quarta-feira, 18 de junho de 2014

Excesso de Treino

MATÉRIA PUBLICADA PELO SITE GLOBO.COM

A maior parte das fraturas por stress em corredores ocorre na tíbia, osso da canela.

Segundo algumas pesquisas, as fraturas nesse local representam de 35% a 49% de todas as fraturas por stress. O desenvolvimento da fratura por stress na tíbia está ligado ao acúmulo de forças mecânicas transmitidas para o osso, excedendo sua capacidade de reparação e remodelação com o passar do tempo.

Existem alguns fatores relacionados ao seu surgimento, embora sua exata causa ainda esteja envolta em dúvidas. Entre eles, incluem-se o volume de treinamento exagerado, condições intrínsecas como regulação hormonal e nível nutricional, e fatores biomecânicos como alto impacto.

Pessoas com fratura por stress exibem um amortecimento de impacto na corrida deficiente em comparação a pessoas sem lesão. A força com que o corpo aterrissa no chão é maior, e o joelho, que deveria funcionar como uma mola para suavizar o impacto, fica mais rígido. Além disso, um alto grau de pronação do tornozelo também é observado em pessoas que apresentam essa fratura.

Pesquisadores japoneses acompanharam 230 corredores por três anos, no intuito de descobrir com mais detalhes sobre o que causa a fratura por stress. Eles mediram altura, peso, índice de massa corpórea, amplitude de movimento do tornozelo e quadril, flexibilidade dos músculos da perna, alinhamento do joelho, arco do pé (se plano ou normal), força do quadril e condicionamento físico. No início da pesquisa, nenhum corredor apresentava lesão.

Ao final dos três anos, 21 tiveram fratura por stress e a única diferença entre esses corredores e os que continuaram sem problemas foi a flexibilidade dos músculos das pernas. Os que tiveram fratura apresentavam maior rigidez, o que pode interferir no mecanismo de absorção de impacto e gerar sobrecarga na tíbia.

O tratamento normalmente não é cirúrgico e envolve um período de repouso estabelecido pelo médico. No retorno à corrida, é importante atentar-se ao impacto do corpo com o solo. Procure correr fazendo o mínimo barulho possível, mantenha o tronco estável e alto (imagine que uma corda te puxa para cima) e deixe as pernas relaxadas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lesão Muscular.




Os estiramentos musculares do membro inferior estão entre as lesões mais comuns no esporte, podendo chegar até um terço das lesões. Os músculos isquiotibiais (atrás da coxa – que são: bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso) são os principais músculos afetados em atletas de elite.

Essas lesões estão associadas a esportes que envolvem aceleração e desaceleração, saltos, mudanças de direção e chutes. Resultam em um grande tempo afastado dos esportes. Normalmente resultam de um alongamento durante a fase de contração muscular (contração excêntrica).
Fatores predisponentes da lesão
Muitos fatores têm sido associados com essas lesões, porém não têm uma evidência científica muito forte.

1. Lesão prévia: Orchard em um estudo no futebol australiano, mostrou que a lesão prévia dos isquiotibiais foi o principal fator de risco para uma nova lesão.

2. Fadiga: músculo fadigado predispõe à lesão. Estudos em coelhos mostraram que o músculo fadigado absorve menos energia antes de romper-se. Está também associado a alterações biomecânicas.

3. Flexibilidade diminuída: músculos que são alongados ciclicamente apresentam uma característica de suportarem um maior alongamento antes da lesão. Witvrouw mostrou uma forte correlação entre retração da musculatura dos isquiotibiais durante avaliação na pré-temporada e subseqüente lesão durante a temporada em jogadores de futebol.

