quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mitos e verdades



 

Matéria publicada pelo site Zero Hora

Sentir dor não é normal, principalmente quando essa dor vem da coluna.
 — Sedentarismo, obesidade, má postura, alterações das curvaturas da coluna, crescimento acelerado e envelhecimento estão entre as principais causas de dor na coluna.


Além disso, algumas posturas ou movimentos como agachar ou levantar pesos excessivos também podem comprometer a região lombar — explica o neurocirurgião Mauricio Mandel.

Para prevenir as doenças na coluna, é importante evitar carregar peso e respeitar a limitação do seu corpo. Praticar exercícios físicos regularmente, manter o equilíbrio do corpo, preservar a coluna, abaixar-se ou levantar sempre com a coluna reta são práticas simples que podem prevenir uma lesão mais grave na coluna, indica Mandel.

O neurocirurgião listou os principais mitos e verdades sobre o problema. Confira:

O sobrepeso pode causar dor nas costas: verdade
Quem está acima do peso tem mais chances de sofrer com dores nas costas, pois o excesso de peso pode comprimir a coluna e prejudicar os discos intervertebrais.

O colchão duro é o mais indicado para quem tem dor nas costas: mito
O ideal é escolher um colchão de acordo com o seu peso. O colchão bom é aquele você consegue dormir e acordar bem sem sentir dor. Se você sentir dificuldade em levantar e muita dor nas costas, procure um médico e talvez seja necessário trocar o colchão.

Apoiar o celular no ombro pode desencadear o torcicolo: verdade
Ao curvar a cabeça para apoiar o celular no ombro pode dar um mau jeito no pescoço, principalmente se a pessoa permanecer nessa posição por um longo tempo. A pessoa pode sofrer uma tensão de um lado do pescoço e provocando o torcicolo.

A dor na coluna só pode ser tratada com cirurgia: mito
Tudo vai depender do tipo de doença que afeta a coluna, em alguns casos, há necessidade do paciente se submeter ao tratamento minimante invasivo para tratar o problema, mas poucos casos, como de fratura cervical, são indicados para cirurgia.

Permanecer muito tempo em pé dá dores nas costas: verdade
Sim, ficar na mesma posição pode provocar um enrijecimento da coluna vertebral e tensão muscular, a consequência pode ser uma dor forte na região.

Dormir de barriga para cima pode dar dores nas costas: mito
As melhores posições para dormir e não sentir dor nas costas é de decúbito dorsal (deitar com a barriga voltada para cima) e lateral (para o lado esquerdo ou direito). Quem já apresenta um quadro de dor na coluna deve evitar dormir com a barriga para baixo.

Exercício físico prejudica a coluna: parcialmente verdade
Os exercícios em excesso e sem a orientação de um profissional podem interferir na saúde da coluna da vertebral, mas a ausência da atividade física também pode ser prejudicial. O ideal é não abandonar a atividade praticá-la com moderação para evitar futuros problemas.

Alimentos



Matéria publicada pelo site Eu Atleta

Os alimentos termogênicos são capazes de acelerar o metabolismo, aumentando a temperatura corporal, fenômeno chamado de termogênese. A palavra termogênico é derivada do grego e significa calor. Com este aumento da temperatura corporal, passamos a gastar mais calorias. Esse gasto fica em torno de 5% a 10% em relação ao gasto energético normal do nosso metabolismo.


Por isso, os alimentos termogênicos podem ser grandes aliados nas dietas de emagrecimento. No entanto, não adianta apostar apenas em um alimento. É preciso ter bom senso na escolha de tudo o que está compondo as refeições.

Além de ajudar no efeito termogênico, a maioria destes alimentos tem importante ação anti-inflamatória e antioxidante, combatendo os radicais livres, grandes responsáveis pelo envelhecimento precoce.

