a criatividade para “resolver problemas” não se desenvolve
em sua plenitude. (TONROLLER, 2004; CORRÊA; SILVA; PAROLI, 2004; RESENDE, 2007;
SANTANA, 2005)
Podemos ver claramente que esse método caracterizam-se pelo aprender
jogando. O repertório motor fica vasto e aperfeiçoado para o jogo, há uma maior
interação com outros setores da equipe. O desenvolvimento tático específico de
jogo fica mais evidente, a percepção de espaço e cognitiva fica aperfeiçoada –
posicionamento e colocação na área de meta, percepção das jogas, reações e
tomadas de decisões mais rápidas, além de uma maior concentração nas ações que
ocorrem no campo de jogo.
Para que o processo ensino/aprendizagem/treinamento dos gestos técnicos
específicos tenham maior êxito, o Método de Ensino Analítico oferece maiores
contribuições, pois a partir das repetições dos movimentos, se automatiza o
gesto específico de uma modalidade esportiva.
Em contrapartida, para que o processo de ensino/aprendizagem/treinamento
da capacidade de tomada de decisão e raciocínio rápido, integração com outros
setores da equipe e execução de ações específicas em situações reais de jogo, o
Método de Ensino Global oferece maiores contribuições, pois o goleiro aprende
vivenciando o jogo propriamente dito.
Em outras palavras, além do habitual treino de repetições dos gestos
técnicos específicos, concordo com Oliveira (2004) quando diz que, “só podemos
falar de especificidade no treino, quando existe uma relação constante entre os
componentes tático-técnicos, psico-cognitivos, físicos e coordenativos, em
correlação permanente com o modelo de jogo adaptado pelo treinador e
respectivos princípios que lhe dão corpo.”
Ou seja, cabe ao preparador de goleiros analisarem e identificar as
necessidades individuais ou do grupo de goleiros, escolherem o melhor método de
ensino a ser aplicado e em que momento deve ser aplicado.
Então, pergunto a você, preparador de goleiros:
Você tem consciência do método que está utilizando em seus treinamentos?
Você sabe diferenciar um método de outro?
Todos os goleiros necessitam deste método?
Em que momento deve ser utilizado tal método?
Com que frequência você utiliza?
Está tendo feedback com seus goleiros?
Está tendo resultados positivos?
CONCLUSÃO
Não podemos comprovar qual método é mais ou menos eficiente, mas podemos
ver claramente que a utilização de um determinado método em um determinado
período do treinamento, pode influenciar diretamente no processo de aprendizado
ou não dos gestos técnicos.
Cabe ao preparador de goleiros, analisar e diagnosticar as necessidades
individuais ou do grupo, a partir de aí, planejar os treinamentos utilizando o
método mais pertinente ao estagio atual de desenvolvimento dos futuros atletas
ou atletas.
BIBLIOGRAFIA
* Preparador de goleiros do E.C.Passo Fundo/RS.
Da solução estrutural à solução de fato
Sistema 1-4-2-3-1: da solução estrutural à solução de fato
Partindo
dos problemas estruturais a serem resolvidos no jogo, esse esquema tático vem
sendo muito utilizado pelos treinadores atualmente
Leandro
Zago.
“Tão importante quanto
visualizá-la de maneira estática é o
treinador compreender toda a dinâmica relacional da plataforma”
(Zago in Arruda etc. al, 2013, p. 441)
treinador compreender toda a dinâmica relacional da plataforma”
(Zago in Arruda etc. al, 2013, p. 441)
O esquema tático (ou plataforma tática) 1-4-2-3-1 vem sendo muito
utilizado por todo o futebol mundial, inclusive no Brasil. Assim como aconteceu
com o 1-4-4-2, depois com o 1-3-5-2, o 1-4-2-3-1 passou a ser visto como a
solução de todos os problemas.
Entender porque um esquema tático se torna mais
"popular" entre os treinadores talvez seja tão ou mais fundamental do
que entender o próprio esquema. Em geral, esse esquema se apresenta das
seguintes formas apresentadas abaixo.

Figura 1 – Variações
estruturais básicas do 1-4-2-3-1
Basicamente, o 1-4-2-3-1 se apresenta nas três formas apresentadas
acima ao longo do jogo e, dependendo das características dos jogadores e da
proposta de jogo com mais regularidade em uma delas, porém passando
ocasionalmente pelas outras duas.