4. Fraqueza: muitos estudos associam a falta de força muscular com as lesões posteriores da coxa. Atletas que não sofreram lesões mostraram maior força na contração excêntrica.
Recorrência
Esta lesão comum tem uma alta taxa de reincidência o que faz os atletas, treinadores, médicos e fisioterapeutas ficarem frustrados. Pode chegar até 30% de reincidência. O tecido cicatricial não tem a mesma elasticidade do tecido normal, podendo sofrer novo estiramento. Também ocorre uma diminuição da força muscular nos demais músculos devido ao desuso (repouso). Normalmente o tempo de recuperação é maior do que se imagina inicialmente.
Local anatômico e patofisiologia
O local mais comum é na junção miotendinosa (entre o músculo e o tendão) do bíceps femoral. Apesar de muita investigação, a etiologia e a patofisiologia permanecem obscuras. Estudos histológicos mostraram que a lesão é caracterizada por inflamação e edema e sangramento. A resposta inflamatória aguda é responsável pela proliferação de fibroblastos. Após a resolução do processo inflamatório, um processo fibrótico segue e leva à formação da cicatriz. Este tecido cicatricial é menos flexível e mais fraco que o tecido normal. 
Apresentação clínica
Geralmente há uma história de dor súbita posterior na coxa associada à perda da função do músculo. No exame, pode-se perceber inchaço localizado, dor e possivelmente um defeito no músculo. Equimose (roxo) é indicativo de lesão maior, porém pode levar até dois dias para aparecer. Há dor e diminuição da força de contração durante a flexão forçada do joelho. Também há uma diminuição na capacidade de alongar a perna afetada.
Classificação
A mais conhecida é a de O’Donoghue:
Grau 1 - não há ruptura de fibras, sem perda de função ou força e há apenas um processo inflamatório de baixo grau. Normalmente o retorno pode ocorrer dentro de uma semana até 10 dias.

Grau 2 - ocorre lesão tecidual que reduz a força do músculo. Diminuição da função muscular. Retorno em duas a quatro semanas.

Grau 3 - caracterizado por completa ruptura da unidade músculo-tendínea com perda completa da função muscular. Retorno entre seis a oito semanas.
Exames de imagem
A ultrassonografia (ecografia) é útil, porém o exame padrão é a ressonância magnética.
Tratamento
O manejo destas lesões é essencialmente a modificação das atividades somado a um programa de reabilitação. Outras medidas são o uso de medicamentos, assim como estimulação elétrica e ultrassom. Cirurgia é muito rara quando ocorre uma avulsão completa.

1. Medicamentos antiinflamatórios não esteróides: São frequentemente usados, porém seu uso tem sido questionado. Mais de cinco a sete dias pode diminuir a velocidade de cicatrização.

2. Corticosteróides: também controverso. Deve ser reservado quando há um aumento do processo inflamatório durante a reabilitação (quando o processo inflamatório não se resolve em poucos dias).

3. Ultrassom: embora usado frequentemente, não há uma evidência científica forte que seja útil. Tem o objetivo de aumentar a síntese protéica e a permeabilidade das membranas e a atividade fibroblástica.

4. Cirurgia: Raramente indicada, apenas para lesões de avulsão (arrancamento) da musculatura junto ao osso, que pode ocorrer na sua origem junto ao osso do ísquio (no quadril).
Reabilitação
Fase 1: O manejo inicial consiste em repouso, gelo, compressão e elevação para minimizar um dano tecidual maior, diminuir o sangramento, diminuir a resposta inflamatória e diminuir a dor.

Fase 2: Mobilidade precoce controlada e alongamentos passivos (assistidos), sempre dentro de uma área de conforto. O paciente não pode sentir dor. Natação e exercícios para os membros superiores são estimulados para manter o condicionamento.

Fase 3: exercícios isocinéticos são iniciados. Estimula-se o uso de bicicleta e de esteira.

Fase 4: após realizar exercícios isocinéticos sem dor, o atleta inicia corridas em linha reta. Permite-se o uso de exercícios de contração excêntrica. A intensidade do treinamento é gradualmente aumentada e o atleta inicia exercícios de agilidade e arranques.