Alguns alimentos que têm importante ação termogênica e anti-inflamatória:

- Chá verde: atua no metabolismo e na oxidação das gorduras de forma significativa, podendo ajudar no ganho de massa magra. É uma bebida muito indicada nas dietas de emagrecimento. A bebida tem outros benefícios como ação cardioprotetora, diurética, antioxidante, digestiva, entre outras. Seu efeito termogênico acontece devido à combinação dos polifenóis e da cafeína, que estão presentes naturalmente na Camellia Sinensis, planta que dá origem ao chá verde e outros chás (chá vermelho, chá branco e chá amarelo). Por este motivo, ocorre o aumento da taxa de metabolismo e passamos a gastar mais energia. Se o consumo for associado à atividade física, o resultado é potencializado.

- Água gelada:  embora ainda não seja um consenso, após o consumo da água gelada, o corpo precisa equilibrar a temperatura (36°C) e passa a gastar mais energia. Esse é um processo normal sempre que consumimos qualquer bebida gelada. Consumir um copo de água gelada faz com que o nosso corpo gaste cerca de 10 calorias para regular sua temperatura. Normalmente já é indicado o consumo de 1,5l a 2l de água diariamente para hidratação e funcionamento adequado do organismo. Sendo assim, consuma essa água gelada.

- Canela: por ter ação estimulante e aumentar a temperatura do corpo, a canela pode ser considerada um alimento termogênico. Seu efeito é leve. A canela não é um alimento fácil de consumir em grandes quantidades devido o sabor acentuado. Duas colheres de café ao dia são suficientes para auxiliar na dieta, juntamente com outros alimentos. Pode ser colocada em frutas cozidas, sucos e outros alimentos.

- Gengibre: é fonte de substâncias termogênicas, como o gingerol, que atua no aumento do gasto calórico e também na reposta anti-inflamatória. Um ou dois pedaços de 1cm diariamente ajudam a acelerar o metabolismo. Pode ser utilizado ralado, como um tempero, ou na forma de chás, sucos e caldos.

- Pimenta vermelha: é um dos alimentos que mais estimula a produção de calor pelo corpo, devido à presença de uma substância chamada capsaicina, que dá o sabor ardido. Ela também é antioxidante e protege o coração. Não é indicada em casos de gastrite ou outras sensibilidades e restrições. A quantidade de 3g a 5g por dia já é suficiente. A vantagem é que ela pode ser consumida facilmente nas refeições, em geleias ou em outras preparações.

Há ainda outros alimentos termogênicos como:mostarda, guaraná em pó e cafeína. Existem também bebidas elaboradas com vários ingredientes à base de termogênicos naturais. Essas bebidas combinam além do chá verde, chá vermelho e guaraná em pó, outras substâncias como taurina, inusitol e casca amarga da laranja, que são energéticas e estimulantes. Irão agir de forma sinérgica no metabolismo e oxidação das gorduras.

Alguns alimentos não são indicados para quem tem qualquer alergia ou restrição alimentar, como a pimenta e a canela. Outros alimentos como chá verde, guaraná em pó, cafeína, etc, não são indicados para gestantes, hipertensos e pessoas com distúrbios do sono. É o caso também das bebidas termogênicas que combinam várias substâncias para atuarem na disposição e oxidação das gorduras. A orientação é não exagerar no consumo diário e sempre consultar um nutricionista.

No entanto, apostar apenas em alguns alimentos e não cuidar do equilíbrio de todas as refeições diárias pode ter pouco efeito. Vale lembrar que o nosso metabolismo é influenciado por diversos fatores como sexo, idade, altura, peso, atividades física, entre outros. Comer pouco, de forma saudável e várias vezes ao dia são princípios fortes de longevidade e qualidade de vida.

Exercicio de resistencia



 

Matéria publicada pelo site O Debate

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Se exercitar na academia por pelo menos 20 minutos pode ajudar a melhorar a memória de longo prazo. É o que diz um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, Estados Unidos, e publicado no periódico Acta Psychologica.