Na estruturação original, o primeiro campo corresponde ao esquema
montado com dois volantes e três meias. No campo central, os alas devem possuir
características para tal função. E no campo da direita, as características dos
jogadores das laterais da linha de meias (?!) normalmente são atacantes que não
de referência.

Figura 2 – Hierarquia das
Interações entre os meias e atacantes
Ao longo do jogo, dependendo da posição da bola e da equipe que
detém a posse, o esquema tático vai se deformando para se ajustar às
necessidades momentâneas (recuperação da bola, direcionamento do jogo do
adversário, construção do jogo, fase de finalização, etc.).
O 4-2-3-1 geralmente passa pelos arranjos apresentados (figura 1)
durante o jogo pela proximidade dessas posições com a que seus jogadores ocupam
em campo mais naturalmente. Porém, em muitos casos, apesar de considerar que
esse esquema tático é a base para as outras variações, o que vai definir
realmente o esquema tático é a forma como os jogadores interagem em campo.
Na figura 2, as setas laranjas indicam uma "relação mais
forte" entre os jogadores do setor, enquanto as setas pretas indicam uma
"relação menos forte" entre seus membros. Portanto, independentemente
de como o esquema é nomeado, o que vai defini-lo é o resultado dessas interações.
Nas três situações (figura 2) os meias / alas / atacantes podem
ser assim chamados de acordo com os parceiros com quem interajam mais
fortemente. No primeiro campo (figura 2), a linha com três meias realiza suas
dinâmicas baseado primeiramente nos comportamentos de seus companheiros dessa
linha.
A linha possui dinâmicas que então conectadas com as da equipe. Há
uma hierarquia, que respeita e integra essas dinâmicas num todo funcional em
direção à eficácia no jogo. No campo central, os alas interagem mais fortemente
com a linha de volantes e menos fortemente com o meia central.
Como produto, a equipe trabalha mais em uma plataforma 1-4-4-1-1
pela forma como estrutura o espaço na solução dos problemas do jogo. No campo
da direita, há uma interação maior com o atacante centralizado do que com o
meia do centro.
Visualmente, emerge o 1-4-3(2-1)-3. A relação não acontece
apenas no nível espacial, portanto, mesmo que a equipe transite entre os três
desenhos, será atraída para uma configuração em especial.

Figura 3 – Duas
possibilidades para a Pressão Alta (Linha 1)
Acima são apresentadas duas possibilidades de estruturação
espacial para a pressão na referida plataforma tática. No primeiro modelo, a
"linha de 4" defensiva fica preservada e os volantes flutuam de
maneira mais agressiva para o lado da bola compensando a manutenção do lateral
na linha.
Como vantagem, a linha defensiva fica mais larga, porém uma zona
frágil tem que ser administrada no centro (oposto à bola) conforme destacado na
figura 3 (retângulo horizontal vermelho).
Com a subida do lateral fechando a paralela, o centro do campo
fica mais povoado (modelo à direita na figura 3), porém a linha defensiva fica
mais estreita, com maior fragilidade às diagonais longas (zona vermelha –
retângulo vertical).
Obviamente, a abordagem do jogador que pressiona a bola muda em
função do tipo de pressão (direcionando para o centro ou para a paralela).

Figura 4 – Posicionamento
para Pressão a partir da Linha 2
Do ponto de vista estrutural, a pressão a partir da linha 2
(intermediária de ataque) é melhor acomodada pela plataforma do que a pressão
alta (linha 1).
Os espaços entre os laterais e os meias do mesmo lado (LD – MD e
LE – ME), são mais facilmente diminuídos e a necessidade de ajustes é menor,
conforme demonstrado na figura 3. Habitualmente, a pressão inicia quando a bola
é direcionada para uma das laterais, conforme o campo da direita da figura 4.
Dependendo do princípio operacional (recuperação da bola ou
impedir a progressão) o atacante se comporta de maneira diferente. Para a
recuperação, ele busca manter a bola na zona para poder ser pressionada
(tirando linha de passe no zagueiro ou que permita a virada). Se o objetivo for
impedir a progressão, ele pode entrar atrás da linha da bola novamente e permitir
a circulação.

Figura 5 – Organização
defensiva na linha 4 e balanço ofensivo
Dentre as possibilidades de organização defensiva na linha 4
(intermediária defensiva) que o esquema tático permite duas estão apresentadas
na figura 5.