Fase 5: fase final é o retorno ao esporte. Não há consenso de quando o atleta pode voltar. Todo esforço é feito para realizar os exercícios específicos do esporte sem dor, com a força normal, com a agilidade normal, sem dor, e então, o retorno ao esporte é permitido. Apesar disso, o risco de reincidência permanece alto por um período significativo.

domingo, 25 de maio de 2014

Lesão Meniscal: Diagnóstico e Tratamento



Matéria publicada pelo site Gustavo Vanni

O menisco é uma fibrocartilagem em formato de C que absorve e transmite a carga através dos joelhos. A causa mais comum de ruptura meniscal é a pressão excessiva e forças torcionais aplicadas no joelho.


Esse movimentos acontecem durante atividades esportivas ou quedas. Nesses momentos realizamos movimentos torcionais extremos do joelho e de hiperflexão. Pacientes com diminuição do espaço articular do joelho devido a perda da cartilagem e com artrose podem sofrer rupturas meniscais tanto agudas como degenerativas devido a pequenos movimentos agudos e de repetição. O exame de imagem de escolha para o diagnóstico das lesões meniscais é a ressonância nuclear magnética do joelho.

O diagnóstico da lesão meniscal é realizado através do conjunto de sintomas do paciente e da ressonância nuclear magnética. Os sintomas do joelho com lesão meniscal geralmente são inchaço do joelho, dor na região lateral (de fora) ou medial (de dentro) do joelho e dor para agachar ou para realizar a máxima extensão do joelho. Sintomas como travamento, falseio e estouros podem ocorrer.

Os sintomas são agravados por exercícios vigorosos e movimentos torcionais. O descer das escadas também pode gerar dor meniscal. Ao deitar a noite o paciente pode sentir dor ao relaxar as pernas e com isso torcer o joelho ou dobrar o mesmo. A persistência desses sintomas por 4 a 6 semanas podem significar uma lesão meniscal. Casos agudos são vistos imediatamente pelo componente do trauma e dor intensa. As lesões ligamentares agudas também podem imitar esses sintomas no trauma do tipo entorse do joelho.

O tratamento das lesões meniscais incluem:

- Iniciar fisioterapia para melhora dos sintomas.
- Uso de antiinflamatórios não esteróides por até duas semanas.

Restrição dos movimentos que causam dor

Cirurgia artroscópica do joelho para ressecar parcialmente as lesões meniscais ou realizar a sutura das mesmas. A diferença na indicação entre a menisectomia parcial( ressecção) e a sutura do menisco está baseada no tipo de lesão, na localização da lesão em termos de vascularização do menisco e tempo ocorrido da lesão. Lesões com mais de seis semanas de lesão meniscal não são indicadas para realizar a sutura meniscal.

A recuperação das lesões meniscais leva de duas a oito semanas se o tratamento realizado foi somente a ressecção parcial do menisco. Caso tenha sido realizada a sutura meniscal a recuperação pode levar de dois meses a quatro meses.

O tratamento fisioterápico após a cirurgia artroscópica é necessário dependendo da evolução do pós-operatório do paciente. Paciente com sutura meniscal sempre necessitam de fisioterapia. Lesões na cartilagem ou ligamentos podem ocorrer e o tempo de recuperação bem como o tratamento cirúrgico podem sofrer alteração.

Exercício intenso pode causar problema cardiovascular



 

Estudos concluem que exagerar na atividade física eleva risco de ataque cardíaco, derrame e arritmia. Mas isso não é um convite ao sedentarismo: pesquisadores alertam que qualquer exercício é melhor do que nenhum.

Fazer exercícios intensos regularmente pode ser maléfico à saúde cardiovascular. Segundo dois estudos, um alemão e outro sueco, ambos publicados quarta-feira no periódico Heart, exagerar na atividade física aumenta o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia. Mas isso não é um incentivo a não fazer nenhum exercício. Os pesquisadores ressalvam que se exercitar em qualquer quantidade é melhor do que ser sedentário.

Os cientistas do Centro de Estudo Alemão de Câncer mediram por dez anos a frequência e a intensidade de atividade física, além da taxa de mortalidade, de mais de 1.000 pessoas com doença arterial coronariana cardíaca estável.