Estudos anteriores já haviam mostrado que a memória pode ser beneficiada por diversos meses de exercícios aeróbicos, como corrida ou natação, porém o novo estudo demonstra que um resultado semelhante pode ser obtido em um período muito menor.

“Nosso estudo indica que as pessoas não precisam dedicar grandes quantidades de tempo para beneficiar o cérebro”, afirma Lisa Weinberg, estudante do Instituto e principal autora.

A pesquisa contou com a participação de 29 mulheres e 17 homens, que foram divididos em dois grupos. Na primeira parte do experimento, todos viram uma série de 90 imagens mostradas na rela de um computador, que podiam ser positivas, neutras ou negativas (como crianças brincando em um tobogã, relógios e imagens de corpos mutilados), e foram instruídos a memorizar quantas pudessem. Os voluntários foram então divididos em um grupo ativo e outro passivo.

Os integrantes do primeiro deveriam realizar um exercício de esticar e encolher as pernas em um equipamento de academia 50 vezes, na maior intensidade que conseguissem, enquanto o outro simplesmente se sentou e permitiu que a máquina movesse suas pernas.

A pressão sanguínea e os batimentos cardíacos dos participantes foram monitorados, e amostras de saliva foram coletadas para que fosse possível avaliar os níveis de neurotransmissores ligados ao stress provocado pelo exercício. Depois dias depois, foi mostrada aos participantes uma nova série de imagens, com as 90 que eles haviam visto antes e 90 novas, para que eles reconhecessem aquelas que já tinham visto. Os resultados mostraram que o grupo passivo se lembrou de cerca de 50% das imagens originais, enquanto o outro chegou a 60%.

A escolha de fazer os participantes estudarem as imagens antes de realizar a atividade física se baseou em descobertas feitas em pesquisas com modelos animais, que mostraram que o período depois do aprendizado (denominado consolidação) é quando o stress causado pelo exercício pode ser mais benéfico para a memória.

Apesar de a pesquisa ter sido feita com um exercício usando pesos, os pesquisadores afirmam que atividades de resistência como agachamentos podem produzir o mesmo efeito. “Nós agora podemos tentar determinar a aplicabilidade desta descoberta a outros tipos de memória, e o melhor tipo e quantidade de exercício em diversas populações, como idosos e pessoas com problemas de memória”, disse Minoru Shinohara, professor da escola de psicologia aplicada e um dos autores do estudo.

Suco Rosa



Matéria publicada pelo site O Nortão

Combinação de beterraba crua com a laranja, o suco rosa tem feito sucesso entre os praticantes de atividades físicas ao redor do mundo, principalmente porque pesquisas indicaram que a bebida melhora o desempenho físico. Porém, o suco promove uma série de outros benefícios para a saúde, como proteger o cérebro e diminuir a pressão arterial. Saiba quais são eles, como consumir e quais alimentos combinam com o suco rosa. 

Melhora o desempenho físico

A beterraba, principal ingrediente do suco rosa, possui um componente que estimula a produção de óxido nítrico no organismo. Uma pesquisa publicada no Journal of Applied Physiolyem agosto de 2013 concluiu que esta substância presente no vegetal ajuda a diminuir a quantidade de oxigênio consumida pelo corpo. Desta maneira, o consumo da beterraba antes dos treinos melhorou o desempenho físico dos oito participantes da pesquisa em até 16%. Durante exercícios severos, o estudo também observou que a absorção de oxigênio continuou menor e que os voluntários demoraram mais tempo para alcançar a exaustão.

Fornece energia

A beterraba é rica em açúcar e carboidratos, por este motivo também pode ser interessante ingerir o suco rosa antes de se exercitar. Estes nutrientes proporcionam a energia necessária para a atividade física e o carboidrato ainda preserva a massa muscular. "O vegetal ainda é fonte de vitaminas do grupo B que são cofatores importantes para transformar o açúcar em energia dentro das células", conta o nutrólogo Roberto Navarro.