No campo da esquerda, a opção é por uma proporção (Leitão, 2009)
mais conservadora do ponto de vista numérico com viés defensivo, enquanto no
campo da direita há uma proporção mais ousada.
A proporção é um conceito das duas fases de transição
(ataque-defesa e defesa-ataque) que, segundo o autor, relativiza o número de
jogadores que estão efetivamente "defendendo" ou "atacando"
sem que isso possa parecer uma fragmentação, apenas como sistematização do
conteúdo.
No campo à esquerda a proporção é de (2 x [8 + G]), ou seja, dois
jogadores com preocupações já ofensivas no caso da recuperação da bola e nove
(goleiro incluso) jogadores envolvidos mais diretamente com a sua recuperação.
No campo da direita a proporção é de (4 x [6 + G]).
Naturalmente, a ocupação do espaço pelos jogadores permite um
balanço ofensivo (em destaque no campo à direita) que rapidamente pode deixar o
ataque com boa amplitude (MD e ME) e profundidade (AT).
Em compensação, com esse balanço, a marcação em largura
(equilíbrio horizontal) fica prejudicada. O posicionamento do campo à esquerda
oferece um melhor equilíbrio defensivo (em largura inclusive), porém, no
movimento seguinte à recuperação o tempo para ocupar o campo de ataque é maior.

Figura 6 – Balanço
defensivo
Na figura 6 são mostradas duas possibilidades de balanço defensivo
com a estrutura e a proporção (6 x [4 + G]) mantidas, mas com variação dos
jogadores que o realizam. No campo à esquerda, um volante faz o balanço da
jogada (VD) e o outro da equipe (VE).
No outro modelo, o lateral faz o balanço da jogada (LD) e o
volante do lado da bola (VD) o da equipe, com o outro volante (VE) mais
adiantado. O balanço defensivo do campo à esquerda, coloca mais jogadores na
lateral em que está a bola (aumentado as chances de triangulações) enquanto o
balanço defensivo do campo à direita preenche mais a faixa central.
As vantagens e desvantagens devem ser pesadas. Há muitas outras
possibilidades, como o lateral oposto no balanço (5 x [5 + G]), por exemplo.
De maneira consciente ou intuitiva, o 4-2-3-1 ganhou espaço no
Brasil quando algumas preocupações coletivas começaram a nortear as ações dos
treinadores. Em boa parte das situações, o esquema ainda é utilizado por permitir
encaixes individuais mais facilmente.
Originalmente com três meias, conforme apresentado, no Brasil é
mais normal observá-lo com dois atacantes abertos (seria um 1-4-3-3?) e um mais
centralizado ou até com um atacante aberto de um lado e um meia no outro, quase
um 1-4-4-2 "disfarçado".
O
esquema ou plataforma tática não se esgota nele mesmo. Todos os conceitos
discutidos podem ser resolvidos em outros esquemas, desde que a essência do
problema seja entendida.
Do Papel para o Campo
O treino da estratégia: do papel para o campo
O grande
desafio dos treinadores, após terem acesso às informações, é passar o que sabem
para a prática.
Jose
Barbosa e Luis Freire
A
observação de adversários assume cada vez mais um papel relevante no futebol
contemporâneo, sendo que as equipes técnicas contam já com elementos ou mesmo
departamentos que fazem a análise e a observação dos adversários.
Hoje
em dia, os treinadores além de deverem construir uma identidade forte para a
sua própria equipe, através do treino dos princípios de jogo constituintes do
seu modelo de jogo, procuram cada vez mais perceber quais as debilidades e
virtudes dos seus adversários.
As
informações sobre o adversário deverão revelar uma reflexão conjunta (do
departamento de observação; do observador principal e do treinador adjunto ou
principal), de forma que estas sejam devidamente partilhadas e entendidas por
toda a estrutura técnica, sendo obtidas através da visualização de diversos
jogos do adversário.
A
elaboração de relatórios e entrega de vídeos pelos observadores é essencial, de
forma que a informação seja devidamente comprovada e possa ser exemplificada
aos jogadores se assim o treinador principal o entender.
Toda
a informação recolhida deverá ter em atenção à forma de jogar da nossa equipe,
sendo peremptório o conhecimento do modelo de jogo da equipe por parte de toda
a estrutura técnica, percebendo assim como o time poderá tirar proveito dos
pontos fracos do adversário e como poderá contrariar os seus pontos fortes.