Todos os participantes, com idade média de 60 anos, tinham participado de um programa de reabilitação cardíaca, que incluía exercícios regulares. Dos voluntários, 30% praticavam exercícios menos de duas vezes semanais (sendo que 10% nunca ou raramente praticavam), 40% duas a quatro vezes e 30% mais que quatro.

Ao compilar os dados, os cientistas detectaram, sem surpresa, que os sedentários tinham quatro vezes mais probabilidade de morrer de quaisquer causas do que os ativos fisicamente, sendo o risco de ataque cardíaco ou derrame duas vezes superior.

A constatação inesperada foi que os voluntários que praticavam os exercícios intensos mais de quatro vezes por semana também tinham duas vezes mais probabilidade de morrer de ataque cardíaco ou derrame do que aqueles que malhavam com menor frequência.

Já a pesquisa sueca, realizada por estudiosos do Departamento de Cardiologia do Hospital Karolinska, perguntou a mais de 44.000 homens, com idades entre 45 e 79 anos, sobre o tempo dedicado à atividade física nas idades de 15, 30 e 50 anos, e sobre cada ano depois dos 60 anos. A saúde cardíaca dos participantes foi acompanhada por doze anos, em média, desde 1997, período em que foi documentado quantos voluntários desenvolveram arritmia cardíaca e fibrilação atrial, um conhecido fator de risco do derrame.

Os pesquisadores constataram que os homens que se exercitaram intensamente por mais de cinco horas semanais tinham 19% mais probabilidade de desenvolver arritmia aos 60 anos do que aqueles que praticaram atividade física por menos de uma hora por semana. O risco subiu para 49% quando se realizava mais de cinco horas de exercício por semana aos 30 anos — grupo que, posteriormente, fazia menos de uma hora de atividade aos 60 anos.

"Esses dados precisam ser analisados com cautela. Nós podemos, definitivamente, dizer que qualquer quantidade de exercício é melhor do que o sedentarismo", disse ao site de VEJA Ute Mons, líder da pesquisa alemã. "Minha recomendação é que pacientes com problemas no coração estabeleçam sua 'dose' de exercício junto com o médico e o educador físico."

quinta-feira, 8 de maio de 2014


  
O gosto pelo futebol faz parte da cultura do povo brasileiro. Desde criança, jogar bola é uma das brincadeiras mais prazerosas e, na idade adulta, as partidas entre amigos ou aquelas não oficiais no fim de semana, também conhecidas como "peladas" - estão inclusas.


Entretanto, é necessário estar atento às lesões que podem decorrer dessa atividade, mesmo sendo uma partida descontraída.
"A pessoa tem uma vida sedentária e, normalmente, quando chega no fim de semana, quer jogar. Porém, não pode esquecer do alongamento, isso é fundamental para tentar evitar lesões." Quem faz o alerta é o especialista em ortopedia e traumatologia e autor do livro "Apenas Futebol", João Rozas Barrios. Uma dica que ele dá aos peladeiros de fim de semana é: tome um copo de água com uma colher de chá de bicarbonato de sódio uma hora antes da partida. Isso evitará a dor muscular no dia seguinte.

De acordo com Barrios, o maior número de lesões sérias nos atletas profissionais são as musculares, mas os tornozelos e os joelhos também sofrem com a quantidade de impacto, pois funcionam como para-choques de todos os movimentos que um jogador faz durante a partida; salta, corre e para de repente. "Os tornozelos, nas estatísticas, são responsáveis por 20% das complicações mais sérias no futebol; 15% estão no joelho e 35% são musculares."

Porém, a gravidade da lesão está em relação ao tempo em que o jogador fica fora do esporte.
Lesões musculares
As complicações mais comuns no futebol são as contusões. De acordo com o livro "Apenas Futebol", as contusões e lesões musculares foram as mais frequentes e a maior incidência ocorreu nos jogadores de meio-campo e ataque. Também revela que 45% das lesões acontecem durante os jogos, 40% nos treinos táticos-técnicos e as restantes nos exercícios físicos.