Porém, alguns profissionais da saúde não recomendam a beterraba como boa fonte de energia. "O carboidrato da beterraba não é o mais adequado para a suplementação nutricional. Este açúcar não manterá ou melhorará a performance", ressalta o nutricionista do esporte Israel Adolfo.

A ação benéfica dos carboidratos no músculo é indireta. Como eles são a primeira fonte de energia que o nosso corpo busca, quando o nutriente não está presente, o organismo utiliza a proteína. Assim, ela não consegue contribuir para a formação de músculos. A laranja presente no suco rosa também possui boas quantidades de açúcar.  

Ação antioxidante

 A mistura entre a beterraba e o suco de laranja é uma ótima ideia para os treinos. Isto porque durante a prática de exercícios, ocorre maior circulação de oxigênio no organismo e quando ele chega até a célula parte se oxida, ou seja não pode ser aproveitado. "A vitamina C presente no suco de laranja é um antioxidante. Alguns estudos mostram que os atletas quando não ingerem a vitamina C tendem a ter carência do nutriente porque o utilizam muito para combater a oxidação excessiva", explica Navarro.

A vitamina C presente na laranja também melhora a imunidade e previne doenças cardiovasculares, doenças dos olhos, envelhecimento da pele, fortalece os vasos sanguíneos e regula os níveis de colesterol.

Diminui a pressão arterial

O óxido nítrico, cuja produção é estimulada por um nutriente da beterraba, possui ação vasodilatadora, o que contribui para a diminuição da pressão arterial. Um estudo publicado em 2013 na American Heart Associationcomprovou que a maior quantidade de óxido nítrico está ligada a diminuição da pressão. "Porém, ainda não existem pesquisas relacionando a beterraba com o problema", ressalta Navarro. 

Protege o cérebro

Um estudo feito em 2010 com 140 pessoas pela Wake Forest University, nos Estados Unidos, constatou que a beterraba é um ótimo método para proteger os indivíduos do desenvolvimento da demência. O vegetal é rico em flavonoides, especialmente as antocianinas, que são poderosos antioxidantes. "Todos os antioxidantes promovem proteção para o cérebro, pois este órgão sofre muita oxidação", conta Navarro.

As antocianinas também protegem o sistema cardiovascular e melhoram a circulação sanguínea, evitando a retenção de líquidos. Os flavonoides ainda possuem uma ação anti-inflamatória.

Outro nutriente presente na beterraba também pode ser interessante para o cérebro. "O nitrato contido neste legume se transforma em nitrito no organismo. Este nitrito parece ajudar na circulação sanguínea, melhorando a oxigenação cerebral e com isso proporcionando uma melhora da função cerebral", explica a nutricionista do esporte Maria Luisa Bellotto. 

Como consumir

O suco pode ser elaborado com meia beterraba e o suco de uma laranja, mas isto irá depender do quanto a pessoa irá se exercitar e do seu peso e tamanho. É interessante que a beterraba esteja crua, assim seus nutrientes são conservados.

Consuma o suco cerca de meia hora ou quinze minutos antes do treino. "A proposta da bebida é para quem irá praticar atividades físicas. Afinal, ele irá fornecer energia que precisará ser queimada. Não faz sentido tomar o suco e ir dormir, por exemplo", diz Navarro. É interessante que o preparo do suco ocorra no momento do consumo. "Assim as pessoas conseguem evitar as perdas de nutrientes", conta Adolfo.

Como a beterraba possui grandes quantidade de açúcar e carboidratos, pessoas com diabetes devem tomar cuidado ao consumir o suco rosa. É interessante consultar o médico sobre a bebida e ingeri-la somente antes do treino.  