Após
todas estas premissas serem respeitadas, é importante a elaboração um plano
para o jogo, ou seja, um plano estratégico, de forma que as informações
recolhidas possam traçar um caminho ajudando a equipe a atingir o sucesso.
O
grande desafio dos treinadores após terem acesso a estas informações será então
passar o que sabem do papel para o campo de futebol. Será muito importante que
os treinadores não caiam no erro de transmitirem as informações em longas
palestras, em demoradas apresentações vídeo, ou transformarem o seu treino em
uma aula sobre o adversário, descaracterizando a sua forma de jogar,
comprometendo a sua identidade e criando medo e preocupação nos seus jogadores
em vez de um sentimento de preparação absoluta e confiança para o confronto
seguinte.
O
treino deverá então ser composto por exercícios que forneçam aos jogadores, as
pistas necessárias para que os mesmos percebam como podem aproveitar as
debilidades adversárias e prevenirem-se para os pontos mais fortes dos seus
opositores.
É
importante que os exercícios contenham constrangimentos que guiem as ações dos
jogadores para o objetivo pretendido pelo treinador. O exercício de treino
deverá ser a principal ferramenta para que o plano estratégico resulte na
prática e saia do papel com sucesso, consciencializando a equipe do que o
treinador pretende para o jogo seguinte.
A
conceitualização dos exercícios deverá ser direcionada para o treino do nosso
modelo de jogo, mas a colocação de regra nos exercícios poderá ajudar os
treinadores a criarem algumas nuances estratégicas que permitirão
consciencializar a equipe do pretendido.
Os
jogadores não deverão ser alertados do pretendido antes de experimentarem os
exercícios (refiro-me aos objetivos estratégicos), possibilitando aos mesmos a
descoberta de soluções e a percepção das dificuldades que o exercício lhes
apresenta. Estas soluções e dificuldades que os exercícios apresentam deverão
guiar os jogadores a perceberem o que fazer no próximo jogo.
Durante
os exercícios o treinador deverá aí sim, ter um papel intervencionista,
explicando o porquê do exercício ter determinadas regras e determinados
constrangimentos (exemplo: colocação das balizas, divisão do espaço do
exercício por setores ou corredores; limitação de tempo para recuperar posse de
bola numa determinada zona; colocação de zonas limitadas em espaços a explorar
antes de obter gol; limite do número de passes para variar o jogo de um
corredor lateral para outro, obrigatoriedade de ir aos dois corredores laterais
sendo que antes de marcar deverá existir uma variação através de diagonal uma
longa etc.).
Estas
são apenas algumas das regras que poderão ser utilizadas para guiar os
jogadores a fazerem o pretendido pelo treinador, possibilitando a exploração de
pontos fracos ou fortes do adversário seguinte. Para que, mais facilmente,
possam entender a nossa forma de conceitualizar o treino da estratégia
apresentamos um exemplo prático (exercício de treino).
Algumas
características gerais do modelo de jogo da equipe A nos diferentes momentos de
jogo:
1
- Privilegia o ataque pelos corredores laterais.
2
- Prefere a circulação de bola com recurso a muitos passes e mobilidade
ofensiva.
3
- Procura fazer campo grande quando ataca.
4
- Defende zonalmente.
5
- Defende utilizando a concentração coletiva (campo pequeno).
6
- Pressiona após a perda da bola independentemente do local onde a perde,
encurtando o espaço entre linhas.
7
- Transita para o ataque, preferencialmente, utilizando a exploração dos
corredores laterais de forma rápida tentando provocar desequilíbrios nestas
zonas do campo.
Equipa B – O adversário (Exemplo de alguns pontos fortes e fracos)
1
- Dificuldade nos cruzamentos ao 2º poste devido ao mau posicionamento dos seus
laterais dentro da área, sendo que fecham mal o espaço entre central e lateral,
deixando possivelmente que os extremo da equipe A e o ponta de lança possam
antecipar-se aos laterais adversários.
2
- Equipe forte nas segundas bolas no meio-campo ofensivo adversário, sendo que
após cruzamentos são fortes a reagir às segundas bolas encurtando o espaço
entre meio de campo e ataque. Importante reagir rápido às segundas bolas que
advêm de cruzamentos para dentro da nossa área.