"Quando pensamos em futebol, achamos que é utilizado apenas os membros inferiores. Porém, na verdade, o organismo inteiro participa de uma partida. Caso fique muito tempo sem jogar e, de repente, volte, no dia seguinte o corpo irá sentir", lembra o médico.

A coluna cervical participa do jogo o tempo todo. Por isso, essa musculatura do jogador é bem fortalecida. Durante a partida, os músculos paravertebrais são utilizados, assim como os abdominais, estes que, de tão utilizados, se houver um problema, eles produzem uma lesão no púbis, trazendo um quadro de pubalgia, sendo de difícil tratamento - quem sofreu isso foi Kaká, cita Barrios.
Entorses e luxações
As lesões mais comuns ao longo da vida de um jogador de futebol profissional são: as contusões, que são as batidas sobre uma determinada zona do corpo; as entorses, resultado de quando se ultrapassa o limite normal de movimento de uma articulação; distensões musculares - podendo ser em grau leve, médio e grave -, causadas pelo estiramento das fibras musculares, mas sem provocar lesão; rupturas musculares; problemas tendinosos, e as luxações.

"Muita gente confunde luxação com contusão, mas são muito diferentes", diz Barrios. A luxação é o deslocamento de um osso da articulação. E, por último, a fratura.

Hoje o jogo é muito mais físico e mais rápido. Existem pessoas que analisam o futebol e sabem quantos quilômetros o jogador percorre durante uma partida. Fazendo uma análise desde 1950 para cá, antes, era considerado um futebol arte, pois os atletas tinham tempo para olhar e pensar, comenta o especialista.

"Li num artigo uma comparação de quantos quilôemtros percorria-se antigamente. Nenhum jogador passou dos 4 km nos anos 60, 70. Na última Copa, na final de Espanha e Holanda, o Iniesta correu 12 km", diz Barrios. Como a participação é exaustiva, os clubes possuem um médico, fisioterapeuta, nutricionista, e em alguns, há até psicólogos.

Um tipo de fratura que existe em vários esportes é a por estresse, que acontece, na maioria, nos pés dos futebolistas. São fissuras microscópicas dos ossos, causadas por uma soma de quantidade de impacto. A maior parte das lesões ocorre sem haver toque. 
Joelho e tornozelo
O joelho e tornozelo não têm envoltório muscular que possa os proteger. Portanto, qualquer movimento inadequado trará lesão. O joelho é uma articulação complexa, pois são quatro ligamentos que fornecem estabilidade; dois laterais, impedindo que abra, e os cruzados, não permitindo um movimento de gaveta.
"A lesão dos cruzados é aterrorizante pra quem joga futebol, só volta depois de seis meses", explica o ortopedista. O meio-campo Paulo Henrique Ganso sofreu duas complicações desta, sendo uma em cada joelho.

Devido ao progresso da medicina, próteses e tratamentos, a artroscopia (permite refazer os ligamentos), deixou os jogadores mais tranquilos.
"Quando comecei, as lesões eram meniscais, e são mais benignas do que as dos ligamentos." Há meio século, quando se operava um menisco, abria a articulação e não deixava um resto meniscal. O paciente era internado de três a quatro dias, havia um pós-operatório mais longo. Hoje, retira-se o menisco em 30 minutos. "Se for problema no menisco, à noite está em casa. A lesão dos ligamentos cruzados também não são mais incapacitantes como era antes", afirma Barrios.

Já a articulação labral raramente é lesada no futebol, mas nos tenistas é mais comum. "Se não for prontamente tratada, ela leva à incapacidade. Foi o que aconteceu com o Guga. Pouca gente sabe que ele tem uma prótese", elucida Barrios.