Como combinar

O suco rosa é uma ótima fonte de carboidratos e açúcares. Porém, também é interessante consumir alimentos ricos em proteínas antes de se exercitar. Isto porque este último nutriente repara as micro lesões que ocorrem como quando se prática atividade física. "É interessante comer também um queijo branco ou iogurte antes do exercício, que são fontes de proteínas", orienta Navarro. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ATIVIDADE ESPORTIVA


 


 

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Vicente Molina Neto acredita que o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da instituição de ensino.


Em entrevista coletiva concedida ao Portal do Professor, o educador comenta a importância do esporte durante a trajetória escolar. “Os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas”, afirma. Na UFRGS, Molina coordena o grupo de pesquisa F3P-Efice – Grupo de Estudos Qualitativos Formação de Professores e Prática Pedagógica em Educação Física e Ciências do Esporte.

Também participa do grupo Formación Inovación y Nuevas Tecnologias e do Centro de Estudios sobre los Cambios en la Cultura y en la Educación, ambos da Universidade de Barcelona (Espanha), onde cursou doutorado em filosofia e ciências da educação, participou de pós-doutorado e fez estágio sênior como professor convidado. Ele tem licenciatura em educação física, mestrado em educação e experiência nas áreas de formação de professores de educação física e de esporte escolar.

Qual é a importância de desenvolver atividades esportivas na escola?

Vicente Molina Neto –
Esse conjunto de perguntas é o mesmo que a área de conhecimento educação física se faz há mais de 40 anos. E nesse tempo todo foram respondidas desde diferentes perspectivas teóricas.

No meu ponto de vista, o desenvolvimento do esporte na escola como conteúdo da educação física escolar só faz sentido quando está integrado ao projeto pedagógico da escola e quando isso é entendido por toda a comunidade escolar, não só por um coletivo docente específico.Para entender a questão do esporte na escola é necessário pensar em um erro histórico de preposição – é de preposição mesmo.

Historicamente, governos têm tentado “desenvolver o esporte na escola como meio de desenvolvimento humano e social”. Fracassam porque o esporte que vem acontecendo na escola é de certo modo diferente do esporte no sentido que a sociedade em geral dá ao conceito.

O sentido que os estudantes dão, quando pedem ao professor de educação física para jogar bola, é diferente do que pensam os gestores quando propõem políticas públicas de incentivo ao esporte na escola.

Nesses casos, os adultos antecipam o desenvolvimento de hábitos higiênicos, respeito às regras do jogo e uma série de valores do mundo adulto, como o aumento do quadro nacional de medalhas olímpicas. Já as crianças e adolescentes, quando jogam bola na escola, apostam em celebração e na transgressão das normas em que não acreditam.

Portanto, como alguns colegas já disseram, é importante pensar o esporte da escola. É nessa perspectiva que penso estar a importância do esporte da escola como conteúdo da educação física. Na medida em que amplia a cultura corporal de movimento dos estudantes.

– Quais os benefícios que o esporte pode trazer para crianças e adolescentes (físicos, comportamentais, emocionais...)?

– Na perspectiva que antes explicitei, os benefícios do esporte estão localizados na formação humana dos estudantes, em seus desdobramentos físicos, intelectuais e ético-morais e no desenvolvimento humano das sociedades historicamente localizadas. O esporte da escola brasileira traz grandes benefícios ao desenvolvimento da sociedade brasileira. Ajuda, integrado com outros processos de socialização, na construção do cidadão brasileiro.

– Quais as principais modalidades esportivas que podem ser desenvolvidas na escola? Há algumas mais adequadas ao ambiente escolar do que outras? Por quê?

– Não há uma modalidade esportiva melhor do que outra a ser ensinada na escola. Tampouco há alguma que seja proibida. O que as escolas precisam para o desenvolvimento da educação física em toda sua plenitude, incluído o esporte da escola, é espaço – aberto, coberto, verde. Enfim, espaço onde possam ser desenvolvidos, pelo professorado de educação física, os esportes, os jogos, as lutas, as atividades de comunicação e expressão corporal, a dança o folclore etc.