3
- Existência de espaço nas costas dos médios centros da equipe B, derivado à
elevada distância entre linhas (linha do setor defensivo e linha do setor
intermédio). A equipe A deverá explorar este espaço entre linhas.
Exercício
de treino da equipe A (permitindo o treino do nosso modelo de jogo e o treino
de nuances estratégicas aproveitando as debilidades adversárias e prevenindo
para os pontos fortes).
Não
será apresentado o espaço do exercício nem a duração, pois não se pretende com
este exemplo refletir sobre o regime de esforço do mesmo, dependendo este do
dia da semana que o treinador pretender operacionalizar este exercício.

-
Ambas as equipes antes de marcarem gol têm de ir aos dois corredores laterais
(respeita os princípios 1, 2, 3 do modelo de jogo).
-
Gol obtido através de cruzamentos na 2º trave vale 3 gols para a equipe amarela
(alerta para o ponto fraco 1 da equipe adversária e obriga a nossa equipe a
treinar a concentração coletiva – princípio de jogo 5 e a lutar pela segunda
bola após cruzamento – ponto forte 2).
-
Os brancos marcam nas balizas colocadas no corredor central. Para que possa
haver gol, a bola deverá passar por dentro da baliza e deverá existir a
desmarcação de um jogador para receber a bola na zona X (alerta para a exploração
do espaço nas costas dos médios centro adversários ou médio centro adversário -
ponto fraco 3).
Cabe
ao treinador e a sua equipe técnica criarem exercícios ricos em conteúdos,
respeitando ao máximo a forma de jogar da equipe e dando aos seus jogadores soluções
através da implementação de regras que os guiem para a percepção do plano
estratégico para o jogo seguinte.
A
transmissão da informação deverá incutir segurança aos jogadores, o recurso ao
vídeo deverá ser efetuado, deverá existir um conjunto de imagens selecionadas
com curto tempo de duração e o mais semelhantes possíveis entre si que permitam
aos jogadores a percepção dos erros e virtudes adversárias.
Mas,
na nossa opinião, não há melhor forma do que treinar a estratégia para o
próximo jogo do que no campo de futebol, o habitat natural do jogador e dos
treinadores.
A
imaginação dos treinadores deverá ser desafiada e posta à prova, pois, cada vez
mais, a vertente estratégica do jogo se faz notar na alta competição e nas
divisões profissionais de todo o futebol mundial.
Cabe aos
mesmos transportarem do papel para o terreno de jogo toda a informação que
possam dispor sobre o adversário respeitando a forma de jogar da equipe que
treinam.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Acho muito Importante. Iniciação Esportiva
Iniciação Esportiva - aspectos
positivos e negativos da especialização esportiva precoce no futebol.
A criança não é
um adulto em miniatura e o professor também deve ter responsabilidade
pedagógica com ela
Diogo Willian de
Lima
As Modalidades Esportivas
Coletivas, desde a sua origem, têm sido praticadas pelas crianças e
adolescentes dos mais diferentes povos e nações. Sua evolução é constante,
ficando cada vez mais evidente seu caráter competitivo, regido por regras e
regulamentos (Teodorescu, 1984).
Entre todas as
Modalidades Esportivas Coletivas praticadas com bola, o futebol é a mais
apaixonante e que exige combinações mais complexas do sistema neuromuscular.
Sua história ou pré-história inicia na Ásia, primeiro na China, com o chamado
Tsú Chu, umas das primeiras referências ao jogo praticado com as mãos e com os
pés, e, depois na era medieval, no Japão, com o nome de Kemari (Rose Junior,
2006).
Na sociedade
contemporânea, o futebol tem se mostrado um fenômeno de grande relevância
sociocultural e é, também, amplamente vivenciado pelo brasileiro em seu
cotidiano e ressignificado a partir de sua institucionalização e de sua
apropriação pelos diversos grupos sociais. (Valentin; Coelho, 2005).
Filgueira e
Schwartz (2007) diz que no Brasil o futebol é um fenômeno cultural que cativa e
impressiona pela sua grandeza, cuja prática tem crescido rapidamente,
envolvendo um número significativo de participantes, desde a infância até a
vida adulta. O futebol é para os brasileiros, sem dúvida, mais do que um esporte:
uma paixão que faz parte da cultura.