Outra lesão, que é rara, mas pode acontecer, é quando o jogador está com a boca aberta, leva uma bolada na mandíbula e sofre uma fratura na articulação temporamandibular. "Pouca gente sabe que temos como se fosse menisco nessa articulação", finaliza Barrios. 
Estudante teve lesão grave

Quem sofreu uma lesão grave durante uma partida de futebol não oficial foi o estudante de engenharia mecânica Lucas Prezotto, 22 anos. Ele teve uma ruptura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito (igual Paulo Henrique Ganso, do São Paulo ).

"Foi em uma disputa de bola normal. Eu estava jogando como zagueiro e dividi a bola com o centroavante. Não houve falta e nem maldade no lance, foi uma fatalidade", lembra o estudante, afirmando ter sentido muita dor na hora da ruptura do ligamento.

A recuperação, de acordo com Lucas, pode ser entendida de duas formas: para poder andar e realizar atividades diárias, demorou de 15 a 20 dias. Porém, para jogar uma partida de futebol após a cirurgia levou 10 meses. O tratamento foi baseado em 30 sessões de fisioterapia e 15 de hidroterapia. "Foi dado início ao fortalecimento com exercícios funcionais e depois fortalecimento especializado em academia, que venho dando sequência até hoje." Entretanto, a cirurgia não foi feita de imediato. Lucas esperou a época de provas terminar para operar.

A lesão ocorreu em abril do ano passado, porém, o joelho ainda dói em certas ocasiões, como em situações de sobrecarga. "Voltei a jogar bola só agora. E, um dia após a partida, sinto uma leve dor, mas isso é normal", finaliza. 

O Papel do Lactato


  

O lactato é produzido pelo organismo após a queima da glicose (glicólise), para o fornecimento de energia sem a presença de oxigênio (metabolismo anaeróbico láctico). Em atividades físicas de longa duração, o suprimento de oxigênio nem sempre é suficiente.

O organismo busca esta energia em fontes alternativas, produzindo o lactato. O acúmulo desta substância nos músculos pode gerar uma hiperacidez, que causa dor e desconforto logo após o exercício. Assim, a determinação da concentração sanguínea do lactato permite avaliar indiretamente a acidose metabólica do exercício, sendo uma das ferramentas diagnósticas utilizadas pela Fisiologia do Exercício.

A dosagem do lactato permite avaliar a capacidade de exercício e monitorar a intensidade de treinamento dos atletas. Isso pode ser feito em exercícios de cargas crescentes durante o Check-up Fitness ou após o término de um treinamento específico ou de um exercício realizado em competição. A dosagem sanguínea do lactato é uma forma prática de se obter uma avaliação do metabolismo do lactato e do limiar anaeróbico do atleta. Para se entender como funciona esse teste, precisamos antes entender a produção de energia no músculo e sua relação com a produção do lactato.

A produção de energia para a realização de um exercício físico se dá a partir da “quebra” de uma molécula de ATP (adenosina trifosfato), que funciona como o combustível para a contração muscular. Existem 3 mecanismos principais para produção dessa energia:

1. Sistema do metabolismo anaeróbico alático (sistema ATP-creatina-fosfato), ou seja, sem a produção de lactato.

2. Sistema do metabolismo anaeróbico láctico (glicólise), ou seja, que leva à produção do lactato.

3. Sistema de metabolismo aeróbico, também sem a produção de lactato.

No metabolismo anaeróbico láctico, o lactato é o produto final da degradação da molécula de glicose (açúcar) utilizada para a produção de energia (ATP). Isso ocorre porque não há oxigênio (O2) suficiente para que ocorra o sistema de metabolismo aeróbico.

Na realidade, o metabolismo anaeróbico láctico, com a produção do lactato, é o principal sistema de produção de energia que é utilizado em atividades físicas que têm duração relativamente curta, de 30 segundos a 90 segundos, como por exemplo em corridas de 400 metros, provas de natação de 200 metros, no futebol, no tênis, etc. O lactato produzido no músculo vai para a corrente sanguínea e daí para o fígado, onde é removido do sangue e metabolizado.