– Os professores de educação física estão capacitados para desenvolver atividades esportivas nas escolas? É importante participar de cursos de especialização? Qual o papel das instituições universitárias nesse aspecto?

– Tudo o que há de bom e ruim no esporte da escola tem uma luxuosa contribuição do professorado de educação física. Em face da constituição histórica da disciplina educação física, o professorado sabe bastante de esporte, mas muito pouco de criança e de adolescente. Sabe muito sobre as regras do jogo, mas pouco como lidar com estudante com dificuldades de aprendizagem.

Sabe muito sobre os aspectos biodinâmicos do movimento, mas pouco sobre ler contextos de ensino e aprendizagem. Poucos sabem fazer análise de conjuntura com o fim de integrar seu ensino a um projeto educacional consistente.

Também há muitos cursos bons, principalmente nas universidades federais. Na UFRGS, promovemos uma reforma curricular importante. Acredito que seja o melhor currículo de educação física do Brasil.

Centramos as ações nos interesses dos estudantes a partir da pergunta: que saberes são necessários para que o professor de educação física atue de modo competente nos diferentes lugares nos quais a educação ganha concretude e tem visibilidade?

Com ele, corrigimos grande parte da fragmentação dos saberes da área de conhecimento e os integramos através de atividades interdisciplinares, contribuímos com a organização do tempo dos alunos (ensino e trabalho; ensino e pesquisa; ensino e extensão; ensino e tempo para estudar) e com ele contribuímos com algo que a departamentalização da universidade tinha retirado dos alunos – a possibilidade das turmas, o grupo, a integração, a possibilidade da formação política face a face.

Contudo, não foi uma tarefa tranquila e unânime, na medida em que discutir currículo e formação do professorado enseja uma série de debates sobre concepções de mundo e de educação.

Hoje, na Escola de Educação Física da UFRGS, os estudantes saem preparados para trabalhar em todos os ambientes de ensino e aprendizagem. Ainda mais, são capazes de trabalhar com equipes multidisciplinares e liderá-las.

Contudo, devem continuar estudando porque o fato de um estudante ter uma boa formação inicial não dispensa a formação continuada, a especialização e a continuidade dos estudos.

– De que forma o Brasil pode estimular a formação de novos atletas?

– O desenvolvimento do esporte, da dança, dos jogos, das lutas passa pela educação física regular. Se quisermos estimular a formação de estudantes qualificados, com sólida formação humana na cultura corporal do movimento humano, coloquemos esses programas sociais sob a tutela do projeto pedagógico da escola e da educação física regular. Ofereçamos as condições e avaliemos os resultados na comunidade escolar.

– Algum país poderia servir de exemplo ao Brasil com relação ao desenvolvimento de atividades esportivas na escola? Por quê?

– O Brasil é o modelo dele mesmo. Há que ter paciência histórica. A formação e o desenvolvimento humano não se fazem por decreto. Temos coisas a aprender com os outros, mas eles também têm muito que aprender conosco. Vejam o caso do futebol. A grande maioria dos treinadores europeus de sucesso não se cansa de dizer que adaptou a suas realidades o modelo brasileiro de jogar futebol.

Acredito na educação integral e na escola com horário expandido, não para fazer os deveres das disciplinas de caráter intelectual, mas para fazer atividades que integrem o esporte, a dança o teatro, o artesanato, a música e o exercício filosófico – a escola de Atenas.

Enfim, atividades alternativas ao currículo escolar de base intelectual. Aqueles estudantes que pretendam se dedicar ao aprimoramento esportivo, com vistas à profissionalização, que tenham oportunidades e meios, dentro e fora da escola. A escola não é uma ilha. A comunidade também educa.


Matéria publicada pelo site Portal Brasil.

Lago do Cuniã









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