Muitos jovens
brasileiros sonham em um dia poder ser um atleta profissional de futebol, na
intenção de unir a paixão que sentem pelo esporte à perspectiva de um futuro
melhor para si e suas famílias, com isso passam a praticá-lo vendo-o como um
caminho mais rápido de conseguirem sucesso e independência financeira.
Para isso, muitos
acabam recorrendo às escolinhas de futebol para se aperfeiçoarem nas técnicas
desse esporte e assim adquirirem a formação necessária que possa levá-los um
dia a ser um atleta profissional.
O que antes era
"privilégio" de prefeituras e clubes, hoje está sendo explorado, por
agências, ex-atletas e clubes nas formas de escolinhas de futebol.
Scaglia (2006)
mostra que as escolinhas ganharam espaço com a expansão imobiliária que acabou
provocando o desaparecimento de muitos campos de várzea existentes nas médias e
grandes cidades brasileiras. Implantadas como alternativa para a formação de
novos atletas para o futebol brasileiro, as escolinhas fizeram com que o
futebol, que antes era jogado de forma aberta e espontânea nos campos de
peladas espalhados pelo Brasil, passasse a ser praticado em locais quase sempre
fechados - muitos deles sob a responsabilidade de ex-atletas - que viram nisso
uma oportunidade de poderem repassar aos seus alunos o que aprenderam dentro do
futebol, e também uma forma de explorarem lucrativamente essa atividade.
Não é o suficiente
que alguém tenha jogado futebol para ser um técnico deste esporte (Lembrando
que existem profissionais altamente capacitados que foram atletas e tornaram-se
excelentes treinadores, posteriormente em equipes profissionais), no que se
refere ao treinamento ou trabalho com crianças.
É necessário, também,
que este profissional conheça sobre o que Zakharov (1992) citado por Gomes e
Machado (1999) chama de períodos sensitíveis do treinamento, que são os
períodos etários em que as influências específicas de treino no organismo
humano provocam elevada reação de resposta, que assegura os ritmos
consideráveis de crescimento da função em treinamento; que ele tenha
conhecimentos suficientes sobre a anatomia da criança; que possua boa
preparação psicológica e amplo conhecimento específico; é preciso ter noções
das etapas de desenvolvimento desportivo até atingir a fase adulta competitiva;
e que ele saiba com aproveitar as fases de desenvolvimento da criança.
Este trabalho
levando em consideração o crescente numero de escolinhas de futebol e o numero
elevado de profissionais que se interessam pela área ocupa-se de criar
subsídios aos profissionais que atuam na área do ensino/ treinamento de futebol
para crianças.
Há intenção aqui
não é, entretanto, formar uma única maneira de treinamento para essa faixa
etária. Mas, sim, fazer com que os profissionais que dele tomarem conhecimento,
sejam levados a refletir sobre os treinamentos, buscando outros caminhos,
auxiliando o desenvolvimento não só do futebol - levando até a realização de
estudos futuros, uma vez que há pouca literatura sobre o tema.
Especialização
Esportiva Precoce
A Especialização
Precoce (EP) é um processo que vem sendo a tempos discutido por especialistas
em treinamento esportivo, e consequentemente no meio futebolístico. Para
Personne (1987) "iniciação esportiva precoce" é a atividade esportiva
desenvolvida antes da puberdade, caracterizada por uma alta dedicação aos
treinamentos (mais de 10 horas semanais) e principalmente por ter uma
finalidade eminentemente competitiva.
Já Kunz (1994),
referindo-se a "treinamento especializado precoce", entende que este
ocorre quando crianças são introduzidas antes da fase pubertária a um processo
de treinamento planejado e organizado em longo prazo, que se efetiva em um
mínimo de três sessões semanais com o objetivo do gradual aumento do
rendimento, além da participação periódica em competições.
Para Krebs (1992),
a especialização se da quando o atleta tem um sistema de treinos levados a
picos máximos de sua capacidade, acompanhados de competições de nível elevado,
havendo um relacionamento em tempo quase que integral entre o técnico e o
atleta.
Iniciação
Esportiva no Futebol
Para aprender a
jogar um esporte qualquer, uma criança deve ter a oportunidade de experimentar
um número grande de situações. Cada situação dessas será responsável pela
abertura de um grande número de possibilidades, sendo que, cada possibilidade
dessas, quando for experimentada, poderá abrir outras tantas.