A detecção desse índice de limitação funcional é feita com a realização de um exercício de cargas crescentes, e baseia-se na medida da concentração sanguínea do lactato: coletas seriadas de sangue são feitas para se determinar o limiar anaeróbico, que ocorre quando a concentração do lactato excede o valor de 4,0 mmol/L. Dessa forma, estabelece-se como limiar anaeróbico a carga ou intensidade de esforço imediatamente anterior aquela em que a concentração de lactato excede esse valor. O treinamento de "endurance" diminui a concentração sanguínea de lactato e com isso retarda a chegada ao limiar anaeróbico, o que indica a melhora da performance do atleta. É importante ressaltar que concentrações de lactato acima de 4,0 mmol/L devem ser evitadas no treinamento de “endurance”.

O desenvolvimento de novas tecnologias para a dosagem do lactato, denominadas em conjunto de teste laboratorial remoto, permite-nos, atualmente, fazer a dosagem da concentração sanguínea do lactato em campo, de forma precisa e com uma pequena gota de sangue obtida da ponta de um dos dedos do atleta. Além disso, o resultado é obtido rapidamente, em poucos minutos. Isso facilita muito a realização desse teste, a rapidez de sua interpretação e a tomada de decisão, ampliando seu uso na Medicina Esportiva.

Assim, a dosagem do lactato pode trazer importante informação para o atleta e seu treinador, tanto quanto à situação atual de treinamento e “performance” do atleta, como com relação às demandas metabólicas do organismo e sua capacidade de suportar estímulos de exercícios especificamente selecionados. A avaliação do “fitness” individual e das condições de treinamento, que dependem desse condicionamento físico, são uma área de interesse cada vez maior dentro dos programas de treinamento físico. 

Overtraining e seus Efeitos


Sabe o que é a síndrome de overtraining? Trata-se de um problema que ocorre quando o atleta faz mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar.

Ao tentar melhorar o desempenho em treinamentos e provas, os corredores exageram no volume da atividade física sem ter o descanso adequado e escolhem uma dieta incorreta.

As consequências, no entanto, vão da ordem muscular, passando por problemas nas articulações, e resultam em malefícios no sistema imunológico e no aspecto psicológico do corredor.
Causas e Prevenções 
Acredita-se que a gênese da síndrome de overtraining esteja diretamente relacionada com uma estratégia de treino denominada "teoria da supercompensação", que se fundamenta no princípio da sobrecarga progressiva. Essa teoria afirma que as reservas energéticas gastas durante o processo de contração muscular são repostas apenas no período de recuperação, ou seja, de descanso.

Segundo o preparador físico Manuel Lago, o overtraining tem uma incidência maior em corredores de média e longa distância e implica em problemas das mais diversas ordens, como insônia, lesões agudas e crônicas, o sistema hormonal se desequilibra, irritabilidade, diminuição da performance e alteração da pressão arterial.

- Além dos problemas nos treinos, vai interferir em várias coisas que afetam a qualidade de vida. Para evitar o overtraining, é essencial obedecer seu treinador. Como forma de prevenir, o atleta precisa conhecer cada vez mais seu corpo, identificando sensações como preguiça, cansaço, exaustão para saber avaliar melhor, o seu rendimento no treino - disse Manuel Lago, que acrescenta: o problema pode ser leve, moderado ou severo. 
O especialista explica a diferença entre treino forte e overtraining: 
Treino Forte - Você é capaz de sair, treinar e voltar ao treino.

Overtraining - Você não é capaz de sair para treinar forte, o corpo "reclama" do aquecimento ao final da atividade. Na maioria das vezes, o atleta não consegue começar a parte principal do treino. 
As causas fisiológicas e metabólicas: 
- Elevação do nível do cortisol (hormônio que quebra o tecido muscular para forma energia);

- Déficit proteico;

- O catabolismo (reações de quebra de moléculas para produzir energia) supera o anabolismo (reações de síntese de substâncias);

- Estresse no sistema nervoso central provocando distúrbios hormonais (ver coluna sobre a tríade da mulher atleta que eu escrevi para o site);

- Tempo insuficiente para reparar os micro-traumas no músculo esquelético provocados pelo exercício.
Problemas que o overtraining traz aos atletas: 
- Perda de condicionamento físico com perda de força e resistência;

- Dor muscular persistente;

- Sensação de fadiga crônica;

- Elevação significativa da frequência cardíaca em repouso (este é um sinal bem típico);

- Mudança de humor com quadro de depressão e irritabilidade;

- Queda da resistência imunológica;

- Perda da qualidade do sono.
Como Tratar 
De acordo com o fisiologista Turibio Barros, o tratamento do overtraining é obrigatoriamente a redução drástica do treino ou em casos mais graves a interrupção da atividade física e das competições. Quando o atleta busca bons resultados e melhor qualidade de vida, ele deve ter acompanhamento de um médico, profissional de educação física, nutricionista e também um fisioterapeuta. Sendo diagnosticado em tempo, sem que haja complicações mais sérias, principalmente as provocadas pelos distúrbios hormonais, o quadro felizmente é reversível.
Alimentação Adequada 
O melhor meio, portanto, de se evitar o overtraining é não permitindo que ele apareça. Além de não passar seus limites nas atividades físicas, é importante descansar bem entre uma atividade e outra e manter uma alimentação balanceada, como explica a nutricionista Cristiane Perroni.

A alimentação equilibrada é fundamental: hidratação, ingestão de todo os grupos, individualizada para cada esporte e período de treinamento, se preocupando com os alimentos no pré-treino, durante e após (recuperação). Dietas restritivas, desequilibradas e com baixa ingestão de carboidratos agravam o overtraining. Confira:

- Frutas, verduras e legumes: são fontes de vitaminas e minerais que participam de processos celulares relacionados ao metabolismo energético; contração, reparação e crescimento tecidual e muscular; defesa antioxidante, resposta imune, ritmo cardíaco, condução do impulso nervoso, transporte de oxigênio e saúde óssea. Apesar de sua relativa escassez na dieta e no organismo, os minerais e as vitaminas são os principais reguladores da saúde e das funções orgânicas.

- Carboidratos: o metabolismo de carboidratos tem papel crucial no suprimento de energia para atividade física. No exercício de alta intensidade, a maioria da demanda energética é suprida pela energia da degradação dos carboidratos, disponíveis para o organismo através da dieta e são armazenados no nosso corpo em forma de glicogênio muscular e hepático. Sua falta leva à fadiga.

- Proteínas: elas também ajudam na reposição das reservas de glicogênio nos músculos e no fígado, que são bastante utilizadas durante a atividade física, esta ingestão deve acontecer junto com alimentos que são fonte de carboidratos. A associação de carboidratos com proteínas é muito importante para a recuperação do treino, repondo as reservas de glicogênio muscular e sendo fonte de aminoácidos essenciais. A maior absorção acontece até duas horas após a atividade física. Ingerir pouca proteína faz com que o corpo não se recupere nos treinos, mas o excesso pode levar a problemas renais e doenças cardiovasculares.
Pode ser necessário a suplementação de alguns nutrientes como:
- Glutamina: regulação da síntese proteica inibe o catabolismo muscular, a participação no sistema imune e nas células intestinais. A suplementação oral de glutamina falha em induzir a elevação na sua concentração plasmática, pois as células do epitélio intestinal consomem a maior parte deste aminoácido, entretanto esta suplementação poupa a glutamina do corpo (endógena), aumentando a disponibilidade deste aminoácido para outros tecidos.

- Ômega 3: ação anti-inflamatória e estimulação do sistema imune.

- Antioxidantes (vitamina A, E, C; selênio; zinco; cromo): combate aos radicais livres e estímulo ao fortalecimento do sistema imunológico.

- BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada): reequilibram a quantidade de triptofano, diminuindo a síntese de serotonina evitando a fadiga central, recuperação muscular.

- Bebidas isotônicas/jujubas ou gel de carboidratos: repositores de glicose, sódio e potássio.


Matéria publicada pelo site Globo.com.

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