Ao final de um
longo processo, o acervo de possibilidades motoras, intelectuais, sociais, morais,
e assim por diante, disponível no jovem que se formou nesse esporte, será
imensamente mais amplo que no jovem formado em uma equipe ou escolinha que lhe
impôs um sistema de superespecialização (Freire, 2002).
O primeiro fator a
ser considerado são as fases de desenvolvimento físico da criança. Existe uma
série de transformações ou mudanças da estrutura física da criança na faixa de
idade da iniciação no futebol, compreendida nas chamadas categorias menores de
07 á 13 anos de idade.
É importante
considerar, na iniciação esportiva, a idade biológica, o nível de coordenação
motora e o grau de inteligência para a elaboração das atividades a serem
desenvolvidas pela criança, a fim de contribuir com o maior número de vivências
motoras possíveis.
Na formação de
base, todas as coisas devem ser aprendidas por experiências as mais
diversificadas possíveis (Freire, 2002). Haveria outro caminho a seguir no
desenvolvimento esportivo que não esse percorrido tradicionalmente, que inclui,
nos casos extremos, especialização precoce, contusões, limitações da
inteligência, excessos de treinamento?
Claro que há, e
foi seguido por vários excepcionais atletas do futebol, entre eles, Garrincha,
Pelé e Maradona, que aprenderam enquanto brincavam, como qualquer criança de
vida normal. Fossem nossos técnicos esportivos melhores observadores,
encontrariam nesses fenômenos esportivos a orientação mais segura para suas
pedagogias (Freire, 2002).
A prática do
futebol, na iniciação esportiva, se manifesta através do jogo, nas diversas manifestações
lúdicas que podem ser instituídas na aprendizagem do futebol.
O jogador de
qualidade é aquele que vivencia um número enorme de possibilidades e, para cada
situação do jogo, ele encontra a melhor. O jogador de hoje tem poucas
possibilidades, imposta por rotinas exaustivas e limitadas, portanto, formando
um jogador de pouca qualidade, o que torna o jogo de menor qualidade com
movimentos estereotipados, sem qualidade. Por isso, estamos cada vez mais
frequentemente vendo jogadores de baixo nível técnico e equipes de péssima
qualidade.
Aspectos Negativos
Da Especialização Esportiva Precoce
Aspectos físicos
Negrão (1980)
alerta para os danos físicos que podem ser ocasionados pelo esporte altamente
competitivo praticado em idade precoce. O trabalho muscular intenso excessivo,
associado a sobrecarga emocional que a competição provoca, pode ocasionar
perturbações no desenvolvimento normal da criança, principalmente no ritmo do
crescimento em altura e no desenvolvimento somático, funcional e intelectual.
O esporte
competitivo implica treinamentos específicos de cada modalidade, o que poucas
vezes vem ao encontro das necessidades fisiológicas da criança. Para Negrão
(1980), crianças só podem suportar esforços reduzidos, fisiologistas renomados,
são unânimes em afirmar a importância de treinamento aeróbico para crianças.
Nahas (1980) diz
ainda que, quando a intensidade e a frequência das atividades competitivas são
grandes e extrapola o ambiente escolar e grupal, exigindo da criança um grau de
especialização incomum para a idade em que se encontra, passam a existir
dúvidas consideráveis sobre se os benefícios para um desenvolvimento ótimo são
importantes bastante para se desprezarem os perigos de lesões e traumas
psicológicos (às vezes irreparáveis).
As possíveis
consequências de se especializar a criança precocemente estão diretamente
ligadas ao fato de se adotar, por longo período de tempo, uma metodologia
incompatível com as características, interesses e necessidades dela. Logo, os
possíveis efeitos podem não se manifestar diretamente, mas no decorrer de
temporadas (Santana, apud Ramos e Neves, 2008).
A respeito disso,
Kunz (1994) apud Ramos e Neves (2008), diz que os maiores problemas que um
treinamento especializado precoce provoca sobre a vida da criança e
especialmente seu futuro, após encerrar a carreira esportiva, podem ser
enumerados como:
a) formação
escolar deficiente, devido à grande exigência em acompanhar com êxito a
carreira esportiva;
b) a
unilateralização de um desenvolvimento que deveria ser plural,
c) reduzida
participação em atividades, brincadeiras e jogos do mundo infantil,
indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade na infância.
Santana (2005)
apud Ramos e Neves (2008), acrescenta mais alguns riscos da especialização
precoce na criança:
a) stresse de
competição: que se caracteriza por um sentimento de medo e insegurança, causado
principalmente por conflitos oriundos de uma prática excessivamente
competitiva. A criança, neste caso, tem medo de errar, sente-se insegura e com
a auto-estima ameaçada;
b) saturação
esportiva: que se manifesta quando a criança apresenta sinais de desânimo
(enjôo) e desinteresse em continuar a prática do esporte. Sente-se, assim
porque o praticou em excesso e quer abandoná-lo.
Teixeira (1981)
diz, durante nossa longa vivencia esportiva, o que chamamos de "síndrome
da saturação esportiva". Indivíduos que iniciaram muito cedo a pratica
esportiva especializada são acometidos por essa síndrome, caracterizada por
certa aversão pelo esporte que praticam, exatamente naquele momento em que
deveriam praticá-lo com mais intensidade (adolescência).
Também é bastante
discutido o fato estarem desde muito cedo especializados em determinada função,
no caso dos jogadores de futebol, limitando–os a uma posição específica dentro
da equipe, o que, certamente, pode limitar suas possibilidades de ação no
futuro.
Exemplo bem
característico deste acontecimento é o fato de muitos treinadores optarem por
relacionar alguns jogadores, que se apresentam em estágios de crescimento mais
avançados que a média para a categoria, para jogarem exclusivamente de
atacantes aproveitando da maior força adquirida com o crescimento.
Porém, mesmo com
todo êxito conseguido na juventude, muitos destes jogadores falham em idades
mais avançadas por não serem capazes de atuar contra jogadores que apresentam
níveis de força equiparados ou mesmo superioresuma realidade nas idades mais
avançadas e nos profissionais.
Aspectos Positivos
da Especialização Esportiva Precoce
Segundo
Estigarriba (2005), a criança na prática esportiva vivência a cooperação, o
convívio social, desenvolve o respeito pelos outros, a competitividade sadia, o
espírito de equipe, disciplina e a persistência.
Nunes e Gonçalves
(2008) entrevistaram os professores das instituições que participaram do
campeonato: Copa Bahamas de Futsal 2007 e de acordo com a opinião dos
entrevistados são apresentados como aspectos positivos fundamentais em uma
competição: o entrosamento, a convivência, o lúdico, o espírito de grupo, a
coletividade, o respeito às regras, a integração, a participação, a
responsabilidade e o aprendizado que se tira com a vitória com a derrota.
Mostrando-se assim
que o esporte ou a prática esportiva nas categorias de iniciação é muito mais
do que competir, que ganhar e perder, é ter motivação, é viver momentos, e
fazer amigos, além de desenvolver o físico e o bem-estar.
Considerações
Finais
A iniciação ao
futebol é ideal para adquirir habilidades coordenativas motoras básicas. A
princípio, o treinamento técnico deve objetivar a aprendizagem de movimentos, e
não o gesto técnico específico do futebol.
Deve-se lembrar de
que a criança é levada à prática do influenciado pelo meio e aspirando
tornar-se um atleta profissional de futebol. Mas, para que isto aconteça,
deve-se considerar que este pequeno atleta não pode ser submetido ao mesmo
processo de formação técnica e competitiva dos adultos.
O trabalho feito
com crianças deve ter a adaptação adequada para ela, considerando seu
desenvolvimento, além de respeitar também os seus interesses. Gomes e Machado
(1999)
WeineckK (1991)
diz que no período dos 09 aos 12 anos, a criança encontra-se na primeira
infância escolar (09 anos) e infância escolar tardia (10/11 e 12 anos). Este
período de tempo compreende a época de melhor aproveitamento para a
aprendizagem dos gestos esportivos sem, entretanto, propor a formação
especificada de gestos.
Isto se explica
pelo fato de que a criança nesta idade já passou por um período de aprendizagem
multilateral e plurificado, formando uma ampla gama de movimentos
generalizados, que formam uma base consistente para o aprendizado de movimentos
com maior teor técnico.
A estratégia ou
planejamento tático deve ser simples sem muitas variações de jogo (defensivas e
ofensivas), podendo ser em forma de jogos reduzidos com elementos e objetivos
essenciais ao jogo formal.
Para concluir,
lembramos que a criança não é um adulto em miniatura e que o professor além de
sua tarefa técnica, também deve ter responsabilidade pedagógica com o futuro da
criança a ele confiado.
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